Arquivo de Michael Phelps - Fair Play

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João BastosJunho 9, 20174min0

Voltamos ao tema da inclusão de novas provas no programa olímpico de Tóquio 2020, agora com a decisão tomada. Finalmente a FINA convenceu o COI e nós aproveitamos para suspeitar sobre um dos argumentos utilizados

É oficial! Em Tóquio o programa de provas da natação contará com mais 3 provas: 1500 metros femininos, 800 metros masculinos e a estafeta mista 4×100 estilos. Só ficaram de fora as provas de 50 metros de cada estilos (excepto livres que já faz parte do programa) e os 4×100 livres mistos.

Em “compensação” a quota de participação para a natação foi reduzida em 22 nadadores, ou seja, em Tóquio participarão menos 22 nadadores do que no Rio, distribuídos por mais provas. Significado: os mínimos vão ser bem apertados!

Sobre a inclusão das provas individuais, já expressamos aqui a nossa opinião. Não havia razão nenhuma para a diferenciação de género que prevalecia nos 800 e 1500. Sobre a estafeta mista, não vamos emitir opinião, apenas traçar um cenário.

Comecemos pelo ponto de partida. Nos últimos Jogos Olímpicos, o nadador mais medalhado foi, incontornavelmente, Michael Phelps com 5 ouros e uma prata. A seguir veio Katie Ledecky, com 4 ouros e uma prata.

A jovem norte-americana venceu os 200, 400 e 800 livres e 4×200 livres, levando a prata nos 4×100 livres. Sem grande esforço podia ter igualado Phelps no Rio. Como? Bastava ter nadado as eliminatórias dos 4×100 estilos, cuja final os EUA acabaram por ganhar com quase 2 segundos de vantagem. É que as medalhas das estafetas também são atribuídas aos nadadores que nadaram as eliminatórias.

Entrando ainda mais no campo das hipóteses. Em Tóquio, Ledecky vai poder nadar a prova (mais uma) onde está a anos-luz de distância das suas adversárias, os seus 1500 livres, onde (se nada de anormal acontecer até lá) o ouro não lhe escapa.

Depois, tem 4 estafetas onde pode chegar ao ouro, sendo que em 2 delas até o pode fazer sentada na bancada. Com certeza repetirá as estafetas que nadou no Rio e, mesmo que não seja uma das duas melhores nadadoras de 100 livres dos EUA, poderá nadar as eliminatórias dos 4×100 estilos femininos e mistos.

Se isso acontecer, constitui uma situação ímpar e algo bizarra. A putativa maior medalhada numa única olimpíada fá-lo sem estar nas provas decisivas.

Voltemos agora à realidade. A situação em cima descrita nunca acontecerá com Ledecky porque a melhor nadadora da actualidade, que pode consagrar-se como a melhor de sempre, em Tóquio, nunca se prestará a esquemas como esses (nem a selecção americana). Até pode estar na cabeça de Katie conseguir essas 8 medalhas de ouro, igualando as 8 de Phelps em Pequim, mas a única via que considerará é, simplesmente, tornar-se na melhor nadadora americana de 100 livres e ser indispensável nas finais das estafetas e ainda ir à 9ª vitória: na prova individual.

Por outro lado, apesar do domínio, os EUA não nadam sozinhos e nos 4×100 livres femininos vão encontrar umas australianas e umas canadianas muito difíceis de ultrapassar.

O exercício especulativo que fizemos em cima foi apenas para traçar um cenário que foi aberto e que, sendo muito objectivos, só está ao alcance de um americano (seja Ledecky ou outro qualquer), porque só os EUA poderão nos tempos mais próximos vencer todas as estafetas do programa. Quando e se for outro país a conseguir, estaremos cá para ver se a tendência não é tirar provas do programa…

Foto: Alexander Nemenov

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João BastosMarço 17, 20172min2

O maior prodígio da natação mundial deixa hoje de ser uma teenager. Katie Ledecky nasceu há apenas 20 anos, o tempo suficiente para se assumir hoje como a principal referência da modalidade. Conheça o notável percurso da americana

Foi a 17 de Março de 1997 que veio ao mundo Katie Ledecky. Apenas passaram duas décadas, mas o percurso e as conquistas da americana já a colocam num hall of fame muito restrito dos melhores desportistas de sempre: são já 5 ouros olímpicos, 9 títulos mundiais, 5 títulos pan-pacíficos e 13 recordes mundiais.

Desde que se estreou em provas internacionais – com apenas 15 anos – nunca perdeu uma prova individual. Leu bem, sempre que Ledecky se atirou à água numa prova internacional, chegou em primeiro…e na maior parte das vezes com vários metros de vantagem.

A única prova onde Katie não levou o ouro foram os 4×100 livres nos Jogos do Rio, a qual a estafeta norte-americana só perdeu para as australianas (que precisaram de bater o record do mundo). Repare-se que estamos a falar de uma prova (100 livres) que está longe de ser uma especialidade da jovem fundista, mas Katie Ledecky é uma nadadora tão estratosférica que fez o percurso mais rápido da estafeta dos EUA (na qual nadou a campeã olímpica da prova individual).

As comparações – dentro e fora da modalidade – são inevitáveis (e igualmente honrosas). Ledecky é a natural herdeira dinástica do trono deixado livre por Michael Phelps, surge na mesma altura de outro fenómeno do desporto mundial: Simone Biles (que nasceu apenas 3 dias antes de Katie) e o seu percurso tem bastante similitudes com o de Janet Evans, para muitas a melhor fundista de todos os tempos – leia-se: todos os tempos pré-Ledecky – e cujos recordes mundiais dos 400, 800 e 1500 metros livres demoraram quase 20 anos a serem batidos.

O percurso da norte-americana é notável, mas como qualquer jovem de 20 anos, o melhor está para vir e, logo após ter sido a atleta feminina mais medalhada do Rio de Janeiro, Ledecky tem abordado outras provas, como os 400 metros estilos…será que ainda vamos ver Katie a desafiar Katinka Hosszu no seu habitat natural? Seria, sem dúvida, o duelo do século.

Enquanto isso não acontece, cante connosco os parabéns à nadadora mais dominante da História da natação, relembrando a sua fantástica carreira:

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João BastosAgosto 13, 20168min0

Hoje foi a jornada dos estraga festas. O maior medalhista olímpico teve de partilhar a sua última medalha individual e Hosszu não conseguiu fazer o pleno. Já Ledecky não tem rivais e Ervin volta a ser campeão…16 anos depois.

Dirado surpreende a Dama de Ferro

Maya Dirado vingou as derrotas nas provas de estilos para Katinka Hosszu | Fonte: Getty Images
Maya Dirado vingou as derrotas nas provas de estilos para Katinka Hosszu | Fonte: Getty Images

Katinka Hosszu vinha determinada a concluir a sua participação nos Jogos Olímpicos de forma invicta, querendo levar para casa o quarto ouro, desta feita nos 200 metros costas. Para os húngaros, esta seria talvez a prova com maior relação afectiva, uma vez que a maior nadadora húngara de todos os tempos Krisztina Egerszegi venceu-a em três JO consecutivos, entre 88 e 96.

Katinka partiu forte, com passagem abaixo do parcial de record do mundo aos 50 metros e liderou a prova até bem perto do fim, mas o esforço empregue no início fez-se sentir nos últimos metros e a americana Maya Dirado conseguiu ultrapassar a húngara em cima da parede. 2:05.99 da americana contra 2:06.05 da húngara foram as marcas da única derrota da Dama de Ferro no Rio. Para o Canadá vai mais uma medalha na natação feminina. Hilary Caldwell fez bronze com 2:07.54.

O beliscão da lenda veio de Singapura

Joseph Schooling teve a audácia de vencer a última prova de Phelps | Fonte: Reuters
Joseph Schooling teve a audácia de vencer a última prova de Phelps | Fonte: Reuters

Michael Phelps nadou a sua última prova individual! Ainda vai nadar a estafeta de 4×100 metros estilos, mas antes da derradeira prova o seu saldo vai em 27 medalhas, 22 de ouro. Durante os seus 5 Jogos Olímpicos e mais de duas dezenas de vitórias, Phelps protagonizou duelos épicos com nadadores como Ian Thorpe, Pieter van den Hoogenband ou Ryan Lochte. A sua vitória mais apertada foi nos 100 mariposa em Pequim contra o sérvio Milorav Cavic, quando venceu a prova por 1 centésimo, mas venceu…e já ia numa série de 3 JO seguidos a vencer esta prova.

Ontem tinha-se tornado no primeiro nadador tetra-campeão numa única prova, e hoje ia tentar fazê-lo duas vezes mas não conseguiu aumentar ainda mais a sua lenda. E o responsável por isso podia ser Chad le Clos ou Laszlo Cseh, nadadores com um currículo que lhes permitia “sonhar” vencer Phelps. Mas não…essa honra ficou para o surpreendente Joseph Schooling, o primeiro campeão olímpico na natação da Singapura! Schooling até pode não conquistar mais nada na sua carreira, que o seu nome já vai ficar nos anais da História da natação e dos Jogos Olímpicos.

E não se pense que foi Phelps que falhou, foi mesmo o singapurense que se transcendeu e com os seus 50.39 estabeleceu novo record olímpico…que pertencia a Phelps!

A ironia não se ficou por aqui, pois no final Phelps sagrou-se vice-campeão olímpico. Mas não foi o único. Na prova de 200 metros antevia-se um “trielo” com le Clos e Laszlo Cseh que acabou por não acontecer, tal a superioridade de Phelps. Mas na prova de 100 acabaram os três por fazer o mesmo tempo e partilhar a medalha de prata. 51.14 foi a marca feita pelos três.

Ledecky e as outras

Ledecky é o maior fenómeno da actualidade | Fonte: AFP
Ledecky é o maior fenómeno da actualidade | Fonte: AFP

Nos 800 metros livres não houve espaço para mais surpresas. Katie Ledecky, como antevimos, não deu confiança a ninguém a nadou completamente sozinha, numa prova que não seria fácil de acompanhar para muitos nadadores masculinos (o tempo final é melhor que o record português masculino, por exemplo).

A nadadora americana terminou com o novo record mundial absolutamente estratosférico de 8:04.79 para conseguir o ouro mais confortável de sempre da história da prova com os 11.38 segundos de vantagem. A vantagem de Ledecky foi de tal forma grande que não permitiu que a prova das restantes nadadoras fosse televisionada.

Mas não foi porque as companheiras de Ledecky no pódio fizessem maus tempos. Os 8:16.17 da britânica Jazzmin Carlin que lhe deram a prata e os 8:16.37 da húngara Boglarka Kapas que valeu bronze são a 10ª e a 13ª melhor marca de sempre (as 5 primeiras são de Ledecky).

Depois da chuva de records mundiais nos dois primeiros dias, volta a cair um máximo mundial ao penúltimo dia da natação.

Ervin 16 anos depois

Ervin foi campeão olímpico em 2000, teve problemas com drogas e álcool, síndrome de Tourette, depressão e volta a ser campeão em 2016 | Fonte: AP
Ervin foi campeão olímpico em 2000, teve problemas com drogas e álcool, síndrome de Tourette, depressão e volta a ser campeão em 2016 | Fonte: AP

A natação no Rio está a ser pródiga em histórias que certamente perdurarão no tempo, desde os feitos históricos de Phelps, à marca inédita de Simone Manuel, aos records do outro mundo de Ledecky, ao surgimento de fenómenos como Chalmers e Oleksiak até às meras curiosidades como as medalhas ex-aequo.

A prova dos 50 metros livres trouxe-nos outra história fantástica, protagonizada pelo americano Anthony Ervin. Ervin já tinha sido campeão olímpico nesta prova, mas até aí não há nada de extraordinário. O que é extraordinário é que Ervin foi campeão olímpico dos 50 metros livres nos Jogos Olímpicos de Sydney. Isso mesmo…há 16 anos!

Na altura dividiu o ouro com o compatriota Gary Hall, Jr. e evidenciou-se por ter sido o campeão olímpico mais jovem de sempre nos 50 livres (19 anos). No Rio volta a evidenciar-se por ter sido o campeão olímpico mais velho de sempre nos 50 livres (35 anos). 21.40 foi a marca em 2016. 21.98 tinha sido o tempo em 2000.

O francês Laurent Manaudou vinha defender o seu título (a um dia de concluir o programa da natação apenas Phelps nos 200 estilos e Ledecky nos 800 livres conseguiram revalidar os seus títulos), mas ficou com a prata a apenas 1 centésimo do americano.

No lugar mais baixo do pódio ficou Nathan Adrian que repetiu a posição dos 100 metros. O americano fez o tempo de 21.49.

Records do mundo em perspectiva para a jornada de amanhã

Na jornada da manhã foram nadadas as eliminatórias dos 1500 metros livres masculinos, uma prova com final directa, que trouxeram grandes marcas (a final fechou bem abaixo dos 15 minutos) e trouxeram a confirmação que o recordista do mundo e campeão olímpico Sun Yang já não quer nada com esta prova. Na sua eliminatória o chinês liderou até aos 1000 metros e depois travou autenticamente para terminar em 15:01.97 e no 16º lugar. O seu record do mundo é de 14:31.02. O vencedor das eliminatórias foi o recente campeão e recordista da Europa e grande favorito para a final, Grigorio Paltrinieri, o italiano que pode ameaçar o record do mundo, qualificou-se tranquilamente com 14:44.51.

As estafetas também são provas de final directa e as de estilos estão a provocar grandes expectativas. A única vez que os EUA não venceram os 4×100 metros estilos masculinos foram em 1980, em Moscovo, quando não participaram, mas nas eliminatórias a Grã-Bretanha impressionou (com Peaty em destaque) e qualificaram-se em primeiro. Na estafeta feminina as favoritas americanas não facilitaram e ficaram a dois segundos do record do mundo com a equipa secundária.

À noite, só foram nadadas as meias finais dos 50 metros livres femininos, a última prova em que faltavam definir as finalistas. A dinamarquesa Pernille Blume (que até tem sido a segunda dinamarquesa, na sombra de Jaenette Ottesen) impressionou quer nas eliminatórias, quer nas meias finais e chega à final com o melhor tempo, mas enfrenta as irmãs Campbell, a campeã em título Ranomi Kromowidjojo, a vice-campeã Aliaksandra Herasmenia, a vencedora dos 100 Simone Manuel, a britânica vice-campeã europeia Francesca Halsall e a nadadora da casa Etiene Medeiros. Por outro lado, as meias finais já fizeram vítimas como a citada Ottesen e as suecas Sjöström e Alshammar.

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João BastosAgosto 12, 20169min0

Parece impossível, mas Phelps ainda tem marcos para atingir na carreira. Hoje atingiu mais um. Assim como a compatriota Simone Manuel que se tornou a primeira afro-americana a sagrar-se campeã olímpica de natação. Tamila Holub concluiu a participação portuguesa na natação em piscina.

Kaneto vence em bruços

Rie Kaneto chegou ao ouro dos 200 metros bruços | Fonte: SWM
Rie Kaneto chegou ao ouro dos 200 metros bruços | Fonte: SWM

Os 200 metros bruços femininos eram talvez a prova mais imprevisível de todo o programa. Nas meias finais baralhou-se (com algumas candidatas a ficarem de fora) e voltou-se a dar (porque as finalistas ficaram separadas por pouco mais de 1 segundo).

Numa prova em que a recordista mundial começou forte, mas acabou no último lugar, foi a líder mundial do ano, Rie Kaneto, do Japão que levou o ouro numa prova bastante equilibrada (1:08/1:12) para um tempo total de 2:20.30.

A nadadora mais polémica destes Jogos Olímpicos, e campeã do mundo em 2013, Yuliya Efimova (Rússia) chegou à prata, à semelhança do que já tinha feito nos 100 metros. 2:21.97 foi o tempo final.

Shi Jinglin tinha sido a primeira das últimas nos 100 metros bruços – ou seja 4ª – e por isso o bronze na prova de 200 metros terá tido um sabor a ouro. Nadou em 2:22.28.

A dinastia americana

Ryan Murphy é o rei de costas do Rio 2016 | Fonte: NBC
Ryan Murphy é o rei de costas do Rio 2016 | Fonte: NBC

Ryan Murphy, tal como nos 100 metros costas, é o novo herdeiro de uma dinastia de costistas americanos que fazem com que o ouro nos 200 metros costas vá para os Estados Unidos desde 1996 (Bridgewater em Atlanta, Kreyzelburg em Sydney, Peirsol em Atenas, Lochte em Pequim e Clary em Londres). É impressionante que em 20 anos os americanos consigam 6 ouros, 3 pratas e 1 bronze em 12 medalhas possíveis. Murphy nadou em 1:53.62.

O campeão do mundo desta vez ficou com a prata. Mitchell Larkin, da Austrália, pelo menos nesta prova melhorou o desempenho da prova de 100 metros, onde também é campeão do mundo, mas ficou à porta das medalhas. Larkin foi vice-campeão olímpico com a marca de 1:53.96.

O russo Evgeny Rylov deve estar a pensar que se a prova fosse de 201 metros tinha chegado à prata. É que o jovem costista fez uma excelente recuperação nos últimos 50 metros, mas chegou à parede apenas um centésimo atrás de Larkin.

Phelps ainda tem records para bater

Mais uma página de História escrita pela mão de Michael Phelps | Fonte: Sportv
Mais uma página de História escrita pela mão de Michael Phelps | Fonte: Sportv

Os 200 metros estilos masculinos eram a prova mais esperada da jornada. Eventualmente de todo o programa de provas da natação nos Jogos Olímpicos.

  • Michael Phelps queria tornar-se no primeiro tetra-campeão olímpico na mesma prova, na natação, juntando a um restrito grupo de 5 desportistas que já o fizeram na História dos Jogos Olímpicos da era moderna;
  • Ryan Lochte é o recordista mundial dos 200 estilos, mas nunca superou Phelps nuns JO;
  • Os dois juntos são detentores de 93 medalhas em JO e Mundiais;
  • Repartem entre os dois os 10 melhores tempos de sempre nos 200 estilos.

A juntar ao dois havia Thiago Pereira, a jogar em casa, o que fazia com que o ambiente na piscina olímpico fosse autenticamente de Maracanã.

Talvez por toda essa envolvente, Thiago foi para a frente e passou em primeiro a mariposa, continuando a “forçar a barra” e passando com Phelps nos 100 metros. Começou a sentir o estrago no percurso de bruços onde ele até é mais rápido que Phelps e Lochte, mas no final do percurso de bruços Phelps liderava, com Thiago em segundo e Lochte em 3º. Chegados ao percurso de crawl, Phelps não esperou por ninguém, enquanto Lochte e Pereira pagaram caro a ousadia de seguir o campeão.

No final, Phelps entrou na galeria dos tetracampeões onde estavam Paul Elvstrom, Ben Ainslie, Al Oerter, Matthew Pinsent e Carl Lewis à espera. Apenas estes (agora) 6 desportistas venceram a mesma prova individual em 4 Jogos. A diferença é que Phelps pode voltar a fazê-lo amanhã. Michael Phelps é campeão olímpico dos 200 estilos com 1:54.66.

O vencedor dos 400 metros estilos chegou à prata nos 200, provocando uma meia surpresa. O japonês Kosuke Hagino nadou em 1:56.61. No lugar de bronze ficou o chinês que tinha nadado as meias finais ao lado de Alexis Santos. Wang Shun nadou em 1:57.05.

A História continuou a ser escrita

Simone Manuel e Penny Oleksiak protagonizaram um momento inédito | Fonte: NBC
Simone Manuel e Penny Oleksiak protagonizaram um momento inédito | Fonte: NBC

Quem ligou a televisão para a ver os confronto do século nos 200 estilos e esperou para ver os 100 metros livres femininos pôde continuar a ver a História desportiva mundial a ser escrita.

A recordista mundial australiana Cate Campbell era a super favorita e pelo desempenho nas eliminatórias e meias finais previa-se uma luta contra o cronómetro e a hipótese de ser a primeira mulher a nadar em 51 segundos. Para além disso, havia a forte hipótese de pela primeira vez haverem duas irmãs nos lugares mais altos de um pódio, uma vez que Bronte Campbell também era uma forte candidata ao pódio.

Por ser isso mesmo que desejavam, as irmãs Campbell saíram disparadas e passaram aos 50 metros abaixo do parcial para record do mundo. Na volta caiu-lhes um piano em cima e pagaram caro o esforço terminando em 4º (Bronte) e em 6º (Cate) e a prova podia ficar sem história a partir daqui. Nada mais errado…

A história que se seguia era talvez ainda mais singular. Simone Manuel, a nadadora norte-americana tornou-se na primeira nadadora negra a ser campeã olímpica na natação! E inédito foi também o facto do 1º lugar ser repartido…com uma nadadora júnior! À semelhança da prova masculina, também a prova feminina foi vencida por uma nadadora júnior. Penny Oleksiak, do Canadá consagra-se como a grande revelação destes Jogos Olímpicos tendo para já na sua conta pessoal uma medalha de ouro, uma de prata e duas de bronze. Simone e Penny nadaram em 52.70, novo record olímpico, também ele partilhado.

Por haver uma medalha de ouro ex-aequo, não houve medalha de prata atribuída, ficando o bronze com a campeã olímpica dos 100 metros mariposa, Sarah Sjöström que nadou em 52.99 e que tem agora os 50 metros livres para desempatar (uma vez que tem três medalhas, uma de cada “cor”).

“Meias” com vitórias folgadas

O francês Florent Manaudou tinha dado a impressão nas eliminatórias dos 50 metros livres que até deu tempo para travar antes de chegar à parede. Qualificou-se para as meias finais com o 4º tempo e nesta fase mostrou que de facto ainda tem mais para dar. Para já marcou 21.32, a 2 centésimos do record olímpico, mas amanhã o record do mundo supersónico de 20.91 de César Cielo pode ser possível. Seria um rude golpe o brasileiro perder o seu record na sua casa!

Katinka Hosszu só tem mais um ouro para conquistar nestes Jogos Olímpicos e é nos 200 metros costas. E ela não quer deixar margem para dúvidas que esta medalha é mesmo dela. Nas eliminatórias venceu com dois segundos de avanço e nas meias finais nadou no seu novo máximo pessoal de 2:06.03, desta vez “só” com 1.14 segundo de avanço.

Em condições normais, Michael Phelps não teria grandes dificuldades em se classificar para a final dos 100 metros mariposa, mas o facto da meia final ser 25 minutos depois da final dos 200 metros estilos colocou algumas dúvidas…a quem se esqueceu que Phelps não é humano. Ficou em 5º, mas qualificou para a final, que era o objectivo. Nessa final Joseph Schooling, de Singapura, promete ser uma grande dor de cabeça para o norte-americano. É que os 50.83 com que se qualificou em 1º para a final é o segundo melhor tempo de sempre sem fatos.

Tamila Holub fecha participação portuguesa na piscina

Tamila Holub é a portuguesa mais jovem no Rio | Fonte: COP
Tamila Holub é a portuguesa mais jovem no Rio | Fonte: COP

A benjamim da comitiva portuguesa no Rio, Tamila Holub, fechou a participação portuguesa na natação de piscina nos Jogos Olímpicos. Tamila chegou ao Rio de Janeiro na condição de campeã europeia de juniores nos 1500 metros livres (prova que em Tóquio 2020 já deverá fazer parte do calendário de provas olímpicas) e vice-campeã europeia de juniores de 800 metros livres – prova que vinha nadar ao Rio.

Aos 17 anos, esta foi a primeira participação olímpica da maior esperança da natação portuguesa, já recordista nacional absoluta de 800 e 1500 metros livres. Apresentava-se à partida com o tempo de 8:36.21 na pista 6 da 1ª série, record nacional obtido há menos de 3 meses.

A prova não correu de feição e Tamila Holub concluiu as 16 piscinas no tempo de 8:45.36, classificando-se no 24º lugar. Neste momento, este tempo não deixará contente a nadadora portuguesa, mas há um ano seria record nacional, o que diz bem da evolução brutal que a bracarense experimentou esta época – e que provocou uma melhoria do record nacional de quase 10 segundos – , na qual atingiu vários picos de forma, prejudicando o seu momento de forma nos Jogos.

A participação portuguesa na natação segue agora com as águas abertas no dia 15 de Agosto com a competição de 10 km onde participará Vânia Neves.


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