25 Jun, 2018

As 10 maiores rivalidades do desporto mundial

João BastosJaneiro 13, 201813min0

As 10 maiores rivalidades do desporto mundial

João BastosJaneiro 13, 201813min0
Lançamos um olhar a 10 rivalidades que ficaram para a História das respectivas modalidades e que as redimensionaram à escala global

O desporto faz-se de atletas, de resultados, de paixões, de recordes e também de rivalidades. Quando dois grandes praticantes de determinada modalidade são concomitantes no tempo e co-habitantes no espaço, a História do desporto escreve-se.

10. Haile Gebrselassie vs Paul Tergat

O Quénia e a Etiópia são, no atletismo e desde meados da década de 80, as grandes potências do meio fundo e fundo mas, sobretudo no sector masculino, estabeleceu-se uma relação hierárquica entre as duas nações que ditava que na grande maioria dos confrontos, os quenianos cruzariam a meta à frente dos etíopes.

Até que surge um atleta etíope, de 1,63m e de seu nome Haile Gebrselassie, que veio desafiar a lógica. Gebrselassie teve uma carreira brilhante: foi bi-campeão olímpico e tetra-campeão mundial ao ar livre, sempre nos 10 000 metros. Venceu 9 grandes maratonas internacionais (das 12 que terminou) e por duas vezes bateu o record do mundo da distância. Ainda bateu por quatro ocasiões o record do mundo dos 5 000 metros e por três vezes o dos 10 000 metros.

A sua carreira foi banhada a ouro, mas o facto de ter sido contemporâneo do queniano Paul Tergat ainda lhe deu mais brilho.

Tergat é quatro anos mais velho do que Gebrselassie, mas a precocidade do etíope (foi campeão do mundo pela primeira vez com apenas 20 anos) fez com que toda a carreira do queniano fosse concomitante com a do pequeno Haile. Isso levou a que Tergat não ocupasse um lugar mais destacado na História do Atletismo. Foi duas vezes vice-campeão olímpico e outras tantas vice-campeão mundial, sempre nos 10 000 metros e sempre atrás de Gebrselassie.

Já no corta-mato, Tergat é a maior referência de sempre ao vencer 5 campeonatos do mundo consecutivos.

Na pista, fica na História os grandes duelos que transcendiam a questão competitiva e se elevavam a uma questão patriótica.

9. Tiger Woods vs Phil Mickelson

A longevidade do golf leva a que as rivalidades de uma carreira se tornem rivalidades de uma vida.

Desde meados dos anos 90 que os dois norte-americanos se encontram nos campos de golf por esse mundo fora. A bem da verdade, até ao início do século XXI Woods não teve rival, mas desde 2004, ano da primeira conquista de um Master por Mickelson, que as contas se foram equilibrando e desde então Mickelson conta com 5 Major’s no currículo, apenas menos um que o polémico Tiger Woods.

Tendo em consideração toda a sua carreira, Woods sobe a contagem para 14 major’s, levando clara vantagem, mas mas nas 30 vezes que se encontraram ficou tudo empatado com um score de 13-13-4, com Mickelson a vencer os últimos 5 confrontos.

8. Ayrton Senna vs Alain Prost

O malogrado piloto brasileiro estreou-se na Fórmula 1 no dia 25 de Março de 1984, no Grande Prémio do Brasil, o mesmo que fora ganho pelo francês – que tantas vezes venceu o GP do Brasil (6) que ganhou a alcunha “Rei do Rio”. Nesse ano, Prost ainda não tinha nenhum campeonato mundial no currículo e terminou essa época atrás de Niki Lauda, a grande referência da altura.

Em 1985 o austríaco retirou-se e começou o reinado das lendas Senna e Prost.

Com o brasileiro ainda em ascenção, Prost sagrou-se bi-campeão mundial nos anos de 1985 e 1986, pela sua equipa de sempre: McLaren.

Em 1987, Prost desiludiu ao ficar no 4º lugar num campeonato vencido por Nelson Piquet, seguido pelo seu colega de equipa da Williams-Honda, Nigel Mansell, mas onde a nota de destaque foi o 3º lugar ocupado por Senna, pilotando um Lotus.

O desempenho do jovem brasileiro valeu-lhe a contratação por parte da McLaren, juntando Senna e Prost na mesma equipa. E o brasileiro continuou a surpreender, superando o seu chefe de fila nessa época, sagrando-se campeão do mundo pela primeira vez em 1988, com Prost a secundá-lo no pódio.

O confronto entre os dois durou até 1993, ano em que Prost se retirou de forma gloriosa, conquistando o seu quarto mundial de pilotos. Senna sofreu o fatídico acidente em San Marino no ano seguinte, colocando o fim prematuro a uma carreira onde conquistou três campeonatos.

Foto: Flávio Gomes

7. Tom Brady vs Payton Manning

A rivalidade Tom Brady-Payton Manning foi mesmo um conceito paralelo aos jogos entre as respectivas equipas e que se vigorou entre os anos 2001 e 2015, quando Manning se reformou.

Os dois quarterbacks defrontaram por 17 vezes, com Brady a ver a sua equipa vencer em 11 ocasiões e Manning a levar a melhor por 6 vezes.

Tom Brady beneficiou de jogar durante toda a sua carreira na equipa mais forte da NFL – os New England Patriots – enquanto Payton Manning representou os maiores oponentes – Indiana Colts até 2012 e Denver Broncos de 2012 a 2015.

A superioridade dos Patriots sobre os Colts foi de tal ordem que Brady chegou a fazer o 6-0, mas considerando apenas jogos nos playoff, Manning venceu Brady por três, enquanto o contrário se verificou apenas duas.

Foto: Sports Illustrated

6. Mohammad Ali vs Joe Frazier

Ali e Frazier foram os protagonistas do original “Combate do Século” de 1971, do “Super Combate” de 1974 e do “Thrilla in Manilla” de 1975.

Esses eventos fizeram dos dois grandes pugilistas verdadeiros ícones do desporto mundial.

Frazier venceu o primeiro combate, com Ali a levar a melhor nos dois restantes, com direito a KO técnico no terceiro combate ao 14º assalto.

As duas lendas terminaram as respectivas carreiras com registos impressionantes. Ali venceu 56 combates (37 por KO) e perdeu 5. Frazier venceu 32 combates (27 por KO) e perdeu 4.

Para os amantes do boxe, sem dúvida que os anos 70 foram uma boa altura para estar vivo.

Foto: Nigerian Times

5. Michael Phelps vs Ryan Lochte

Ryan Lochte pode-se considerar alguém tremendamente azarado por partilhar a mesma era que o melhor desportista olímpico de todos os tempos: Michael Phelps. Não fosse essa circunstância e podia ser o próprio Lochte aspirante a esse título.

Os dois nadadores juntos apresentam números estratosféricos que só são possíveis de atingir numa modalidade que possibilita a obtenção de muitos títulos numa só competição, como é o caso da natação, e acessível a atletas fora do comum, como é o caso dos dois norte-americanos.

Juntos conquistaram 95 títulos olímpicos ou mundiais e foi na prova de 200 metros estilos que se deu o apogeu da rivalidade de ambos. As 10 melhores marcas de sempre nesta prova são repartidas entre os dois. Durante 13 anos não houve outro vencedor da prova em grandes competições internacionais, que não Phelps ou Lochte.

Nesse período, Phelps venceu 4 títulos olímpicos e 3 títulos mundiais. Lochte venceu quatro títulos mundiais, com o bónus de ser o actual recordista do mundo.

No último confronto entre os dois, como tantas outras vezes, Phelps levou a melhor.

Foto: DB nation

4. Bernard Hinault vs Greg LeMond

Os fãs do Giro dirão que a maior rivalidade do ciclismo se deu entre Gino Bartali e Fausto Coppi, os fãs do Tour escolherão o duelo entre Jacques Anquetil e Raymond Poulidor e os fãs das clássicas ainda ressacam dos espectáculos que Fabian Cancellara e Tom Boonen deram até há bem pouco tempo.

Nós escolhemos uma rivalidade muito localizada no tempo e no espaço.

Depois de perder o protagonismo na equipa Renaul-Elf-Gitane para Laurent Fignon, o vencedor de quatro edições do Tour de France muda-se para a equipa La Vie Claire. O mesmo caminho faz Greg LeMond, o jovem escudeiro de Hinault.

Nesse ano de 1985, o francês acordou com o norte-americano que se ele o ajudasse a vencer o Tour uma quinta vez, no ano seguinte seria Hinault a trabalhar para LeMond.

O americano cumpriu a sua parte do acordo e estendeu a passadeira para o penta de Hinault. Já o francês não foi leal ao compromisso e fez de tudo para que ele próprio vencesse o Tour pela 6ª vez. Já em 1985 LeMond tinha dado sinais de estar num patamar superior a Hinault (uma espécie de Froome-Wiggins em 2012) e, por isso, venceu com autoridade a edição de 1986, mas até chegar a Paris, passaram-se três semanas do mais puro espectáculo velocipédico oferecido por dois grandes ciclistas.

De tal forma que o terceiro classificado ficou a quase 11 minutos de LeMond e o top-10 fechou a mais de meia hora!

A etapa do Alpe D’Huez ficou para a História pela demonstração de superioridade dos dois ciclistas e também do desportivismo que ambos demonstraram: apesar de rivais, LeMond agradeceu a Hinault e “ofereceu-lhe” a vitória na etapa.

3. Magic Johnson vs Larry Bird

Em finais da década de 70, a NBA atravessava um período de orfandade de referências, com Kareem Abdul-Jabbar a ser uma das poucas excepções à mediocridade que grassava na liga mais competitiva do mundo.

É então que, em 1978, Larry Bird é escolhido pelos Boston Celtics – optou por permanecer mais um ano na faculdade e só se estreou em 1979 – como 6ª escolha do draft, e em 1979 os LA Lakers, cabendo-lhes a primeira escolha do draft, optam por Magic Johnson, um jovem jogador de apenas 20 anos.

Começa assim a história de uma rivalidade que dificilmente alguém desempata, se não vejamos:

  • Ambos foram MVP da época regular por 3 vezes;
  • Magic foi MVP das finais em 3 ocasiões e Larry em 2;
  • Larry foi Rookie of the Year mas Magic continua a ser o único jogador que foi MVP das finais no seu ano de estreia;
  • Ambos participaram em 12 All Star Games;
  • Ambos figuraram por 9 vezes no 5 ideal da NBA;
  • O extremo Bird acabou com a carreira com mais pontos e mais ressaltos por jogo do que o base Johnson;
  • Johnson ainda hoje detém o número mais alto de assistências por jogo, quer na fase regular (11.2), quer nos playoff (12.3);
  • Johnson conquistou 5 aneis, Bird “apenas” 3.

Foto: Daily Sports

2. Lionel Messi vs Cristiano Ronaldo

Só percebemos a História quando deixamos de viver dentro dela e em relação aos dois ET’s do futebol só quando eles se retirarem iremos conseguir aferir o alcance histórico daquilo que agora estão a fazer.

Há 10 anos que o argentino e o português repartem entre si o trono de melhor do mundo e parece que ainda não se ficam por aqui.

Ambos têm no currículo feitos extraordinários, numa incessante quebra de barreiras, algumas que se julgavam intransponíveis.

Por exemplo, Ronaldo foi o primeiro jogador a marcar mais de 40 golos em duas ligas profissionais, em duas épocas consecutivas, mas Messi é o único jogador que marcou mais de 40 golos numa liga profissional em oito épocas consecutivas;

Messi tem o record do Guiness de mais golos marcados num ano civil – 91 golos em 2012 – mas Ronaldo é o único jogador que marcou 60 ou mais golos durante um ano civil, por quatro vezes;

Messi é o jogador com mais jogos consecutivos da liga a marcar (21 jogos), mas Ronaldo é o único jogador de sempre a marcar mais de 50 golos em cinco épocas consecutivas;

Em bolas de ouro, tudo empatado: ambos têm 5.

Por enquanto, grande parte dos adeptos do desporto-rei dedicam-se à entusiasmante e inútil tarefa de escolher qual dos dois é melhor, mas não faltará muito tempo para que se chegue à conclusão unânime que vimos jogar os dois melhores jogadores de futebol da História.

É que até do ponto de vista etimológico é difícil de escolher: um pode ser o Messias, mas o outro é Cristo.

Foto: Blasting News

1. Roger Federer vs Rafael Nadal

Já explicamos aqui porque consideramos a Fedal a rivalidade do século. O confronto entre o suíço e o espanhol transborda as margens do Ténis. Se é verdade que é difícil imaginar o futebol na era-pós Messiano, também é verdade que sabemos que o desporto-rei vai continuar a movimentar multidões mesmo sem os dois astros. No ténis, nada será igual depois de Roger e Rafa.

O basileu e o maiorquino já se encontraram 38 vezes ao longo das suas carreiras, com vantagem para Nadal que derrotou Federer 23 vezes, mas curiosamente nos últimos 5 encontros foi o mais veterano dos dois jogadores que levou a melhor, levando os fãns do ténis a acreditar que aos 36 anos, Roger Federer pode bem ser eterno.

Em termos de títulos, Federer leva vantagem com um total de 19 torneios do Grand Slam ganhos, numa contabilidade de 95 títulos individuais conquistados, ao passo que Nadal já venceu 16 torneios do Grand Slam, entre os seus 75 títulos individuais.

Nadal é o rei da terra batida com os seus 10 títulos de Roland Garros, local onde nunca perdeu uma final. Já Federer prefere a relva de Wimbledon, onde, tal como Pete Sampras, já venceu por 7 ocasiões, mas também não enjeita os hard courts do US Open ou do Australian Open onde já venceu 5 vezes cada certame.

Os números das carreiras de Federer e Nadal ainda mais impressionam quando se tem em consideração que também tiveram de repartir muitos títulos com outro fora de série: Novak Djokovic.

Foto: Clive Mason


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter