17 Ago, 2017

Arquivo de Estados Unidos - Fair Play

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António Pereira RibeiroJulho 31, 20174min0

Em vésperas do encontro amigável entre as estrelas da Major League Soccer e o Real Madrid, actual campeão europeu em título, o Fair Play decidiu, com a ajuda dos comentadores da Eurosport Portugal Luís Cristóvão e Rodrigo Albergaria, escolher as figuras de uma competição entusiasmante cuja Fase Regular iniciou recentemente a sua segunda metade.

LUÍS CRISTÓVÃO

O XI Ideal de Luís Cristóvão

Mid-Season MVP – David Villa (New York City FC)

Continua a ser um jogador decisivo, um líder para uma equipa de NYC que está bastante mais forte. Sente-se que está mais liberto e confiante de que tem equipa para lutar pelo título.

Jogador Revelação – Miguel Almirón (Atlanta United)

Almirón, ainda que pelo estatuto que trazia, não se tratará tanto de uma revelação, mas de uma confirmação. Entre jogadores que não conhecia tão bem, Ring está a mostrar-se muito eficiente, levando mesmo Pirlo a passar a suplente.

Jogador Desilusão – Jermaine Jones (Los Angeles Galaxy)

Confesso que não percebi a sua contratação pelos LA Galaxy, porque não me parecia ser ele o jogador necessário para dar maior qualidade à ligação defesa-ataque da equipa. Entre lesões e más exibições, fica-lhe bem o lugar de desilusão do ano.

RODRIGO ALBERGARIA

O XI Ideal de Rodrigo Albergaria

Mid-Season MVP – David Villa (New York City FC)

Aos 35 anos, mantém todas as suas virtudes individuais no desempenho da função de homem mais avançado, ao qual tem aliado um sentido colectivo notável, que tem contagiado toda a equipa e sobretudo ajudado a crescer a malta mais nova como Jack Harrison ou Jonathan Lewis… tem sido fundamental no moldar da equipa às ideias ambiciosas do treinador Patrick Vieira.

Jogador Revelação – Julian Gressel (Atlanta United)

Nascido na Alemanha, onde chegou a fazer formação, destacou-se no futebol universitário Norte Americano e foi selecionado pelos Atlanta United no SuperDraft de 2017… Conquistou brilhantemente lugar no onze de Tata Martino que tem dado grandes espetáculos nesta 1ª metade da época e já marcou 3 golos e fez 6 assistências…

Jogador Desilusão – Kei Kamara (New England Revolution)

Em 2015 o avançado da Serra Leoa, então nos Columbus Crew, lutou com Giovinco pelo titulo de melhor marcador do campeonato… 2 anos depois o próprio jogador mostra-se desiludido com as suas prestações… depois de se ter incompatibilizado com Federico Higuain, forçando a transferência para os Revs onde, como o Austin Powers em “The Spy Who Shagged Me”, parece que perdeu o “Mojo”…

AS ESCOLHAS DO FAIR PLAY

O XI Ideal do Fair Play

Mid-Season MVP – David Villa (New York City FC)

Se no último ano, Villa recebeu o troféu de Jogador Mais Valioso de forma algo injusta, desta vez, em 2017, arrisca-se a repetir a façanha, mas com mérito incontestável. Mais do que os 14 golos e as 7 assistências, o avançado espanhol de 35 anos transforma o New York City FC numa equipa de topo a nível nacional.

Jogador Revelação – Nemanja Nikolic (Chicago Fire)

É verdade que Nikolic tem 29 anos, e já trazia consigo um historial profícuo da Hungria e da Polónia, mas poucos esperavam que o seu impacto em Chicago fosse tão substancial. Com 21 rondas da MLS disputadas, lidera isolado a lista de melhores marcadores, por ter concretizado 16 remates certeiros, contribuindo decisivamente para a boa classificação dos Fire na tabela.

Jogador Desilusão – Gyasi Zardes (Los Angeles Galaxy)

Determinante no último título conquistado pelos Galaxy em 2014, Zardes não tem conseguido confirmar o seu estatuto de promessa, e tarda em assumir-se como uma das figuras principais do plantel. Na presente temporada, o seu rendimento caiu ainda mais, coincidindo dessa forma com o mau momento colectivo do emblema californiano.

 

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António Pereira RibeiroJunho 29, 20174min0

Aos 12 anos, David Accam foi descoberto por um observador arguto, enquanto desfilava o seu talento futebolístico cru nos campos de Accra, capital do Gana. Agarrou a oportunidade, e trilhou um caminho ascendente primeiro em Inglaterra e mais tarde na Suécia, que lhe valeu a presença na selecção nacional. Hoje, o avançado ganês assume-se como um dos jogadores mais empolgantes da Major League Soccer, e pode muito bem retornar à Europa já este Verão. Sabe tudo sobre esta figura em ascensão, com a ajuda da Talent Spy.

Fundada em 1999, a Right to Dream Academy tem vindo a cumprir a sua missão de recrutar jovens talentos africanos nas ruas, e oferecer-lhes as condições para se tornarem futebolistas profissionais. Na sua lista de graduados podemos encontrar o ganês David Accam, que começou o seu percurso nas divisões inferiores britânicas, ao mesmo tempo que concluía a sua licenciatura. Com 22 anos, mudou-se para o terceiro escalão sueco, onde causou impacto imediato na época inaugural. Surgiu o interesse do campeão nacional em título Helsingborg, que se disponibilizou a pagar dois milhões de euros pela transferência de Accam, valor recorde para futebolistas da terceira divisão sueca.

O registo frutífero de 30 golos em 62 partidas acabou por ser recompensado com a primeira internacionalização pelo Gana, em Novembro de 2014, frente ao Uganda. Vários emblemas europeus disputaram a compra do seu passe, mas Accam decidiu assinar pelos norte-americanos Chicago Fire. Desde a sua chegada em 2015 que o veloz avançado se tornou a principal figura do clube orientado actualmente por Veljko Paunovic, só que em 2017, após o evidente fortalecimento do plantel (Nemanja Nikolic, Bastian Schweinsteiger…), o rendimento de Accam conseguiu disparar para níveis ainda mais elevados. Dez tentos e seis assistências em 16 encontros fizeram despertar o interesse do outro lado do Atlântico, sendo que os candidatos mais fortes à sua contratação, por enquanto, são os turcos do Bursaspor.

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Não é exagero nenhum afirmar que David Accam é um dos futebolistas mais rápidos do mundo. Aos mais cépticos, lanço o desafio de comprovarem essa velocidade supersónica com os seus próprios olhos. Mas cuidado, é fácil perdê-lo de vista no sprint. Combina a ligeireza com uma boa capacidade de drible, aliança fatal para qualquer defesa contrário. Outra das suas grandes valências é o remate portentoso que utiliza, eficaz em 29 ocasiões, nos 64 jogos realizados envergando a camisola dos Fire. Tradicionalmente podemos vê-lo no flanco esquerdo, a atacar o espaço nas costas da defesa, embora já tenha sido colocado no centro do ataque. As suas características aconselham sobretudo a faixa, algo que Paunovic percebeu, e continua a utilizar a seu favor.

Contudo, todos os jogadores têm as suas debilidades, e apesar da descrição enfática gizada no parágrafo anterior, Accam não é excepção. Para começar, apresenta fragilidades evidentes no jogo aéreo. Por outro lado, a velocidade extrema característica, acima de qualquer limite, retira-lhe frequentemente a clarividência na hora do passe. Finalmente, a sua principal função dentro de campo, a de explorar adversários descompensados com incursões rápidas, tem forte influência na disponibilidade defensiva, que se dilui rapidamente ao longo da partida.

BOA OPÇÃO PARA…

Légia Varsóvia – O bicampeão polaco precisa de sangue novo no ataque para tentar o terceiro título consecutivo, sobretudo após as saídas de Nemanja Nikolic e Ondrej Duda. Neste contexto, David Accam seria a opção certa, e os lugares cimeiros da lista de artilheiros da Ekstraklasa estariam certamente reservados para o ganês.

CS Marítimo – A eliminatória de qualificação da Liga Europa está aí à porta, e se os insulares quiserem fazer boa figura na competição europeia, e não vacilar internamente, precisam de garantir algumas figuras de valia adicional. A contratação de um extremo rapidíssimo como Accam, especialista em capitalizar os contragolpes, seria excepcional.

 

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António Pereira RibeiroJunho 25, 20174min0

Nos meandros incógnitos do segundo escalão do futebol colombiano, os olheiros do Sporting Kansas City conseguiram encontrar um jovem Jimmy Medranda. Anos mais tarde, converteram o lateral em extremo, e estão agora a colher os frutos sumarentos da sua aposta certeira. Conhece melhor este ala colombiano que se tem destacado na MLS, num artigo desenvolvido em parceria com a Talent Spy.

Os primeiros passos de Jimmy Medranda no futebol foram dados no Deportivo Pereira, emblema que milita na segunda divisão da Colômbia. Por lá manteve-se até completar 19 anos. O seu estatuto de desconhecido iria provavelmente prolongar-se por mais algum tempo, só que um acaso chamado Octavio Zambrano concedeu-lhe uma oportunidade inesperada. O técnico equatoriano tinha concluído uma ligação de três anos como assistente no Sporting KC quando chegou ao Deportivo Pereira, e, ao testemunhar o potencial de Medranda, decidiu referenciá-lo aos seus ex-patrões. Este networking deu a origem a um empréstimo em 2013, que convenceu os responsáveis norte-americanos a assegurarem o jogador em definitivo um ano mais tarde.

Os minutos não apareceram de imediato, e foi preciso esperar até 2016, para vermos Jimmy Medranda de forma regular no lado canhoto da defesa do Sporting KC. A sua vocação ofensiva deu tanto nas vistas ao longo da época, que o técnico Peter Vermes achou por bem adiantar o seu posicionamento no corredor. O rendimento e a influência de Medranda cresceram substancialmente no 4x3x3 da equipa, contribuindo de forma decisiva para o sucesso colectivo evidenciado na primeira metade de 2017.

Soccerway

O colombiano também chegou a ser testado no meio-campo, onde deu uso à sua leitura de jogo acima da média, mas é mesmo na ala que exprime melhor o seu futebol. Apesar da sua posição mais avançada no terreno, Medranda não convence pelas estatísticas ofensivas. Medranda assume-se como um extremo combativo, capaz de proteger todo o corredor, como poucos o fazem na MLS. Combina a velocidade com a resistência e a agressividade, tornando-se um obstáculo difícil de ultrapassar, mesmo para os laterais mais afoitos. Sabe fazer incursões rápidas e soltar colegas quando é necessário, da mesma forma que recua e bloqueia as investidas dos adversários com bravura.

Nos aspectos a melhorar, devemos apontar o seu jogo aéreo deficitário, e o pouco esclarecimento que demonstra muitas vezes na hora de rematar à baliza. Outra questão que se tem colocado prende-se com a condição física do jovem lateral, sempre um assunto sensível desde a sua chegada aos Estados Unidos. Contudo, a partir do momento em que começou a jogar regularmente, as maleitas físicas dissiparam-se. Veremos até quando.

BOA OPÇÃO PARA…

Grêmio Porto AlegrenseApesar de apresentar o melhor futebol do Brasileirão neste arranque de temporada, a Máquina Tricolor ainda não conseguiu dar o salto até à liderança da tabela classificativa. A contratação de um polivalente como Medranda, capaz de ocupar qualquer espaço na faixa esquerda, e até no centro do terreno, poderia ser a peça que faltava.

GD Estoril Praia – O técnico Pedro Emanuel está a acertar agulhas no seu plantel para a época que se avizinha, e Medranda seria, sem dúvida, uma opção interessantíssima, não só para 2016/17, mas sobretudo considerando uma perspectiva a longo-prazo. Acessível ao bolso dos canarinhos, o jovem colombiano tem um potencial desportivo e financeiro que não pode ser descurado.

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António Pereira RibeiroJunho 20, 20178min0

Algures na Costa Oeste dos Estados Unidos, os conceitos de inovação e de mudança aliam-se de forma única, numa startup que é ao mesmo tempo um clube de futebol. Os recém-nascidos San Francisco Deltas partem na vanguarda com um projecto ambicioso, que promete contagiar outros mercados num futuro próximo, e onde curiosamente, também se fala português.

Tudo começou no início de 2015, quando o actual CEO Brian Andrés Helmick foi desafiado pelo empresário brasileiro Fabio Igel a construir uma equipa de futebol profissional do zero. “Tive de colocar de lado o meu amor pelo desporto, porque quando amas demasiado algo, podes ficar cego”, explicou o empreendedor de origem colombiana, notabilizado pela fundação da empresa Algentis, e posterior venda por valores não divulgados, à seguradora HUB International. No seu currículo, podemos não encontrar experiência profissional relevante associada ao desporto, mas Helmick soube fazer as contas certas, na altura em que se impunha, como qualquer bom empreendedor. “Se olhares para as cinco equipas mais valiosas do mundo, três são de futebol. No top-50 de clubes desportivos, 42 estão nos Estados Unidos, mas nenhum desses são de futebol. O maior desporto do mundo não está no maior mercado desportivo do mundo a um nível significativo. Acredito que podemos tirar partido dessa lacuna”.

Aproveitando a proximidade de um dos centros tecnológicos mais importantes do mundo, Helmick conseguiu atrair vários investidores de Silicon Valley para arrancar com a startup. Entre os mais reconhecidos, destaque para Jonathan Peachey (antigo CEO da Virgin na América do Norte), Danny Khatib (Co-Fundador, Presidente e COO da Livingly Media) e Josh McFarland (Director de Produto na Twitter), para além do acima referenciado Fabio Igel, principal investidor desta empresa emergente. Aparentemente, não foi difícil conquistar o coração dos investidores, e Helmick estabeleceu inclusive uma lista de quatro critérios a cumprir, na altura de fazer os convites. “1. Tinha de conhecê-los verdadeiramente. Conheço a maioria deles há mais de dez anos. 2. Têm de ser inteligentes e capazes de acrescentar valor ao projecto. 3. Têm de mostrar uma afinidade pelo desporto, e idealmente, amar o futebol. 4. Mais importante, têm de ser simpáticos”.

E será o funcionamento de uma startup de futebol assim tão diferente de um clube tradicional? Brian Helmick explica-nos. “Se visitares as nossas instalações, repararás que não existem telefones, nem lugares marcados, nem funções atribuídas. Trabalhamos todos num ambiente aberto que realça a colaboração e a comunicação. Muitos dos nossos funcionários estão a usar a sua experiência em várias áreas fora do desporto, pelo que tendemos a olhar para as coisas de maneira um pouco diferente do que tipicamente olharíamos com uma lente desportiva”.

Os San Francisco Deltas iniciaram o seu percurso competitivo este ano, na North American Soccer League, prova referente ao segundo escalão da pirâmide norte-americana. Com quase metade dos jogos da Fase Regular disputados, os Deltas ocupam a segunda posição na tabela classificativa. No entanto, pese embora a importância dos resultados dentro de campo, Brian Helmick ressalva o valor da comunidade, um dos pilares do projecto. “Fazemos um esforço concertado para garantir que apoiamos a comunidade que nos apoia. Temos uma hashtag que utilizamos, #OnlyTogether. Isto só funcionará se o fizermos juntos”. Nesse sentido, existem várias iniciativas em curso para envolver cada vez mais a comunidade na vida do clube, muitas delas em parceria com associações não-lucrativas locais. Tornar os bilhetes mais acessíveis a todos, combater a exclusão social e a precariedade, e ajudar as mulheres empreendedoras da região, são alguns dos eixos de actuação primordiais dos Deltas.

Fotografia: Kelley L Cox-KLC fotos

“Em última análise, decidi correr este risco porque quero fazer crescer o futebol a todos os níveis, e quero partilhar a minha paixão pelo ‘desporto-rei’ com as pessoas de San Francisco. Esta é a minha casa há 14 anos, e acredito que conseguimos fazer algo muito especial”, garante o CEO dos Deltas.

A liderar o departamento do futebol, encontramos uma cara bem conhecida do futebol norte-americano. Todd Dunivant, ex-internacional pelos Estados Unidos, e campeão da MLS em cinco ocasiões, estreia-se assim nas lides dos bastidores, pouco depois de ter anunciado a sua retirada do futebol profissional. “Adoro futebol, e tive a felicidade de jogar profissionalmente por 13 anos. Sempre quis continuar a trabalhar no futebol,  e utilizar a minha experiência enquanto jogador para fazer o desporto avançar”.

Dunivant mostra-se bastante confiante quanto às chances do clube alcançar os Playoffs logo na primeira época, graças a uma estratégia bem delineada. “Começar uma equipa do zero é entusiasmante e desafiante ao mesmo tempo. A nossa abordagem centrou-se na construção de uma mentalidade colectiva forte, com excelente organização. Queremos ser uma equipa difícil de defrontar e de derrubar. Esse é um bom ponto de partida para qualquer equipa, e depois podemos construir a partir daí”.

UM TREINADOR LUSO-DESCENDENTE E ALGUMAS CARAS CONHECIDAS

No balneário dos Deltas também existe quem fale português. A começar pelo seu treinador, Marc dos Santos, um luso-canadiano que continua a fortalecer a sua reputação nas divisões secundárias norte-americanas. Depois da experiência postiiva nas reservas do Sporting Kansas City, da MLS, o técnico confessou o desejo de voltar a orientar uma primeira equipa. “A cidade, a oportunidade de construir outro clube do zero, e de regressar a um certo nível competitivo, foi o que me atraiu para os Deltas”.

Revela que já  foi abordado para trabalhar em Portugal, mas que nem o clube nem a altura eram os certos. “Neste momento, o meu único foco são os Deltas. Quero fazer o melhor que posso aqui, e não concentrar-me demasiado no futuro. Ele não me pertence”. Já em relação aos jogadores lusos, a história pode ser diferente. “A qualidade dos jogadores é fantástica, mas actualmente o valor do futebolista português é elevado, e cria um desafio no recrutamento. Muito provavelmente irei a Portugal observar alguns jogadores no próximo defeso”.

Fotografia: Robert Edwards-KLC fotos.

Contudo, não é preciso esperar pelo próximo mercado de transferências para encontrar caras conhecidas do futebol português no plantel californiano. A guardar a baliza temos Romuald Peiser, francês que acumulou passagens pela Associação Naval 1ª Maio e pela Associação Académica de Coimbra, esta última onde venceu inclusive a Taça de Portugal, em 2011/12. “Adorei jogar em grandes estádios com 40, 50, 60 mil espectadores por causa da pressão dos media e dos sócios. Foi incrivelmente desafiante jogar contra jogadores de classe mundial, e contra grandes jogadores portugueses”.

Após deixar os ‘estudantes’ em 2014, Peiser rumou à América do Norte, onde se assumiu rapidamente como um dos principais guarda-redes do segundo escalão. “Sempre acreditei no meu trabalho, e durante grande parte da minha carreira estive sempre entre os melhores guarda-redes da minha liga, quer fosse em França, Portugal, ou América do Norte”. Independentemente do desfecho de temporada, Peiser já entrou a ganhar, quando no início da época pediu a namorada em casamento no relvado, instantes antes de uma das partidas ter começado.

Outra figura dos Deltas que também passou por Coimbra foi Reiner, e a sua contratação contou com a ajuda do próprio ex-colega Peiser. O defesa brasileiro esteve na Coreia do Sul e na Turquia, antes de viajar até San Francisco. “O mister já me tinha visto a jogar em Portugal, e já me conhecia como jogador, então entrou em contacto com o Peiser, que tinha sido jogador dele nos Ottawa Fury. Deu tudo certo para mim, e vim para cá, através do Romuald”.

Sobre o seu tempo em Portugal, Reiner guarda boas recordações. “Aprendi muito como jogador, tive grandes técnicos, e cresci como jogador. Aprendi muito como pessoa, os portugueses são um povo acolhedor e estão sempre dispostos a ajudar quem chega novo. Fiz grandes amigos no país e sinto muito a falta deles”.

Vale a pena seguir a história dos San Francisco Deltas, não só pelos pontos de convergência entre a cidade e Portugal, que vão muito para além de pontes semelhantes, treinadores ou jogadores. Estamos perante uma experiência nova e excitante, onde o futebol, a tecnologia e a inovação encontraram um espaço comum. E se ‘delta’ significa uma foz de um rio composta por vários leitos dispostos de forma triangular, é caso para dizer, esperemos para ver como tudo isto ‘desagua’.

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António Pereira RibeiroJunho 14, 201714min0

Aos 34 anos, Tiago Lopes é hoje um dos presidentes mais jovens no panorama desportivo internacional. O português comanda os destinos do Harrisburg City Islanders, emblema que milita na USL Pro, segundo escalão do futebol norte-americano. Descobre o seu percurso inspirador que o levou até aos Estados Unidos, através desta entrevista exclusiva.

fp Como é que foste parar aos EUA em 2006, para assumir um cargo importante numa das dIvisões inferiores norte-americanas (USL)?

TL. Formei-me na Faculdade de Motricidade Humana, em Gestão do Desporto, e na Universidade de Liverpool. Em Inglaterra estagiei com o Manchester United após convite do Prof. Carlos Queiroz.

O Francisco Marcos era na altura Presidente da USL e conhecemo-nos no Verão de 2006. Ele estava em Lisboa e eu estava a regressar de Inglaterra. Lembro-me como se fosse ontem. Ele foi directo ao assunto e disse-me: ‘olha miúdo, eu falei com o Queiroz sobre ti e ele falou-me muito bem de ti. Sou Presidente da USL e tenho um projecto na Florida, Estados Unidos, que passa por estabelecer ligações entre clubes nos EUA e Europa. E assim foi. Aos 23 anos fui convidado por ele para director de relações internacionais da USL.  

A USL é hoje uma das 2ª divisões mais prestigiadas no mundo. São 32 equipas em mercados com uma população total de 75 milhões de pessoas. Temos jogos com transmissão nacional na ESPN e chegamos a 17 milhões de fãs. A assistência total no ano passado em jogos do campeonato superou 1.5 milhões de adeptos nos estádios. Marca que será por certo superada este ano.

fp Para além do teu percurso nos EUA, tens um interessante historial em projectos de grassroots. Fala-nos um pouco disso.

TL. Eu adoro o futebol profissional e a pressão que dai advém. A pressão de ganhar e dos resultados imediatos. Mas os projectos que geram resultados sustentáveis requerem normalmente que tenhas um conceito mais ‘’grassroots’’. Explico isto no sentido de sermos genuínos na nossa mensagem, estar no terreno, ver as coisas acontecer, desenvolver, melhorar e relacionarmo-nos com todos os stakeholders na criação e desenvolvimento do projecto.

Eu estive na criação de alguns desafios marcantes na minha vida e em todos fui um executivo preocupado em idealizar, planear e concretizar a curto, médio e longo prazo. Em 2008, aos 25 anos de idade, fui apontado como CEO do projeto do Manchester United em Portugal que contou com mais de 100 eventos e milhares de participantes de Norte a Sul do pais. Para além de ter participado activamente na formação de jovens treinadores e profissionais que representam hoje projectos de sucesso.

Em 2011, lancei um dos primeiros projectos de futebol na Índia com a criação da BBFS, um projecto de formação de futebol idealizado para Baichung Bhutia, uma das maiores referências na Índia e antigo capitão da seleção nacional. Projecto ainda hoje activo e com centros em diferentes cidades e dezenas de milhares de praticantes em toda a Índia.

Mesmo hoje aqui no Harrisburg não existe projecto que eu desenvolva que não tenha um cariz ‘’grassroots’’ na sua génese. A equipa principal e o futebol profissional tomam muito o meu tempo mas em 4 anos à frente do clube somos um dos clubes mais respeitados ao nível de desenvolvimento de jovens jogadores. Colocámos 12 jogadores na MLS e no estrangeiro. Outra prova é que até Janeiro de 2018 nós vamos anunciar um dos maiores negócios no futebol de formação nos Estados Unidos. Através de acordos estabelecidos com clubes internacionais e na região, teremos acima de 40.000 jovens na nossa pirâmide de futebol formação do clube.

fp Elucida-nos sobre o trabalho que tens desenvolvido com a Makesphere, empresa que fundaste em 2013.

TL. A minha actividade na Makesphere é muito limitada neste momento mas eu mantenho relacionamentos em diferentes países desde 2011, momento em que fundei a empresa e me levou a fazer consultoria a atletas, treinadores, clubes, federações e executivos nos quatro continentes. A minha paixão sempre foi encontrar soluções em diferentes contextos. Implementar planos e gerar resultados. Os desafios de hoje no futebol obrigam cada vez mais a que se tenha um conhecimento aprofundado de varias vertentes do negócio. Sejam elas ligadas ao treino, aos negócios ou mesmo à gestão de pessoas. Olhando para trás eu orgulho-me de ter trabalhado com profissionais que hoje considero amigos, de ter sido capaz de gerar soluções e resultados nas suas carreiras e até na suas vidas pessoais.

fp No meio de tudo isto, como é que surgiu a oportunidade de comandar os Islanders?

TL. Em 2013, o Philadelphia Union da Major League Soccer convidou-me para ser Presidente do Harrisburg, que na altura era o seu clube satélite.

O inicio no Harrisburg não podia ter corrido melhor: nos dois primeiros anos batemos todos os recordes na história do clube em termos de assistência, receitas de bilheteira e patrocínios. Fomos ainda à final do campeonato em 2014, inaugurámos novo centro de treino e novo estádio, alcançando uma significativa valorização do clube. Acabei por sair do Harrisburg em 2016 após ter vendido o clube a um novo grupo de accionistas por um valor também ele record.

Após esse período foquei-me na minha licenciatura e em concluir o curso The Business of Sports, Media and Entertainment pela Universidade de Harvard. Poucos meses depois o Harrisburg convidou-me para regressar.  Desde ai tem sido um novo ciclo de desenvolvimento e recentemente, mais uma vez, concluímos a venda do clube para um novo accionista maioritário. A minha actividade tem sido um pouco esta, pegar em projetos e transformá-los de raiz. Passa por analisar os factores de crescimento e valorização de um clube e criar riqueza para os seus accionistas.

fp Estás perto de completar 4 anos à frente do clube. Quais dirias que têm sido os teus maiores triunfos, dentro e fora do campo?

TL. Eu gosto de ser minucioso nos projectos e tudo começa com um plano bem claro e definido. Eu quando iniciei o Harrisburg, apresentei ao meu Board um plano de negócios com objectivos a alcançar. O meu trabalho ao final de cada período é provar que esses objectivos estão a ser atingidos. Nos últimos 4 anos este clube joga num novo estádio, aumentou as receitas em mais de 100% e a valorização do clube em mais de 500%, concluída a recente aquisição. Mas o futebol é igual em todo o mundo. Podemos declarar os melhores resultados no papel mas se a equipa não ganha temos que questionar quais as peças que faltam no puzzle. Tivemos um ano brilhante em 2014 com a final do campeonato, mas a presente época é sem duvida importante e queremos estar de novo nos playoffs.

fp O facto de seres um dos presidentes mais jovens dos franchisings norte-americanos trouxe-te algum obstáculo no exercício das funções? Sentiste algum tipo de preconceito ou desconfiança devido à idade?

TL. O preconceito e desconfiança sempre existem mas eu costumo dizer sempre às minhas equipas que o importante é estarmos focados naquilo que podemos controlar. O trabalho será sempre a tua melhor resposta.

Mas essa questão da idade é uma questão interessante. Eu diria que é preciso olhar à experiência e não à idade. Essa pergunta faz-me lembrar muitos momentos da minha vida.  Repare, embora eu não fosse um rapaz viajado, aprendi muito sobre negociações e relacionamento com pessoas no meu próprio bairro, onde aos 10 anos eu já armazenava prateleiras e atendia os clientes no restaurante dos meus pais – fez-me lidar com problemas e soluções. Foi uma experiência importante ou não? Claro que sim, sobretudo ajudou-me a criar uma personalidade de arregaçar as mangas e trabalhar. Às vezes passamos por situações que só mais à frente na vida conseguimos valorizar.  Joguei futebol muitos anos e quase progredi no futebol profissional, não fossem alguns obstáculos e rejeições. Mas essas contrariedades revelaram ser importantes. O jogo tinha outros planos reservados para mim. É tudo uma questão de perspectiva com que se olham as situações

A minha consolidação profissional nos Estados Unidos não foi diferente. Foi um processo que requereu passar por muitas provas. Podemos analisar a idade, a língua, a experiência em liderar um clube e tantos outros obstáculos colocados.  Eu diria que é preciso ter uma grande dose de coragem, perseverança e honestidade para contigo e com os outros. 

Hoje posso dizer que trabalhei com alguns dos melhores jogadores, treinadores, clubes e executivos. Lembro-me de pessoas como o Francisco Marcos, Carlos Queiroz, Alec Papadakis, Nick Sakiewicz e Eric Pettis que me apresentaram diferentes desafios. Foram eles que me abriram as portas para eu estar onde estou hoje. Conto uma pequena história que nunca contei publicamente: quando tomei posse como Presidente do Harrisburg, ainda em 2013, recebi uma carta no clube e nela dizia entre outras coisas ‘’Parabéns, maiores sucessos e espero que seja o começo de algo especial para ti’’ – assinado Sir Alex Ferguson. Isto para dizer que a indústria do futebol é muito um mundo de relacionamentos, reputação e competência. O teu maior currículo é quando alguém analisa os teus projectos, os profissionais com quem trabalhaste e verifica que a credibilidade está lá. Esse é o nosso passaporte profissional.

fp Os Islanders tiveram recentemente Martim Galvão à experiência, mas o jovem português acabou por não ficar no plantel. O que correu mal?

TL. O Martim apresentou qualidades que se destacaram e é um jogador que vamos acompanhando. Infelizmente para ele na altura que ele treinou connosco nós já tínhamos concluído as nossas inscrições na Liga e com um número limitado de 7 jogadores estrangeiros, que nos obriga a uma selecção mais criteriosa.

fp Acreditas na multiplicação de fenómenos como o de Martim Galvão, ou seja, no aumento de jogadores portugueses a saltarem das universidades norte-americanas para o Draft?

TL. Admiro e respeito muito os jovens portugueses que deixaram o país em busca de um futuro melhor. Eu próprio deixei Portugal com 20 anos e penso que isso me deu muitas ferramentas que hoje são fundamentais. Penso que as Universidades aqui sempre procuram talentos dentro e fora de campo. Aqui oferecem uma formação que pode muito bem ser decisiva para muitos atletas: quer eles possam ingressar no futebol profissional quer no mercado de trabalho por via das suas qualificações. A minha recomendação passa sempre por dominar o inglês, ter um percurso desportivo atractivo e não olhar para trás, no sentido de ser perseverante perante quaisquer adversidades.

fp Sentes alguma tentação em recrutar jogadores para os Islanders em Portugal?

TL. Hoje recrutamos jogadores em todo o mundo. Já tive jogadores portugueses, moçambicanos, nigerianos, senegaleses, costa-riquenhos, brasileiros. Óbvio que o jogador português é um jogador evoluído mas isso requer muitas das vezes parcerias com clubes portugueses para a cedência ou empréstimo dos atletas. Hoje nós temos parcerias com clubes na Dinamarca, Gana, Costa Rica, Alemanha, Itália, entre outros países. Portugal acontecerá naturalmente, estou certo.

fp Tens a intenção de voltar a Portugal a médio ou longo prazo? Ou pretendes continuar a crescer no futebol norte-americano?

TL. Aqui nos Estados Unidos eu já estou integrado e mantenho relações com todos os clubes profissionais, com a liga e federação. Estou a construir o meu percurso aqui e sinto-me valorizado. Repare, aos 34 anos eu lidero todos os departamentos do meu clube. Eu hoje sei o que é desenvolver um plano de negócios, de marketing, desenvolver um jogador ou um clube, relacionar com os media e patrocinadores, vender um bilhete ou comercializar um produto, dinamizar uma academia, entre outras aprendizagens e competências. Amo o que faço e sou apaixonado por aprender e aperfeiçoar-me cada vez mais. É uma experiência que não tem preço.

O meu regresso a Portugal é uma pergunta que me fazem com frequência. Sou apaixonado pelo nosso país onde mantenho relações. Para dizer a verdade o telefone não tocou para apresentar o desafio certo. Quem sabe um dia.

fp Os Islanders qualificaram-se para a próxima fase da US Open Cup, onde irão defrontar os Philadelphia Union. Qual o plano para eliminar o antigo clube satélite, numa altura em que no campeonato, as coisas não estão a correr tão bem?

TL.Vai ser um jogo extremamente difícil numa fase também conturbada que estamos a tentar ultrapassar. Às vezes basta um jogo destes para que a confiança da equipa possa subir a outros níveis. E é isso que esperamos. Eu lembrei aos jogadores a fase que passámos em 2014 e na mesma altura da época estávamos atravessando um período difícil. Acabámos por perder esse jogo da taça também para o Union mas ganhamos uma equipa a partir dai. Nesse ano conseguimos acesso aos playoffs e chegar à final. É isso que espero na quarta-feira, ganhar mas independentemente do resultado, espero que possamos sair desse jogo como uma equipa mais forte e mais preparada para enfrentar os próximos desafios.

fp Este ano ficou marcado pela confirmação da USL Pro como uma competição valorosa, depois da promoção ao segundo escalão da pirâmide norte-americana. A juntar isto aos emblemas que trocaram de provas no último defeso, o que achas que pode acontecer num futuro breve? Poderão a NASL e a USL Pro fundir-se?

TL. Como disse anteriormente, a USL é hoje uma das 2ª divisões mais prestigiadas no mundo. Temos estádios cheios com 20.000, 10.000 pessoas todos os jogos. Os clubes que compõem a liga têm capitais muito sólidos que pertencem a grupos muito conceituados. Temos muitos clubes em que os donos lideram também equipas da MLS, NBA, NFL, NHL, MLB. Isso gera influxo de capital, competência e sustentabilidade à USL e os números começam a aparecer. São 17 milhões de adeptos que seguem a USL neste momento. Imagine, mais do que a população toda de Portugal.

Isto para dizer que o crescimento da USL depende de si própria e tenho total confiança na liderança e estratégia de Alec Papadakis e da sua equipa. Nos próximos meses serão anunciadas novas equipas na USL em mercados chave nos Estados Unidos. Ao invés, a NASL está a passar por uma fase muito conturbada que só poderá ser ultrapassada sobretudo com uma mudança de estratégia na sua operação, e no meu entender, com investimentos significativos e entrada de novos grupos formando equipas em mercados chave. Até lá, penso que vamos continuar a ver exemplos de clubes como o Tampa Bay Rowdies a integrarem a USL e fazerem da liga uma das melhores 2ª divisões do mundo.

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Nas costas de uma das balizas do relvado do Complexo Desportivo da Abóboda, em Cascais, vislumbra-se um vasto mural, onde figuram os diversos patrocinadores do clube anfitrião, o Abóboda. Entre os mais proeminentes está o cartaz da Next Level Sports, que nos convida a jogar futebol e a estudar numa universidade norte-americana. Ao olharmos para o cartaz com a devida atenção, rapidamente percebemos que o local onde nos encontramos não é apenas o palco de confrontos entre equipas da 2ª Divisão da Associação de Futebol de Lisboa, mas também uma antecâmara para algo ainda maior.

A presente temporada marcou a estreia oficial da equipa de futebol sénior do Abóboda, muito por via da parceria estabelecida com a Next Level Sports, empresa de consultoria que se define enquanto “especialista na localização de Bolsas de Estudo em Universidades norte-americanas para atletas/estudantes das modalidades de Futebol e Ténis”. José Justo, responsável pela Central 32, organização que orienta todo o futebol do Grupo de Instrução Musical e Desportivo da Abóboda, reconhece a importância desse contributo. “Não tínhamos capacidade para ter os seniores sozinhos, e com a Next Level conseguimos. A ideia é continuarmos a crescer juntos, e a trabalhar para construirmos um clube cada vez mais forte”, adianta.

Por enquanto, o emblema de São Domingos de Rana ocupa a sétima posição do escalão de entrada da AFL, ainda com uma mão-cheia de jogos por disputar, mas já sem perspectivas de almejar uma subida no seu ano inaugural. O representante da Next Level Sports em Portugal, Tasslim Sualehe, explica-nos que a promoção estava nos planos, todavia, a jovem média de idades da equipa, a difícil adaptação ao estilo de jogo físico que se pratica neste escalão, e o aparecimento em simultâneo de vários clubes com sérias pretensões à subida, acabaram por embargar o objectivo. Ainda assim, o balanço é claramente positivo. “Tem sido óptimo para o clube, que inscreveu uma equipa sénior, e tem sido óptimo para nós, porque podemos oferecer competição aos nossos jogadores sem clube, enquanto se preparam para viajar até aos Estados Unidos. Vamos enviar entre 20 a 25 atletas este ano, nunca tínhamos enviado tanto, e tem muito a ver com o clube”, revela Tasslim Sualehe.

Nem só de futebolistas da Next Level Sports se compõe o plantel do Abóboda, embora representem uma fatia substancial do grupo, com tendência para aumentar nas próximas temporadas, tal como esclareceu Tasslim Sualehe. “Neste primeiro ano, eu tive de colocar um bocado de experiência na equipa, e fui buscar mais jogadores fora, pelo que a percentagem de jogadores da Next Level rondará os 30%. Para o ano, projectamos cerca de 70%”.

E será que a coexistência destes dois perfis distintos de jogadores no mesmo balneário pode comprometer o espírito colectivo? O actual treinador do Abóboda, Daniel Simões, garante-nos que não. “Os atletas que não pertencem ao projecto Next Level, assim que vieram ao primeiro treino, já sabiam ao que vinham. Antes de assinarmos com cada um dos atletas, tivemos uma conversa, explicando o projecto, e que seria diferente de um clube dito ‘normal’ […] Se colocarmos tudo em cima da mesa, logo desde o início, não existe qualquer problema na gestão do grupo”.

Alguns dos jogadores inscritos na Next Level Sports ultimam os detalhes para atravessar o Oceano Atlântico já em Agosto. É o caso de Hugo Martins, que irá frequentar a Licenciatura em Robótica e Automação na University of Ohio. O guarda-redes do Abóboda ressalva a utilidade da equipa, pela oportunidade de somar minutos antes de ingressar numa aventura desportiva e académica além-fronteiras. “É muito importante, especialmente para um guarda-redes, ter minutos de jogo, para estar pronto, e chegar lá com o ritmo que preciso. Foi uma das coisas que me ajudou a escolher o Abóboda”.

Nuno Sousa, outro dos atletas que está prestes a pisar solo norte-americano, tem aproveitado os treinos regulares e a competição para colmatar o défice físico resultante de quatro anos de paragem. “O grande foco do futebol nos Estados Unidos é o físico, e mesmo tendo muita técnica, se não nos apresentarmos bem fisicamente, não jogamos. Por isso, o facto de estar aqui a treinar é bastante bom para melhorarmos a nossa condição física e chegarmos lá em forma”. O centrocampista do Abóboda prepara-se para tirar uma pós-graduação em Business Leadership, na Ohio Valley University.

A marca da Next Level Sports e do jogador português está cada vez mais latente no ensino superior norte-americano, e não tardará muito até podermos ver os primeiros resultados desse trabalho, que ganha uma nova força com a edificação de uma equipa própria. Da Abóboda para os Estados Unidos, e daí logo veremos.

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A equipa da Major League Soccer com menos partidas disputadas é, simultânea e paradoxalmente, a que somou mais pontos. Os dois primeiros meses de competição colocam Orlando City SC na pole position para 2017, mas será que os Lions terão condições para capitalizar este excelente arranque e alcançar os tão desejados Playoffs?

As últimas semanas têm sido bastante entusiasmantes para todos aqueles que gostam de futebol na soalheira cidade de Orlando. Marta, eleita melhor jogadora do mundo em cinco ocasiões, foi apresentada como o mais recente reforço da equipa feminina local, os Orlando Pride, ao passo que a turma masculina do Orlando City SC lidera a classificação global da MLS. Tudo isto tendo como cenário o recém-inaugurado Orlando City Stadium, casa que ambos os conjuntos partilham desde o início de 2017.

Nos dois anos que precederam esta actualização de morada, o Orlando City SC actuou no imponente Citrus Bowl, palco de vários confrontos do Mundial 1994, e de comédias protagonizadas por Adam Sandler. Dos 34 jogos realizados na morada antiga, os Lions venceram apenas 13, empataram 12, e saíram derrotados dos restantes 9. Números que, ao adicionarmos um registo mediano fora de portas, facilmente explicam a sua repetida ausência dos Playoffs.

O EFEITO DA MURALHA PÚRPURA

Ora a partir do momento em que o novo estádio entrou na equação, passámos a assistir a um domínio anfitrião nunca antes visto. Cinco triunfos em igual número de jogos na condição de visitado, garantiram ao Orlando City SC o recorde de vitórias consecutivas em novos recintos. Há quem diga que este fenómeno de invencibilidade se deva ao ‘The Wall Effect’ (efeito da muralha), criado pela própria da ‘The Wall’, zona do estádio com capacidade para 4 mil pessoas, onde se reúnem os mais ruidosos e fervorosos adeptos do clube da Flórida. A secção foi desenhada com o claro propósito de alimentar um ambiente intimidatório e desconcertante para o adversário, um pouco à imagem do que acontece no terreno do Borussia de Dortmund. Quer seja por isso ou não, a verdade é que ainda nenhum forasteiro conseguiu pontuar no Orlando City Stadium.

O FAMOSO LOSANGO DE JASON KREIS

Sem desvalorizar a influência incontestável do 12º jogador no caso de Orlando, vale a pena perceber aquilo que mudou dentro de campo, e que possibilitou uma liderança inédita na história do clube. Comecemos desde logo pelo abandono de Adrian Heath do comando técnico, prontamente substituído por Jason Kreis, o treinador mais novo a sagrar-se campeão da MLS, em 2009. Durante as sete temporadas em que orientou o Real Salt Lake, Jason Kreis notabilizou-se pela feliz utilização do losango no meio-campo, e ao que parece, ainda não abdicou dele.

A função de maestro, noutros tempos adjudicada ao argentino Javier Morales, pertenceria naturalmente ao capitão Kaká, mas uma lesão do brasileiro no encontro de abertura forçou o improviso. Foi a partir desse improviso que nasceu o sucesso no sector intermédio, fundamental nos conjuntos de Kreis. A versatilidade do internacional jamaicano Giles Barnes revelou-se útil na altura de ocupar o vértice mais adiantado do losango. Compensou o virtuosismo técnico elevado à última potência de Kaká, com a sua característica mais evidente, a velocidade. Os resultados iniciais são promissores, mas fica a dúvida se os intérpretes que Kreis tem à sua disposição (Antonio Nocerino, Will Johnson, Matias Perez Garcia), serão os melhores para levar o seu losango até aos Playoffs.

A CONFIRMAÇÃO DE CYLE LARIN

Se a qualidade do losango pode despertar algumas interrogações, tendo em consideração a pequena amostra de sete jogos, os atributos de Cyle Larin na frente de ataque não deixam margem para dúvidas. Aos 22 anos, o avançado canadiano deixou de merecer o rótulo de jovem promessa, para ser visto em definitivo como um valor seguríssimo. É ele o principal rosto deste óptimo começo de temporada do Orlando City SC, ao apontar seis dos dez golos da equipa.

Os números não mentem. Desde que chegou à MLS, em 2015, Larin em momento algum abandonou a sua faceta mortífera. Contabiliza 37 remates certeiros em 66 jogos, registo que tem vindo a acentuar o interesse de vários emblemas europeus, muito capazes de o obrigar a atravessar o Oceano Atlântico já no próximo mercado de Verão. Larin alia o portento físico à velocidade, mas é mesmo a sua capacidade de finalização, tanto com os pés como com a cabeça, que mais impressiona.

Fotografia: USA Today Sports

O REGRESSO DE KAKÁ NA ALTURA CERTA

Voltando à perspectiva colectiva, convém mencionar que este belíssimo início de temporada tem igualmente, na sua base, um alinhamento benéfico, na medida em que, das sete partidas realizadas pelo Orlando City SC até agora, cinco foram em casa. Segue-se esta semana uma dupla jornada enquanto visitante, oportunidade única para perceber o que poderá valer verdadeiramente esta equipa em 2017. Depois do contratempo físico inicial, Kaká já é opção para esta deslocação a dobrar, e isso são óptimas notícias para Jason Kreis.

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A meio da semana ficámos a conhecer os finalistas da Liga dos Campeões da CONCACAF: Pachuca CF e Tigres UANL. Os dois representantes da Major League Soccer ainda em prova foram eliminados, pelo que teremos novamente emblemas mexicanos a disputar o troféu continental. Como se explica esta incompatibilidade histórica entre as equipas a Norte do México, e a principal competição de clubes da CONCACAF?

Quem acompanhou o equilibrado confronto entre FC Dallas e Pachuca CF, decidido no último suspiro com um golo de ‘Chucky’ Lozano, poderá pensar que se tratou apenas de um simples infortúnio. Daqueles que ocorrem à beira do apito final, e que são capazes de vitimar conjuntos inteiros, um pouco por todo o universo futebolístico. Muito pelo contrário. Estamos perante uma tendência negativa que vale a pena analisar.

Ora vejamos. Desde 2008/09, temporada em que a CONCACAF deu início a um formato competitivo para a Liga dos Campeões muito semelhante ao que se assiste na Europa, as equipas da MLS nunca venceram a prova, e só estiveram presentes na final em duas ocasiões (2010/11 e 2014/15). Se alargarmos a observação até aos semifinalistas, o cenário fica ainda mais negro. Das nove edições realizadas, e dos 36 semifinalistas encontrados, apenas 7 deles pertencem à MLS.

Apesar dos resultados anteriormente apresentados, a MLS surge confortavelmente como a segunda potência clubística da CONCACAF, já bem distante do futebol que se pratica nos relvados costa-riquenhos, por exemplo. Significa isto que as equipas da Liga MX representam um desafio dificílimo de ultrapassar para os restantes envolvidos, quer sejam eles norte-americanos ou nicaraguenses. Mas afinal, todo o investimento e mediatismo de que a MLS tem beneficiado nestes últimos anos não deveriam ser suficientes para esbater esta diferença?

A resposta mais sensata a esta questão será ‘talvez não’. Se é verdade que o investimento cresceu na MLS, também o mesmo aconteceu do outro lado da fronteira, com os principais emblemas mexicanos a aumentarem anualmente os seus generosos orçamentos. Basta olharmos para os plantéis do Tigres UANL ou do CF Monterrey, que só entre si conseguem segurar jogadores tão valiosos como André-Pierre Gignac, Eduardo Vargas, Dorlan Pabón, Edwin Cardona, Funes Mori, Ismael Sosa, Guido Pizarro, Javier Aquino ou Jürgen Damm. O investimento na MLS não é tão vigoroso no que diz respeito aos limites salariais por plantel, medida que embora promova o crescimento sustentável da prova, e permita mais facilmente a entrada de novos franchisings, vai adiando aquilo que seria uma luta justa contra a Liga MX.

Muitos especialistas apontam a questão do calendário como determinante para o insucesso dos clubes norte-americanos, ano após ano, salvo raras excepções. Isto porque, na maior parte dos casos, a primeira mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões é o jogo inaugural da nova época para quem disputa a MLS, ao passo que os mexicanos já levam meia dúzia de jornadas de competição doméstica. Embora esta seja uma vantagem inegável, não consigo encará-la como decisiva e suficientemente convincente para justificar toda esta relação conturbada que existe entre a MLS e a Liga dos Campeões.

Sobre o calendário, existe outro handicap bem mais relevante para a discussão, que passarei a explicar. Na teoria, se as melhores equipas da MLS em 2015 garantiram ao acesso à Liga dos Campeões, estas só irão participar na Fase de Grupos da prova na segunda metade de 2016. E caso se qualifiquem para a fase a eliminar, terão de competir no arranque de 2017. Trata-se de uma diferença de duas épocas, tempo mais do que suficiente na MLS para uma equipa transitar do topo para o fundo. Graças a este fosso temporal, vemos muitas vezes que os representantes norte-americanos que vão a jogo, sobretudo nas partidas a eliminar, não são, naquele momento, os mais indicados para equilibrar as contas com os mexicanos.

OS CASOS EXCEPCIONAIS DE REAL SALT LAKE E MONTREAL IMPACT

Os plantéis da Liga MX podem ter mais soluções e o calendário pode ser-lhes mais favorável, mas isso nunca impediu os norte-americanos de sonharem com a conquista do troféu, e consequente participação na Liga Mundial de Clubes. Estiveram muito perto em 2010/11 e em 2014/15, com as campanhas de Real Salt Lake e Montreal Impact, respectivamente.

No caso do Real Salt Lake, houve mérito, mas também um certo alinhamento favorável. Se na Fase de Grupos conseguiram superar o Cruz Azul na luta pela liderança, evitaram os mexicanos até à final, ao eliminar os compatriotas Columbus Crew SC, e os costa-riquenhos do Deportivo Saprissa. Na final a duas mãos, empataram a duas bolas no campo do CF Monterrey, e perderam 0-1 em casa, ficando a um golo do troféu. Desta forma, o Real Salt Lake protagonizou aquela que é ainda hoje a melhor campanha de sempre na Liga dos Campeões por parte de um clube da MLS (pós-2008/09). Uma caminhada memorável construída pelo técnico Jason Kreis, e por figuras como Kyle Beckerman, Álvaro Saborío ou Nick Rimando.

Mais recentemente foram os canadianos do Montreal Impact a repetir a proeza, arrebatando o título de vice-campeão continental. Sem representantes mexicanos no grupo onde eliminou os New York Red Bulls, os Impact perceberam que podiam fazer algo mais quando eliminaram o Pachuca CF nos quartos-de-final. O golo no último minuto de Cameron Porter foi o ritual de iniciação perfeito para o então Rookie da equipa sediada em Montreal. Seguiu-se o afastamento dos costa-riquenhos do LD Alaljuelense nas meias-finais, e restava derrubar novo Golias mexicano, desta feita o Club América. Após o empate a uma bola na Cidade do México, 61 mil pessoas reuniram-se no Olympic Stadium, perfazendo uma das maiores assistências de sempre na história do recinto. Só que no relvado a história foi outra, e o Club América venceu por 4-2. O treinador do emblema canadiano era Frank Klopas, e entre os jogadores mais notáveis, destaque para Nigel Reo-Coker, Laurent Ciman e Ignacio Piatti.

Enquanto a MLS não estabilizar, no que diz respeito ao número de franchisings em prova, e enquanto os seus clubes de menor capital não subirem a parada, o crescimento da marca MLS e do seu nível competitivo continuará a acontecer em velocidade de cruzeiro. Entretanto, as suas equipas vão chegar invariavelmente à Liga dos Campeões na qualidade de ‘outsiders’, o que não será propriamente mau. Desta forma, propicia-se a construção de excelentes narrativas sobre a superação, bem ao conhecido jeito norte-americano.

Tais narrativas poderão surgir já na próxima edição da prova, com as alterações ao formato anunciadas pela CONCACAF. Para além do alargamento de 24 para 31 participantes, a habitual Fase de Grupos dará lugar a eliminatórias a duas mãos. Tanto os emblemas mexicanos como os militantes da MLS só entram em campo a partir dos oitavos-de-final, ainda em Fevereiro.

Para já, fica o convite para seguirem a final da Liga dos Campeões da CONCACAF, entre o Pachuca CF e o Tigres UANL, a 18 e 26 de Abril, quando a noite já estiver bem avançada.

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Fair PlayMarço 16, 20179min0

O mês de Março assinalou o arranque da Chinese Super League (principal competição chinesa de futebol) e da Major League Soccer (principal competição norte-americana de futebol) e, caso se tenha distraído com o ‘poker’ de Bas Dost ou com a remontada histórica do Barcelona na Liga dos Campeões, não se preocupe: ainda vai a tempo. Para o ajudar a entender melhor o que poderá esperar em 2017 nestas duas provas, resumimos em seguida as principais características das duas competições, dividindo-as por áreas de interesse. Ricardo Lestre ficou encarregue da CSL, ao passo que António Pereira Ribeiro assumiu a pasta da MLS.

NARRATIVA A NÃO PERDER

Chinese Super League (China)

É inevitável para qualquer português que pretenda acompanhar a Super Liga desviar as suas atenções para o trabalho de André Villas-Boas no Shanghai SIPG FC. O jovem técnico portuense tem ao seu dispor um autêntico elenco de luxo pelo que procurará, a curto prazo, terminar com a hegemonia do Guangzhou Evergrande, liderado por Luiz Felipe Scolari. Para além de uma óptima base de atletas nacionais como Wu Lei – o golden boy chinês da actualidade -, Yan Junling, Wang Shenchao, Fu Huan, Yu Hai, Cai Huikang e até Wei Shihao, extremo ex-Leixões SC, o plantel das Águias Vermelhas conta com vários extracomunitários de enorme calibre. Hulk e Oscar são, obviamente, os nomes mais sonantes, numa lista que ainda congrega Odil Akhmedov, Elkeson e… Ricardo Carvalho.

Major League Soccer (EUA)

Depois das recentes passagens por Barcelona e pela Argentina, Tata Martino aceitou o desafio de trabalhar nos Estados Unidos, ao leme do estreante Atlanta United. Construiu o plantel do zero, em estreita colaboração com o director desportivo Carlos Bocanegra, e a verdade é que esta parelha já conseguiu aliciar alguns nomes interessantes, sobretudo para assumir as missões ofensivas. A começar por Héctor Villalba, velocíssimo extremo argentino que exibiu o seu cariz promissor ao serviço do San Lorenzo. Outras figuras talentosas como Josef Martínez (ex-Torino), Kenwyne Jones (ex-Al Jazira) e Miguel Almirón (ex-Lanús), fazem desta equipa de Atlanta uma séria ameaça (pelo menos em teoria), logo no seu primeiro ano de existência.

CANDIDATOS AO TÍTULO

Chinese Super League (China)

Guangzhou Evergrande e Shanghai SIPG. Por via de uma análise qualitativa às equipas, é perceptível a existência de outros potenciais candidatos, porém, estes são, de facto, os principais favoritos a conquistar o trono. A turma hexacampeã de Felipão manteve o seu núcleo praticamente intacto, à excepção de duas cirúrgicas aquisições, e promete continuar a sua senda vitoriosa sempre com o trio canarinho Paulinho-Ricardo GoulartAlan em grande plano. Por outro lado, o investimento levado a cabo pelos rivais diretos triplicou a exigência das competições internas o que, somando à árdua e exigente Liga dos Campeões Asiáticos, torna a situação dos Tigres do Sul de certa forma delicada.

Já o Shanghai SIPG, empolgado pelo brilhante entrosamento do trio Oscar-Hulk-Elkeson, joga com um grande fator a seu favor: a pressão nula a que um outsider está sujeito. As frentes competitivas, essas, são exatamente as mesmas que as do seu rival directo.

Fotografia: Sapo24

Major League Soccer (EUA)

Fotografia: Sapo24

JOGADOR A OBSERVAR

Chinese Super League (China)

Wu Lei. Apelidado de Maradona chinês após a sua estreia em 2006, somente com 14 anos de idade, na terceira divisão, o veloz extremo do Shanghai SIPG, agora com 25, é visto como o grande diamante do futebol chinês. Desde 2013, data da ascensão da equipa à primeira divisão, Wu Lei tem sido constantemente alvo de destaque pela velocidade, técnica, agilidade e, acima de tudo, pela veia goleadora que abarca. Hoje, é quase impossível não encontrar o seu nome quer no topo da lista de melhores marcadores da Liga, quer no onze inicial da seleção nacional chinesa.

Major League Soccer (EUA)

Cyle Larin. Desde que se estreou no futebol profissional, em 2015, este avançado canadiano assumiu-se rapidamente como o melhor jogador jovem a pisar os relvados da MLS. Bateu o recorde de golos marcados por um Rookie (jogador de primeiro ano na liga americana) e já leva 32 tentos em 60 partidas ao serviço do Orlando City SC. Futebolista portentoso, de remate fácil, dificilmente aguentará muito mais tempo nos Estados Unidos. O futebol canadiano deposita fortes esperanças no futuro deste jovem, que já foi internacional em 19 ocasiões, com toda a legitimidade.

A PRINCIPAL TRANSFERÊNCIA

Chinese Super League (China)

Oscar. Descontente com a pouca utilização no Chelsea FC, Oscar abalou o mercado europeu ao rumar para o Shanghai SIPG por um valor a rondar os 60 milhões de euros, convertendo-se no jogador mais caro de sempre do futebol chinês. Não faltavam interessados nos serviços do médio brasileiro, sobretudo nas ligas europeias de topo, no entanto, o ambicioso projeto apresentado pelo clube teve um grande peso na sua decisão, como o próprio admitiu. Fora os valores, Oscar é, indubitavelmente, peça-chave na estratégia de André Villas-Boas.

Fotografia: Sapo24

Major League Soccer (EUA)

Romain Alessandrini. Destacou-se no Rennes, e as suas boas exibições fizeram com que o Marselha, clube por onde passou durante a formação, o contratasse em 2014. Contudo, a promessa que havia revelado anteriormente, acabou por não se confirmar na sua estadia de duas épocas e meia em Marselha. Perto de completar 28 anos, o extremo francês viu na proposta dos Los Angeles Galaxy uma forma de revitalizar a sua carreira. Veremos se o consegue fazer.

O CONTINGENTE PORTUGUÊS

Chinese Super League (China)

André Villas-Boas, Jaime Pacheco e Ricardo Carvalho são os intervenientes lusos da Super Liga 2017. O ex-técnico do Al-Shabab tem agora a oportunidade de dar seguimento ao seu trabalho no Tianjin TEDA, formação que afastou da despromoção na edição anterior a poucas jornadas do fim. A tarefa a repetir não será nada fácil, mas a qualidade de jogadores como John Obi Mikel, Nemanja Gudelj ou Brown Ideye pode, certamente, evitar males maiores para Jaime Pacheco, treinador campeão pelo Boavista em 2001.

Por outro lado, a contratação de Ricardo Carvalho visa, essencialmente, a transmissão da sua experiência aos restantes colegas. O veterano defesa terá muito pouco tempo de jogo no Shanghai SIPG, contudo, a sua função terá, dentro do plantel, um valor inqualificável para AVB.

Major League Soccer (EUA)

A quantidade de futebolistas lusos a actuar na MLS nunca chegou para encher um monovolume. Contudo, o aparecimento de novas empresas de educação especializadas em colocar jovens atletas nas universidades norte-americanas promete mudar esta realidade muito brevemente. Para já, no início de 2017, contam-se quatro jogadores portugueses no principal campeonato norte-americano. O lateral-direito Rafael Ramos caminha para a sua terceira temporada ao serviço dos Orlando City SC, ao passo que o defesa-central João Meira começa o seu segundo ano com a camisola dos Chicago Fire. Quanto a entradas novas, temos os casos de Gerso Fernandes (nasceu na Guiné-Bissau, mas tem dupla nacionalidade), reforço de peso do Sporting Kansas City, e ainda João Pedro, médio ex-Vitória de Guimarães que foi contratado pelos Los Angeles Galaxy.

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.


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