Fernando Almeida. “Esforço-me a cada jogo para ser a minha melhor versão e ajudar a equipa”

Francisco IsaacSetembro 22, 201710min0

Fernando Almeida. “Esforço-me a cada jogo para ser a minha melhor versão e ajudar a equipa”

Francisco IsaacSetembro 22, 201710min0
Um dos segundas-linhas do momento em Portugal, Fernando "Fanã" Almeida merece a atenção pela grande recuperação que efectuou e um regresso em força aos relvados portugueses em 2017

Fernando Almeida, atleta da AEIS Agronomia e Selecção Nacional, contou ao Fair Play o que foi regressar aos Lobos após uma lesão que por pouco o retirava dos campos de forma indefinida. 

O segunda-linha narra a sua viagem, explicando a sua ambição, o que já atingiu e ainda o que quer atingir e do quão importante é jogar rugby na sua vida.


Fernando Almeida, jogador da AEIS Agronomia e da selecção Nacional… mais conhecido por Fanã. De onde vem a alcunha? E quem te a pôs?

FA. Tenho dedicado uma vida a essa questão, nunca percebi como nem porque, mas cálculo que tenha sido o bom gosto do meu irmão.

Como foi regressar a 100% aos relvados esta temporada? Momento mais especial na temporada que passou?

Foi muito bom poder voltar a fazer aquilo que mais gosto  com todos os meus amigos de Agronomia assim como voltar a vestir a camisola da selecção nacional, algo que não pensava poder acontecer na época de regresso.

Foi a época mais marcante que tive com Agronomia, conquistámos dois troféus, chegámos à final do campeonato onde tivemos em vantagem ate ao último minuto, é impossível destacar um momento em especial e mesmo sabendo que a conquista de títulos é fundamental num clube como a Agronomia, o que mais me marcou foi mesmo o espírito de grupo que criámos ao longo da época e a União entre todas as gerações de jogadores.

A lesão que sofreste exigiu muito de ti a nível psicológico: qual foi o teu segredo ou a que pensamento tiveste para continuar a acreditar no teu regresso? Tiveste um grande apoio da comunidade Nacional do rugby?

A lesão foi um período complicado, não só pela sua gravidade e todo o processo cirúrgico envolvente, mas principalmente por me ter de conformar com a possibilidade de não voltar a jogar rugby.

Não houve segredo simplesmente tive as pessoas certas do meu lado, uma família que esta sempre comigo, o melhor fisioterapeuta que conheço (Rafael Assunção) e depois a família Agronomia fez o resto, bastou ir visitar a rapaziada ao treino e já não consegui pensar em mais nada que não voltar a entrar em campo com todos eles.

Foi importante a vinda do Frederico de Sousa para elevar o nível competitivo de Agronomia? Aonde é que sentiste uma grande mudança na equipa esta temporada?

Sem duvida, o Pico é um grande treinador, com muita experiência a nível nacional e internacional, tem um currículo recheado de títulos e sucesso não só como treinador, mas também jogador, tem uma mentalidade vencedora e acho que foi aí que causou maior impacto. Fez nos acreditar que podíamos lutar por qualquer competição nacional.

Porquê a Agronomia? A que se deveu a tua vinda para a Tapada após a tua formação no Setúbal?

Agronomia porque me foi aconselhado pela equipa técnica da selecção nacional, eu ainda jogava no Vitória quando comecei a treinar com a equipa sénior da selecção e tive a felicidade de me estrear nesse mesmo ano, foi aí que o seleccionador nacional me lançou o desafio de dar o salto para um clube da primeira divisão, na altura não tinha qualquer preferência, foi me sugerido Agronomia e aceitei.

Posso dizer que foi o melhor conselho que me deram ate hoje.

Desde a tua chegada à Agronomia até hoje tu és um jogador diferente, correcto? Em que pontos sentes que faças uma grande diferença?

Sim, cheguei a Agronomia com 18 anos, tive a oportunidade de ser treinado por muito bons treinadores e de me cruzar com grandes jogadores o que sem dúvida foi essencial no meu desenvolvimento.

Não acho que faça uma grande diferença em nada, bem a não ser na quantidade de penalidades que faço por jogo…

Cada jogador tem as suas características, aspectos do jogo onde é melhor ou que tem de melhorar  e eu não sou excepção, esforço me cada jogo para ser a minha melhor versão para que possa trazer essa diferença à equipa , como todos os outros jogadores.

Fernando Almeida um Lobo! (Foto: João Peleteiro Fotografia)

Sempre achaste que era possível chegares à Selecção Nacional? Como o conseguiste? E que conselho darias a um jovem da formação de Agronomia?

Acho que todos os jogadores têm essa ambição, é impossível não nos imaginarmos a cantar o hino daquela forma tão única e entrar em campo para defender o nosso país.

Eu nunca fui aquilo que se pode chamar um atleta, antes de conhecer o rugby pratiquei vários desportos (maioria deles obrigado pelos meus pais) mas sem grande sucesso. Depois descobri o rugby, a paixão foi crescendo assim como o sonho de representar a Selecção nacional, saber que tinha uma falta de jeito gigante ajudou-me a trabalhar mais para atingir esse objectivo, acho que foi essa a minha fórmula.

O meu conselho para qualquer jovem jogador é que sejam o mais ambiciosos possível, estabeleçam grandes objectivos e trabalhem ao nível da dimensão desse objectivo/sonho, aproveitando e tirando sempre o máximo gozo de tudo o que o rugby nos dá.

Tens algum sonho em termos de joga fora de Portugal? Para que país irias e porquê?

Tenho esse sonho, espero agarrar a oportunidade um dia, por agora quero concentrar me em Agronomia e em acabar o curso.

Como avaliarias a época da Selecção Nacional? Ficámos aquém do nosso objectivo (de subida) mas voltámos a ganhar vários jogos e a demonstrar que os mais jovens podem dar garantias à comunidade, concordas?

Apesar de não termos conseguido o regresso ao grupo que pretendíamos ,  não  podemos esquecer todo o percurso da selecção nacional esta época , numa fase de renovação  da equipa e numa altura em que a Federação se vê obrigada a grandes cortes , ver toda a qualidade doa jovens  jogadores que se estrearam este ano a forma como assumiram e trabalharam por um lugar na equipa assim como o orgulho com que vestiram a nossa camisola  enche me de certezas em relação ao sucessos futuros da selecção nacional.

Colega que mais gostaste/gostas de partilhar o balneário na Selecção Nacional? E porquê?

Uma selecção Nacional é um grupo especial  seleccionado para representar o pais, portanto  todos os laços que criamos são especiais, tive o  privilégio de partilhar o balneário com jogadores que toda a minha vida idolatrei, com alguns dos meus melhores amigos tanto de agronomia como jogadores formados em Setúbal, amigos com quem fiz todas as camadas jovens da selecção nacional e com quem partilhava o sonho de um dia poder pertencer a este grupo tão especial , outros que não conhecia e com quem hoje tenho laços de amizade que são para a vida.

Não consigo destacar um.

Consegues recordar-te do teu primeiro jogo por Portugal a nível sénior? E qual foi a sensação de não só ouvir o hino, mas também de meter a primeira placagem?

Portugal vs Ucrânia 19 Março 2011, não consigo descrever a sensação, foi um dos melhores dias da minha vida.

Joguei cerca de 15 minutos, curiosamente não relembro de nada do tempo que estive dentro de campo, foram os nervos…

Um jogador exemplo para ti no rugby Nacional?

Vasco Uva, Pipas, Gonçalo Foro  

António Duarte, Gustavo Duarte, Francisco Mira, Tomás Gonçalves, Duarte Cardoso Pinto, Duarte Cortes jogadores que tive/tenho o privilégio de jogar e treinar em Agronomia, por quem tenho uma grande admiração e amizade.

Pedro Almeida meu treinador e colega de equipa no Vitoria de Setúbal a quem devo grande parte do jogador que sou hoje.

Um “Rei” no ar! (Foto: João Peleteiro Fotografia)

Gostavas de tentar jogar à asa ou a 2ª linha é que queres ficar até ao final da carreira?

Gosto muito do trabalho da terceira-linha, mas sei que tenho características mais específicas de segunda-linha, posição onde estou mais rotinado e que também adoro.

Talvez um dia quando for jogar fora possa experimentar o numero 10 nas costas…. no Sri Lanka.

Achas possível o Setúbal voltar ao crescimento acentuado? Quais são as maiores valências do Vitória?

As equipas fora de Lisboa passam por algumas dificuldades no que toca a construir e manter uma equipa competitiva, principalmente porque a maioria dos jogadores mais jovens apos o secundário muda se para Lisboa para continuar as suas vidas acadêmicas o que impossibilita a sua presença assídua, para muitos torna se mesmo impossível conciliar.  Acredito que o Vitória se vai reerguer tem as pessoas certas na estrutura do clube assim como jogadores que adoram o clube, que dedicaram e continuam a dedicar muitos anos das sua vidas ao clube e que transmitem toda essa essência aos mais novos.

Já agora… All Blacks, Wallabies ou Springboks?  E se não for nenhum destes, qual é a tua selecção favorita e porquê?

All Balcks por serem os melhores em tudo, pela cultura e essência

Argentina pela entrega e coração

Melhor placador em Agronomia: António Duarte ou Tomás Gonçalves?

Tomas Goncalves?? Isso é jogador de outras épocas …  Só comecei a seguir Agronomia no século XXI

Super Rugby ou Top14?

Não consigo escolher, super rugby pela fluidez e qualidade, top 14 pela agressividade e fisicalidade.

Melhor primeira-linha que já encaixaste na Formação Ordenada?

Gustavo Duarte, Jean Moreira, Ze de la tostas mas o meu amigo Bruno Rocha está convidado a entrar.

Que país gostavas de “descobrir”: Fiji ou Irlanda?

Fiji com os meus queridos amigos Lote, Meli e Robert, espero poder visitá-los um dia.

Que colega de equipa gostavas mais de placar? E porquê?

Zé Rodrigues, Meli Mccaw, António Cortes Monteiro ou Manuel Cardoso Pinto, porque nunca consegui, são rápidos de mais …

Uma mensagem especial para os adeptos de Agronomia e do rugby Nacional?

Acreditem e venham apoiar-nos.

Com a turma de Setúbal (Foto: João Raimundo)


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