Diário do Atleta: Catarina Ribeiro é “Rouge et Noir”

Fair PlayDezembro 12, 20185min0

Diário do Atleta: Catarina Ribeiro é “Rouge et Noir”

Fair PlayDezembro 12, 20185min0
A atleta internacional portuguesa conta a sua história ao serviço do Toulouse, equipa da Eite do rugby feminino em França. Como se originou o convite e os primeiros jogos de Catarina Ribeiro

Em primeiro lugar gostaria de agradecer ao Francisco Isaac e ao Fair Play pelo convite e pedir desculpa pela demora. Não posso também deixar de agradecer todos os que me têm apoiado nesta decisão especialmente a minha família, amigos e cara-metade.

Sempre foi um sonho poder voar mais alto e conhecer outras realidades dentro do rugby mundial. Decidi aventurar-me em França pelo nível que têm apresentado ao longo dos anos nas competições internacionais. Acredito no projeto que estão a desenvolver a nível nacional e internacional com o rugby feminino.

França tem demonstrado uma grande entrega, agressividade, intensidade e técnica em todas as ações e estão entre as melhores seleções. Há bem pouco tempo, tinham quatro jogadoras nomeadas de um total de cinco e conseguiram arrecadar mais um prémio, têm a melhor jogadora de XV do mundo.

Foi fácil escolher este clube para me estrear no campeonato francês pois tem uma vasta história, sendo o maior vencedor do Top14 bem como da European Rugby Champions CupTaça Heineken.

Cheguei depois de a época iniciar o que não tem ajudado a conseguir uma vida estável. Gostaria de o ter feito antes, mas quis sempre dar prioridade aos estudos e trabalho. Mas a altura chegou. Tem sido uma viagem cheia de aventuras e loucuras. Cheguei a Toulouse, no dia 30 de setembro, e instalei-me numa casa Airbnb.

Foi ótimo conhecer a cidade, tive tempo para conhecer todos os monumentos, de passear de bicicleta, de conhecer efetivamente a realidade e o quotidiano francês na Cidade Rosa.

Entretanto na primeira semana tive a oportunidade de perceber as rotinas da equipa, conhecer as jogadoras, treinadores e instalações. Temos duas equipas, a equipa 1 joga na Élite 1 e, a equipa 2 na Fédérale 1. As rotinas de treino são simples. Segunda à noite temos a consulta com o médico e temos todos dias um fisioterapeuta disponível.

Á terça-feira temos treino de musculação pelas 12h até as 14h, e treino de rugby ao fim do dia. Na quarta-feira temos sempre musculação antes do treino de campo. No dia seguinte normalmente fazemos sempre jogo, onde dependendo do jogo do fim-de-semana jogamos uma equipa contra a outra. Por fim, na sexta temos o último treino de musculação da semana.

Coincidiu nessa semana jantarmos todas juntas, onde consegui interagir com todas as atletas noutro contexto sendo mais fácil conhecerem-me.

Tenho gostado muito de conhecer a equipa, de ver o ritmo de trabalho e de treino, o comprometimento e a organização. Todos tentam ajudar ao máximo e já consegui fazer alguns verdadeiros amigos para a vida.

Naturalmente não tem sido tudo rosas, tem sido um misto de emoções, entre não conhecer quase ninguém, não saber a língua, e neste momento estar com uma lesão tem sido complicado mas com o apoio da família, amigos e toda de toda a equipa continuo a lutar pelo meu lugar.

Desde então já passaram 8 jogos pela equipa principal e tenho conseguido evoluir e ganhar posição. O meu primeiro jogo (3º jogo) foi com a equipa da Férerale 1, contra Blagnac, um derby.

Foi emocionante toda a preparação e a estreia no campeonato francês, saber que iria partilhar vários jogos num clube de renome, poder aprender com todas as minhas colegas e adversárias, foi um momento muito especial.

Receber a minha primeira camisola, fazer a primeira placagem, marcar o meu primeiro ensaio e ganhar o meu primeiro jogo. Foi inesquecível. Seguiu-se o jogo contra o TMCS e, por último, joguei o 7º jogo para o campeonato com a equipa de Elite contra o Tarbes.

A intensidade do aquecimento da equipa elite é bem diferente, e que bom que é sentir esta intensidade, este nervosismo, esta união e voz coletiva. Depois do treinador chega a vez da capitã dar as suas palavras e juntas saímos do balneário. Um jogo relativamente fácil que me permitiu uma boa estreia com a equipa de elite.

Ao fim de três jogos já conto com quatro ensaios e com uma visão mais alargada e realista do nível francês. Estamos imbatíveis conseguindo em todos os jogos a vitória tão desejada. Este fim-de-semana, em casa no mítico estádio Ernest-Wallon, recebemos o 2º classificado do nosso grupo, AS Bayonnaise, conquistando um vitória pesada de 50-7. Estivemos muito bem, recuperar a bola dentro dos nossos 22 metros, jogo limpo, realista e boa leitura de jogo.

No campeonato francês, com a nova organização, passagem do TOP8 para TOP16 fez com que perdesse a competitividade dos anos anteriores.

Foi uma tentativa de terem mais jogos e menos descanso mas acabaram por dissipar e neste momento existe uma grande discrepância entre as equipas. Para além disso, existem duas grandes paragens no campeonato para dar primazia à preparação e realização do torneio das 6 nações.

Entretanto estou a ter aulas de francês e a viver com colegas da equipa. Não sou a única estrangeira na equipa o que facilita e possa falar em inglês, pois como sabemos os franceses não são os melhores a falar outras línguas (risos).

Agora será altura de voltar a casa para passar esta época festiva com a família e em Janeiro voltar à carga.


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