Arquivo de Setúbal - Fair Play

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André CoroadoAbril 23, 20189min0

Capitão da selecção nacional de futebol de praia até 2008, Hernâni foi um jogador marcante durante mais de uma década de História do futebol de praia. O Fair Play recorda o ninja e avalia a sua importância nas fundações da selecção nacional.

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João BastosJunho 25, 20179min0

Pela 11ª vez, o Parque Urbano de Albarquel, em Setúbal, recebeu a elite mundial das águas abertas que vieram disputar a etapa portuguesa (e única na Europa este ano) do circuito mundial, no dia 24 de Junho

Os grandes atractivos da prova setubalense eram, à partida, o campeão olímpico e europeu e vice-campeão mundial, Ferry Weertman e a vice-campeã olímpica e bi-campeã da Taça do Mundo, Rachele Bruni.

Outro atractivo era saber as condições em que a prova iria ser disputada. Nesta etapa a norma relativa aos fatos isotérmicos já estava válida, ou seja, se a água do Sado estivesse abaixo dos 18ºC, o uso do fato seria obrigatório, se estivesse entre os 18 e 20ºC seria facultativo e acima dos 20ºC proibido. Com o histórico da prova de Setúbal, a probabilidade maior era que a temperatura da água estivesse abaixo dos 20ºC, proporcionando um teste de utilização dos fatos isotérmicos na última prova antes do Mundial da Hungria.

Assim não foi, uma vez que a prova se disputou a uma temperatura média da água de 21,2ºC.

Não foi a temperatura a variante externa que determinou o decorrer da prova, mas sim a corrente marítima e as estratégias utilizadas quer na prova masculina, quer na prova feminina que fizeram com que ambas fossem as mais rápidas de sempre disputadas na baía de Setúbal.

Foto: Luís Filipe Nunes

Kristof Rasovszky vence e convence

A prova masculina começou a um ritmo alucinante. Logo desde o tiro de partida, o húngaro Kristof Rasovszky veio para a frente e imprimiu um ritmo muito forte na primeira de 5 voltas ao circuito de 2km, a qual nadou sempre 15/20 metros à frente do pelotão.

A consequência foi colocar muitos dos adversários desde logo em dificuldade e convidar outros nadadores a juntarem-se-lhe na tarefa de continuar a endurecer a prova.

Assim foi desde a segunda volta, quando Rasovszky baixou para o miolo do pelotão, mas o ritmo continuou forte, patrocinado por alemães e italianos que se revezavam na frente da prova.

De resto, os nadadores alemães, quer na prova masculina, quer na prova feminina, tinham de fazer pela vida, uma vez que a selecção para os mundiais seria constituída com base nos resultados da etapa de Setúbal. Por isso Muffels, Reichert, Waschburger e Studzwski nunca se esconderam durante a prova.

A disputa italo-germânica foi animando a prova e foi fazendo esquecer o húngaro, até que na última volta fez com que toda a gente se voltasse a lembrar dele…de forma categórica, Rasovszky voltou a fazer na última volta o que já tinha feito na primeira: veio para a frente, impondo um ritmo que ninguém conseguiu acompanhar. Particularmente os últimos 800 metros foram nadados a um ritmo de tal forma elevado que o alemão Rob Muffels (um dos melhores terminadores do circuito) não se conseguiu aproximar do húngaro no sprint final.

A menos de um mês do mundial em sua casa, Kristof Rasovszky impôs-se com categoria e venceu a sua primeira etapa da Taça do Mundo na carreira. O húngaro tem apenas 20 anos de idade e é o campeão mundial júnior em título. Um nome a acompanhar com muita atenção agora no escalão de elite.

No segundo lugar chegou o vice-campeão mundial dos 5 km, Rob Muffels que assim garantiu a presença no mundial da Hungria, em representação da Alemanha.

A completar o pódio chegou um italiano. Não foi Ruffini nem Vanelli (aqueles que teriam maiores probabilidades de alcançar o pódio), mas sim o jovem, medalha de bronze nos mundiais de juniores do ano passado, Andrea Manzi.

A prova foi nadada abaixo de uma hora e meia (1:29:50.97 para Rasovsky), sendo a mais rápida de sempre em Setúbal.

Foto: Luís Filipe Nunes

No ranking mundial, Federico Vanelli (Itália) aproveitou a ausência de David Aubry (França) para assumir a liderança da Taça do Mundo. O sexto lugar conseguido em Setúbal deram-lhe 10 pontos, marcando agora um total de 38. Apesar de subir um lugar, viu aproximar-se o seu compatriota, campeão em título da Taça do Mundo, Simone Ruffini, que fez 5º em Setúbal (12 pontos) e tem agora 33 pontos, um a mais que Aubry que desceu ao terceiro lugar do ranking.

Ferry Weertman foi apenas 7º em Setúbal, mas ainda deu para ascender à 4ª posição da Taça do Mundo com 26 pontos.

Bruni confirma o favoritismo

À semelhança da competição masculina, a prova feminina foi marcada pelas estratégias de corrida que deram certo.

Assim como Rasovsky, também a sua compatriota Anna Olasz tinha a intenção de vir para a frente e partir o pelotão. E de facto conseguiu-o, fazendo descolar várias nadadoras, entre as quais a nossa olímpica Vânia Neves.

O problema de Olasz é que, ao contrário da prova masculina, na prova feminina as italianas tiveram sempre tudo sobre controlo e na terceira volta, um comboio formado por Rachele Bruni, Arianna Bridi e Giulia Gabrielleschi começou a comandar as operações. Atrás seguiam as germânicas Finnia Wunram e Svenja Zihsler (as mais cotadas Angela Maurer e Sarah Bosslet não conseguiram seguir no pelotão).

Italianas e alemãs mantiveram o domínio durante 4 km e na altura de todas as decisões, as italianas viram recompensado o seu esforço com a vitória a sorrir à vice-campeã olímpica Rachele Bruni, que assim vence a sua primeira etapa deste ano, melhorando as suas hipóteses de ser tri-campeã da Taça do Mundo.

A medalha de prata sorriu à meia surpresa Viviane Jungblunt, do Brasil. A nadadora de apenas 21 anos está no seu primeiro ano como titular da selecção brasileira na Taça do Mundo e, a julgar por este resultado, estamos perante mais uma nadadora brasileira de excelência nas águas abertas, no trilho de Poliana Olimoto (que não esteve em Setúbal) e Ana Marcela Cunha (que foi 5ª).

O terceiro lugar foi para o Equador e para Samantha Arevalo, ela que já tinha feito top-10 (7º) na etapa inaugural, na Argentina.

Foto: Luís Filipe Nunes

À sexta prova, Arianna Bridi ficou fora do pódio. Desta vez a italiana ficou no quarto lugar, mas conseguiu manter a liderança da Taça. Tem agora 50 pontos, apenas 3 a mais que Bruni. As duas italianas já levam uma vantagem considerável para o terceiro lugar, que agora é repartido entre Ana Marcela e Samantha Arevalos, ambas com 26 pontos.

Angélica no 8º lugar

Entre os 8 portugueses, o grande destaque vai para Angélica André. A nadadora do Fluvial Portuense tem dado grandes indicações para o Mundial e depois de ser campeã nacional, numa prova em que acompanhou os primeiros da classificação masculina, agora conseguiu fazer a melhor classificação de sempre de um português no circuito de Setúbal (Arseniy Lavrentyev foi 9º classificado no apuramento olímpico em 2012).

A nadadora portuguesa chegou a estar no segundo lugar da prova, antes do momento em que as italianas decidiram tomar a dianteira. Esta excelente classificação fez Angélica subir 2 degraus na hierarquia da Taça do Mundo, posicionando-se agora no 13º lugar geral do circuito.

Foto: Luís Filipe Nunes

Relativamente aos outros portugueses, Vânia Neves foi 26ª, numa prova de grande esforço motivada pelo facto de ter ficado sozinha muito cedo.

Nos masculinos os nadadores portugueses chegaram em posições consecutivas, mesmo que com alguma diferença de tempo entre eles. Rafael Gil foi 36º, Alexandre Coutinho 37º e José Carvalho 38º, nesta que foi a sua estreia em Setúbal.

Eva Carvalho e Mário Bonança não conseguiram terminar e Diogo Marques foi desqualificado.

Irmãos Ribeiro vencem Mass Event

Da parte da manhã, como acontece em todas as etapas da Taça do Mundo, aconteceu o evento aberto. O Mass Event associado à Taça do Mundo pretende promover a vertente das águas abertas entre todos os que a queiram praticar.

Este ano os cerca de 240 inscritos, entre os quais se contavam os antigos nadadores olímpicos Arseniy Lavrentyev e Miguel Arrobas, cumpriram um circuito de 1660 metros.

No final foram Hugo e Soraia Ribeiro que se superiorizaram, sendo ambos secundados por jovens nadadores que cada vez mais se afirmam nas águas abertas.

Ao pódio subiram os 10 primeiros em masculinos, as 10 primeiras em femininos e as 3 melhores equipas.

O top-10 masculino ficou assim organizado:

  1. Hugo Ribeiro (ESJB)
  2. Diogo Nunes (CFP)
  3. Paulo Frota (FBS)
  4. José Freitas (CFP)
  5. André Santos (CNATRIL)
  6. João Serra (ACM)
  7. Edgar Santos (SFUAP)
  8. Gonçalo Bárbara (Portinado)
  9. José Ventura (FBS)
  10. Marco Vantaggiato (CNLA)
Foto: Luís Filipe Nunes

No top-10 feminino ficaram:

  1. Soraia Ribeiro (ESJB)
  2. Alexandra Frazão (Individual)
  3. Ana Rita Queiroz (FBS)
  4. Maria Beatriz Dias (CNRM)
  5. Beatriz Carvalho (CNRM)
  6. Rita Ribeiro (FBS)
  7. Susana Mateus (CNLA)
  8. Ana Gervásio (ACM)
  9. Marina Zaborskaya (FCF)
  10. Joana Amaral (Sobral M. Agraço)
Foto: Luís Filipe Nunes

A FPN e a Câmara Municipal de Setúbal já garantiram que até 2021 os melhores do mundo continuarão a vir a Setúbal disputar uma das etapas de maior referência mundial.

Até para o ano!

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Francisco IsaacSetembro 5, 20166min0

Ao fim do mês de Agosto, o Vitória FC está entre os primeiros classificados da Liga portuguesa. Um bom arranque de campeonato, com um futebol de qualidade, retirando a equipa dos sadinos da triste realidade dos últimos anos. Mas estas segundas núpcias têm futuro?

Recuemos, antes de mais, a 2004/2005 quando o Vitória de Setúbal decidiu bater o “pé” ao Sporting e lutar, até Fevereiro de 2005, pelos 6 melhores formações da 1ª Liga Portuguesa. Numa época em que os sadinos levantaram a Taça de Portugal, houve um protagonista que assumiu um papel preponderante, senão fundamental, para esse desfecho final, apesar da saída precoce: José Couceiro. O treinador português assumiu em Fevereiro de 2005 o FC Porto naquilo que foi uma passagem fugaz pelo Dragão.

Quase dez anos passaram para que Couceiro e o Vitória FC (apelidado de Vitória de Setúbal) voltassem a juntar “forças” e embarcassem numa nova “viagem” pela Liga NOS. Como em 2004/2005, a equipa de Setúbal somou 7 pontos (vitória frente ao Penafiel e Sporting, empate com o Boavista), os sadinos arrancaram um ponto num dos campos mais inexpugnáveis do campeonato português, a Luz, derrotando o eterno rival CF “Os Belenenses” e o “europeu” Arouca. Mas há alguma coisa de especial neste Vitória? É verdade que a maioria dos adeptos (sejam dos ditos Grandes ou não) estão “apaixonados” pelo futebol do Vitória SC/Guimarães, com aquele caótico mas belo 5-3 frente ao Paços de Ferreira.

Os vimaranenses seguem com 6 pontos atrás do “inimigo” SC Braga e do Vitória FC. Mas, para já, tem sido o futebol eficaz, bem delineado e carismático do Setúbal que recebe uma olhar mais sério pela parte do Fair Play. Em 2014/2015, a equipa de Setúbal somou 5 pontos no arranque do campeonato, naquele que foi uma das temporadas mais complicadas dos últimos anos, já que só na penúltima jornada foram salvos pelo “gongo”. Todavia, o futebol era bastante diferente do que estamos a ver agora: a timidez foi substituída com ousadia; o futebol sem ideias e “primitivo” deixou de existir para entrar na lógica do risco e de um jogo de velocidade; e, ao contrário do que vinha a ser hábito de José Couceiro, o risco entrou na jogada dos sadinos. No jogo da Luz, a sorte foi “irmã” de José Couceiro, que viu os avançados do SL Benfica a não conseguirem marcar mais com um golo a Bruno Varela e com um dos únicos remates dirigidos à baliza de Júlio César a acabar em golo para Frederico Venâncio.

Mas o capítulo Luz foi na 2ª jornada, tendo o 1º sido em casa frente ao CF “Os Belenenses” com uma vitória categórica frente aos azuis do Restelo. Nesse encontro ficaram alguns pormenores na retina: em 1º lugar o facto de ter sido um jogo em que ambas equipas titulares apresentaram 20 jogadores portugueses, um verdadeiro acontecimento para o futebol português e, melhor que tudo, uma boa notícia para os habituais críticos do futebol nacional (que não deixam de ter razões ou motivos para apontar esse problema inerente à 1ª Liga portuguesa). A equipa de José Couceiro derrotou o esquema ousado e de contra-ataque “venenoso” de Júlio Velázquez, com Bonilha e Fábio Pacheco a “asfixiarem” as investidas de Miguel Rosa (jogo pouco capaz de um dos atletas mais “antigos” da equipa do Restelo) ou de João Palhinha. Em abono da verdade, a dupla Camará e Benny não conseguiram passar na sólida barreira montada por Vasco Fernandes e Frederico Venâncio. Este último tem sido uma das agradáveis confirmações da equipa sadina, que desde da época 2012-2013 já somou quase 100 jogos pela equipa principal, isto com apenas 23 anos.O central entra bem na lógica de jogo que José Couceiro quer e está a impor em Setúbal, com boas saídas com a bola nos pés, jogo aéreo forte e um misto de poder físico q.b. com uma técnica interessante. É, para já, uma das figuras do Setúbal 16/17.

Venâncio nas alturas (Foto: Lusa)
Venâncio nas alturas (Foto: Lusa)

Passado o jogo contra o Belenenses (vitória por 2-0, com golos de André Claro e do próprio Frederico Venâncio), seguiu-se a visita à Luz e, por fim, a recepção ao breve europeu Arouca de Lito Vidigal. Como tem vindo a ser costume, as equipas coqueluche de uma temporada, acabem por ser “vítimas” do próprio sucesso… o Arouca de Vidigal, tem tido um início de temporada para “esquecer” com uma só vitória em 5 jogos (3 para o campeonato e 2 para a Liga Europa, excluindo os jogos de apuramento para a 2ª competição de clubes da UEFA), tendo uma dessas derrotas sido frente ao Arouca. No Bonfim a equipa de José Couceiro anulou, por completo, o futebol de “agressão” (no sentido de poder físico e jogo táctico fechado), raça e de oportunidade, com Mikel Agu (emprestado pelo FC Porto), Venâncio (mais uma vez), André Claro (dois golos desde o início de época) e Costinha. O esquema táctico de José Couceiro assenta num 4x2x3x1, onde o meio-campo com um duplo pivot procura “asfixiar” e fornecer bola para um trio de apoio a André Claro, composto por Costinha, Zé Manuel e João Amaral (veio do Pedras Rubras do CNS).

Os três encontraram uma harmonia total que para já tem garantido excelentes resultados, com uma boa pressão sobre a defesa contrária, com um sentido de risco bem trabalho e uma excelente noção de espaço. É uma estratégia que, para já, resulta e traz pontos preciosos na luta pela manutenção… Será que estas “segundas núpcias” decorrerão sempre no mesmo tom, com uma paixão sadina em força e carregada de boas notícias ou a lua de mel terminará e o Vitória voltará a cair no “poço” classificativo? Para já estão no top-5 da liga e a par do outro Vitória ou do Boavista (a partir do 6º lugar há um fosso de qualidade de grandes proporções) são das equipas que têm empolgado os adeptos da Liga NOS. Para já as desilusões da 1ª Liga estão a cabo do Nacional da Madeira (várias questões relativas à política de transferências) e Estoril-Praia (Fabiano Soares parece ser o homem errado para o futuro do clube) com o Tondela a ir em busca de uma improvável salvação.

Feste do Sado (Foto: MÁRIO CRUZ/LUSA)
Festa do Sado (Foto: MÁRIO CRUZ/LUSA)

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