16 Ago, 2017

Arquivo de China - Fair Play

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Romário IvoJunho 21, 20177min0

Você já ouviu algo sobre a terceira divisão chinesa (China League Two)? Pois então lá atuam dois dos melhores jogadores do Sichuan Longfor, equipa treinada por Manuel Cajuda e Floris Schaap – este último já entrevistado pelo Fair Play.

Qu Cheng e Chen Tao, principais jogadores do Sichuan, comemoram mais um gol. (Foto: Arquivo pessoal – Chen Tao)

Eles serão os craques da China League Two ao fim da temporada? Difícil afirmar, mas uma ‘dupla mortal’ tem sido sem nenhuma dúvida, o principal fator para a liderança da equipe chinesa do Sichuan Longfor na terceira divisão chinesa. E o treinador português Manuel Cajuda tem se orgulhado e aproveitado o máximo da qualidade ofensiva de Chen Tao e Qu Cheng, que são os grandes nomes, marcadores e também os assistentes da China League Two 2017, até as rodadas já disputadas no momento.

Foram 9 partidas até aqui, e em quase nenhuma rodada eles passaram em branco, na difícil competição para o Sichuan. O acesso da equipe nas últimas temporadas bateu na trave, nos últimos instantes, e a semi-final tem sido o “fantasma” da equipe nos últimos 3 anos. Só que neste ano, as perspectivas são grandes para o objetivo estabelecido na comissão técnica portuguesa. E o meio-campo Chen Tao e o atacante Qu Cheng vem ajudando e muito no bom desempenho e nos bons resultados na liga sul.

Apresentação e a aquisição em conjunto dois dois jogadores na última temporada. (Foto: Sichuan Longfor)

Eles chegaram em 2016 e ninguém imaginaria que os dois brilhariam em 2017, tanto que o contrato de Chen Tao, foi quase “um período de teste”, no primeiro instante. O dia 21 de junho representou por mera coincidência, a chegada do armador Chen Tao de 31 anos e do centro-avante Qu Cheng de 27 anos.

Naquele momento o meia Chen Tao sem encontrava em clube, desde a sua saída do Dalian Aerbin FC, por onde atuou entre 2013 e 2015. Após uma saída inesperada se fazia como uma aposta certeira, pois o clube não possuía um jogador com as suas qualidades e características. Para Chen Tao, foi uma virada de mesa grande e muito surpreendente, pois deixava o futebol profissional para um recomeço de carreira. Era um convite que veio do capitão do Sichuan, seu velho amigo, Gan Yingbo, e Chen decidiu aceitar para ajudar a equipe a somar muita experiência.

A situação para Qu Cheng era muito parecida, ele ainda vinha da Super Liga Chinesa. Atuava pelo Jiangsu Suning onde  não havia conseguido, desenvolver o futebol que lhe foi confiado nas poucas oportunidades que teve. Foi emprestado várias vezes, passando pelo Parma FC, pelo Persipura Jayapura e por fim o empréstimo ao Sichuan Longfor, onde se esperava muito do grandalhão de 1,88m de altura, que acabou marcando em 2016, 2 gols em 9 jogos.

A confiança ocorreu e veio em sequência a renovação. (Foto: Sichuan Longfor)

O ano de 2016 para Chen Tao não foi fácil. Não era por ser um craque que a adaptação seria instantânea. A falta de ritmo pesou em algumas ocasiões, mas aos poucos foi ganhado o seu espaço com o treinador português Vítor Pontes e ajudou a equipe a chegar às semi-final, sendo eliminada pelo Jiangxi Liansheng.

O choque de realidade foi grande para Chen Tao e a cidade de Sichuan, já que o melhor-meia atacante da década passada se transferia para um modesto clube. Chen Tao sempre foi marcado por passagens vitoriosas na seleção chinesa, sendo também o capitão mais jovem da história do futebol chinês.

O auge de Chen Tao perdurou ao longo de 2002 e 2011, seu início de carreira foi arrasador: fazia sempre grandes golos, decidia, era um exímio cobrador de falta e o mais talentoso jogador chinês da década anterior. Em 2004 foi nomeado o Young Player of the Year da Super Liga, em 2005 a conquistou a East Asian Football Championship e em 2011, o título da Copa da China com o Tianjin TEDA. Muitos não acreditavam que, aos 31 anos, com a transferência para o Sichuan, ele pudesse render aquilo que ele havia de futebol, mas a diretoria confiou e estendeu o seu contrato até 2019.

2017 tem sido o maior uma das melhores épocas de Chen Tao e Qu Cheng, tanto que Manuel Cajuda comenta assim o encontro e trabalho com o meia atacante Chen Tao na China: “Sobre Chen Tao começo por dizer que foi com surpresa e muita alegria que pude encontrar este talento no futebol chinês. É para mim um privilégio treinar um atleta com toda esta capacidade”, afirma.

É difícil prever o que deu errado na carreira de Chen Tao. Poderia ter ido mais longe? Não sabemos, mas a sua qualidade vem sendo expressada em todas as partidas: as assistências, a liderança e as cobranças de falta voltaram ao seu lugar. E Manuel Cajuda também questiona da mesma maneira, o passado de Chen: “Todos os dias me pergunto, onde teria chegado este Chen Tao se quando mais novo estivesse, por exemplo, no futebol europeu. Grande capacidade técnica, uma intuição táctica fantástica. Pena que treinadores anteriores não tenham aperfeiçoado todas as arestas nos aspectos de disciplina emocional. É um Líder dentro do campo, um Homem de carácter e um Amigo que dá gosto ter. Quanto ao seu desempenho apenas digo que estou maravilhado e se continuar assim vai durar mais 3/4 anos a um nível superior. Estou muito contente com ele”.

Um abraço que tem nome: “gol”. (Foto: Sichuan Longfor)

O incrível desempenho em 2017 tem nome

Se o Sichuan Longfor está dentro do G4 desde a primeira rodada, muito se deve ao protagonismo e o poderio ofensivo de Chen Tao e Qu Cheng. Porque os dois jogadores também em 2017 já marcaram juntos, 12 gols em 10 partidas.

E não sendo “fominhas”, eles deram espaço, é claro, para os outros gols de seus companheiros: Xiao Zhen, Ma Chongchong, Fan Baiqun, Lu Cheng e Jiang Xiaochen. Juntos são os responsáveis diretos por 63% dos 19 gols feitos pelo clube da província de Chengdu.

São 8 gols e a artilharia geral da China League Two para Qu Cheng e 4 gols para Chen Tao, que é também o líder de assistências da liga e o o 3º artilheiro geral. Esse início arrasador veio a começar no dia 9 de abril, diante do Hunan Billows, o Sichuan estreou com vitória e um gol do artilheiro e do garçom.

Qu Cheng um finalizador nato, precisa de pouco mais de 90 minutos para marcar 1 gol, e se manter a média, o primeiro título do Sichuan Longfor virá. Chen Tao com sua técnica, passes e organização, vem tendo participação direta em muitos gols do Sichuan, renascendo e mostrando que pode e tem potencial para jogar a Super Liga e, se observado por Marcello Lippi, o retorno a seleção chinesa. Mesmo sendo um jogador de 32 anos, tem uma saúde e um cuidado incrível, para não deixar de jogar nenhuma das 9 partidas da China League Two. O futuro os espera, será que eles vão se separar ao fim da temporada? Seguiram outros rumos? É o que não queremos, porque a redenção é notável e em 2018 continuarão a lutar por um propósito: o de se tornarem ídolos e escreverem a mais bela história chinesa da liga.

O projetado no ano do Sichuan Longfor é o acesso. A equipe vem cumprindo o favoritismo, e como diz Cajuda: “O mais importante não é somente começar bem e sim terminar bem”.

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Fair PlayMarço 16, 20179min0

O mês de Março assinalou o arranque da Chinese Super League (principal competição chinesa de futebol) e da Major League Soccer (principal competição norte-americana de futebol) e, caso se tenha distraído com o ‘poker’ de Bas Dost ou com a remontada histórica do Barcelona na Liga dos Campeões, não se preocupe: ainda vai a tempo. Para o ajudar a entender melhor o que poderá esperar em 2017 nestas duas provas, resumimos em seguida as principais características das duas competições, dividindo-as por áreas de interesse. Ricardo Lestre ficou encarregue da CSL, ao passo que António Pereira Ribeiro assumiu a pasta da MLS.

NARRATIVA A NÃO PERDER

Chinese Super League (China)

É inevitável para qualquer português que pretenda acompanhar a Super Liga desviar as suas atenções para o trabalho de André Villas-Boas no Shanghai SIPG FC. O jovem técnico portuense tem ao seu dispor um autêntico elenco de luxo pelo que procurará, a curto prazo, terminar com a hegemonia do Guangzhou Evergrande, liderado por Luiz Felipe Scolari. Para além de uma óptima base de atletas nacionais como Wu Lei – o golden boy chinês da actualidade -, Yan Junling, Wang Shenchao, Fu Huan, Yu Hai, Cai Huikang e até Wei Shihao, extremo ex-Leixões SC, o plantel das Águias Vermelhas conta com vários extracomunitários de enorme calibre. Hulk e Oscar são, obviamente, os nomes mais sonantes, numa lista que ainda congrega Odil Akhmedov, Elkeson e… Ricardo Carvalho.

Major League Soccer (EUA)

Depois das recentes passagens por Barcelona e pela Argentina, Tata Martino aceitou o desafio de trabalhar nos Estados Unidos, ao leme do estreante Atlanta United. Construiu o plantel do zero, em estreita colaboração com o director desportivo Carlos Bocanegra, e a verdade é que esta parelha já conseguiu aliciar alguns nomes interessantes, sobretudo para assumir as missões ofensivas. A começar por Héctor Villalba, velocíssimo extremo argentino que exibiu o seu cariz promissor ao serviço do San Lorenzo. Outras figuras talentosas como Josef Martínez (ex-Torino), Kenwyne Jones (ex-Al Jazira) e Miguel Almirón (ex-Lanús), fazem desta equipa de Atlanta uma séria ameaça (pelo menos em teoria), logo no seu primeiro ano de existência.

CANDIDATOS AO TÍTULO

Chinese Super League (China)

Guangzhou Evergrande e Shanghai SIPG. Por via de uma análise qualitativa às equipas, é perceptível a existência de outros potenciais candidatos, porém, estes são, de facto, os principais favoritos a conquistar o trono. A turma hexacampeã de Felipão manteve o seu núcleo praticamente intacto, à excepção de duas cirúrgicas aquisições, e promete continuar a sua senda vitoriosa sempre com o trio canarinho Paulinho-Ricardo GoulartAlan em grande plano. Por outro lado, o investimento levado a cabo pelos rivais diretos triplicou a exigência das competições internas o que, somando à árdua e exigente Liga dos Campeões Asiáticos, torna a situação dos Tigres do Sul de certa forma delicada.

Já o Shanghai SIPG, empolgado pelo brilhante entrosamento do trio Oscar-Hulk-Elkeson, joga com um grande fator a seu favor: a pressão nula a que um outsider está sujeito. As frentes competitivas, essas, são exatamente as mesmas que as do seu rival directo.

Fotografia: Sapo24

Major League Soccer (EUA)

Fotografia: Sapo24

JOGADOR A OBSERVAR

Chinese Super League (China)

Wu Lei. Apelidado de Maradona chinês após a sua estreia em 2006, somente com 14 anos de idade, na terceira divisão, o veloz extremo do Shanghai SIPG, agora com 25, é visto como o grande diamante do futebol chinês. Desde 2013, data da ascensão da equipa à primeira divisão, Wu Lei tem sido constantemente alvo de destaque pela velocidade, técnica, agilidade e, acima de tudo, pela veia goleadora que abarca. Hoje, é quase impossível não encontrar o seu nome quer no topo da lista de melhores marcadores da Liga, quer no onze inicial da seleção nacional chinesa.

Major League Soccer (EUA)

Cyle Larin. Desde que se estreou no futebol profissional, em 2015, este avançado canadiano assumiu-se rapidamente como o melhor jogador jovem a pisar os relvados da MLS. Bateu o recorde de golos marcados por um Rookie (jogador de primeiro ano na liga americana) e já leva 32 tentos em 60 partidas ao serviço do Orlando City SC. Futebolista portentoso, de remate fácil, dificilmente aguentará muito mais tempo nos Estados Unidos. O futebol canadiano deposita fortes esperanças no futuro deste jovem, que já foi internacional em 19 ocasiões, com toda a legitimidade.

A PRINCIPAL TRANSFERÊNCIA

Chinese Super League (China)

Oscar. Descontente com a pouca utilização no Chelsea FC, Oscar abalou o mercado europeu ao rumar para o Shanghai SIPG por um valor a rondar os 60 milhões de euros, convertendo-se no jogador mais caro de sempre do futebol chinês. Não faltavam interessados nos serviços do médio brasileiro, sobretudo nas ligas europeias de topo, no entanto, o ambicioso projeto apresentado pelo clube teve um grande peso na sua decisão, como o próprio admitiu. Fora os valores, Oscar é, indubitavelmente, peça-chave na estratégia de André Villas-Boas.

Fotografia: Sapo24

Major League Soccer (EUA)

Romain Alessandrini. Destacou-se no Rennes, e as suas boas exibições fizeram com que o Marselha, clube por onde passou durante a formação, o contratasse em 2014. Contudo, a promessa que havia revelado anteriormente, acabou por não se confirmar na sua estadia de duas épocas e meia em Marselha. Perto de completar 28 anos, o extremo francês viu na proposta dos Los Angeles Galaxy uma forma de revitalizar a sua carreira. Veremos se o consegue fazer.

O CONTINGENTE PORTUGUÊS

Chinese Super League (China)

André Villas-Boas, Jaime Pacheco e Ricardo Carvalho são os intervenientes lusos da Super Liga 2017. O ex-técnico do Al-Shabab tem agora a oportunidade de dar seguimento ao seu trabalho no Tianjin TEDA, formação que afastou da despromoção na edição anterior a poucas jornadas do fim. A tarefa a repetir não será nada fácil, mas a qualidade de jogadores como John Obi Mikel, Nemanja Gudelj ou Brown Ideye pode, certamente, evitar males maiores para Jaime Pacheco, treinador campeão pelo Boavista em 2001.

Por outro lado, a contratação de Ricardo Carvalho visa, essencialmente, a transmissão da sua experiência aos restantes colegas. O veterano defesa terá muito pouco tempo de jogo no Shanghai SIPG, contudo, a sua função terá, dentro do plantel, um valor inqualificável para AVB.

Major League Soccer (EUA)

A quantidade de futebolistas lusos a actuar na MLS nunca chegou para encher um monovolume. Contudo, o aparecimento de novas empresas de educação especializadas em colocar jovens atletas nas universidades norte-americanas promete mudar esta realidade muito brevemente. Para já, no início de 2017, contam-se quatro jogadores portugueses no principal campeonato norte-americano. O lateral-direito Rafael Ramos caminha para a sua terceira temporada ao serviço dos Orlando City SC, ao passo que o defesa-central João Meira começa o seu segundo ano com a camisola dos Chicago Fire. Quanto a entradas novas, temos os casos de Gerso Fernandes (nasceu na Guiné-Bissau, mas tem dupla nacionalidade), reforço de peso do Sporting Kansas City, e ainda João Pedro, médio ex-Vitória de Guimarães que foi contratado pelos Los Angeles Galaxy.

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.

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Ricardo LestreMarço 11, 201710min0

A chegada de André Villas-Boas ao futebol chinês surpreendeu o planeta do futebol naquele que foi um all-in da direcção do Shanghai SIPG para terminar com a hegemonia do Guangzhou Evergrande na Super Liga. Após um início empolgante sob o comando do jovem técnico português, o Fair Play lança a sua análise integral à equipa que promete fazer história na China e em todo o continente asiático.

Um clube com (muita) tradição na cantera

Anos antes do investimento milionário levado a cabo no futebol, o clube agora conhecido como Shanghai International Port Group Football Club procurava canalizar todo o seu capital no desenvolvimento e na projecção de jovens jogadores. Rebobinemos, então, a cassete para trás.

A história remonta para o ano 2000, com a criação da Genbao Football Academy pelo homem forte do futebol chinês Xu Genbao. Genbao é uma figura incontornável na República Popular da China. No seu vasto curriculum contam-se inúmeras experiências como técnico – isto após terminar a carreira como futebolista -, quer ao serviço da selecção nacional (sub-23 e sénior) quer de clubes como o Shanghai Shenhua ou o velhinho Dalian Wanda. Hoje, é um empresário de enorme sucesso. A fundação da Academia foi o perfeito exemplo da visão de Xu Genbao em torno de um desporto menosprezado e com pouco motivo de interesse no país. Para além de formar, deu oportunidade a atletas de alimentarem o sonho face à escassa quantidade de competições exclusivas para as camadas jovens.

Por esse motivo em particular, na temporada de 2005, deu-se por oficial a parceria entre a Shanghai Genbao Football Training Base e a Shanghai East Asia Sports and Culture Center, empresa de gestão desportiva estabelecida pelo grupo Shanghai East Asia Co.Ltd que por sua vez se encontra subordinado à Administração Desportiva de Shanghai. Deu-se, assim, um grande passo no que toca à profissionalização do futebol na China. Xu Genbao, como primeiro presidente, carimbou de imediato o paradigma da instituição: foco total na formação. Imagine-se que, no primeiro campeonato disputado, ou seja, na terceira divisão, o plantel era exclusivamente composto por jogadores com idades compreendidas entre os 14 e os 17 anos.

Com o passar do tempo, o Shanghai East Asia foi lançando grandes fornadas de jogadores – muitos dos quais são titulares absolutos na selecção nacional – onde constaram nomes como Wu Lei, Zhang Linpeng, Cao Yunding, Gu Chao e Jiang Zhipeng, e, simultaneamente, vencendo títulos e escalando posições até ao topo do futebol chinês. Em 2013, com a entrada da Shanghai International Port (Group) Co. Ltd, gigante empresa que detém controlo de todos os terminais públicos no porto da cidade, o paradigma imposto sofreu uma transformação astronómica. Literalmente.

Xu Genbao, o “Padrinho do futebol”, na China Football Summit 2016, realizada em Chongming. (Foto: pioneersports.cn)

Chen Xuyuan, actual chairman do Shanghai SIPG, ao lado de Javier Tebas e Enrique Cerezo, na tour asiática do Atlético de Madrid em 2015. (Foto: atleticodemadrid.com)

O curto legado de Sven Göran-Eriksson

Já sob o desígnio do milionário Shanghai SIPG e após uma primeira temporada de afirmação, Eriksson foi apresentado no ano desportivo de 2015 numa clara tentativa de cimentar a posição da equipa no pódio da Super Liga. O status quo do Shanghai SIPG mudou automaticamente e, dado o rico plantel ao dispor do técnico sueco, as dúvidas relativas à hegemonia do Guangzhou Evergrande começaram a surgir. O objectivo, no entanto, passava apenas por assegurar um lugar de acesso à AFC Champions League.

O plantel escolhido por Eriksson, na primeira época ao serviço do clube, teve um grande selo de qualidade. A experiência de elementos como Darío Conca, Asamoah Gyan, Tobias Hysén e Davi contrastou na perfeição com a boa base de jogadores chineses existentes no plantel. Cai Huikang, Yu Hai, Wang Shenchao, Fu Huan, Shi Ke, Lü Wenjun, Sun Xiang e, obviamente, o prodígio Wu Lei, são alguns exemplos. A nível táctico, a equipa organizava-se num 1x4x2x3x1 com grande foco nas acções de Darío Conca. O argentino, além de dono e senhor das bolas paradas, desempenhava a grande função cerebral no meio-campo. Todo o futebol do Shanghai SIPG versão 2015 era pensado e executado por si.

Onze base do Shanghai SIPG 2015. (Fonte: Lineup11)

A maior virtude desta formação centrava-se, particularmente, na forma disciplinada e pragmática com que se impunha perante os adversários. O desequilíbrio entre os sectores era raro e havia uma facilidade tremenda em produzir jogadas quer em ataque posicional quer em contra-ataque. Não era nada fácil bater o Shanghai SIPG de há duas épocas atrás. Que o diga o Guangzhou Evergrande de Scolari, que terminou no primeiro lugar somente a dois pontos de distância.

No ano seguinte, retirando a bombástica contratação de Elkeson, o plantel, assim como Eriksson, manteve-se intacto. E a ansiedade também. Com a história participação na Liga dos Campeões Asiáticos em disputa, o esforço teria de ser redobrado. O certo é que a equipa conseguiu uma prestação interessante na competição, mas, ao invés, foi revelando uma maior inconstância no campeonato e perdeu por completo o comboio do título. No somatório total, o Shanghai SIPG atingiu o terceiro posto e ficou a cinco pontos atrás dos rivais do Jiangsu Suning e a doze do Guangzhou Evergrande. Terminava, assim, o curto mas importantíssimo legado de Svennis.

Foto: ESPN

A aposta surpresa em André Villas-Boas

“Queremos trazer o troféu de campeão para Shanghai em 2017!”

Foi assim, sem qualquer tipo de relutância, que o dono e senhor do clube Chen Xuyuan se pronunciou na antevisão à presente temporada. O main target das Águias Vermelhas é, oficialmente, terminar com o longo reinado do Guangzhou Evergrande Taobao e o investimento efectuado teria de acompanhar tamanha ambição.

O xeque-mate da direcção em André Villas-Boas surpreendeu e agitou todo o mercado europeu. Um treinador jovem, com qualidades reconhecidas e com muitos pretendentes nas Big-5 que acabaria, no final das contas, por rumar ao emergente campeonato chinês. AVB foi, de facto, anunciado no timing ideal não só pelo tempo que teria para estudar o plantel, mas também pela antecipação negocial, diga-se, a outros clubes europeus de grande relevo.

Relativamente à composição do seu grupo de jogadores, Villas-Boas não usufruiu inteiramente da ‘carta branca’. Hulk e Elkeson já preenchiam duas vagas de extracomunitários, porém, a lesão prolongada de Darío Conca e a iminente saída de Kim Ju-young para o Hebei China Fortune abriram espaço para mais dois jogadores da sua preferência. Odil Akhmedov (FK Krasnodar) e Oscar (Chelsea FC), este último envolvido na transferência mais cara de sempre do futebol chinês, vieram colmatar essas mesmas lacunas.

As entradas no plantel em 2017. (Fonte: transfermarkt)

A época está ainda no seu começo, mas, tacticamente, já são visíveis as ideias de AVB. Algumas das quais bem conhecidas. Não obstante, a recente alteração da Associação Chinesa de Futebol para a utilização de jogadores estrangeiros veio atrapalhar um pouco o trabalho do técnico português ainda que noutros clubes a situação seja bastante mais complicada. De acordo com a nova regra, apenas três jogadores estrangeiros poderão ser utilizados em simultâneo e pelo menos um de dois jogadores sub-23 tem de entrar nas contas iniciais. Posto isto, ao contrário do que se tem sucedido na Liga dos Campeões, André Villas-Boas vê-se forçado a colocar Zhang Huachen no onze inicial, acabando por proceder à polémica substituição após poucos minutos decorridos no primeiro tempo. Na imagem seguinte, consta aquele que é o onze mais forte do Shanghai SIPG até ao momento.

Esquema táctico do FC Seoul 0-1 Shanghai SIPG (21/02), a contar para a AFC Champions League.  (Fonte: cortesia de Emilio @Scout5Continen)

Mesmo numa fase tão precoce da época, o futebol ‘espetáculo’ característico do português tem sido notório. A equipa soma 5 vitórias consecutivas em 5 encontros e um total de 16 golos marcados e 2 sofridos e demonstra uma assimilação de processos excepcional.

Na baliza consta Yan Junling, um dos melhores keepers chineses da actualidade, que transmite enorme segurança aos companheiros. A linha defensiva é coesa e acima de tudo muito rotinada – não tão alta como noutras experiências do português – conta com dois laterais de grande propensão ofensiva como Fu Huan e o capitão Wang Shenchao e ainda dois defesas-centrais posicionais como He Guan e Shi Ke. Inicialmente a defesa do Shanghai SIPG era apontada como o tendão de Aquiles, mas a verdade é que tem surpreendido bastante pela positiva. No meio-campo, o duplo-pivot com Cai Huikang e Odil Akhmedov torna-se vital no contraste com o maior peso atacante da restante equipa. Huikang mais posicional e defensivo e Akhmedov com um papel mais próximo de um box-to-box, actua com maior liberdade dentro das quatro linhas. Por fim, segue-se o quarteto genial composto por Oscar, Hulk, Elkeson e Wu Lei no último terço. Oscar, ainda que muito diferente de Conca na distribuição de jogo, combina, de forma exímia, com os restantes colegas em espaços reduzidos. Se a frente atacante da máquina de Felipão encanta à primeira vista, a de Villas-Boas não fica nada atrás.

O Shanghai SIPG versão 2017 vive do seu ataque e da forma como o quarteto Oscar-Hulk-Elkeson-Wu Lei se envolve para chegar ao golo. No mapeamento de passes que se segue relativo ao jogo frente ao Changchun Yatai a 4/03, cortesia de @11tegen11, é visível a frequência com que todos os membros de outros sectores se procuram ligar com os jogadores mais adiantados. É quase um sufoco para o adversário. Todos estes quatro membros jogam muito próximos entre si, produzem triangulações constantes e, consequentemente, momentos fantásticos de futebol.

Fonte: cortesia @11tegen11

Dadas as presentes circunstâncias, (re)nasceu um novo titã do futebol chinês. A essência da formação de jogadores perdura embora as aquisições milionárias tenham um peso tremendo a curto prazo. Assim surgiu o primeiro treinador a contrariar o tradicional cliché. O temível Shanghai SIPG Football Club de 2017 é um produto de grande qualidade made in André Villas-Boas.

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Ricardo LestreFevereiro 16, 201715min0

Perante o aproximar do início de mais uma temporada da Super Liga Chinesa, o Fair Play, em parceria com Leonardo Hartung, jornalista do China Brasil Futebol, decidiu presentear os seus leitores com algumas previsões sobre o que se pode suceder no campeonato que tanto amedronta o futebol europeu.

Leonardo, em primeiro lugar, gostaria de te agradecer, em nome do Fair Play, por teres aceitado o nosso convite para a realização desta Flash-Antevisão da Super Liga Chinesa 2017. Partindo agora para a acção, quais são as tuas apostas para…?

A contratação

LH. Oscar (Shanghai SIPG) – Impossível não ver o meia brasileiro como a principal contratação do futebol chinês em 2017. € 60 milhões de euros e Oscar chegou ao Shanghai SIPG para ocupar a vaga do lesionado argentino Darío Conca. Deve-se também olhar além dos valores. Oscar, assim como foram Hulk, Elkeson e André Villas-Boas simbolizam uma nova era do SIPG. Única equipe presente no G4 das últimas três edições da Super Liga (fora o campeão Guangzhou Evergrande), fazendo sua segunda participação consecutiva na Champions Asiática e a segunda que mais cede jogadores à Seleção Chinesa (só perdendo para o Evergrande). Para a diretoria do SIPG, chegou a hora de colher os frutos do bom trabalho com os jogadores locais e do investimento estrangeiro. E isso deve passar pelos pés de seu novo camisa 8.

Hernanes (Hebei China Fortune) – Não tendo sido, propriamente, uma transferência bombástica como a de Oscar – estima-se que o valor ronde os 8 milhões de euros mais 2 por objectivos –, por tudo o que se mencionou em cima, Hernanes foi, do ponto de vista táctico, uma contratação brilhante. A cedência de Gäel Kakuta, um dos elementos com melhor toque de bola do meio-campo, ao RC Deportivo, abriu caminho para a entrada de mais um extra-comunitário no plantel e, perante a permanência de Stéphane Mbia, esse elemento teria abarcar uma grande versatilidade em terrenos centrais. Eis que surge a opção Hernanes, médio-centro brasileiro que nunca teve a sua situação definida na Juventus FC. Manuel Pellegrini assegura assim um catalisador de enorme calibre que tratará de pautar todo o futebol de ataque da equipa.

A equipa sensação

LH. Guangzhou R&F – Segunda maior posse de bola e segunda equipe que mais passa na Super Liga. O Guangzhou R&F faz tudo isso gastando pouco e sem contratações bombásticas. E também com bons valores nacionais, como Tang Miao, Jiang Zhipeng, Wang Song e Xiao Zhi, além de estrangeiros de qualidade e baixo custo (se comparado com os rivais) como Eran Zahavi, Renatinho e Jang Hyun-Soo. Os 58,39% de posse de bola e 14.722 passes na Super Liga 2016 impressionaram o país. E a chegada de Júnior Urso mostra bem o que o técnico Dragan Stojkovic quer em 2017: mais bola nos pés e muita velocidade em sua equipe.

Tianjin Quanjian – A par do Guangzhou R&F, o Tianjin Quanjian, um dos recém-promovidos à Super Liga tem tudo para deixar boas impressões nesta nova edição. Fabio Cannavaro, conhecedor da realidade chinesa, levou o Tianjin a um excelente campeonato na segunda divisão, a China League One, onde viria a terminar no primeiro lugar da tabela. Óptimo plantel, bom futebol, e reforços de peso. Nomes como Axel Witsel, Alexandre Pato, Wang Yongpo e Kwon Kyung-won preenchem, com muita qualidade diga-se, as opções do técnico italiano que ainda procura atrair um ponta-de-lança de créditos firmados no recente defeso. Muita expectativa, portanto, na cidade de Tianjin, local onde se disputará um intenso derby entre Quanjian e TEDA, este último treinado por… Jaime Pacheco.

A equipa desilusão

LH. Shandong Luneng – Tradicional equipe do futebol chinês, o Shandong Luneng sofreu na Super Liga ao mesmo tempo em que fazia história na Champions Asiática na última temporada. A 14ª posição com apenas dois pontos a mais que o rebaixado Hangzhou Greentown pareciam ligar o sinal de alerta em Jinan. Mas o desmanche do elenco com as saídas de Walter Montillo, Jucilei, Wang Yongpo e ainda prováveis de Yang Xu e Zhao Mingjian preocupam apesar da chegada de Zhou Haibin e o retorno de Diego Tardelli. 2017 pode ser mais um ano difícil para os torcedores do Shandong Luneng.

Beijing Sinobo Guoan – A gestão do Shandong Luneng tem levantado imensas questões nos últimos tempos, mas, o que esperar do histórico Beijing Guoan? Com a entrada da Sinobo Land, cujo investimento total se traduziu numa larga fatia de 64% dos direitos administrativos, os Guardas Imperiais enfrentam a nova temporada colocando-se na lista dos clubes mais valiosos do mundo. 2016 não foi um ano feliz para a formação de Pequim que decidiu apostar no espanhol José González para comandar o novo ano desportivo. O mercado de transferências não tem sido muito movimentado, pelo que já se confirmaram várias saídas de peso para os rivais directos e apenas certas entradas com alguma relevância. Mesmo admitindo publicamente a necessidade da aquisição de um novo avançado (!) – Burak Yilmaz permanece no plantel –, o problema do Beijing Guoan é bem claro. O plantel é rico, contudo, mal aproveitado e há uma necessidade urgente que a equipa se reerga.

O treinador

LH. Manuel Pellegrini (Hebei China Fortune) – Esqueça o fraco segundo turno do Hebei China Fortune com duas vitórias, oito derrotas e apenas 14 gols marcados em 15 partidas. O período de ambientação do chileno Manuel Pellegrini na China terminou. Agora sim começa a cobrança, que o experiente treinador já conhece de longas datas. Para 2017, o Hebei focou no mercado interno e mostrou a vontade do clube com as chegadas do zagueiro Ren Hang e dos meias Zhang Chengdong e Yin Hongbo. A cereja do bolo veio no final da janela: a chegada de Hernanes dá o toque de classe e técnica que o Hebei tanto precisa para mostrar o seu projeto à China. Se em 2016 a equipe brigou pela vice-liderança no início da liga, este ano promete ser mais um forte candidato às vagas na Champions Asiática. E quem sabe, ao tão sonhado título chinês.

André Villas-Boas (Shanghai SIPG) – Naquela que foi uma decisão surpreendente por parte do jovem treinador português, André Villas-Boas assumiu um projecto ambicioso no Shanghai SIPG, instituição que pretende quebrar com a hegemonia do Guangzhou Evergrande o mais rápido possível. O ciclo fantástico, futebolísticamente falando, sob o leme de Sven-Göran Eriksson terminou e a chegada de AVB funciona como um all-in da direcção que pretende, assim, tornar o SIPG uma referência do continente asiático. A capacidade técnica/táctica de Villas-Boas é inegável e, embora na sua carreira tenha algumas experiências menos positivas, o núcleo que tem ao seu dispor não deixa qualquer tipo de dúvida. O Shanghai SIPG é o mais forte candidato a destronar o Guangzhou Evergrande e André Villas-Boas o homem ideal para conseguir tal proeza.

O jogador

LH. Alex Teixeira (Jiangsu Suning) – O início de ano do brasileiro de 27 anos era tímido. Poucos gols e uma queda precoce na Champions Asiática. Até a chegada de Choi Yong-Soo e do colombiano Roger Martínez, e Alex Teixeira voltou a ser o homem-gol visto no Shakhtar Donetsk. Antes engessado na ponta esquerda, o jogador passou a fazer dupla de ataque com o ex-atacante do Racing. Assim, Alex Teixeira se tornou o artilheiro do Jiangsu Suning e o destaque da equipe, chegando a 11 gols e sete assistências na Super Liga 2016. Com uma equipe entrosada e sem mudanças para a temporada 2017, Alex Teixeira e o Jiangsu Suning prometem vir ainda mais forte para enfrentar o poderoso Guangzhou Evergrande.

James Chamanga (Liaoning Whowin) – Uma menção honrosa para James Chamanga, veterano capitão do Liaoning Whowin que mesmo com 37 anos de idade continua a desempenhar um papel extremamente importante no seu conjunto. A experiência do avançado zambiano tem sido fulcral nas últimas temporadas, onde os Liao-Tigerkins acabaram por evitar grandes dissabores. Juntamente com Anthony Ujah e com o especial apoio de Robbie Kruse, Chamanga tratará de liderar o Liaoning Whowin a aventuras menos perigosas, porque 2017 não será nada fácil para os pupilos de Ma Lin.

Fonte: Daily Express

O goleador

LH. Eran Zahavi (Guangzhou R&F) – Difícil falar do incrível futebol do Guangzhou R&F e não mencionar o talento do atacante israelense. Custando menos que Graziano Pellè, Anthony Ujah e outros mais, Eran Zahavi fez incríveis 17 gols em 19 partidas na temporada passada. Dos 11 gols marcados na Super Liga, dez foram marcados dentro das áreas dos oponentes. Eran Zahavi teve formidável desempenho em apenas seis meses na China e promete fazer muito mais na temporada que se aproxima.

Elkeson (Shanghai SIPG) – O melhor marcador estrangeiro de sempre da Super Liga não tem vivido os melhores tempos da sua carreira. Durante a sua estadia no Guangzhou Evergrande, o avançado brasileiro marcou uma quantidade absurda de golos e ajudou o clube a conquistar inúmeros troféus nacionais e internacionais. A sua transferência para o Shanghai SIPG, na época transacta, reacendeu a chama após algumas lesões complicadas: 34 jogos, 15 golos e 14 assistências. Números interessantes, mas dada a contagem habitual de Elkeson, acabam por não deslumbrar. Agora, o panorama mudou. O avançado canarinho tem nada mais, nada menos do que Hulk, Oscar e Wu Lei como seus colegas e um treinador que privilegia imenso o futebol de ataque. Caso tudo corra sem sobressaltos, o seu nome figurará no topo da lista de melhores marcadores.

A táctica

LH. O 5-3-2 do Jiangsu Suning – A chegada de Choi Yong-Soo no comando do Jiangsu Suning foi um divisor de águas na equipe de Nanjing. Antes engessada no 4-2-3-1 de Dan Petrescu, a equipe passou a jogar em um promissor 5-3-2. Sem dúvida a chegada do colombiano Roger Martínez também agregou muito ao Jiangsu Suning, mas a mudança no estilo de jogo deu grandes resultados. No segundo semestre, o Jiangsu chegou a ser uma real ameaça à liderança do Guangzhou Evergrande na Super Liga e encarou o rival com todas as forças nas finais da Copa da China. Apesar do vice-campeonato em ambas as competições, o Jiangsu manteve a base com esperanças de ter um 2017 ainda melhor pela frente.

. O 1-4-2-3-1 do Yanbian Funde – Facilmente desdobrável num 1-4-1-4-1, o sistema táctico adoptado pelo experiente Park Tae-ha provocou imensas surpresas na temporada anterior. O Yanbian Funde foi o maior tomba-gigantes e registou resultados absolutamente surpreendentes contra adversários de maior dimensão. Futebol rápido, muito focado no contra-ataque e com grande ênfase nas acções do pequeno maestro Yoon Bitgaram. Apenas com uma saída de peso, do capitão Cui Min, e com várias contratações cirúrgicas, o Yanbian Funde prepara 2017 de modo assegurar o mais breve possível a manutenção no principal escalão do futebol chinês, mas sempre com a caixa das surpresas bem aberta.

Os relegados

LH. Guizhou Hengfeng Zhicheng – Grande surpresa da China League One 2016, quando conquistou o vice-campeonato com a mesma pontuação do campeão Tianjin Quanjian, o Guizhou Hengfeng Zhicheng estreia na Super Liga em 2017. Junto com a equipe campeã, os comandados de Li Bing tiveram a melhor defesa na segunda divisão. O Guizhou Zhicheng manteve o seu treinador e quase todo o sistema defensivo. As saídas do zagueiro Iban Cuadrado e do atacante Mazola, artilheiro da equipe no último ano, podem ser sentidas apesar das chegadas de Tjaronn Chery, Ali Ghazal e Michael Olunga. O Guizhou Hengfeng Zhicheng é um dos grandes candidatos ao rebaixamento, como o Yanbian Funde também era no início da temporada anterior após o vice-campeonato da China League One 2015. Se espelhar no estreante do ano anterior é uma boa ideia para o Guizhou.

Henan Jianye – Na última temporada chinesa, a equipe de Jia Xiuquan ficou notabilizada por ter o pior ataque da Super Liga com 26 gols marcados e uma das defesas mais vazadas com 44 gols sofridos. Bem fechada e com rápidos contra-ataques, o Henan freqüentou a parte de cima da tabela no primeiro semestre de 2016, mas teve forte queda e terminou a temporada em 13º. As saídas do talentoso meia Ivo, do bom zagueiro Ryan McGowan e de seu melhor valor local o meia Yin Hongbo deixam uma grande pulga atrás da orelha dos torcedores do Henan Jianye. A equipe precisa urgentemente de reforços, faltando três semanas para o início da Super Liga 2017. O atraso pode custar caro.

.  Changchun Yatai – Depois de uma luta intensa contra a descida de divisão durante toda a época de 2016, o Changchun Yatai respirou de alívio ao somar quatro vitórias consecutivas nos últimos cinco jogos da Super Liga e fugiu de uma realidade que se aproximava a cada dia – os comandados de Lee Jang-soo estiveram cerca de 25 (!) jornadas na zona da despromoção. Na ainda activa janela de transferências – fecha a 27 do presente mês – o Changchun movimentou-se bem relativamente às opções atacantes. Saíram Marcelo Moreno – o ‘herói’ e melhor jogador da equipa –, Julien Gorius, Mislav Orsic, Darko Matic e Ognjen Ozegovic e entraram Odion Ighalo, Marinho e Szabolcs Huszti. Retirando o sector ofensivo, cuja qualidade está, aparentemente, assegurada, o plantel vive com muitas lacunas defensivas. O Changchun Yatai continua a ser, portanto, um conjunto desbalanceado e a despromoção volta a ser uma realidade concreta.

Liaoning Whowin – Por muito que a situação do Henan Jianye seja, de facto, mais alarmante em relação às restantes, o Liaoning é outra formação que se insere no leque de potenciais relegados à China League One. 47 golos sofridos na edição anterior – uma das defesas mais batidas da competição – e com a dupla Chamaga-Ujah ao resgate em várias ocasiões, o Liaoning viveu momentos conturbados no que toca a movimentações de jogadores estrangeiros. O mercado australiano voltou a estar no foco da direcção, com a chegada de James Holland e de Robbie Kruse, porém, a matéria nacional existente não enche medidas. Será uma autêntica corrida contra o tempo para os Liao-Tigerkins.

O campeão

LH. Guangzhou Evergrande – 2017 deve ser o ano do heptacampeonato consecutivo da equipe do Cantão. Mas não será nada fácil. A concorrência tem aumentado e a temporada promete trabalho duro para os comandados de Luiz Felipe Scolari. Jiangsu Suning, Shanghai SIPG e Hebei China Fortune, um pouco mais distante, prometem atrapalhar os planos do Guangzhou Evergrande. Ainda assim, os atuais hexacampeões começam mais uma temporada chinesa como favoritos ao títulos. O motivo? O Evergrande tem os melhores jogadores locais e é a equipe que mais coloca jogadores na Seleção Chinesa. Sem contar do talento brasileiro de Paulinho, Ricardo Goulart e Alan, que torna o Guangzhou Evergrande ainda mais temido.

Guangzhou Evergrande – A máquina campeã do futebol chinês aparece, mais uma vez, na pole position para atingir o título. Em ‘equipa que ganha não se mexe’, e o Guangzhou Evergrande voltou a manter o seu núcleo de jogadores e a sua equipa técnica bem coesos. O valor dos hexacampeões é incontestável, mas irão os mecanismos funcionar na perfeição? A época não se avizinha fácil para os Tigres do Sul por muito que as odds continuem a apontar o contrário. 2017 será, ao que tudo indica, o ano mais duro – pelo menos a nível interno – para os meninos de Luiz Felipe Scolari.

O XI ideal

LH.

Fonte: Lineup Builder

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Fonte: Lineup Builder

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Ricardo LestreJaneiro 29, 20179min0

Guangzhou Evergrande Taobao é sinónimo de hegemonia. De vitórias. De finais. De conquistas. Construído pela raposa cinzenta, Marcelo Lippi, reforçado internamente por Fabio Cannavaro e desenvolvido por Luiz Felipe Scolari, o núcleo dos hexacampeões chineses adquiriu, rapidamente, um estatuto privilegiado no seio do futebol asiático e carregou consigo, competição atrás de competição, o nome do futebol chinês.

São largos os anos de domínio absoluto do maior conjunto da cidade de Cantão, não só a nível nacional mas também a nível internacional. Contudo, nos dias que correm, a realidade é completamente diferente. O investimento levado a cabo pelos restantes clubes rivais, que apontam um lugar no pódio/o acesso à Liga dos Campeões Asiáticos como principal objectivo, ameaça a hegemonia dos Tigres do Sul no panorama chinês. Em 2015, dois pontos separaram o Shanghai SIPG de Sven-Göran Eriksson do primeiro posto e, no ano transacto, o novo Jiangsu Suning, a contas com alguns sobressaltos, terminou a 7 pontos de distância dos actuais campeões. Agora, no ano desportivo de 2017, a contestação ao trono está mais do que iminente. Mas para um clube vencedor como o Guangzhou Evergrande Taobao esse é apenas mais um obstáculo a contornar.

Assim sendo, quais são os mecanismos que definem uma máquina campeã como o Guangzhou Evergrande?

Primeiramente, é necessário ressalvar o grupo coeso de jogadores chineses no plantel. Desde a entrada de Marcelo Lippi, no ano de 2012, atletas de maior calibre nacional como Gao Lìn, Zhang Linpeng, Zheng Zhi, Feng Xiaoting , Zheng Cheng  ou Huang Bowen foram recrutados pelo técnico italiano e continuam, actualmente, a usufruir de um estatuto bem elevado quer no clube quer na seleção nacional. O efeito Scolari garantiu, por outro lado, um maior endurecimento das qualidades desses mesmos activos.

CONSTRUÇÃO DE JOGO

No momento da saída de bola, Kim Young-gwon destaca-se entre os demais. Recorte técnico refinadíssimo e uma inteligência posicional acima da média para um defesa-central. Apesar de pouco físico – Feng Xiaoting complementa e muito bem essa lacuna – e propenso a lesões, o coreano funciona como constructor de jogo recuado da equipa e executa essa função com tremenda eficácia. Zhang Linpeng e Li Xuepeng – em detrimento da lesão prolongada de Zhou Zheng atuou várias vezes no flanco esquerdo assim como Rong Hao –, os defesas laterais, dão largura e profundidade aos corredores, permitindo um maior adiantamento dos extremos e uma outra liberdade aos médios no centro do terreno. Têm ambos uma óptima propensão ofensiva mas não se deslumbram no momento de transição, o que faz com que a equipa não fique descompensada facilmente.

Por sua vez, Zhang, agora com 27 anos, é uma das maiores figuras do futebol chinês e fora considerado, em tempos, como um das grandes promessas do atual grupo de jogadores internacionais. Fisicamente semelhante a Sérgio Ramos assim como no seu estilo de jogo e, inclusive, na posição, ‘Zhangmos’ iniciou a sua carreira como defesa-central apesar de se ter estabelecido, nos últimos anos, como um excelente defesa-direito. Um pouco à imagem do espanhol, mas no sentido inverso.

Kim Young-gwon (a vermelho) é um elemento muito importante na fase de construção devido à sua inteligência e elevada capacidade de passe

PROCESSO DEFENSIVO

A melhor linha defensiva do Guangzhou Evergrande, embora tenha sofrido com imensas lesões na temporada passada, é, no clímax da sua forma física, tradicionalmente composta por Zhang Linpeng, Feng Xiaoting, Kim Young-gwon e Zou Zheng. Linha defensiva alta, pressionante, posicional, versátil e, sobretudo, bastante completa.

Relativamente à transição defensiva, mais do que o posicionamento zonal dos quatros membros da defesa, o auxílio dos falsos alas adquire uma importância significativa. Dada a facilidade e a liberdade com que os médios se movimentam, o elemento que recua pode variar inúmeras vezes. Desde Huang Bowen, por norma um pouco mais descaído no flanco direito, a Zheng Long, passando por Gao Lin, Ricardo Goulart ou até Alan. Dependendo da posição que estes eventualmente desempenhem dentro de campo, a ajuda defensiva aos flancos está sempre presente, libertando Paulinho e Zheng Zhi para zonas mais interiores. A imagem que se segue ilustra perfeitamente como o ala, neste caso Gao Lin, recua no terreno para auxiliar Li Xuepeng e o pressing em bloco médio, diga-se, que a equipa efectua no momento da perda de bola, reduzindo espaços e limitando as opções do adversário.

A pressão zonal e em bloco médio-alto é frequentemente exercida pelo Guangzhou Evergrande. Desta feita, Gao Lin (a vermelho) auxiliou Li Xuepeng na missão defensiva

Como já referido anteriormente, Kim Young-gwon é o primeiro elemento a ter em conta na construção de jogo. Ainda assim, os papéis de principais catalisadores recaem em Zheng Zhi e Paulinho, os dois elementos do meio-campo mais recuados. O internacional brasileiro, desde a sua chegada ao Guangzhou Evergrande, revitalizou a sua carreira de tal forma que hoje é considerado um dos melhores box-to-box – se não o melhor – em todo o continente asiático e no restante mundo futebolístico. Peça crucial no esquema de Scolari, Paulinho realizou um total de 4.143 minutos, envolvendo todas as competições, e marcou vários golos de enorme relevância. A sua resistência, força e disponibilidade física nos 4 momentos do jogo fazem com que seja um apoio indispensável para Zheng Zhi.

O veterano chinês, com 36 anos de idade, caminha para a sua 7ª temporada ao serviço dos hexacampeões, mas as suas qualidades técnico-tácticas permanecem intactas. É o cérebro do jogo. Como a sua condição física actual não permite grandes aventuras, Zhi actua numa posição recuada pelo que auxilia, e muito, nas tarefas defensivas. Mas não só. A sua apurada visão de jogo, assim como uma grande técnica de passe, dá um outro embelezamento à construção de todo o futebol da equipa. Zheng Zhi é como que uma ‘aranha’ na forma como pensa e executa o jogo. Apesar de Paulinho o fazer com regularidade, é Zhi quem faz com maior qualidade.

Zheng Zhi (a vermelho) acompanha e vigia a movimentação do seu oponente directo sempre com muita atenção

Paulinho (a vermelho) e Zheng Zhi (a preto) alternam entre si a função de segundo receptor

PROCESSO OFENSIVO

A parte mais fascinante da máquina de Felipão. A frente de ataque do Guangzhou Evergrande, na sua plenitude de forma, é capaz de produzir momentos de futebol absolutamente estonteantes. Alan, após o larguíssimo atraso da sua debut, devido a complicações físicas graves, reacendeu a chama de uma equipa que passara por uma dura crise na época ao ser eliminada da Liga dos Campeões Asiáticos na fase de grupos. O avançado brasileiro mostrou uma superioridade abismal em relação a Jackson Martínez, beneficiando, por outro lado, da lesão do colombiano, e, juntamente com Ricardo Goulart e Gao Lin formou um trio temível. A mobilidade destas três unidades – sem esquecer o papel fundamental de Huang Bowen no esquema táctico – torna o tradicional 4x2x3x1 de Scolari autenticamente camaleónico. Isto porque o entrosamento entre os três roça quase a perfeição. A capacidade de jogar entre linhas, a forma como baralham as marcações contrárias e a agilidade com que se movimentam em campo é, de facto, assinalável.

Fonte: Twitter @HartungLeo

A disposição composta por Gao Lin (à direita), Ricardo Goulart (ao centro) e Alan (à esquerda)

Já é perceptível a troca de posições entre Alan (ao centro) e Ricardo Goulart (à esquerda)

Do três, Ricardo Goulart é o verdadeiro maestro. A habilidade técnica do brasileiro sobressai-se entre a dos demais e é dos seus pés que sai grande parte da magistralidade ofensiva da equipa. Sempre muito activo na procura da bola e com um sentido posicional entre linhas excepcional, Goulart tem, dentro do plantel, um valor incalculável. Por tudo o que acrescenta ao jogo.

Ricardo Goulart explora na perfeição o espaço entre linhas de modo a criar rapidamente uma linha de passe

A imagem seguinte ilustra na perfeição a forma como Gao Lin, Alan e Ricardo Goulart auxiliam o portador da bola Li Xuepeng, procurando criar triangulações rápidas e eficazes.

Alan, Gao Lin e Ricardo Goulart prestam auxílio imediato ao portador do esférico

Em várias ocasiões, o conjunto de Scolari chega ao golo a poucos toques e aplica, regularmente, um ritmo notável.

O Guangzhou Evergrande Taobao é prova viva de que o capital, mesmo investido em quantidades astronómicas, consegue, por si só, criar histórias de sucesso. Desde a entrada da Evergrande Real Estate Group e, mais tarde da Alibaba Group, os Tigres do Sul ascenderam do oito ao oitenta numa mera questão de tempo. Um clube de futebol que desde o seu corpo directivo aos restantes funcionários apresenta um alto grau de profissionalismo. O Guangzhou Evergrande Taobao quebrou, à sua maneira, as barreiras provocadas pelo eurocentrismo. Existe muito (e bom) futebol no continente asiático.

Foto: Xinhua Press

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Ricardo LestreSetembro 22, 201617min0

Hoje, mais do que nunca, o dinheiro comanda toda uma vida. No designado futebol moderno, o assédio efectuado por grande parte dos clubes torna-se quase impossível de resistir. A hipotética e radical transformação no saldo contabilístico de muitos atletas retira a estes a verdadeira paixão pelo jogo. O amor à camisola e o cavalheirismo dos one club-men entrou, oficialmente, em extinção. Vivemos na era dos mercenários. Contudo, a função que mais ingratidão abarca é a de treinador. A alteração do estatuto de Deus para Diabo pode suceder-se num ápice e, quando o primeiro cai, gera-se uma gigante e imediata sequência de quedas. A esse fenómeno dá-se o nome de efeito dominó.

A Super Liga Chinesa é uma potência em clara ascensão. A sua juventude a nível profissional não permite qualquer tipo de comparações com outros campeonatos, mas o investimento astronómico dos últimos anos tem sido alvo de destaque. Foram biliões de yuans e milhões de euros aqueles que Xi Jinping, presidente da República Popular da China e confesso fã de futebol, disponibilizou para revitalizar e potenciar ao máximo o desporto-rei no seu país. Mas, por outro lado, muito dinheiro é também sinónimo de pouca paciência. Agora com a época perto do seu término, o Fair Play analisa as saídas de vários técnicos assim como os seus desempenhos ao longo da prova.

Slaviša Stojanović


Clube: Changchun Yatai

Entrada: 13/1

Saída: 4/5

Resultados obtidos na época: 5 derrotas e 2 empates – 16º lugar


Após deixar boas indicações na edição passada, o Changchun Yatai partiu para 2016 com algumas mudanças quer a nível do plantel quer a nível do corpo técnico. Saiu Marijo Tot, entrou Stojanović e muitos jogadores sofreram o mesmo destino. Fora qualquer tipo de brilhantismo, o Changchun versão 2015 deu motivos de esperança e conforto à sua massa adepta. Equipa bem composta, com vários atletas internacionais pelas suas selecções, mas que não se conseguiu manter na totalidade. Pilares como os húngaros Szabolcs Huszti e Ákos Elek e o nigerino Moussa Maazou abandonaram a equipa – a melhor notícia surgiu com as permanências de Marcelo Moreno e Anzur Ismailov, dois dos jogadores mais influentes – e as vagas estrangeiras que estes libertaram não foram devidamente preenchidas. Darko Matić, experiente médio croata que havia terminado o seu vínculo com o Beijing Guoan, foi a única aquisição que nenhuma questão levantou sobre a sua qualidade – já lá vão 8 anos consecutivos no futebol chinês (!). Julien Gorius (ex-Genk) e Ognjen Ožegović (ex-FK Vojvodina), os outros reforços extracomunitários, aterraram como incógnitas e pouco ou nada fizeram para alterar esse mesmo rótulo.

No plano táctico, um autêntico desastre. Primeiro testado um 4x2x3x1 sem sucesso, o treinador esloveno optou por um 4x4x1x1, completamente centrado nas acções de Marcelo Moreno, garantindo dois empates nas sete jornadas que esteve ao encargo da equipa. Um pouco à imagem do Shanghai Shenxin na temporada passada, o Changchun Yatai estabeleceu-se como um dos elos mais fracos desde bem cedo. Muitas dificuldades defensivas – Matić, sendo um médio-defensivo de excelência actuou quase sempre a defesa-central face às debilidades/fraco desempenho dos seus colegas –, gritante dificuldade em construir jogo com critério e ligação inexistente entre sectores.  Para além de débil, o plantel do Changchun tem demonstrado uma descoordenação anormal dentro de campo. Lee Jang-soo, sul-coreano que ocupou o lugar de Stojanović, alcançou um total de 5 vitórias em 25 jornadas e todas elas com contornos inesperados. Isto porque o seu conjunto nunca conseguiu demonstrar, de facto, maior superioridade frente aos seus adversários. No recente defeso, Mislav Oršić, jovem atacante que brilhou ao serviço dos japoneses do Jeonnam Dragons e o brasileiro Bruno Meneghel (ex-Cerezo Osaka) foram recrutados de modo acrescentar mais qualidade no auxílio a Marcelo Moreno em zonas mais adiantadas. O upgrade pode classificar-se de razoável, até ao momento, mas a realidade é pura e dura. O Changchun Yatai está condenado à descida de divisão e Slavisa Stojanović foi a primeira peça a cair.

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Alberto Zaccheroni


Clube: Beijing Guoan

Entrada: 15/1

Saída: 20/5

Resultados obtidos na época: 2 vitórias, 3 empates e 4 derrotas – 10º lugar


Substituir Gregorio Manzano nunca seria tarefa fácil e Alberto Zaccheroni, experiente manager italiano de 63 anos, foi recrutado pelo Beijing Guoan para ocupar a vaga deixada pelo espanhol. Mais do que o seu currículo vistoso, a experiência bem-sucedida ao leme da Seleção Japonesa, durante quatro temporadas, teve um grande peso na decisão final por parte da direcção do clube.  Como se não bastasse o elevado grau de dificuldade do desafio, a saída de vários pilares como Dejan Damjanovic, Pablo Batalla e Ha Dae-sung, completamente acostumados ao país, piorou ainda mais a situação. As opções recaíram em Ralf e Renato Augusto, dois centrocampistas de craveira do Corinthians e em Burak Yilmaz, prolífico avançado turco do Galatasaray, sem esquecer, de igual forma, o papel desempenhado por Egor Krimets na defesa, ele que se estabeleceu na equipa após sucessivos empréstimos ao Pakhtakor Tashkent do Usbequistão.

Posto isto, e embora se aceitasse a existência de alguns contratempos iniciais, Zaccheroni teve, nas suas mãos, boa matéria-prima para explorar e trabalhar. Na prática, a história mudou completamente. Burak sofreu uma lesão nos primeiros treinos e, por incrível que pareça, a falta de uma alternativa de raiz, impediu que o sistema 4x2x3x1 do italiano fluísse ofensivamente. Foram testados vários atletas na posição mais adiantada, entre os quais Yu Dabao e o médio Piao Cheng (!), mas sem êxito.O futebol praticado esteve longe de se enquadrar num conjunto com a dimensão do Beijing Guoan. Monótono, sem ideias e sempre um quão expectante sobre algum possível rasgo de genialidade da autoria de Renato Augusto. A defesa, repleta altas e baixas, nunca conseguiu encontrar um ponto de equilíbrio na marcação e o meio-campo, mesmo com a dupla brasileira em destaque, não produziu o esperado. Já depois do seu despedimento, o fantasma de Zaccheroni permanece. O interino Xie Feng assumiu o posto e o cenário pouco ou nada mudou em termos futebolísticos apesar da concreta melhoria nos resultados – 6 vitórias, 6 empates e 3 derrotas.

Foto: Getty Images
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Dan Petrescu


Clube: Jiangsu Suning

Entrada: 12/7/2015

Saída: 2/6/2016

Resultados obtidos na época: 6 vitórias, 4 empates e uma derrota – 3º lugar


O afastamento de Dan Petrescu deixou um sabor agridoce no seio do novo e milionário Jiangsu Suning. A conquista da FA Cup na época passada, ainda sobre a insígnia do velhinho Jiangsu Sainty, deixou algumas boas impressões sobre o que 2016 poderia trazer. E, por detrás de um investimento bombástico da Suning Group, os objectivos propostos passavam por atacar todas as frentes possíveis: campeonato, Liga dos Campeões e, novamente, a FA Cup. Unidades estrangeiras como Alex Teixeira, Ramires, Jô e Trent Sainsbury e algumas nacionais como Gu Chao e Xie Pengfei deram outro espaço de manobra à outrora lenda do Chelsea FC que, juntando outros jogadores de peso que já faziam parte do plantel, formou um núcleo bastante interessante. Superado o desaire na Supertaça frente ao Guangzhou Evergrande e um primeiro empate no Vietname para a AFC Champions League, o Jiangsu parecia caminhar para a direcção certa. A frequente utilização do 4x2x3x1 assente na velocidade dos extremos Teixeira-Ji Xiang, procurando o target-man, agora relegado para a equipa de reservas, foi dando os seus frutos. A péssima fase inicial do Guangzhou Evergrande aumentou, ainda mais, o nível de confiança dos comandados de Petrescu que asseguraram o primeiro lugar da tabela classificativa durante várias jornadas consecutivas.

Com o avançar do tempo, os percalços foram surgindo. Tombo algo inexplicável na Liga dos Campeões, quando tudo parecia bem encaminhado, e uma quebra de rendimento em alguns encontros da Super Liga. Porém, nada de muito alarmante. É justo considerar que o empate a uma bola no terreno do Guangzhou R&F, a 23 de Abril, se afirmou como o momentum negativo da era Dan Petrescu. A incerteza e desconfiança sobre os rumores que iam sendo lançados sobre a sua saída para a Primeira Liga Russa, ia crescendo. Posto isto, a série de 2 empates e uma derrota, contra Shijiazhuang Ever Bright, Hangzhou Greentown e Tianjin Teda respectivamente, deu por terminada a aventura do romeno em solo chinês. O seu substituto, Choi Yong-soo, que até então desenvolvera um trabalho fenomenal no FC Seoul, assumiu o risco e, depois um pobre arranque, parece ter encontrado a fórmula ideal. 6 pontos separam o Jiangsu Suning do primeiro lugar a sete jornadas do fim e o objectivo não é, de todo, inalcançável, mas o seu actual dono e senhor é, nada mais, nada menos que o pentacampeão Guangzhou Evergrande.

Foto: digisport.ro
Foto: digisport.ro

Mano Menezes


Clube: Shandong Luneng

Entrada: 6/12/2015

Saída: 7/6/2016

Resultados obtidos na época: 2 vitórias, 3 empates e 6 derrotas – 14º lugar


Actualmente, a preferência do Shandong Luneng tem incidido, em particular, no contingente brasileiro. Cuca assumiu o comando por duas temporadas (2014 e 2015), onde venceu uma FA Cup e uma Supertaça, e cessou as suas funções de forma expectável, não fosse o enorme escândalo no qual se envolveu com um árbitro assistente. De louvar a atitude do técnico brasileiro porque, apesar da situação adversa na qual se deparou – a sanção imposta pela Federação durou largos meses –, cumpriu, na íntegra, o seu contrato. De modo a dar início a um fresco ciclo, Mano Menezes foi apontado como o sucessor do seu compatriota. Head coach renomado no mundo do desporto-rei que construiu e desenvolveu a sua carreira em torno do futebol brasileiro tendo, inclusive, registado uma passagem pela Seleção. Para a sua equipa técnica aterrou o professor Jorge Castelo, homem de ligações fortes com o futebol português, que apresenta uma larga experiência no ramo através de várias funções – comentador, formador, autor e, claro, treinador.

Em termos de matéria-prima, Gil e Júnior Urso causaram o maior impacto no plantel. O primeiro, titularíssimo no mais recente vencedor do Brasileirão, arrecadou o prémio de melhor defesa na competição e, tal como alguns dos seus ex-colegas – Renato Augusto e Ralf, por exemplo, também se renderam à Super Liga Chinesa – padecia de um estatuto elevado no seio do Corinthians. A sua transferência ficou estabelecida por uma verba a rondar os 10 milhões de euros e o seu impacto foi, obviamente, imediato. Por outro lado, a saída de Júnior Urso acabou por ser incompreensível dado o papel chave que o box-to-box canarinho desempenhou na edição transacta do campeonato. A sua evolução com Cuca foi tão impressionante que, por via de uma inesperada veia goleadora, decidiu inúmeros encontros a favor da sua equipa. A única justificação plausível prende-se com o facto de Walter Montillo ter rejuvenescido física e psicologicamente. Médio-ofensivo argentino que esteve perto de terminar a sua ligação com o clube devido a um ano de 2015 muito pouco produtivo.

O futebol forte em transições característico de Cuca foi substituído por um modelo 4x2x3x1 apoiado, ofensivo, dinâmico e poderoso em trocas posicionais. O fracasso da aventura de Mano Menezes teve um único e grave problema: a defesa. Constantes erros posicionais, descompensações desnecessárias e algumas deficiências no capítulo da pressão seja individual ou em bloco mancharam/mancham, de forma constante, as exibições dos Guerreiros Laranjas. A profunda discrepância entre as performances da equipa na Liga dos Campeões – o brasileiro assegurou um lugar na história do clube ao atingir os quartos-de-final da competição – e no campeonato, não criou condições para a continuação de Mano no cargo. A 7/6 apresentou a sua demissão, alegando motivos pessoais e, um dia depois Felix Magath, entrou em acção. E a situação permanece quase inalterada. Contratações milionárias (Graziano Pellè e Papiss Cissé), sistemas tácticos muito defensivos e o Shandong Luneng encontra-se, mesmo assim, no 13º lugar. As falhas que Mano Menezes não conseguiu consertar são como que um deserto sem fim.

Foto: foxsports.com.br
Foto: foxsports.com.br

Yasen ‘Gianini’ Petrov


Clube: Shijiazhuang Ever Bright

Entrada: 12/12/2013

Saída: 14/7/2016

Resultados obtidos na época: 3 vitórias, 5 empates e 9 derrotas – 15º lugar


A despedida de Yasen Petrov da Super Liga Chinesa foi a mais emotiva. Gianini, como é internacionalmente conhecido o búlgaro, assumiu a pasta de treinador do Shijiazhuang ainda na China League One, subiu de divisão e, na temporada de estreia na Super Liga, garantiu um histórico 7º lugar na tabela. Com um colectivo pouco vistoso (Rúben Micael e Mario Rondón deram os seus contributos essenciais), Gianini criou uma autêntica máquina de guerra e o mesmo se esperava de 2016. As saídas foram aceitáveis e pouco impactantes enquanto que, em termos de entradas, o plantel sofreu um boost interessante. Diego Maurício, Cui Peng, Shao Puliang e Mi Haolun foram algumas adições de qualidade para o leque de opções de Petrov que via com bons olhos algumas arestas bem limadas no seu núcleo. Infelizmente,o seu seguro, rápido e letal 5x3x2 facilmente desdobrável num 5x4x1 não surtiu o efeito desejado e, juntando várias lesões de jogadores importantes, o Shijiazhuang iniciou a época com o pé errado. Apesar da chegada tardia de outros atletas como Matheus e Mendy, Yasen Petrov nunca conseguiu equilibrar a balança. Constante insegurança defensiva, ao contrário de anos anteriores, falta de ritmo e de coordenação/entrosamento continuam a assolar o Shijiazhuang Ever Bright que se encontra no 16º e último lugar da classificação.

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Dragomir ‘Dragan’ Okuka


Clube: Tianjin Teda

Entrada: 18/12/2015

Saída: 1/8/2016

Resultados obtidos na época: 5 vitórias, 8 empates e 7 derrotas – 12º lugar


Para quem observou a versão 2015 desastrosa do Tianjin Teda treinada por Arie Haan, a nomeação de Dragan Okuka não poderia ser mais acertada. Larga experiência no futebol chinês, com passagens célebres pelo Jiangsu Sainty e Changchun Yatai, o técnico de 62 anos iniciou uma nova etapa na maior instituição de Tianjin. Os desfalques causados por Hernán Barcos e Pouraliganji foram bem suprimidos (Zainadine Júnior e Fredy Montero à cabeça) e, dentro dos possíveis, esperava-se uma época dura, mas sem espaço para grandes pressões. O arranque inicial não foi o melhor e, para além dos brilharetes de Montero e os golos de Mbaye Diagne, o Tianjin Teda, jornada após jornada, revelava uma gigante inconstância. Importante referir que o plantel à disposição de Okuka carecia/carece de um centrocampista de maior craveira internacional, o que limitou um pouco o seu esquema de 4x4x2 tradicional. Entre desníveis e picos de forma, a entidade superior do Teda decidiu terminar com a travessia do sérvio, de forma algo exagerada, diga-se, e substituí-lo por um outro membro experiente e bem conhecedor do panorama nacional que tratará de assegurar, o mais rápido possível, a manutenção na primeira divisão: Jaime Pacheco.

Foto: draganokuka.com
Foto: draganokuka.com

Li Tie


Clube: Hebei China Fortune

Entrada: 18/8/2015

Saída: 27/8/2016

Resultados obtidos na época: 10 vitórias, 5 empates e 8 derrotas – 5º lugar


Li Tie, um dos melhores futebolistas chineses da história, aceitou o desafio de comandar um Hebei China Fortune completamente revigorado e preenchido por estrelas como Gervinho, Ezequiel Lavezzi, Mbia e Gäel Kakuta, sabendo de antemão que um lugar de apuramento para a Liga dos Campeões era um objectivo obrigatório a atingir. A primeira derrota surgiu na 5ª jornada, frente ao Shanghai Shenhua, mas as ideias de Tie começavam a entranhar-se no seu flexível 4x3x3. A ausência prolongada de Ezequiel Lavezzi transportou todo o protagonismo para Gervinho, extremo marfinense que foi decisivo nos primeiros encontros. A sua velocidade, a irreverência de Kakuta, a segurança de Mbia, a liderança de Ersan Gülüm e os golos de Dong Xuesheng iam alimentando, pouco a pouco, a chama do recém-promovido Hebei China Fortune. No entanto, colocava-se a grande questão de que o banco de suplentes não apresentava alternativas viáveis ao 11 inicial e, numa fase bastante adiantada, confirmou-se tal facto. As lesões surgiram em força, os torneios de selecções também e por motivos de força maior, Li Tie alterou o seu 4x4x3 para um 4x4x2 mas a equipa não correspondeu positivamente. Nas suas últimas oito jornadas, o Hebei perdeu 5(!) encontros, empatou 2 e apenas venceu um. Inaceitável para um investimento tão grande. Com vista a não perder as esperanças de um lugar no pódio, Manuel Pellegrini e a sua comitiva foram apresentados no imediato. A primeira derrota já é um dado adquirido (3-2 frente ao Yanbian Funde) e a corrida contra o tempo será uma espécie de milagre.

Foto: superleaguenews.com
Foto: superleaguenews.com

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Ricardo LestreAgosto 9, 20168min0

A Super Liga Chinesa (CSL) tem brindado o mundo do futebol com contratações sonantes e muitos dos recentes negócios têm como protagonistas vários atletas familiares. Depois de lançada a parte 1 deste artigo, o Fair Play lança a sua segunda e última peça sobre alguns velhos conhecidos do futebol português que actuam na China.

MATHEUS

Rápido, ágil e tecnicista. O atacante brasileiro que se destacou ao serviço do SC Braga – não menosprezando, obviamente, as suas passagens pelo Beira-Mar e Vitória FC – mantém muitas das suas qualidades intactas embora com menor fulgor, algo típico dos seus 33 anos de idade. As 5 temporadas com a camisola do Dnipro foram um claro sucesso. Matheus manteve um rácio interessantíssimo de jogos/golos, mas devido à situação instável económico-desportiva do clube ucraniano, decidiu dar um novo rumo à sua carreira livre de quaisquer custos. Segundo, sobretudo, os media internacionais, o PAOK de Salónica esteve muito perto de se tornar a sua próxima paragem. No entanto, a tentadora proposta efectuada pelo Shijiazhuang Ever Bright não deu muita margem de manobra ao atleta canarinho visto que, do ponto de vista financeiro, uma ida para a China seria muito mais rentável a médio-longo prazo. É colega de equipa de Rúben Micael e Mario Rondón, já referidos na parte 1 deste artigo, e a sua estreia não tardou em surgir. A experiência que imprime dentro de campo tem ajudado de forma significante uma formação que atravessa momentos extremamente delicados na vigente época. Soma, até ao momento, 486 minutos (7 jogos sob o estatuto de titular/suplente) 2 golos e uma assistência e a sua estadia em solo asiático será, ao que tudo indica, duradoura.

Rating Fair Play: 4/5

Foto: Sina Sports
Foto: Sina Sports

FREDY GUARÍN

Uma das transferências mais mediáticas da Super Liga Chinesa 2016 aquando do seu início. Frescas na memória dos adeptos portistas perduram as três épocas e meia do médio colombiano realizadas a um nível de excelência e culminadas com vários troféus. 12 milhões de euros a pronto oferecidos pelo Shanghai Greenland Shenhua retiraram Guarín do Inter de Milão numa altura em que a sua saída se badalava constantemente. A formação dos Diabos Azuis sofreu um forte investimento/remodelação no presente ano dada a fraca prestação levada a cabo por Francis Gillot em 2015, pretendendo regressar o mais rapidamente possível ao topo do futebol chinês. Para além de um milionário reforço no plantel, a equipa técnica também cambiou de rosto. Gregorio Manzano, reputado técnico espanhol, abraçou o desafio no maior rival do Beijing Guoan, seu anterior conjunto, e a chegada de Guaro teve o seu dedo. Peça fundamental no processo de construção do jogo, por todas as características que lhe são inerentes, e elemento intocável no onze inicial, Fredy Guarín tem vindo a adaptar-se – relativamente ao factor língua, Manzano e Gio Moreno, seu compatriota, têm sido cruciais – com êxito a uma diferente realidade. Os números totais à 20ª jornada falam por si: 1,780 minutos (20 jogos), 4 golos e 6 assistências.

Rating Fair Play: 5/5

Foto: hsbnoticias.com
Foto: hsbnoticias.com

ZAINADINE JÚNIOR

O defesa internacional moçambicano estabeleceu-se como um dos esteios do CD Nacional, na passada edição, após a aterrar na ilha da Madeira concretamente no ano de 2013. A fantástica ascensão não passou despercebida aos olhos do mundo e Zainadine Júnior nem chegou a completar a temporada com o emblema alvinegro ao peito. O valor apresentado pelo Tianjin Teda – 2 milhões de euros – foi impossível de rejeitar por muito que este se tratasse de um dos maiores activos às ordens de Manuel Machado. Tem sido bastante positiva a aventura de Zainadine na cidade de Tianjin ainda que na vertente colectiva o cenário não prime pela beleza. É certo que o arranque demonstrou algum nervosismo – um autogolo e vários erros defensivos – mas a sua posição, embora ameaçada pelo concorrente directo Aleksandar Jovanovic, está bem cimentada: 1,238 minutos (16 jogos), 2 golos e uma assistência.

Rating Fair Play: 4/5

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

RAMIRES

Juntamente com Guarín, Ramires vestiu a pele de reforço-bomba da Super Liga Chinesa 2016 ao trocar o Chelsea FC pelo Jiangsu Suning numa operação que rendeu cerca de 33 milhões de euros ao clube inglês. As críticas fizeram-se ouvir rapidamente e o certo é que a vida do incansável médio que despontara no Benfica não tem sido nada fácil. A nível interno, o Jiangsu Suning procura ainda garantir uma maior estabilidade depois do afastamento de Dan Petrescu como treinador assim como afastar as más fases exibicionais que tanto têm afectado o conjunto ao longo dos últimos meses. Dentro das quatro linhas, e por muito que a afirmação seja relativa por se tratar de um jogador de elevado calibre, o seu contributo é inegável: em todas as competições acumula 26 jogos, 5 golos e 6 assistências. O grande e surpreendente problema de Ramires esta temporada tem-se prendido com o péssimo temperamento nos diferentes momentos do jogo. Duas expulsões motivadas por agressões quer na Liga dos Campeões Asiáticos quer no campeonato que resultaram em pesadas sanções para o box-to-box brasileiro. Ramires tentou, inclusive, agredir o árbitro da partida de 9 de Julho frente ao Shandong Luneng motivando uma suspensão de 4 jogos por parte da Federação. Resta saber se, agora com a temporada perto do fecho, o Queniano Azul irá cumprir o seu vínculo na íntegra.

Rating Fair Play: 2/5

Foto: express.co.uk
Foto: express.co.uk

KLÉBER

Anunciado o regresso ao GD Estoril Praia, fica mais do que provado que a carreira de Kléber atingiu o seu clímax em Portugal. Marítimo e Estoril são, muito provavelmente, os melhores tempos vividos pelo avançado natural de Estância Velha, município do Rio Grande do Sul. O Beijing Guoan investiu 5 milhões de euros na aquisição do ex-FC Porto para garantir uma alternativa a Dejan Damjanović mas, na verdade, Kléber nem chegou a afirmar-se como tal. No somatório das duas temporadas – em 2015 chegou numa fase avançada –, o ponta-de-lança registou 276 minutos, uma assistência e um incrível recorde de entradas… em tempo de descontos.

Rating Fair Play: 0/5

Foto: Beijing Guoan
Foto: Getty Images

FERNANDINHO

Talvez o atleta que passou mais despercebido no radar dos portugueses. Fernandinho juntou-se ao GD Estoril Praia na temporada 2014/2015 proveniente do Madureira EC e não conseguiu mostrar, de facto, as suas maiores virtudes. Nos Estorilistas, em todas as competições, acumulou um total de 829 minutos, muitos dos quais na condição de suplente utilizado, 1 golo e 5 assistências e no mercado de transferências seguinte ingressou no Chongqing Lifan por empréstimo. O campeonato chinês caminhava para o seu término, contudo, Fernandinho deu um contributo vital (14 jogos, 3 assistências e 3 golos) permitindo que a sua equipa alcançasse uma posição tranquila na tabela. Nos dias que correm, o supersónico extremo afigura-se como a grande estrela do plantel e a incrível velocidade que imprime em campo causa constante mossa nos adversários. 2016 está a correr de feição: 1,794 minutos (20 jogos), 6 golos e 4 assistências e não será de estranhar que num próspero futuro atraia o interesse concreto de instituições de calibre superior.

Rating Fair Play: 5/5

Foto: esporte.uol.com.br
Foto: esporte.uol.com.br

HULK

Hulk abalou o mercado de Verão ao transferir-se do FC Zenit para o Shanghai SIPG por uma bombástica quantia de 55 milhões de euros, recebendo automaticamente o rótulo de jogador mais caro de sempre da Super Liga, título que até então pertencia a Alex Teixeira (50 milhões de euros). Por enquanto, o desconhecido brasileiro que um dia aterrara na Invicta vindo dos japoneses do Tokyo Verdy, não tem muitos motivos para sorrir. No seu primeiro e único encontro esteve perto de marcar aos 9 minutos – a sua acção provocou um autogolo – e aos 21’… saiu lesionado.

Rating Fair Play: 0/5

Foto: chinatopix.com
Foto: chinatopix.com

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Ricardo LestreJulho 31, 20166min2

Uns com maior impacto, outros com melhores motivos para sorrir. A Super Liga Chinesa (CSL) tem brindado o mundo do futebol com contratações sonantes e muitos dos recentes negócios têm como protagonistas vários atletas familiares. Hoje, o Fair Play lança o primeiro leque de rostos bem conhecidos do futebol português que actuam na China.

JACKSON MARTÍNEZ

O caso do avançado colombiano desde que abandonou o Futebol Clube do Porto, clube que explorou, desenvolveu e projectou todas as suas qualidades para o futebol europeu, é extremamente desmoralizador e até inexplicável. Após várias épocas a um excelente nível, onde figurou em várias ocasiões no topo da lista dos melhores marcadores, Jackson trocou a formação da cidade Invicta pelo Atlético de Madrid por uma cifra a rondar os 30 milhões de euros e, consequentemente, a sua reputação sofreu uma queda acentuada. A junção de imensos factores que impediram o seu desenvolvimento futebolístico em Espanha, levou o Cha Cha Cha a rubricar um contracto com o Guangzhou Evergrande Taobao, equipa chinesa mais bem sucedida dos últimos anos. A quantia estrondosa estabelecida quer na transferência (43 milhões de euros) quer na folha salarial (12,5 milhões de euros anuais), agitou o mundo do futebol e colocou a transferência do ponta-de-lança cafetero como a terceira mais cara de sempre da Super Liga Chinesa.

Contudo, aquele que foi um tremendo golpe de marketing para o desporto na República Popular da China, traduziu-se num enorme fiasco. Para além de uma pré-temporada quase inexistente e de um início lento e algo debilitado, a nova coqueluche dos Tigres do Sul sofreu uma lesão complicada no tornozelo precisamente numa fase de maior ascensão exibicional marcada pela sequência de golos, alguns dos quais importantes na série negativa vivida até então pelo Guangzhou Evergrande. Por muito irónica que a situação possa parecer, Luiz Felipe Scolari, técnico do conjunto chinês, tirou bastante proveito do revés causado pela sua maior estrela. O ansiado regresso de Alan Carvalho, jogador recuperado de uma grave rotura de ligamentos, surgiu e o brasileiro provou ser, provavelmente, o maior talismã e um dos grandes motivos que asseguraram Felipão no cargo. Martínez conta com um total de 850 minutos (10 jogos) disputados, 3 golos e uma assistência com a camisola do Guangzhou e já expressou a sua vontade em abandonar o país. Relembrando as palavras de um ex-companheiro seu em Madrid, “Jackson acredita mais em Deus que nele próprio”, sobra uma única questão: que destino reservará Deus a Jackson Martínez?

Rating Fair Play: 1/5

Foto: ESPN
Foto: ESPN

FREDY MONTERO

A saída de El Avioncito de Alvalade suscitou inúmeras questões e motivou alguma divisão de opiniões no seio sportinguista. Em termos económicos, a proposta apresentada pelo Tianjin Teda – cerca de 5 milhões de euros – foi demasiado tentadora para os cofres leoninos que ainda viram Hernán Barcos aterrar em Lisboa como moeda de troca e totalmente livre de custos. O ponta-de-lança argentino havia desempenhado um papel fundamental na difícil temporada de 2015 do Tianjin que viu a manutenção ser assegurada apenas na última jornada. Jogadores completamente diferentes mas a verdade é que Montero cimentou, de forma bem vincada, o seu estatuto na formação comandada agora por Jaime Pacheco e já envergou, inclusive, a braçadeira de capitão. A dupla formada com Mbaye Diagne, senegalês que curiosamente chegou a ser apontado ao Sporting CP, na frente de ataque tem dado os seus frutos embora a equipa tenha vindo a demonstrar uma exagerada inconstância ao largo da época. 19 jogos em 20 disputados, 6 golos e 3 assistências fazem de Fredy Montero um elemento fulcral na estratégia do seu head coach e em todo o futebol, sobretudo o ofensivo, praticado pelos Jinmen Tigers.

Rating Fair Play: 5/5

Foto: ABOLA
Foto: ABOLA

RÚBEN MICAEL

Nome constantemente badalado na imprensa portuguesa e bem conhecido do nosso futebol, Rúben Micael terminou uma ligação de três anos com o SC Braga cheia de excelentes memórias e aceitou o aliciante convite do Shijiazhuang Ever Bright para ingressar no campeonato chinês. O próprio admitiu aos meios de comunicação sociais que os motivos da sua saída se prendiam, essencialmente, com a vertente económica. Envergando a camisola 10, o médio internacional português deu check-in na última janela de transferências da Super Liga Chinesa 2015 e efectuou cerca de 11 partidas pelo clube recém-promovido nos quais apontou um golo e uma assistência. Perante uma excelente e bem encaminhada temporada realizada sob o leme de Yasen Petrov, recentemente removido do comando técnico, a criatividade do ex-arsenalista trouxe óptimos apontamentos para dentro das quatro linhas. Actualmente, o panorama colectivo não é o ideal e a turma sediada em Hebei encontra-se numa posição delicada na tabela, porém, Micael conquistou o seu espaço: 19 jogos em 20, 2 golos e 2 assistências.

Rating Fair Play: 3/5

Foto: chinatopix.com
Foto: chinatopix.com

MARIO RONDÓN

Colega de equipa de Rúben Micael, Mario Rondón juntou-se ao Shijiazhuang Ever Bright no início de 2015 procurando alienar a perspectiva financeira com uma maior visibilidade futebolística. O atacante venezuelano somou quase todos os minutos possíveis na sua temporada de estreia (31 jogos, 6 golos e 9 assistências) e foi, indubitavelmente, um dos maiores e melhores jokers de Petrov. Excelente demonstração de um atleta que lidou com todas as adversidades de uma aventura completamente diferente da que estava acostumado, não fosse Rondón um habitué no principal escalão do futebol português. Infelizmente, 2016 está manchar um pouco a sua carreira. A lesão contraída na pré-época atrasou a sua preparação física e reduziu as opções do treinador que se viu forçado a procurar alternativas no mercado. Face à pesada concorrência, o ex-CD Nacional foi afastado da equipa principal por tempo indefinido e o seu primeiro jogo no presente ano está longe de se afirmar como um dado certo.

Rating Fair Play: 2/5

Foto: playbuzz.com
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