Arquivo de Nélson Semedo - Fair Play

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Pedro NunesJulho 23, 20174min0

Há uns meses, o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apresentou um Livro Branco aos eurodeputados em que delineava os possíveis cenários da União Europeia. Resumidamente, Juncker previa que a União podia evoluir de cinco formas: recuando muito, recuando pouco, ficando na mesma, avançando pouco ou avançando muito.

Talvez pareça que o primeiro parágrafo não tenha nada a ver com o tema que se vai tratar em seguida, por isso é melhor contextualizar. Ora, não há dúvidas que Juncker usou uma excelente forma de prever o futuro – até porque dificilmente poderá falhar. E já que as boas ideias são para ser aproveitadas, o momento do Barça pode ser pensado da mesma forma, tentando imaginar as possibilidades futuras da equipa blaugrana.

Segundo a Lei de Murphy, tudo o que puder correr mal, correrá. Se assim é, combater Murphy será o desafio de Ernesto Valverde. O técnico que chegou de Bilbau tem agora de recuperar um império em queda, onde não há espaço para margem de erro. Outras mudanças, talvez mais profundas, vão sendo noticiadas na comunicação social. A mais impactante é que Neymar pode estar de saída numa transferência astronómica. Entra muito dinheiro, sai muito talento. Qual valerá mais neste momento para o Barcelona? Com a hegemonia europeia a voltar-se para a capital espanhola a grande velocidade, Camp Nou começa a ver o seu império desmoronar-se aos pouquinhos.

Neste momento, as principais decisões estão centradas naquilo que o mercado pode, ou não, oferecer. A direção sabe o que quer mas não sabe como fazer para ter. O buraco deixado por Dani Alves na ala direita tem sido bem difícil de colmatar. Sergi Roberto remendou, mas não chega para cumprir toda uma época ao nível Champions, tal como é requisito obrigatório em Camp Nou. Semedo chegou para o lugar. Para complicar, o interior daquele lado tem sido o lugar mais rotativo do plantel, pois não há quem o assuma totalmente. Rakitic caiu de forma, Denis não vingou e André Gomes apanhou-se num contexto em que não consegue fazer valer as suas capacidades. Agora, é falado Paulinho para o lugar, visto que a escolha inicial, Verratti, parece não ter modo de sair de Paris.

A previsão mais conservadora aponta para que tudo fique na mesma em Barcelona. Imagine-se este cenário hipotético. Se este ano Valverde vencer a Taça do Rei e cair na Champions e no campeonato, isso será uma boa ou má época? A resposta não é clara. Uns dirão que ficou aquém, outros que já foi um bom trabalho. Objectivamente falando, ganhar o mesmo é ficar na mesma – e não é assim tão descabido que tal volte a acontecer.

As melhores recordações da temporada passada para os adeptos culés foram a vitória para a Taça do Rei, a remontada épica contra o PSG e a partida no Santiago Barnabéu. Após estes dois últimos momentos, o Barça cedeu e deu passos em falso, que os fizeram cair dessas mesmas competições. São experiências como as de Turim e Málaga que os dirigentes não querem que volte a acontecer. Costuma-se dizer que as grandes organizações mudam antes de ser obrigadas a mudar. Numa visão progressista, para os fãs culés estas mudanças eram necessárias e foram efectuadas no momento certo, de maneira a não perder totalmente a hegemonia para a capital.

Num cenário de revolução como o que se vive em Camp Nou, a perspectiva mais positivista – que assume que este envolvimento tem sido o melhor para todas as partes – é praticamente inexistente. Mudanças na direcção, treinador novo, tácticas novas e novos reforços. É o primeiro ano de uma nova era e a reconstrução de um Barcelona que, em tempos, já foi totalmente dominador. A melhor notícia já chegou – a renovação de Leo Messi. A partir daí, é aguardar por mais desenvolvimentos.

Foto: Mantos do Futebol
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Pedro AfonsoJulho 1, 20175min0

Mais de um mês se passou desde o final da Liga NOS e o SL Benfica parece ter adormecido no mercado. Com as anunciadas saídas de Ederson e Lindelof e o início dos trabalhos de pré-época, urge reforçar um plantel que, apesar da sua profundidade geral, demonstra um défice importante em certas áreas do terreno. Abaixo, três propostas de reforços para a equipa encarnada.

Defesa Central – Sidnei (Deportivo)

A saída de Lindelof deixa um vazio importante no eixo da defesa encarnada que nenhum dos atuais membros do plantel conseguirá suprir. As características do sueco diferiam largamente das dos seus colegas e até das dos seus adversários da Liga NOS, uma vez que, mais do que a sua capacidade de destruir jogo, Victor era capaz de construir jogadas de ataque e progredir com bola como poucos. Não surpreende, por isso, a avultada venda ao Manchester United, que percebeu que uma das lacunas do seu plantel passava exatamente por não ter um central “moderno”.

Sidnei aprimorou-se na sua passagem pela Liga Espanhola. A sua chegada ao Benfica foi seguida de uma ascensão quase meteórica e uma queda igualmente rápida. Dúvidas acerca do seu estilo de vida, do seu comprometimento para com a equipa e o seu profissionalismo levaram-no para a porta de saída do clube encarnado. Mas 5 anos se passaram desde a sua saída de Lisboa e Sidnei será agora mais maduro, mais jogador, mais profissional. Só assim se poderá explicar o investimento de 6,5M€ por parte do clube espanhol para garantir a sua contratação a título definitivo e, mais surpreendentemente, o interesse do Barcelona que se vem repetindo ao longo dos anos.

Dotado de um poderio físico impressionante, Sidnei alia às suas competentes capacidades defensivas uma enorme visão de jogo e um passe primoroso. Destemido, sem medo de avançar com a bola controlada, o brasileiro seria uma contratação interessante, por já conhecer os cantos à casa e pelo seu perfil defensivo único. Com contrato até 2020 e um valor de mercado de 6,00M€, o preço da sua contratação rondaria os 10-12M€, um valor nada proibitivo para os cofres encarnados.

Lateral Direito – Elabdellaoui (Olympiakos)

O norueguês não é desconhecido do clube encarnado e foi já várias vezes associado a transferências para a Luz. Curiosamente, os rumores só abrandaram com a ascensão de Nélson Semedo e a sua afirmação plena na faixa direita do conjunto de Rui Vitória. Com a muito provável saída de Nélson, fruto de uma época verdadeiramente memorável, ficará uma lacuna no plantel encarnado que, tal como no caso de Lindelof, deverá ser suprida por um jogador de características muito específicas, que não existe nos atuais quadros do SL Benfica.

André Almeida e Pedro Pereira serão capazes de suprir a saída de Nélson e assegurar a defesa do ataque encarnado. Contudo, até pela maneira como Rui Vitória construiu a sua equipa, a defesa das laterais não é o ponto que mais interessa ao técnico ribatejano. Para uma liga como a portuguesa, é muito mais importante ter um lateral que ataque com qualidade do que um lateral que defenda bem.

Elabdellaoui é exatamente esse jogador: veloz, forte fisicamente, excelente capacidade de cruzar, ofensivo. Com passagem por vários grandes campeonatos europeus (na época passada esteve ao serviço do Hull City de Marco Silva, por exemplo), Elabdellaoui seria capaz de conferir experiência e qualidade ao flanco direito encarnado, enquanto Pedro Pereira poderá amadurecer e tornar-se um jogador mais completo, continuando André Almeida como bombeiro de serviço. Com um valor de mercado de 5,00M€ e o contrato a terminar em 2018, Omar assume-se como uma opção apetitosa para o clube da Luz.

Médio Centro – Mario Lemina (Juventus)

Pizzi foi o melhor jogador da passada Liga NOS e é, cada vez mais, o maestro encarnado, quem pauta os tempos de jogo da formação de Rui Vitória. Contudo, Pizzi não é, nem nunca será, um 8 para jogar em 4x4x2. Obviamente que poderão argumentar que chegou e sobrou para ganhar o tetracampeonato, mas seria desonesto negar que o transmontano tem graves défices defensivos que prejudicam a equipa em jogos contra equipas maiores. Se o Benfica quer subir o seu nível de jogo e tornar-se uma equipa mais competitiva a nível internacional, precisa de um jogador que seja capaz de queimar linhas e conferir mais equilíbrio defensivo à equipa. Renato Sanches foi esse jogador e a sua venda, demasiado precoce, deixou um vazio na equipa encarnada.

Mario Lemina chegou à Juventus em 2015 por empréstimo do Marselha e convenceu os dirigentes transalpinos a desembolsar quase 10,00M€ na sua contratação no início da época 2016/2017. Contudo, Lemina não é, nem nunca será, indiscutível no meio-campo da Juventus. Com apenas 29 jogos na passada época, a maior parte deles como suplente, o gabonês desvalorizou e perdeu espaço inclusivamente com a chegada de Tomás Rincón, a meio da época. Com 23 anos, Mario terá de escolher entre lutar pelo lugar num plantel onde as opções para o meio-campo são Marchisio, Khedira, Pjanic, Rincón e Sturaro, ou sair para um clube onde possa ser estrela e dono do meio-campo.

Jogador dotado de um enorme poderio físico e uma enorme tendência para progredir com bola no pé, Lemina seria a peça ideal para complementar o 11 encarnado, migrando Pizzi para a ala e libertando o seu génio para as suas tabelas sem fim com Jonas. Com um valor de mercado de 7,5M€ e um contrato até 2020, Lemina comportaria um esforço avultado para os cofres encarnados. Mas a qualidade paga-se e quem gasta 22M€ em Raúl e 16M€ em Rafa poderá, certamente, gastar o mesmo valor num jogador com provas dadas na Europa.

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Pedro AfonsoJunho 1, 20178min0

Tetracampeões. Uma novidade para as hostes benfiquistas. E que novidade! Os encarnados cimentam a sua posição como clube português mais titulado e colocam o último prego no caixão da hegemonia portuense, que vigorou durante os últimos 30 anos. Mas que época foi esta? Poderemos reduzir todo um ano a um título, mesmo que signifique ser Tetracampeão?

Ainda a época não tinha começado e já as vozes da desconfiança se erguiam: por um lado, um Sporting com contratações sonantes e uma espécie de all-in para a conquista do tão almejado título de campeão nacional; por outro lado, a contratação de NES que viria, em teoria, reacender a mística portista; e ao centro, a falta de soluções credíveis para a saída de Renato e Gaitán. Mas se ainda havia dúvidas acerca do técnico Rui Vitória ser capaz de ser reinventar, a vitória na Supertaça por 3-0 frente ao Braga serviu para dissipar as dúvidas. Foi o arranque perfeito para uma época com 62 jogos, 42 vitórias, 12 empates, 8 derrotas, 136 (!) golos marcados e apenas 48 sofridos.

O “golo” [Fonte: MaisFutebol]

Pontos altos

  • A vitória por 2-1 frente ao Sporting CP. Para além do óbvio simbolismo que se prende com a vitória num derby, este jogo serviu para quebrar o enguiço, foi um afastar de uma vez por todas as superioridade de JJ nos mind-games e demonstrar que o Benfica se tornou, com Rui Vitória, uma equipa madura, cínica, fria e competente.
  • 5-0 ao Vitória SC. Há maneiras e maneiras de se ser campeão. No fundo, é “apenas” confirmar que, matematicamente, será impossível para os adversários ultrapassar a nossa pontuação. E o Benfica, em casa, foi capaz da melhor exibição da época, com “nota artística”, num autêntico banho de futebol que culminaria com a vespa de Eliseu.
  • A conquista da Supertaça. Uma vitória por uns expressivos 3-0 que foi capaz de dissipar dúvidas acerca da capacidade do técnico ribatejano e acerca da valia do plantel encarnado.
Traição e falta de carácter. [Fonte: Goal.com]

Pontos baixos

  • Derrota frente ao Moreirense para a Taça da Liga. Não desvirtuando o mérito do clube minhoto, a displicência e sobranceria com que os jogadores abordaram a 2ª parte custaram a possibilidade de disputar mais uma final e fazer o pleno a nível interno. Um balneário brincalhão virou displicente e, nos jogos seguintes, o nervosismo transpareceu no banco encarnado.
  • A caminhada Europeia. Ao contrário de anos passados, os encarnados não se podem queixar de um grupo difícil. Uma fase de grupos em que se contam 2 vitórias contra o D. Kiev, 2 empates infantis frente aos turcos do Besiktas (o primeiro na última jogada do jogo e o segundo após uma vantagem de 3-0 ao intervalo) e 2 derrotas categóricas frente ao Nápoles, apurou um Benfica com pouco andamento para a Champions. Seguiu-se um Dortmund ao qual é “roubada” a 1ª mão, face à superioridade gritante dos alemães, e que na 2ª mão fez questão de trucidar as hostes encarnadas. É o Dortmund, mas não é o Dortmund de outros tempos.
  • A razia de lesões. É incompreensível como um clube da dimensão do SL Benfica apenas tenha tido o plantel todo à disposição por volta da trigésima jornada. O azar não explica tudo e o caso mais gritante será a gestão de Jonas, com a sua entrada na Madeira, agravando uma lesão e demonstrando um certo amadorismo, imperdoável.
O Maestro. [Fonte: Sapo Desporto]

MVP

  • Pizzi. Pelo que jogou, pelo que fez jogar, pela adaptação a uma posição que não é a sua e por ver caminhos e espaços onde mais ninguém via, quando o coração já só mandava correr desalmadamente, em desespero, e todos precisavam de alguém que os guiasse. Jogador com mais minutos e imprescindível para o jogo encarnado. Um craque.
Incansável [Fonte: The Sun]

Revelação

  • Nélson Semedo. A época passada tinha deixado um leve perfume daquilo que seria a “locomotiva” na faixa direita benfiquista. Não tendo acabado a época passada na melhor das posições (sentado), rapidamente ganhou o lugar a André Almeida e assumiu-se como um porto-seguro do ataque dos encarnados. Defensivamente ainda muito permeável, mas a experiência trará, com certeza, essa capacidade e “esperteza” a Nélson.

Desilusão

  • Rafa. Os 16 milhões pesaram no craque português. Jogo após jogo, a qualidade era visível, o transporte de bola, o drible, o virtuosismo a lembrar Hazard. Mas faltou sempre critério no último passe, na hora de rematar, de matar a jogada, algo que não faltou a jogadores claramente mais talentosos que o português, mas mais decisivos para o Benfica. Na próxima época, Rafa terá de ser capaz de superar o seu bloqueio e demonstrar porque razão vale 16M. E aí poderá, até, almejar voos mais altos.
Um dos “Flops” do ano. (Foto: Record)

Casos bizarros

  • O desaparecimento de Horta. De contratação inesperada, a titular, a lesionado, a não-convocado. O percurso de Horta no Benfica desafia toda a lógica e aproxima-se de um romance kafkiano. Apenas poderá ser explicado por jogadas de bastidores que não ficam bem a ninguém. Com isto, perde o André e perde o Benfica.
  • O lugar cativo de Salvio. A dada altura da época, o 11 do Benfica era fácil de adivinhar: era Salvio e mais 10. Não sou fã do argentino, mas reconheço a importância de “Toto” (não consigo pensar numa alcunha melhor) na equipa. Contudo, creio ser inexplicável o estado de graça de Salvio que, exibição pobre atrás de exibição pobre, manteve o lugar, enquanto todos os outros extremos sorteavam quem seria titular.
  • Celis, Danilo e Felipe Augusto. O colombiano surge de pára-quedas no SL Benfica, nunca tendo demonstrado capacidade para estar no plantel do tetracampeão (tri, à altura). Contudo, RV lança o médio várias vezes, por vezes até à frente de Samaris, esperando encontrar algo que justificasse o investimento (?). A gota de água veio com o Besiktas, em casa, e Celis acabou a época no Vitória SC, a suplente. Por outro lado, a gestão de Danilo nunca pareceu clara. O brasileiro, que já há alguns promete muito e demonstra pouco, nunca foi verdadeira aposta, apesar de reunir as condições para suprir a ausência de Renato. Termina a época emprestado ao Standard. Por fim, Felipe Augusto foi contratado para fazer de Danilo, quando o SL Benfica já havia despachado Danilo. Para além disso, Felipe Augusto, altamente propenso a lesões, veio aumentar a conta do hospital de campanha da Luz. Nunca demonstrou valias suficientes para justificar a sua presença no plantel, muito menos a ultrapassagem de Horta e Samaris na corrida ao meio-campo.
O “sacrificado”. (Foto: SAPO Desporto)

Notas soltas

  • A explosão de Gonçalo Guedes. Com mais coração que cabeça, o jovem foi um dos obreiros da excelente primeira volta de campeonato e peça preponderante durante a crise de lesões.
  • O capitão Luisão. Aos 36 anos, Luisão carimbou uma das suas melhores épocas ao serviço do clube da Luz, sendo o central mais constante durante a época e um líder dentro e fora do campo.
  • Tolerância 0 para Carrillo. O peruano tem um estilo de jogo “molengão”, mas já o tinha no SCP e talento e inteligência nunca lhe faltaram. O ano de paragem adormeceu algumas qualidades, principalmente físicas, mas não se compreende a aversão do público benfiquista que se mostrou sempre profissional e que nunca deixou abater pela falta de oportunidades e má gestão da sua utilização.

E, após todas estas pequenas análises, creio que a época encarnada foi francamente positiva e calou inúmeros críticos, grupo no qual me incluo, havendo, no entanto, MUITO espaço para crescer e melhorar.

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Nélson SilvaMaio 31, 20176min0

O tetracampeonato conquistado pelo Benfica intensificou o interesse dos grandes tubarões europeus e é agora tempo de avançar na caça às melhores presas. Sem grandes surpresas, vários foram os jogadores a confirmar o seu valor. Afastadas as lesões, com a forma recuperada, os atletas mais promissores que foram o rosto desta conquista estão na iminência da saída. Entre muitos milhões de euros e muita cobiça, chegou a hora de apontar os principais alvos à saída.

Ederson

A contagem é já decrescente, calcula-se apenas quando se fechará o negócio. Ederson teve “só” mais uma época para se afirmar como um dos melhores e mais promissores guarda-redes da atualidade. Implacável dentro dos postes, mostra também um à vontade fora do comum no momento de sair aos cruzamentos. No “1 para 0” defensivo, o guardião brasileiro já conseguiu também, por várias vezes, salvar o Benfica. Quem não se lembra da defesa aos pés de Arnold (V. Setúbal) na época passada e a saída aos pés de Soares (FC Porto) no último clássico?

Como se estas qualidades não fossem suficientes, Ederson tem ainda uma arma secreta, talvez aquela que mais tem impressionado: o seu pontapé é tão forte que consegue bater um pontapé de baliza com a bola a cair na área contrária. Um “dom” que até valeu uma assistência decisiva no jogo de confirmação do título, bem como obrigou várias defesas a desorganizarem e reajustarem-se para não serem apanhadas de surpresa.

Manchester City deve ser o clube a seguir, uma vez que a equipa de Guardiola superou a concorrência pela contratação do brasileiro e o Benfica já confirmou as negociações à CMVM.

Foto: Globoesporte

Nélson Semedo

Do adeus às lesões à confirmação do que era também expectável. Uma técnica invulgar, aliada a uma velocidade impressionante, que muitas vezes permite ao lateral ganhar vários lances em que faz questão de “dar o corredor” aos extremos contrários. Ninguém estranha que o jogador atuava como “10” quando chegou para jogar na equipa B dos encarnados. A falta de laterais levou a Hélder Cristóvão adaptar Nélson à direita e a escolha não podia ser mais acertada. Quis o destino que as portas da equipa A se abrissem para o português, por força da saída do dono do lugar durante várias épocas – Maxi Pereira. Semedo teve a capacidade de dissipar quaisquer saudades que o uruguaio podia ter deixado aos adeptos encarnados e não fosse a lesão que contraiu na primeira chamada à seleção​.

Sondado pelo Bayern de Munique, surge agora o forte interesse por parte do Barcelona, que pretende reforçar uma posição onde os catalães se encontram debilitados, ao ponto que até André Gomes foi forçado a atuar a lateral direito na final da Taça do Rei. Nélson Semedo é um dos laterais mais cotados do mercado e certamente trará aos cofres da luz uma quantia bem avultada pelo seu passe.

Foto: Rádio Renascença
Foto: Taiwan News

Victor Lindelof

Provavelmente o elemento menos regular dos até agora falados. Ainda assim, em pouco ou nada esse aspeto retira valor às qualidades apresentadas pelo central sueco, que foi melhorando com o regresso do “velho patrão” Luisão. Aprendiz, Lindelof adquiriu competências táticas e complementou as debilidades do seu “professor”. Com velocidade e  grande capacidade na saída de bola/  primeira fase de construção ofensiva, não se privou de fazer passes e dribles entre-linhas.

A época não podia terminar de melhor forma para Lindelof, que na fase decisiva e em pleno Estadio de Alvalade, teve nos pés a oportunidade de garantir um precioso ponto na luta pelo título, executando de forma exemplar um livre direto. O “Iceman” tratou de fazer jus à sua alcunha e foi um dos maiores responsáveis por proteger a curta vantagem com que o Benfica seguia na frente do campeonato.

A versatilidade do sueco não fica por aqui. Quem o segue há algum tempo não estranhou a facilidade com que joga com a bola nos pés, uma vez que este até se destacou na conquista do ultimo título europeu de sub-21 como lateral direito.

O interesse do Manchester United é já de longa data e este será, provavelmente, o único jogador que a equipa de Mourinho conseguirá desviar do rival City, que parece já ter ganho o concurso por Ederson.

Foto: Rádio Renascença
Foto: Red Devil Armada

Dos demais culpados pelo tetracampeonato encarnado, existem vários nomes sondados para seguirem a outras paragens. Será o caso de, por exemplo, Pizzi e Mitroglou, mas numa perspectiva de negócio diferente. Estes são jogadores já mais experientes, cuja margem de progressão é mais curta em relação aos três nomes mais sonantes já falados, em que os clubes estão mais reticentes a pagar valores muito altos. Jonas não escondeu que o “tetra” abriu portas para muitos atletas serem agora sondados por clubes com outro poderio financeiro, das ligas mais competitivas da Europa. Não excluindo qualquer interveniente desta caminhada gloriosa dos encarnados, onde caberia Grimaldo não fosse a sua lesão que o fez parar grande parte da época, parece certo que os maiores negócios terão como grandes protagonistas os 3 jovens promissores: Ederson (Man. City), Nélson Semedo (Barcelona/ Bayern de Munique) e Victor Lindelof (Man. United/ Man. City).

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Nélson SilvaSetembro 28, 20166min0

Atribulado, nem sempre convincente, mas eficaz – assim tem sido o início de época dos encarnados. O Benfica segue embalado pelos bons resultados ao passo que as enchentes de adeptos se demonstram também determinantes para empurrar a equipa rumo às vitórias. De Rui Vitória, chega um novo leque de apostas para colmatar as ausências e, como sempre, há surpresas boas e outras que tardam a encher o olho.

Sem Renato Sanches e Gaitán no plantel, aliado a uma praga de lesões que afetou vários titulares, o técnico encarnado viu-se obrigado a encontrar soluções, algumas internas, outras adquiridas no mercado. Das más experiências salta à vista as apostas no miolo, na tentativa de garantir um suplente à altura do preponderante médio defensivo Fejsa. Samaris continua a deixar muito a desejar, está longe de conseguir “lavrar o terreno” que o sérvio lavra sempre que joga, para além de que o grego acumula imensos passes errados quando chamado ao onze. Da América do Sul chegou Celis, desviado da rota do Braga, passou de incógnita a fracasso nos poucos momentos que se apresentou em campo. Demasiado impetuoso, agressivo, arrisca o drible em zona proibida. Culminou o mau início de temporada sendo o responsável por conceder, de forma imprudente, o livre que deu no golo do empate do Besiktas para a Liga dos Campeões, já ao cair do pano. O que mais deixa frustrados os adeptos é o facto de Rui Vitória ter inscrito Celis na liga milionária, em detrimento de Danilo Barbosa, que chegou do Valência com rótulo de craque.

Ainda assim, há muito mais e melhor para contar acerca das novidades do experimentado onze encarnado. Desde reforços do mercado internacional a novas caras da formação do Seixal, certo é que as águias possuem já vários atletas para potenciar e continuar a encher os cofres da Luz.

O pequeno adepto à solta em campo

Sangue novo, bem encarnado, talento e muita mestria, a fazer lembrar o mito encarnado Rui Costa. A classe passa-lhe dos relvados para os pavilhões da Luz, onde é adepto assíduo das modalidades, numa mostra da sua dedicação ao clube, na representação máxima daquilo que é um adepto conseguir chegar ao sonho de vestir o “manto sagrado”. André Horta não dececionou, deu o grande salto para o tricampeão nacional e desde logo agarrou a titularidade. O novo diamante em bruto do Seixal traz características distintas de Renato Sanches, mas ninguém se pode queixar de falta de intensidade. A envergadura está longe de ser a mesma, mas a entrega está lá, há qualidade acrescentada no capítulo defensivo e ainda no passe, para além de um tão ou mais delicioso drible, que já lhe valeu um belo golo de estreia. Dono e senhor do lugar, o nº 8 encarnado saltou diretamente para o colo dos adeptos, de onde saíra Renato Sanches.

Foto: MaisFutebol
(Foto: MaisFutebol)

A reafirmação da surpresa

Veloz, “na raça”, tecnicista e o verdadeiro pulmão que se exige a um lateral. Quem não esqueceu Maxi depois do aparecimento de Nelson Semedo na temporada passada? Foi a grande surpresa do início da época transata, tendo até o reconhecimento de Diego Simeone antes do embate onde os encarnados viriam a bater os “colchoneros”, em pleno Vicente Calderón. Semedo volta a impressionar, principalmente pela qualidade a atacar e pela intensidade que impõe em cada partida. Resta-lhe corrigir algum posicionamento defensivo e não se excitar demasiado na fase de construção ofensiva. As combinações entre toques curtos e a capacidade de dar profundidade do português fazem com que neste momento seja André Almeida a ter que se esforçar para recuperar o lugar. Não restam dúvidas de que, melhorando algumas das suas debilidades, o lateral é mais um dos ativos que mais dinheiro pode fazer entrar nos cofres encarnados.

Foto: ntvsport.net
(Foto: ntvsport.net)

O resgate certeiro à La Masia

Da fornada de ’95, de onde o produto transpira sempre qualidade, Grimaldo foi o escolhido da “cantera blaugrana” para colmatar uma lacuna que ia sendo remendada por Eliseu. O Benfica já “namorava” o menino espanhol há algum tempo. Ele, por sua vez, sentiu que lhe faltaria espaço no plantel principal do Barcelona e aceitou o convite do Benfica para ter mais possibilidades de potenciar o seu talento. Paciente, teve uma primeira época na sombra de Eliseu, dono e senhor do lugar, apesar das deficiências defensivas que lhe eram reconhecidas. Sempre que foi chamado respondeu à altura, aguardou serenamente a sua oportunidade e não a deixou fugir quando Eliseu perdeu a pré-época devido a férias, após a conquista do campeonato europeu por Portugal. Grimaldo é um exemplo perfeito da insistência que é aplicada na formação catalã a nível tático. Toque curto, “toca e vai”, cria desequilíbrios com tabelas entre colegas e ainda demonstra rasgos individuais capazes de desmontar a defesa contrária, à medida que delicia os adeptos. Peca essencialmente por algum desacerto defensivo, para além de alguns momentos em que arrisca demais na saída para o ataque, à semelhança do novo colega da ala contrária. Incontestável é o talento do espanhol, tem confirmado as expectativas e é já cobiçado por grandes emblemas europeus, como é o caso do Manchester City de Guardiola.

Foto: Record
(Foto: Record)

O melhor Tango é tocado com “la zurda”

Trata-se de “só” mais um pé esquerdo (“la zurda”, como dizem os argentinos) a prometer fazer muitos estragos, proveniente da terra do Tango – Argentina. O Benfica parece estar a acertar em cheio na sucessão de extremos esquerdos e neste caso trata-se mesmo da maior esperança formada no Rosario Central, desde o ex-benfiquista Ángel Di Maria. A um ritmo frenético, com um drible curtíssimo e impressionantes rasgos individuais, chegou e logo fez a diferença frente ao Sporting de Braga na Supertaça. A sua aposta por parte de Rui Vitória tem sido intermitente, mas o argentino vai respondendo da melhor maneira sempre que é chamado e até foi o primeiro a marcar pelos encarnados na presente edição da Liga dos Campeões, quando fora adaptado a jogar na frente ao lado de Gonçalo Guedes. Extremos não faltam no plantel encarnado, mas Cervi tratou de corresponder e depressa, justificando que é uma mais-valia a manter e evoluir no futuro.

Foto: pbs.twimg.com
(Foto: pbs.twimg.com)

São estes os diamantes que mais reluzem, neste momento, a Rui Vitória. Contudo, espera-se o aparecimento de outros jogadores que o técnico procura evoluir, como é o caso de Zivkovic, Danilo Barbosa e os já conhecidos André Carrillo e Rafa. Assim que terminada a onda de lesões no plantel encarnado, serão mais do que boas as dores de cabeça do treinador encarnado, que continua a surpreender pelos resultados positivos e potencialização de ativos no plantel.


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