Arquivo de Udinese - Fair Play

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Pedro CouñagoJunho 3, 201912min0

Terminou mais uma época no futebol transalpino, e foi uma pródiga em surpresas, tanto do lado positivo como do lado menos apetecível. Vejamos os principais destaques da Série A 18/19.

Fantástico ano da Atalanta

Não há palavras para o trabalho que Gian Piero Gasperini está a fazer na equipa de Bérgamo. Este é o culminar de várias temporadas a progredir, com um projeto sustentado, assente numa tática que gosta de promover a melhor qualidade dos seus jogadores e que levou, nesta época, a que a equipa fosse o melhor ataque da Série A!

É um feito verdadeiramente notável conseguir o terceiro lugar do campeonato, acima de equipas como Inter, Milan, AS Roma e Lazio. Não vale a pena dizer muito mais do que esta ter sido a melhor época de sempre do clube e que Gasperini merecia uma estátua à porta do seu estádio.

O técnico potenciou um Duván Zapata verdadeiramente letal, que fez 23 golos na Série A, praticamente um terço dos golos da equipa, em conjunto com outros jogadores tecnicistas e desequilibradores como Alejandro Gómez e Josip Ilicic (o primeiro até esteve perto de sair em janeiro). O baixinho Gómez fez 7 golos e protagonizou 12 assistências, enquanto o alto esloveno fez o inverso (12 golos e 7 assistências). Uma complementaridade e amplitude de movimentos que deixou as defesas adversárias verdadeiramente destroçadas, e, no caso de Ilicic, é impensável a forma como a Fiorentina o dispensou há dois anos, já o dando como acabado para os grandes palcos, e certamente que agora se arrepende.

Há várias temporadas que Alejandro “Papu” Gómez tem vindo a ser o principal destaque da Atalanta, mas esta época foi muito bem secundado o baixinho argentino (Foto: TheBL)

Outros destaques terão de ir para Marten de Roon e Remo Freuler, dupla de meio campo que não só destrói e pressiona como constrói muito bem e ainda para os laterais Timothy Castagne e Hans Hateboer, que subiram e muito o seu nível face a 17/18 e deram uma profundidade à equipa que estava a faltar em anos anteriores.

Será muito interessante acompanhar o que a Atalanta poderá fazer na Liga dos Campeões, sendo desde já uma experiência inesquecível para os adeptos que enchem o Estádio Atleti Azzurri d’Italia, que, pela primeira vez, ouvirá o hino mais famoso do futebol mundial. 

Fabio Quagliarella e Krzysztof Piatek, duas boas surpresas

Esta foi mesmo a liga dos avançados e da demonstração das suas veias goleadoras. Já falámos de Duván Zapata, mas e que tal falar do veterano Quagliarella e da explosão do jovem polaco Piatek? São impressionantes os números que um e outro alcançaram, um já nos seus 36 anos de idade e outro que fez a sua primeira época num campeonato de alto nível.

Quagliarella é já um senhor, não precisando de correr muito tem um posicionamento tremendo que o leva a estar sempre mais perto do golo. Já Piatek joga muito bem em transição, tem passada larga e muita frieza na hora de finalizar.

O italiano fez 26 golos, foi o melhor marcador do campeonato e fez, possivelmente, a sua melhor temporada da carreira, surpreendendo tudo e todos com o seu registo e fazendo até alguns golos memoráveis pelo meio. Além disto juntou ainda 8 assistências, combinando muito bem com Gregoire Defrel, principalmente. Já tinha feito 12 em 16/17 e 19 em 17/18, sendo esta passagem pela Sampdoria uma que o revitalizou e lhe está a oferecer o melhor período a todos os níveis. Fazer 57 golos em três temporadas no campeonato italiano é obra, uma média de 19 em cada um deles, e veremos quantos anos ainda tem ao mais alto nível. Mais um ou dois bons anos poderemos esperar do veterano italiano.

Já Piatek começou a temporada a todo o gás no Génova, onde chegou este verão e começou a época com 9 golos marcados entre a 2ª e a 8ª jornada, marcando em todos os jogos. Até janeiro, marcou mais 4 golos, com o AC Milan a não perder tempo e a garantir desde logo a sua contratação. Até ao fim da temporada, o ponta de lança fez mais 9 golos em 18 jogos, um registo muito bom para um avançado que apenas esta temporada se deu a conhecer ao mundo do futebol ao mais alto nível. Higuain foi um flop e, desde logo, Piatek pegou de estaca na equipa.

O polaco terminou com o registo de 22 golos, sendo este bem promissor para os próximos anos que aí vêm. Se continuar a marcar golos em catadupa na próxima temporada, talvez o Milan esteja mais perto de voltar à Champions.

De total desconhecido para prodígio em apenas uma época. 22 golos, escala em Génova e estação terminal em Milão. Que podemos esperar para 19/20? (Foto: International Champions Cup)

Época de despedidas para a AS Roma

Esta foi uma época complicada para os romanos, com muitos altos e baixos e que, na verdade, terminou em desilusão, pois a equipa estará fora da Liga dos Campeões na próxima temporada.

Recordemos que há cerca de um ano esteve a equipa a disputar as meias da Champions perante o Liverpool e que, nesta temporada, disputou a passagem aos quartos com o FC Porto, desiludindo e sendo essa a gota de água para a saída de Eusebio di Francesco do comando técnico do clube.

Claudio Ranieri ainda conseguiu estabilizar um pouco o barco e tornar a equipa mais sólida, sobretudo a nível defensivo, mas não foi suficiente. O último jogo perante o Parma, que terminou com vitória romana por 2-1, terminou portanto com sabor agridoce.

Ainda assim, sobraram momentos bonitos de se ver no futebol. Este foi o último jogo de Daniele De Rossi como jogador da AS Roma, sendo imensas as homenagens protagonizadas a um verdadeiro guerreiro da loba. Também Ranieri, um homem da casa, fez o seu último jogo no comando técnico da equipa.

Será necessário sangue novo e a próxima época poderá ser uma de recomeço depois do investimento feito na última temporada. Vejamos até que ponto o clube consegue segurar nomes como Kostas Manolas, Cengiz Ünder e Lorenzo Pellegrini para conseguir voltar à melhor competição de clubes no mundo, tudo isto com Alessandro Florenzi a ser o novo líder romano e a querer certamente chegar aos números que Daniele de Rossi chegou.

Mais um domínio avassalador da Juventus, resta perceber quem é o timoneiro no próximo ano

Esta foi mais uma temporada sem história no que toca à disputa pelo título. A Juventus ganhou o campeonato ainda com várias jornadas por disputar e selou assim o heptacampeonato. Desde 2012 que é sempre a vencer para o conjunto bianconeri, com maior ou menos dificuldade, e tal não parece estar para terminar nos próximos tempos, tal é a diferença da Juve para os restantes conjuntos.

No entanto, não se pode afirmar que tenha sido uma época particularmente positiva para o conjunto de Turim. Verdade que venceram mais um troféu (Supertaça, ao AC Milan), mas foram eliminados nos quartos de final tanto da Taça de Itália (pela Atalanta) como da Champions (Ajax). A contratação muito badalada de Cristiano Ronaldo tinha como missão imediata o troféu mais importante de clubes na Europa, e a eliminação aos pés de uma equipa jovem como o Ajax deixou marcas. Depois desse jogo, apenas venceu por uma vez nos últimos seis jogos da temporada e, ainda que tenha rodado a equipa e jogado sem a pressão de ganhar, notou-se apatia decorrente da surpresa que havia acontecido na Liga dos Campeões.

A conquista da Série A e da Supertaça de Itália, com golo seu, fazem desta uma época normal, mas não ao nível que se esperava em termos de títulos para CR7 (Foto: GettyImages)

Massimiliano Allegri está de saída do comando técnico do clube e entrará um novo técnico. Poderemos certamente esperar mudanças profundas no plantel, com a falada saída de jogadores como Pjanic, Cuadrado ou a reforma de Barzagli. Resta esperar para ver quem chegará ao clube além do já confirmado Aaron Ramsey. A Juventus é, desde já, totalmente favorita para a vitória na próxima edição da Série A, resta ver o que mais fará com as armas à sua disposição.

Bolonha e Udinese acabam bem, Génova e Fiorentina com o credo na boca

Foi uma época bastante complicada para muitos dos históricos da Série A, mas alguns conseguiram reerguer-se na ponta final do campeonato e deixar boa impressão para o ano que aí vem.

O Bolonha esteve praticamente metade do campeonato nos lugares de descida, arrastando-se sem conseguir implementar o seu futebol até que chegou Siniša Mihajlović, o técnico sérvio que até esteve para treinar em Portugal mas nem o chegou a fazer, rescindindo meros dias depois de assinar pelo Sporting. A equipa conquistou 30 pontos em 17 jogos desde a chegada do sérvio, fazendo assim uma segunda volta espetacular que a levou ao décimo lugar final, apostando sobretudo num futebol de ataque e melhorando os erros individuais defensivos da primeira volta.

Também a Udinese conseguiu acabar melhor o ano do que se previa, não ficando a lutar até à última jornada pela manutenção. Muito o pode agradecer a Rodrigo de Paul, um dos principais destaques das equipas menos poderosas da Série A esta temporada, que participou em 17 dos 39 golos marcados pela equipa (9 golos e 8 assistências). Se não permanecer em Udine este verão, tem de ser rapidamente encontrado um substituto à altura do tecnicista argentino.

Já a época da Fiorentina foi verdadeiramente um desastre e, quando há pouco tempo escrevemos sobre a Fiore, a equipa estava meio caminho entre o Top 8 da liga e a zona de descida, sem muito a ganhar nem muito a perder, isto por volta do passar das 30 rondas da Série A. A verdade é que acabou apenas a 3 pontos dos lugares de descida e a 18 do referido Top 8, foi uma segunda volta verdadeiramente inacreditável para a equipa viola, que termina a Série A numa série histórica de 14 jogos sem vencer. São números calamitosos e, na próxima temporada, há muito a fazer para recuperar o estatuto e, essencialmente, o orgulho dos adeptos. A grande questão passa é pelas possíveis saídas de Federico Chiesa e Jordan Veretout, que seriam duas perdas enormes para a equipa viola, dois dos principais motores de uma equipa que está em desespero por contratações de qualidade. Vincenzo Montella pode dar a volta à questão na próxima temporada e tem a obrigação de fazer melhor, veremos é se o consegue.

Chiesa é um dos que deve abandonar o barco de Florença para voos mais altos, ele que já merece jogar a um nível mais exigente, ainda para mais depois da derrocada de 18/19 para a Fiorentina (Foto: sportsmole.co.uk)

Já o Génova sofreu claramente do síndrome pós-Piatek e foi por mesmo muito pouco que não desceu de divisão, tudo graças a um Empoli muito aguerrido que renasceu nas últimas jornadas mas não conseguiu garantir a manutenção em casa do Inter na última jornada. Em dezembro os sinais começaram a surgir após a eliminação da Taça de Itália perante o Virtus Entella, da terceira divisão. Depois saiu o seu abono de golos e a equipa nunca mais foi a mesma, sendo capaz do melhor (vitória por 2-0 à Juventus) e do pior, terminando com uma série de 10 jogos sem ganhar e apenas 14 golos marcados para o campeonato depois da saída do atacante, que tinha marcado 13 sozinho na primeira volta. Acabou por, ainda assim, ser uma pequena consolação para os adeptos apaixonados da equipa de Miguel Veloso, Iuri Medeiros e Pedro Pereira, que sofreram com a tragédia da queda da Ponte Morandi e a sua equipa tentou jogar para os orgulhar.

Uma descida anunciada do Chievo, veremos o futuro deste histórico

O Chievo estava condenado logo desde o início do campeonato e, simplesmente, este foi um ano que não teve história para a equipa Gialloblu. Talvez seja pelo melhor esta descida de divisão, que permite ao clube reorganizar-se e repensar a estratégia para o seu futuro. Desde problemas económicos a problemas na justiça italiana, a vida não estava fácil e terminou com a conquista de apenas 20 pontos nesta temporada (na verdade 17 pois a equipa iniciou 18/19 com -3 pontos). 25 golos marcados e 75 sofridos não deixam margem para dúvidas e esperemos que, depois de 11 anos consecutivos na Série A, o Chievo possa rapidamente voltar ao lugar que merece, não caindo no esquecimento.

Ficam aqui os principais destaques desta época, em próximos artigos exploraremos aquilo que será a próxima, já com movimentações interessantes principalmente em Milão.

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Pedro CouñagoFevereiro 15, 20198min0

A Udinese tem sido dos clubes italianos que têm permanecido algo “debaixo dos radares”, mantendo-se na Série A há 24 anos consecutivos, mas a verdade é que o perigo de tal acabar num futuro a curto-médio prazo é real, e não é pelos sinais de alerta já não terem sido dados.

Desde 2013 que a equipa não faz melhor que o décimo terceiro lugar, e isto depois de duas épocas (2011/2012 e 2012/2013) em que a equipa fez um terceiro e um quinto lugar na Série A italiana. O clube de Udine, na primeira década do século, foi um dos mais regulares no campeonato, talvez sinónimo dos melhores anos de Antonio Di Natale, eterno capitão do clube, melhor marcador e jogador com mais jogos. No entanto, nos últimos 6 anos, a situação tem vindo a piorar de época para época.

A quantidade alucinante de trocas de treinadores nos últimos anos

Dentro do campo, os resultados não são consistentes, e talvez a principal razão seja, cada vez mais, a impaciência da direção face aos treinadores. Só nos últimos 3 anos e meio, Davide Nicola, o atual técnico da Udinese, é o 9º (!!) treinador da Udinese, sendo este um registo impensável para uma equipa que pretende recuperar o estatuto que já teve e que pretende consolidar-se como um valor seguro da Série A.

É completamente impossível a qualquer técnico conseguir conseguir potenciar totalmente os seus jogadores e os seus processos quando a média de tempo no banco de suplentes tem sido de 4/5 meses. Não há equipa que resista a trocas assim, e este é um problema bem real que se tem agravado pois os jogadores sentem falta de confiança nas suas capacidades de “segurar” qualquer que seja o treinador que esteja a comandá-los. A pressão que os técnicos têm ao comandar a equipa é muito maior e os resultados acabam por não aparecer.

Davide Nicola é mais um treinador em dificuldades numa longa lista que se vai avolumando nos últimos anos, vejamos se está seguro até ao fim de época (Fonte: La Repubblica)

Quase que se pode dizer que a Udinese acabou por virar um autêntico cemitério de treinadores, e quem sabe estes despedimentos consecutivos não levarão a um definitivo afundar do clube, visto que não existe uma identidade forte imposta por um líder na equipa.

Proprietário despreocupado, dizem os adeptos

O clube é propriedade de Giampaolo Pozzo, conhecido homem de negócios italiano, que é também o proprietário do Watford, clube da Premier League. Como tal, até têm sido bastantes os intercâmbios de jogadores entre os dois clubes, mas tal não é suficiente face ao plantel desequilibrado que a equipa vem apresentando nas últimas temporadas

Têm sido bastante recorrentes os relatos de um dono despreocupado com a situação do clube, relatos esses dados por adeptos do clube de Udine. Do lado destes adeptos, tem-se a perceção de que Pozzo está com mais atenção ao Watford e não à Udinese, muito por culpa da maior rentabilidade do clube inglês e pela maior sustentabilidade do projeto.

Já alguns diretores vieram desmentir esta visão dos adeptos, ao dizer que Pozzo tem toda uma equipa ao seu dispor para guiar os destinos da Udinese a bom porto, mas a divisão dentro das diferentes fações do clube, tanto a nível externo como interno, é bem real, e se o clube aspira a ter um futuro promissor, tem de conseguir mitigar estes problemas que acabam por afetar o clube depois nas competições em que se insere.

Plantel até tem algumas soluções, mas que têm estado aquém do exigível, tirando De Paul

O plantel não serve para mais do que lutar por um lugar a meio da tabela na Série A, algo que seria sempre o mínimo imposto à Udinese face ao seu histórico e face ao que representa em Itália, mas a verdade é que começam a faltar palavras para os fracos desempenhos da equipa e para a sua incapacidade de dar a volta ao texto, acontecendo isto talvez devido à falta de confiança, visto que a equipa perde muitos jogos pela margem mínima.

Essencialmente, nos dias de hoje, a equipa baseia-se em Rodrigo de Paul + 10, sendo este o elemento que poderá dar uma importante almofada financeira no futuro ao clube, falando-se do interesse do Inter e do Nápoles no criativo argentino. Em Udine, num local de menos exigência, encontrou o conforto de poder pegar na “batuta” da equipa, servindo Ignacio Pussetto e Kevin Lasagna, sendo que estes três jogadores representam 12 golos dos 18 (apenas 18!) marcados pela equipa em toda a Série A em 23 jogos, sendo o segundo pior ataque da prova. Só Rodrigo de Paul tem mão sua em metade dos golos da equipa, com 6 marcados e 3 assistidos. Mesmo assim, o argentino já esteve também em melhor forma, começando a ter algumas dificuldades face ao terrível momento da equipa, desde o fim de novembro que assim é, e isto a fazer quase sempre os 90 minutos.

Rodrigo de Paul é a principal figura da Udinese, mas tem estado em baixo de forma nos últimos meses, talvez seja hora de mirar outros voos (Fonte: Mundo Albiceleste)

A nível defensivo, a equipa até nem sofre uma quantidade anormal de golos (31), sendo apenas a nona pior defesa da Série A, algo que se pode justificar devido à imponência física no seu meio campo, com Mandragora e Fofana a serem jogadores que são fortes na proteção à sua defesa e que lhe conferem alguma confiança. Ainda assim, estes dois jogadores do centro do meio campo têm estado num nível aquém do exigível nos restantes momentos de jogo, sendo também por aí que a Udinese muito se ressente.

Este plantel é também uma autêntica sociedade das nações, com apenas 5 italianos em 26 jogadores, existindo uma falta de liderança evidente que jogadores como Antonio Di Natale e Giampiero Pinzi, por exemplo, traziam até há alguns anos. Pode-se afirmar que este tipo de jogadores seguravam os “arames” do plantel e, após a sua saída definitiva e a sua menor influência dentro de campo devido à idade, a Udinese ressentiu-se.

Os resultados e o percurso até maio indicam que deve haver alertas ligados em Udine

Esta foi uma equipa que até começou bem esta temporada, com 8 pontos ganhos nos primeiros 5 jogos, algo que fazia indiciar que poderíamos ter uma “temporada 0” no clube, uma espécie de reboot face àquilo que vem acontecido de forma sucessiva nos últimos anos.

Desde aí, apenas 11 pontos em 18 jogos, um registo absolutamente medonho para um clube como a Udinese. Em quase meia volta de campeonato, fazer apenas 11 pontos é simplesmente insuficiente para uma equipa com quaisquer objetivos reais.

É certo que muitas derrotas foram pela margem mínima (8 das 13 derrotas), mas mesmo assim não chega afirmar que “estivemos quase a conseguir, com outro treinador é que vai resultar”. O quase não chega e, num campeonato competitivo como o da Série A, a falta de ação e de luta por inverter os acontecimentos paga-se caro.

A equipa ainda não venceu este ano, vindo mal da paragem de inverno, este período que poderia trazer melhorias ao clube mas que parece que não foi bem aproveitado pelos jogadores e toda a restante estrutura para recarregar baterias e focar naquilo que é uma tarefa que se pensaria impensável há alguns anos.

O único ponto positivo dos últimos tempos

A única real melhoria nestes últimos anos terá sido o estádio, que é agora muito mais moderno face às necessidades do clube e que tem agora uma capacidade a rondar os 25 mil lugares. O Friuli é um estádio histórico que dura já desde 1976, tendo sido reestruturado para o Mundial de 1990 e, agora, melhorado, durante 2013 e 2015.

Este era um estádio que já estava a ser afetado pela passagem do tempo e, agora, é uma arena mais moderna, servindo agora os diferentes propósitos. Em média, a Udinese leva mais de 16 mil adeptos ao estádio, que não estarão, certamente, agradados com os desempenhos que a equipa lhes tem proporcionado, com apenas 12 pontos ganhos em 12 jogos nesta temporada em pleno Friuli.

Um Friuli cheio para receber a Squadra Azzurra. O estádio está agora no mapa dos estádios a usar pela seleção, esperemos que não sejam os únicos jogos internacionais a acontecer nos próximos anos (Fonte: GettyImages)

Vejamos se em maio não teremos uma confirmação do momento complicado que o clube atravessa. Esperemos que tal não aconteça, pois a Udinese é um clube de tradição que merece mais.

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Tomás da CunhaAgosto 16, 201718min0

Não é um dado adquirido que todas estas equipas terminem na segunda metade da tabela (a Fiorentina, por exemplo, ganhou vida nos últimos dias), mas é garantido que muitas delas vão lutar pela manutenção. Na diversidade que a Serie A possui, há espaço para surpresas e autênticos milagres por parte de equipas com poucos argumentos. 

Fiorentina

O mercado não foi fácil em Florença, e a certa altura chegou a pensar-se que a época se preparava para ser um descalabro. Borja Valero, Vecino e Bernardeschi estavam de saída e Kalinic forçava a transferência, deixando o projecto da Fiore a abanar por todos os lados. As contratações sucediam-se, mas a maioria apresentava qualidade duvidosa. Entretanto, os dirigentes do clube ganharam consciência e decidiram dar algum ânimo aos adeptos viola. Benassi, um dos jovens médios com mais potencial do calcio, foi adquirido ao Torino, e Jordan Veretout, que errou ao transferir-se para o Aston Villa, chegou para colmatar a saída de Vecino. Dois reforços que deverão ter lugar garantido no onze base de Stefano Pioli, ficando a outra vaga em aberto. Cristóforo, Badelj e Sánchez são mais disponíveis para tarefas defensivas, mas Matias Fernández e Riccardo Saponara poderão dar um toque de criatividade. Mais à frente, o português Gil Dias foi o escolhido para assumir funções semelhantes às de Bernardeschi, partindo do flanco direito para zonas interiores. Uma decisão de carreira bastante interessante por parte do esquerdino, ainda que a titularidade não esteja garantida. Eysseric, contratado ao Nice, e Federico Chiesa (enorme expectativa para perceber a evolução do italiano) são outras opções de grande nível para os corredores, além do explosivo Rebic e dos irreverentes Zekhnini e Hagi. O eixo do ataque é que não tem tanta abundância, faltando claramente um substituto à altura de Kalinic. Se quiser lutar pelos lugares europeus, a Fiorentina terá de encontrar um goleador até final do mercado e, se possível, aumentar a qualidade do sector mais recuado, onde o português Bruno Gaspar figurará.

Gil Dias escolheu a Fiorentina para evoluir
[Foto: Facebook de Gil Dias]

Bolonha

O desafio de um clube como o Bolonha passa por manter a motivação até final, já que, depois de conseguida a manutenção, não há qualquer objectivo pelo qual lutar. Começou mal a temporada, com a eliminação da Coppa Italia na recepção ao Citadella, mas a equipa de Donadoni tem condições para realizar um campeonato tranquilo, embora não deva haver potencial para mais do que isso. Apesar de a última época não ter sido famosa, o plantel rossoblu – que é uma verdadeira sociedade das nações, contando com 15 nacionalidades diferentes – tem boas armas, sobretudo do meio campo para a frente. As opções para o sector intermédio já davam garantias, e a chegada de Andrea Poli, o reforço mais sonante, acrescenta valor e experiência a essa zona do campo. Mais jovem mas não menos talentoso, o húngaro Ádám Nagy deverá assumir um papel muito relevante na manobra do Bolonha, podendo dar o salto para um emblema com outras ambições. Tem muito futebol no corpo. Pulgar, Verdi, Taider e Crisetig, outro médio com bastante qualidade, também entrarão na rotação, dando dores de cabeça positivas a Donadoni. No ataque, Destro deverá manter-se como a principal referência no eixo, bem acompanhado pelo esquerdino Krejci (para seguir com atenção) e pelos jovens Petkovic e Di Francesco.

Sassuolo

Será um ano de mudança para os neroverdi. Depois da saída de Eusebio di Francesco, sobrou um vazio no clube, pois foi o técnico que fez a equipa subir a pulso nos últimos anos, tendo jogado a Liga Europa na passada temporada. Para Roma, o técnico levou consigo dois dos principais jogadores do plantel: Lorenzo Pellegrini e Grégoire Defrel, baixas de vulto e que deixam uma sensação de que este pode ser um ano zero para a equipa. É certo que a estrela do conjunto, Domenico Berardi, se vai mantendo (estranhamente, dada a qualidade) no clube, para bem da equipa, mas é certo que esta temporada não teremos um plantel tão forte. O Sassuolo apostou em jogadores jovens para esta temporada, com destaque para a contratação do médio centro Francesco Cassata à Juventus e a manutenção em definitivo de Federico Ricci, dois jovens craques que podem a vir dar muito que falar. De resto, ainda no que toca a reforços, destaque para a contratação do central Goldaniga ao despromovido Palermo e para o regresso do ponta de lança Diego Falcinelli, que, depois de um empréstimo produtivo ao Crotone, pode ocupar a vaga deixada por Defrel. O técnico Cristian Bucchi, que terá o desafio de manter o clube estável, deverá construir a equipa em torno de jogadores como Consigli, Francesco Acerbi, Alfred Duncan, Matteo Politano e a estrela Berardi, que, neste ano de transição, poderá ter ainda maiores responsabilidades. Um lugar a meio da tabela parece o destino mais provável para os neroverdi.

Génova

As últimas épocas não têm sido fáceis para o conjunto rossoblu. A equipa tem potencial para fazer mais do que tem feito nas últimas temporadas, sendo obrigatório garantir a manutenção com maior margem – no último ano, o emblema que joga no Luigi Ferraris ficou no 16º posto, com apenas 4 pontos de vantagem para os lugares de despromoção. O mercado de Verão trouxe algumas mexidas importantes no plantel, com a chegada de Lapadula e os regressos de Bertolacci (figura importante no passado) e de Ricardo Centurión, polémico mas talentoso argentino. Ivan Juric conta com um elenco bem apetrechado, diga-se, contribuindo para isso a manutenção em definitivo de Oscar Hiljemark e a entrada dos experientes centrais Spolli, do Chievo, e Zukanovic, por empréstimo da Roma. Estes reforços dão um maior grau de profundidade e obrigam o Génova a fazer muito mais, visto que, do plantel principal, apenas saíram Lucas Órban e Ezequiel Muñoz, além dos emprestados Ocampos, Cataldi, Pinilla e Ntcham. A baliza está assegurada por Mattia Perin, um dos melhores guarda-redes do calcio, que há vários anos é apontado a outras paragens. O meio campo, com Miguel Veloso, Hiljemark, Cofie e agora Bertolacci, também apresenta uma qualidade bastante razoável. Diego Laxalt, explosivo uruguaio, é um nome a ter em conta nas alas, bem como Darko Lazovic, Centurión e o regressado Gakpé. À partida, Lapadula será o líder do ataque, já que Giovanni Simeone deverá deixar Génova, podendo abrir espaço para a evolução do teenager Pellegri, de apenas 16 anos. Resumindo, Ivan Juric precisa de provar o porquê da sua contratação em Abril e está obrigado a superar o modesto 16º lugar da última temporada.

Pellegri, aos 16 anos, estreou-se a marcar na Serie A [Foto: Corriere della Sera]

Chievo

Ano após ano, o Chievo Verona tem partido com um dos plantéis menos apetrechados da Serie A. No entanto, está desde 08/09 na elite do futebol italiano e não parece com vontade de a abandonar. O segredo dos gialloblu parece estar na estabilidade: Rolando Maran vai para a quarta temporada no comando técnico da equipa e nunca esteve em apuros na fuga à despromoção (em 15/16 conseguiu, inclusive, um belíssimo nono lugar). O plantel também não costuma sofrer muitas mudanças, sendo, por esse motivo, um dos mais envelhecidos do Calcio. No sector defensivo, por exemplo, Cesar já leva 35 anos, tal como Gamberini, Frey tem 33 e Dainelli carrega 38 anos no corpo. É precisamente essa a idade de Sergio Pellissier, mais um caso que comprova que a experiência é mesmo um posto – pelo menos em Itália. Vai para a 17ª (!) época ao serviço do Chievo, é uma lenda para os adeptos do clube e ainda consegue manter intactas as qualidades de goleador. Com a idade avançada do capitão, Roberto Inglese, que apontou 10 golos no último ano, e Riccardo Meggiorini poderão ter de assumir mais vezes as despesas do ataque. No apoio estará Valter Birsa, médio criativo que tem sido um dos jogadores mais destacados do conjunto de Maran. Marcou 7 golos e fez 9 assistências, números extremamente relevantes num clube como o Chievo. Mais responsáveis pelas tarefas defensivas estarão Ivan Radovanovic e o argentino Lucas Castro, dando liberdade ao esloveno.

Udinese

Há uns anos, a Udinese era um dos melhores exemplos de prospecção no futebol europeu. Foi ali que despontaram nomes como Alexis Sánchez, Juan Cuadrado ou Allan, antes de rumarem aos grandes palcos do futebol europeu. Entretanto, o clube do Friuli travou o seu crescimento e não conseguiu cimentar a sua posição entre os melhores do Calcio. Aliás, não é exagerado catalogar os zebrette (zebras, em português) como uma das principais desilusões dos últimos anos. Para esta temporada, a expectativa passa apenas e só por conseguir a manutenção de forma tranquila, se possível valorizando alguns jogadores do plantel. Luigi Del Neri conta, desde logo, com uma das maiores promessas das balizas italianas. Simone Scuffet deverá aproveitar a previsível saída de Karnezis para finalmente conquistar o seu espaço. Meret, também ele com um talento enorme, vai rodar novamente no SPAL. Outra das posições mais interessantes é a lateral-esquerda, onde Ali Adnan terá a concorrência de Pezzella, que se destacou no último Mundial sub-20. Samir, central de origem, também poderá desempenhar este papel. O meio campo ganhou um reforço de peso com a chegada de Valon Behrami, que parece destinado a ocupar a posição 6, mas o principal motivo de interesse será o maestro Andrija Balic. Dono de um talento extraordinário, o jovem médio croata apareceu bem no final da última temporada e é expectável que conquiste o seu espaço na equipa. Seko Fofana, mais agressivo no transporte de bola, oferece outras características a um sector particularmente entusiasmante. Quem não deve ter ficado entusiasmado com a saída de Duván Zapata são os adeptos da Udinese, que viram uma das referências do ataque regressar a Nápoles. Para o seu lugar chegou Lasagna, mas Théréau deve manter-se como o principal goleador do conjunto bianconero. De Paul e Jankto serão os desequilibradores a partir das alas.

Sampdoria

Não sendo candidata a altos voos, a Sampdoria é uma das equipas que pode surpreender. O plantel sofreu uma espécie de revolução, com a saída de várias figuras fundamentais, mas o clube genovês tem demonstrado bastante astúcia na abordagem ao mercado. Ainda assim, não será fácil colmatar as baixas de Skriniar, central eslovaco que rumou ao Inter, de Bruno Fernandes ou de Luis Muriel, que saltou para Sevilha. Além destes, espera-se que a transferência de Patrik Schick se confirme (o negócio com a Juve falhou, mas não faltam interessados), o que significaria a perda da maior revelação do último campeonato. Um avançado que combina qualidade técnica, inteligência nas movimentações e uma capacidade extraordinária de utilizar o corpo. Talvez por isso o comparem com Zlatan. Marco Giampaolo deverá ter uma réstia de esperança na permanência do checo, mas a Samp precaveu-se e garantiu a contratação de Gianluca Caprari, que deu nas vistas ao serviço do Pescara, e do promissor David Kownacki, um dos mais talentosos da nova geração polaca. Não sendo talhado para jogar como referência, pode actuar nos flancos ou no apoio a um jogador que procure constantemente as zonas de finalização. O meio campo, indiscutivelmente o sector mais forte do emblema de Génova, conta com opções de luxo, entre as quais os promissores Lucas Torreira (junta a fibra uruguaia a uma qualidade no passe notável), Dennis Praet e Karol Linetty, ambos com potencial para mais do que o que demonstraram na última temporada. Gastón Ramírez foi contratado ao Boro e volta à Serie A, campeonato mais adequado às suas características, como uma das estrelas cintilantes dos bluecerchiati. Tem um pé esquerdo fantástico. Valerio Verre, embora possa ter dificuldades para jogar regularmente, é outro nome a ter em conta, bem como o experiente paraguaio Barreto. Djuricic e Ricky Álvarez, cuja explosão definitiva parece eternamente adiada, são duas incógnitas e nem sequer é possível afirmar que vão fazer parte do plantel. O excesso de opções para o sector intermediário vai certamente condicionar as escolhas de Marco Giampaolo, que não estará tão satisfeito com as alternativas para a linha defensiva. Murru, contratado ao Cagliari, é um lateral-esquerdo com potencial, mas parece faltar um líder que faça esquecer Milan Skriniar.

Ainda não há certezas sobre a permanência de Schick na Samp [Foto: around-j.com]

Cagliari

Em ano de regresso à Serie A, o emblema da Sardenha construiu um plantel com algumas individualidades de excelente nível e terminou no 11º lugar. O Cagliari foi uma das defesas mais batidas do campeonato, mas também conseguiu um registo assinalável de golos marcados. Esta temporada não deverá ser diferente, e o Comunale Sant’Elia poderá assistir a espectáculos bastante interessantes. As mudanças no plantel foram significativas, nomeadamente no sector mais recuado, que perdeu Bruno Alves, Isla e Murru. Apesar das chegadas de Andreolli e Romagna, promissor central italiano que deixou a Juve em definitivo, restam dúvidas sobre a capacidade de Massimo Rastelli formar uma defesa consistente. Como 6, embora possa jogar mais à frente, Nicolò Barella deverá assumir-se como o pensador e o principal construtor de jogo dos rossoblu. É um médio com uma qualidade técnica superior, distinguindo-se de Padoin e Dessena. João Pedro, criativo brasileiro, está encarregue de fazer a ligação com os dois avançados, que se complementam bastante bem. Sau, mais móvel, procura abrir espaços para o letal Borriello, que, aos 35 anos, ainda é uma ameaça constante para os adversários (16 golos no último campeonato). Duje Cop, caso não volte a ser emprestado, terá certamente uma palavra a dizer.

Crotone  

Parecia impossível, mas o estreante Crotone, depois de uma recuperação simplesmente notável, conseguiu a manutenção na última jornada. Esta época ninguém quererá sofrer tanto, por certo, mas o clube da Calábria dificilmente se livra de ter a corda ao pescoço. À excepção do talentoso médio Rolando Mandragora, cedido pela Juventus para ocupar a vaga deixada em aberto por Crisetig, o plantel não teve adições de valor significativo e Davide Nicola precisa de mais uma volta a Itália em bicicleta. Confuso? A explicação é simples: o técnico do Crotone, ciente de quão improvável era segurar o clube na primeira divisão, prometeu percorrer o país de bicicleta caso houvesse um milagre. E lá pedalou 1300 quilómetros. Diego Falcinelli, com 13 golos marcados, foi um dos principais responsáveis pela proeza, mas o Sassuolo, casa de origem, não prescindiu dos seus serviços para a nova temporada. Sem o seu goleador, os squali terão ainda mais problemas num ataque que anseia a chegada de reforços.

SPAL

Foi preciso esperar 49 anos para ver o SPAL 2013 (data da última refundação) de novo na elite do futebol italiano. O clube da cidade de Ferrara regressa como vencedor da Serie B, depois de uma campanha quase imaculada sob o comando do técnico Leonardo Semplici. A segurança defensiva foi uma das imagens de marca dos spallini, muito por culpa da serenidade transmitida pelo guarda-redes Alex Meret. O eixo defensivo também parece estar assegurado: a Gasparetto e Cremonesi juntam-se Felipe, proveniente da Udinese, e Oikonomou, cedido pelo Bolonha. O plantel do SPAL conta com vários emprestados, mas a grande maioria tem condições para dar uma contribuição importante. Alberto Grassi, que pertence aos quadros do Nápoles, é um dos médios com mais potencial da nova geração e tem no SPAL um óptimo espaço de afirmação. A seu lado deverão estar Federico Viviani e Luca Rizzo, emprestados pelo Hellas Verona e pelo Bolonha, respectivamente. No ataque, ao contrário do Crotone, rival na luta pela manutenção, o conjunto recém-promovido possui muitas e boas opções. Mirco Antenucci foi decisivo na subida, encontrando as redes contrárias em 18 ocasiões, e ainda há Alberto Paloschi (flop na Premier League, mas tem muita qualidade) e o experiente Sergio Floccari. Há razões para sonhar com a permanência.

Benevento

A estreia na Serie A é, por si só, um prémio simpático para o Benevento, clube que no ano passado disputou pela primeira vez a Serie B. Ainda assim, os stregoni não quererão desperdiçar a oportunidade de garantir o seu lugar no escalão máximo. A viver um autêntico conto de fadas, com duas promoções consecutivas, o elenco de Marco Baroni recebeu um upgrade significativo para tentar a manutenção. A Lazio cedeu Danilo Cataldi, médio com qualidade para se impor no meio campo da equipa, e poderá libertar também o talentoso (mas inconstante) Ricardo Kishna. Por empréstimo do Inter continua George Puscas, avançado romeno com nome de craque, decisivo na “finalíssima” frente ao Carpi. Venuti, lateral-direito que pertence aos quadros da Fiorentina, continuará a evoluir no Stadio Ciro Vigorito, onde o ganês Chibsah, fundamental na temporada anterior, permanecerá em definitivo depois de ter sido adquirido ao Sassuolo. Para acrescentar experiência ao plantel, o emblema recém-promovido “pescou” Panagiotis Kone na Udinese e Memushaj no despromovido Pescara. Percebe-se, portanto, que houve um esforço para compor um plantel de primeira divisão. Veremos se será suficiente para escrever mais uma página de glória em Benevento.

Hellas Verona

Ao colo de Pazzini. Foi assim na última temporada e será assim na época que se avizinha. O experiente goleador italiano marcou nada mais, nada menos do que 23 golos na Serie B e contribuiu de forma decisiva para o regresso do Hellas Verona à primeira divisão. Este ano terá a companhia de Alessio Cerci, que, depois de uma má experiência no Atlético e de sucessivos empréstimos, tem a ambição de recuperar o nível que demonstrou em Turim. O trio de ataque fica fechado com o promissor Daniele Verde, avançado rápido, desequilibrador e com golo. Está cedido pela Roma e tem potencial para eventualmente voltar ao Olímpico. As principais figuras do conjunto de Fabio Pecchia, jovem treinador de 43 anos, estarão na frente, mas haverá alguma qualidade à disposição nos restantes sectores. Bruno Zuculini, ainda à procura de atingir um patamar superior na carreira, é o nome mais sonante de um meio campo que conta com Daniel Bessa, Büchel, Marco Fossati e Mattia Valoti. O uruguaio Martin Cáceres foi contratado para ser o patrão do sector defensivo, mas a contratação de Heurtaux à Udinese também acrescenta valor a uma zona algo carente de qualidade. Em suma, teremos uma equipa bastante dependente dos seus avançados.

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Filipe CoelhoNovembro 27, 201610min0

A Alemanha recebeu a competição e a França devorou-a. Para lá do que se jogou (com Portugal a cair nas meias-finais), houve nomes a ficarem na retina e a preencherem a memória. Como se têm saído no regresso aos seus clubes depois de brilharem a todo o nível no Euro Sub-19?

Philipp Ochs

(Alemanha, Hoffenheim)

Foi um dos jogadores que mais se destacou dentro do colectivo germânico que acabou por ter uma prestação com traços de desilusão (logrou apenas o 5º lugar). Ocupando a zona próxima do #9, caído sobre qualquer uma das faixas ou atrás do avançado – a Alemanha mostrou uma interessante versatilidade táctica –, Ochs destacou-se pelos 4 golos em 4 jogos, cotando-se como um dos melhores marcadores. Tornou-se impossível não reparar no pé esquerdo do jovem loiro, com um jogo bastante imprevisível (é de remate fácil), habilidoso e repentista (tremenda a facilidade para recepcionar e girar sobre si mesmo). Pese embora a tendência para assumir o 1×1 ofensivo (de origem, é extremo esquerdo), não aparentou ser demasiado individualista, procurando e combinando com os colegas.

Pertencendo aos quadros do Hoffenheim, Philipp Ochs não é, no entanto, uma promessa aparecida no último Europeu de Sub-19 – com efeito, estreou-se na Bundesliga há mais de um ano, em Agosto de 2015. Todavia, de lá para cá, contou apenas 15 jogos, sendo que esta época somou somente 90 minutos (na 1ª jornada) e como … defesa esquerdo. De facto, o camisola 30 do ‘Hoff’ tem sido testado nessa posição recorrentemente – quer nas breves aparições junto da equipa principal, quanto na equipa secundária, onde tem actuado com regularidade (leva 1 golo e uma assistência em 7 jogos). Não sendo fácil entrar num conjunto que tem rubricado um excelente inicio de época – o Hoffenheim, do prodigioso Nagelsmann, é 5º classificado com os mesmos pontos do 4º –, Ochs precisa de encontrar um espaço competitivo que lhe permita confirmar todas as excitantes indicações que deixou na competição de Julho.

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(Foto: zimbio.com)
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(Foto: bild.de)

Alex Meret

(Itália, Udinese (emprestado ao SPAL 2013))

A carreira italiana apenas terminou na final graças a um nome: Alex Meret. O keeper italiano esteve em grande nível do inicio ao fim da competição, evidenciando uma capacidade de presença (à qual o seu 1.90m não é alheio) e uns reflexos dignos dos maiores elogios. Ficam sobretudo na retina as quatro defesas de grande categoria diante dos alemães na primeira jornada ou a forma como foi evitando e/ou adiando o golo francês na final. Méritos de um guarda-redes que demonstra uma serenidade e uma qualidade no posicionamento positivamente anormais para a sua idade. E que lhe valeram, justamente, o prémio de melhor guarda-redes do torneio.

Com o seu passe sendo pertença da Udinese, Meret encontra-se emprestado, esta época, ao SPAL 2013, da Serie B, onde tem sido titular com regularidade – leva já 9 jogos e 14 golos sofridos. Já foi chamado à selecção U21, não se tendo ainda estreado. Mas com a camisola da squadra azurra esteve presente no estágio de preparação para o Euro 2016, fazendo companhia a Buffon, Sirigu e Marchetti. Com ‘Gigi’ Buffon a caminho do ocaso da carreira e com Donnarumma nas bocas do mundo, Meret merece, no entanto, todos os enfoques de destaque – confirmando o seu tremendo potencial, tem tudo para ser mais uma das estrelas italianas entre os postes, honrando um legado imensamente respeitável.

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(Foto: fgc.it)
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(Foto: spalferrara.it)

Ludovic Blas

(França, Guingamp)

Médio centro de origem, Blas não começou o Europeu como titular. Mas assim que assomou ao terreno de jogo, o impacto no jogo gaulês foi tremendo ao ponto de se tornar numa das mais cintilantes figuras da nação vencedora. Acabou por actuar sempre pela meia direita ofensiva, muitas vezes próximo da ala. No entanto, sendo o esquerdo o seu melhor pé, a sua natural intuição passou por procurar terrenos interiores. Foi evidente a sua tremenda capacidade de desequilíbrio no 1×1, com grande imprevisibilidade, agilidade e velocidade, saindo facilmente do drible para o remate. Perspicácia e capacidade de decisão para fazer o passe mortal/assistência foram também outras das suas trademarks. Tecnicamente soberbo (recepção e drible acima da média), ainda apareceu em zona de finalização, acabando por somar 2 golos e duas assistências no torneio.

Produto das escolas do Guingamp (onde despontaram Drogba ou Malouda), o prodígio francês que fará 19 anos no último dia de 2016 estreou-se na equipa sénior do emblema gaulês em Dezembro de 2015. Mas tem sido esta época que tem visto o seu estatuto solidificar-se – a jogar mais pelos corredores (cujos intérpretes tendem a procurar terrenos interiores) ou deliberadamente pelo meio, é um dos responsáveis pelo tremendo arranque de época do Guingamp (5º lugar, neste momento), levando já 13 jogos (e uma assistência) na sua contabilidade, ora como titular ora como suplente utilizado.

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(Foto: lequipe.fr)
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(Foto: ouest-france.fr)

Benjamin Henrichs

(Alemanha, Bayer Leverkusen)

Se a Alemanha desiludiu, Henrichs tratou de confirmar todas as expectativas que sobre ele recaíam. Um médio de alma cheia, que, a jogar no duplo pivot defensivo, demonstrou uma capacidade notável de se desamarrar desta linha e de facilmente fazer a diferença em condução. E sempre com critério na decisão e com uma capacidade técnica acima do comum – dribla, passa e aparece na frente para rematar (com ambos os pés). Em suma, um box-to-box potente, com grande agilidade e disponibilidade física.

Porém, em Leverkusen, parecem ter planos díspares para este craque de 1.83m. Se já em 2015/16 havia sido aposta pontual para as laterais do Bayer, 2016/17 tem sido a época de confirmação do médio hoje derivado para o lado direito (ou esquerdo, como esta semana em Moscovo) da defesa dos donos da Bay Arena. Henrichs é, hoje, o lateral direito indiscutível da equipa, somando já 17 jogos esta época (e duas assistências). Fruto da sua inteligência, capacidade de entendimento e critério na decisão, a adaptação tem sido um autêntico sucesso. Prova disso? A chamada à Mannschaft promovida por Joachim Low. Se parecia uma promessa no miolo do terreno, encara-se como uma certeza nas bandas laterais.

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(Foto: wdr.de)
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(Foto: dfb.de)

Kylian Mbappé

(França, Mónaco)

O mais jovem elemento desta lista foi um dos maiores destaques da turma francesa que venceu, com categoria, a competição. Técnica apurada, velocidade vertiginosa acompanhada de passada larga (e mudança de velocidade associada), apetência para aparecer na zona de finalização em momento oportuno e faro pelo golo foram os cartões de visita assinados por Mbappé. O jovem de 17 anos surgiu, invariavelmente, a partir da esquerda para o meio, em condução acelerada, e procurando o pé direito para serpentear – movimento característico que já levou a comparações com Thierry Henry. Os 5 golos em 5 jogos (melhor só o seu companheiro de equipa, Augustin, do PSG, que marcou 6) foram tão-só a cereja no topo de uma performance notável.

A estreia a nível sénior pelo Mónaco já havia acontecido em Dezembro de 2015 mas foi o Euro sub-19 que o catapultou como uma das figuras mais interessantes do futebol jovem internacional. Começou 2016/17 de forma tímida (também devido a uma lesão) mas tem ganho preponderância nas últimas semanas no conjunto monegasco. No 442 pensado por Leonardo Jardim, Mbappé ora é utilizado pelo corredor esquerdo ora ocupa o espaço central do ataque, sendo o elemento mais móvel e liberto nas movimentações da dupla atacante. Até ao momento soma 2 golos e 4 assistências em 9 partidas.

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(Foto: uefa.com)
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(Foto: foot01.com)

Amine Harit

(França, Nantes)

O meio-campo ofensivo gaulês não viveu só da capacidade de desequilíbrio e invenção de Blas. Ao seu lado, e pela zona central, Amine Harit emergiu como peça fundamental, (pr)eenchendo o sector intermédio, pedindo e conduzindo. De fino recorte técnico, evidenciou pormenores glamourosos ao nível do passe e demonstrou plena capacidade para gerir e controlar os ritmos de jogo. Em espaços mais curtos, o seu toque de criatividade foi determinante para a França fazer chegar com tanta assiduidade a bola a zonas de finalização.

O Nantes apostou em René Girard para 2016/2017 e o calejado técnico gaulês fez de Harit um dos seus cavalos de batalha – o jovem médio tem sido indiscutível na equipa do histórico clube francês, levando já 14 jogos e mais de 1000 minutos somados! O conjunto de Girard não tem ainda estabelecido um padrão táctico e Harit acaba por ser ‘vitima’ disso mesmo. É que, mais próximo do 433 ou do 442 (com variantes plásticas na dinâmica de jogo), o centro-campista de 19 anos já actuou pela esquerda, pelo centro (mais adiantado ou mais recuado) e pela direita. Tudo somado, o seu carácter versátil tem ajudado a consolidar o seu estatuto de indispensável.

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(Foto: parisfans.fr)
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(Foto: butfootballclub.fr)

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