25 Jun, 2018

Arquivo de São Paulo - Fair Play

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Victor AbussafiFevereiro 14, 20171min0

Duas transferências agitaram o mercado brasileiro no fim desta janela. Impulsionado por sua patrocinadora, o Palmeiras investiu pesado para adquirir um dos grandes destaques da última Libertadores e o São Paulo, com dinheiro após vender uma de suas maiores promessas, trouxe o ponta de lança titular da Seleção Argentina, de Bauza.

Essas duas transferências entraram no ranking das mais caras da história do Futebol Brasileiro. Juntam-se aos recordes do Corinthians, na época da MSI, da loucura do Santos por Damião (que fracassou) e de outros grandes investimentos do São Paulo.

Números vultuosos que contrastam com valores de outras épocas. Edmundo em 1993 (do Palmeiras para o Vasco por US$ 1,8 milhão) e Rivaldo em 1994 (US$ 2,8 milhões do Mogi Mirim – estava emprestado ao Corinthians- para o Palmeiras) já foram as aquisições mais caras feitas por clubes brasileiros, numa época em que os valores eram anunciados em dólar, antes do plano Real.

Confira o ranking e deixe sua opinião nos comentários. Os clubes acertaram ao investir esses valores?

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Victor AbussafiNovembro 30, 20165min0

Uma das coisas mais bonitas do futebol é ver meias clássicos, que jogam com a cabeça levantada enquanto controlam o ritmo da partida. Num futebol cada vez mais físico, jogadores com esse estilo são raros e, se bem utilizados, podem elevar a qualidade do jogo praticado por uma equipa. João Schmidt viveu um 2016 de afirmação e pede espaço na nova época para ser o novo “dono” do meio campo tricolor.

O Centro de Formação de Atletas de Cotia, sede da formação do São Paulo, é muito elogiado por sua estrutura e muito questionado por não revelar, nos últimos anos, tantos talentos quanto deveria. Em 2016, com algumas mudanças na gestão, fala-se de uma das gerações mais talentosas de sempre a nascer na base do clube paulista. Mas é da afirmação de um talento da geração anterior que pode vir o maior reforço do São Paulo para 2017.

João Schmidt fazia parte do plantel campeão da Copa São Paulo de Juniores de 2010, que revelou Lucas Moura, do PSG, e Casemiro, titular do Real Madrid. Um ano mais novo do que seus companheiros que brilham no futebol europeu, João Schmidt foi promovido ao time profissional apenas em 2012 e demorou a despontar como um talento entre os adultos.

No ano em que teve mais oportunidades, 2013, o desempenho do clube não ajudou e o São Paulo foi mal na Libertadores e no Brasileiro. A pressão da luta na parte de baixo da tabela inibiu o crescimento dos jovens do plantel e os outros “pratas-da-casa” Auro e Ademílson também não se firmaram. Para ganhar experiência, Schmidt foi emprestado ao Vitória FC em 2014 e teve bom desempenho, marcando 8 golos em 34 partidas, inclusive o golo que salvou o Vitória do rebaixamento.

Foi com o seu retorno em 2015, sob o comando de Juan Osorio, que o médio se destacou e passou a ser mais utilizado. Em 2016, ganhou a vaga de titular durante a Libertadores, numa atuação brilhante contra o Trujillanos e não saiu mais. Sofreu com uma lesão mas já ganhou seu espaço novamente e briga para solidificar a titularidade.

Fonte: zero zero

Médio de grande capacidade técnica, João Schmidt é dono de um passe precioso. Com a perna esquerda dá ritmo ao jogo e qualifica a transição ofensiva da equipa. Ajuda a criar a partir da defesa e foi muito importante para a boa campanha do São Paulo na Libertadores. Aprendeu, com a experiência, a utilizar seu tamanho a seu favor, afinal é um médio com mais de 1,80 e leva vantagem na disputa de bola contra adversários mais “leves”. Seu amadurecimento também lhe deu mais poder de competição, fazendo sua capacidade técnica florescer.

Sofreu com a pouca intensidade defensiva da equipa no segundo semestre, pois não é um jogador que se destaque pela velocidade e poder de marcação. Fecha bem os espaços, tem bom posicionamento e desarme, mas precisa de uma equipa equilibrada para jogar seu melhor futebol. Precisa melhorar nos remates de longa distância para se tornar mais completo.

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Em um futebol mais compacto taticamente, como o europeu, João Schmidt encontraria o ambiente ideal para se destacar, pois é um armador recuado com grande visão de jogo e capacidade de passe. Se desenvolver a intensidade na marcação e a chegada para rematar à frente, pode se tornar um box-to-box de porte e chegar à Seleção Brasileira. Não é do tipo de jogadores que “explode” aos 18 anos e sim do perfil daqueles que evoluem com a idade, como foi o caso de Hernanes no mesmo São Paulo. Menos habilidoso do que o médio da Juventus, Schmidt partilha da capacidade de dominar o jogo desde o meio campo.

Tem contrato por vencer em Junho de 2017 e a negociação para renovar não está fácil. Pede mais garantias de que será titular na próxima época e um aumento salarial considerável. O São Paulo, por outro lado, sabe que deveria ter renovado o vínculo com mais antecedência, mas reluta em aumentar tanto o salário de um jovem que, apesar de promissor, apenas ganhou espaço esta época. É sondado por clubes italianos, segundo especulações na imprensa brasileira.

BOA OPÇÃO PARA…

FC Porto e SC Braga – Não chegaria como titular absoluto do meio campo azul e branco, mas daria alegrias ao torcedor que cansou de ver Herrera errar passes de 5 metros. Com alguma paciência poderia ser o jogador necessário para equilibrar a equipa portista. No SC Braga, acostumado a ser a porta de entrada de talentos brasileiros, João teria espaço para fazer um par de boas épocas e dar vôos maiores.

Sevilla FC e Villarreal CF – No futebol espanhol, mais cadenciado do que o inglês e com mais espaço do que no italiano, João teria a oportunidade de aprimorar a parte tática enquanto desfilava seus passes em clubes com estilo de jogo distintos. No Sevilla, participaria da construção das jogadas no esquema de Sampaoli, já no Submarino Amarelo, faria boa associação na linha de 4 do meio campo para melhora a qualidade dos lançamentos para Pato no ataque.

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Victor AbussafiOutubro 22, 20167min0

Palavra chave na filosofia de Tite, treinador da Seleção Brasileira. Para ele, vitórias e conquistas devem ser merecidas através do trabalho. Uma boa preparação, muito treinamento, dedicação e seriedade para gerar um bom futebol e dignificar aquele grupo como merecedor de conquistas. O que essa filosofia tem a ver com o desempenho de Palmeiras e Flamengo, que lutam pelo título no Brasil, e dos grandes que lutam para não cair?

Com 4 jogos como treinador do Brasil, Tite levou a equipe da sexta posição para a liderança das eliminatórias. 12 golos marcados e apenas 1 sofrido e um bom futebol que faz a Seleção merecer as vitórias. Mas podemos extrapolar o merecimento para a atuação fora de campo, inclusive. Tite melhorou o ambiente da Seleção, conquistou os jogadores e apresentou um novo modelo de trabalho, mais intenso e moderno. O resultado veio.

Fábio Mahseredjian, Tite e Edu Gaspar durante a convocação dos jogadores que irão atuar nas partidas da Seleção Brasileira contra Argentina e Peru, válidas pelas Eliminatórias da Copa da Rússia 2018 (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)
Fábio Mahseredjian, Tite e Edu Gaspar durante a convocação dos jogadores que irão atuar nas partidas da Seleção Brasileira contra Argentina e Peru, válidas pelas Eliminatórias da Copa da Rússia 2018 (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)

Nos clubes, a história é a mesma. Não é à toa que Palmeiras e Flamengo brigam pelo título do Campeonato Brasileiro, rodada a rodada.

Depois de duas quedas de divisão em 10 anos, o Palmeiras ressurge como clube de ponta. Com uma gestão polêmica de Paulo Nobre, acionista de um dos maiores bancos do país, o clube reestruturou suas finanças com um empréstimo de cerca de R$ 100 Milhões (€30 Milhões) de seu presidente. Isso permitiu ao clube parar de correr atrás de juros de empréstimos de curto prazo e trabalhar com alguma organização.

Gabriel Jesus é o grande destaque do Palmeiras que caminha para o título brasileiro de 2016. (Foto: José Edgar de Matos/UOL Esporte)
Gabriel Jesus é o grande destaque do Palmeiras que caminha para o título brasileiro de 2016. (Foto: José Edgar de Matos/UOL Esporte)

O novo estádio, o belíssimo Allianz Parque, promoveu um crescimento recorde nas médias de público e nas adesões ao plano de sócios Avanti, que já vai em cerca de 100 mil sócios, impulsionando as receitas do clube. Hoje o Palmeiras tem 32.677 pagantes por partida, a melhor média de público do Brasileirão e superior ao seu melhor índice em todos os tempos no Campeonato Brasileiro.

O Flamengo não precisou de um “sugar daddy” para reformular sua gestão, mas sim da habilidade estratégica de um grupo de empresários e gestores de grandes empresas, liderados por Eduardo Bandeira de Mello, ex-BNDES, e apoiado por um time de executivos de peso como Wallim Vasconcelos, economista; Luiz Eduardo Baptista, presidente da Sky Brasil; Carlos Langoni, ex-Banco Central e Flávio Godinho, executivo do Grupo EBX.

Apesar de ter se dividido para as próximas eleições, foi sob a gestão deste grupo que o Flamengo deu um salto econômico que pode representar o renascimento de uma hegemonia. Um lucro de R$ 130,4 milhões no balanço financeiro do Flamengo foi registrado na última temporada, mais do dobro de 2014 (R$ 64,312 milhões). Em 2015, o clube foi quem mais faturou, considerando a receita sem transferência de atletas, com R$ 344 milhões. Entretanto, até este ano, os resultados em campo não refletiam esse crescimento econômico.

O Flamengo cresceu sob o comando do ex-interino Zé Ricardo e conta com Diego e companhia para lutar pelo título (Foto: Staff Images / Flamengo)
O Flamengo cresceu sob o comando do ex-interino Zé Ricardo e conta com Diego e companhia para lutar pelo título (Foto: Staff Images / Flamengo)

Em 2016, o Flamengo aumentou ainda mais as receitas e aumentou o investimento no futebol (que mesmo assim representa 44% das receitas, quando nos outros clubes a média é de mais 80%). Enquanto paga suas dívidas, o Flamengo se reconstrói e agora briga pelo título do Campeonato Brasileiro, com fôlego para investir no retorno do meia Diego, por exemplo.

Em campo, Palmeiras e Flamengo contrataram bem, contam com uma filosofia de jogo ofensiva, brigam ponto a ponto e parecem construir um futuro promissor. Na outra ponta da tabela, no entanto, a realidade é outra. São Paulo, Cruzeiro e Internacional estão seriamente ameaçados pelo rebaixamento.

Com gestões que pararam no tempo – São Paulo e Inter tem os mesmos dirigentes da época em que disputaram a final da Libertadores e eram modelos de gestão, há mais de 10 anos – e com uma sucessão de más decisões administrativas, seguiram mais ou menos o mesmo roteiro. Montaram times caros, investiram mais do que podiam e os resultados não vieram. Os bastidores políticos agitados não colaboram e não existe um plano esportivo planejado.

O São Paulo, por exemplo, apostou no futebol moderno e ofensivo de Juan Carlos Osório, no pragmatismo de Edgardo Bauza e agora foi buscar um Ricardo Gomes que tinha 35% de aproveitamento no campeonato e não tem estilo parecido com nenhum dos dois. O Cruzeiro, buscou um treinador europeu, Paulo Bento, no meio da competição e deu apenas dois meses para ele treinar o time. Sem resultados, caiu rapidamente.

No Internacional, a crise foi ainda mais evidente. Líder nas primeiras rodadas, com um futebol extremamente pragmático com Argel, acumulou derrotas seguidas que o levaram a última posição. Passaram pelo positivista Falcão e voltaram, um mês depois, para o maior defensor do pragmatismo, Celso Roth. O desespero bateu.

São Paulo e Inter venceram na última rodada, mas a briga contra o rebaixamento continua. (Foto: Ricardo Duarte/Internacional/Divulgação)
São Paulo e Inter venceram na última rodada, mas a briga contra o rebaixamento continua. (Foto: Ricardo Duarte/Internacional/Divulgação)

Hoje, a 8 rodadas do fim, São Paulo tem 4 pontos a mais que o primeiro rebaixado, Cruzeiro tem 3 e Internacional 1. O sofrimento vai ser até o final. Triste para torcedores acostumados a dias melhores.

Isso só prova que Tite está certo. Que apesar do futebol ser um esporte imprevisível durante seus 90 minutos, quando se olha numa imagem distanciada é fácil identificar os padrões e os motivos que fazem a bola entrar. Afinal, como diria Ferran Soriano, a bola não entra por acaso.


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