Arquivo de Hoffenheim - Fair Play

bayern.jpg?fit=1200%2C675&ssl=1
Gonçalo MeloDezembro 21, 201710min0

Mais um ano finda, e aqui estão os destaques do ano Alemão, desde os goleadores Auba e Lewa, aos destaques Leipzig e Nagelsmann, há de tudo, inclusive uma referência ao publico alemão.

2016-17-bundesliga-kits.jpg?fit=1200%2C615&ssl=1
Gonçalo MeloAgosto 13, 201727min0

Vem aí mais uma edição da Bundesliga e, como sempre, será altamente disputada e imprevisível. Será difícil alguma equipa conseguir chegar ao poderoso Bayern de Munique no que toca a chegar ao ceptro de campeão da Bundesliga, apenas uma parece poder estar em condições de discutir este objetivo, e mesmo este clube está alguns passos abaixo do que poderá fazer. Quais as previsões do FairPlay para 2017/2018?

O Bayern é o maior candidato a vencer a Bundesliga, todos os anos, pelas mais diversas razões. O maior poderio da equipa, o maior poderio financeiro, o maior número de sócios… poder-se-ia continuar a lista, mas, essencialmente, o Bayern é eterno candidato pelo domínio que vem exercendo desde sempre no campeonato alemão, com maior foco nos últimos cinco anos. O clube é pentacampeão alemão e não tem dado a mínima hipótese aos concorrentes.

Do plantel saíram dois elementos nucleares: Philipp Lahm e Xabi Alonso. Será interessante acompanhar como a equipa reagirá à sua ausência. Saiu ainda Douglas Costa, um elemento de pouca importância para Carlo Ancelotti, estranhamente. Entraram Rudy, Sule, Tolisso e James Rodriguez. Todos parecem poder ser elementos úteis, recaindo o maior ponto de interrogação sobre o colombiano, por ter mais holofotes recaídos sobre si e porque não tem estado na sua melhor forma. Curiosidade para ver o que elementos como Renato Sanches e Kimmich, como substituto de Lahm, podem oferecer esta época e ver se Robben e Ribéry conseguem ainda ser fiéis escudeiros da estrela Lewandowski. A idade não perdoa, mas o Bayern também não.

Veremos se Ancelotti recairá maior consenso junto dos adeptos, depois da eliminação nos quartos de final da Champions, de não ter ganho a Taça da Alemanha e de ter feito uma má pré-época. A conquista da Supertaça, no entanto, pode dar um necessário aumento de confiança ao plantel.

Resultado de imagem para bayern new players 2017
O andar calmo para mais um título?

A equipa do Borussia de Dortmund será a candidata a poder eventualmente disputar o título com o campeão. Depois de um terceiro lugar em 16/17, o Dortmund pretende escapar à ascensão do Leipzig e lutar afincadamente com o Bayern pelo título, algo que não fez na passada temporada.

Alguns acontecimentos marcantes têm vindo a marcar o defeso do Dortmund. Primeiro, e mais importante, a mudança de treinador. Peter Bosz, depois de alcançar a final da Liga Europa, foi recrutado para o clube, isto depois da saída de Thomas Tuchel em diferendo com a direção. Será certamente um futebol diferente aquele que veremos do Dortmund, mas o elenco pouco mudou, saindo dois jogadores (Matthias Ginter e Sven Bender), sendo substituídos por Omer Toprak e Mahmoud Dahoud, chegando ainda Maximilian Phillip e Dan-Axel Zagadou. Assim, o plantel parece ter mais uma ou outra opção de qualidade, destacando-se ainda a permanência do melhor marcador do último campeonato Pierre-Emerick Aubameyang e do crónico lesionado Marco Reus e a indefinição quanto a Ousmane Dembelé.

O Dortmund perdeu a Supertaça para o Bayern, num jogo em que talvez até merecesse outro resultado, mas mostrou que pode ombrear com a equipa bávara. Para tal, precisa de começar bem a liga, devendo por todas as fichas em recuperar os inúmeros lesionados que tem, pois fazem-lhe muita falta. Quanto mais rápido o conseguir, mais rápido conseguirá assumir-se como candidato. Fica a curiosidade de ver qual o cunho pessoal que Peter Bosz dará à equipa.

Peter Bosz traz novas ideias para Dortmund. Será capaz de destronar o todo poderoso Bayern?

A acesa luta pelos milhões!

A luta pelo 3º e 4º lugares da tabela é das lutas mais disputadas e mais difíceis de prever da atrativa Bundesliga. Nesta batalha, decidimos incluir 4 equipas. RB Leipzig, Hoffenheim, Bayer Leverkusen e Schalke 04. Os dois primeiros foram, no ano passado, 2º e 4º, respetivamente, e têm responsabilidade de fazer parecido ou melhor esta época. Os dois últimos tiveram campanhas medíocres na época passada, mas têm a história e o poderio financeiro/futebolístico para voltar a estar na mó de cima.

O Leipzig, grande surpresa da última edição da Bundesliga, vai, certamente, querer repetir a prestação, ou, pelo menos, aproximar-se dela. O plantel é muito semelhante ao da época transata, que apenas perdeu ate à data o avançado Davie Selke (Naby Keita ainda deve sair para o Liverpool) e ainda viu chegar o promissor avançado francês Jean-Kevin Augustin proveniente do PSG, o talentoso extremo português Bruma e o jovem guarda-redes suíço Yvon Mvogo.

O obreiro do excelente segundo lugar Ralph Hasenhüttl mantém-se no comando técnico, e vai apoiar-se nas estrelas Emil Forsberg (19 assistências na ultima edição da Bundesliga!), Marcel Sabitzer, Timo Werner e Diego Demme para realizar uma época a lutar pelos 4 primeiros lugares. Espera-se um ano mais difícil para a turma do Este da Alemanha, num ano em que o fator surpresa já não estará presente, a acrescentar à exigência de que a equipa estará sujeita na Liga dos Campeões.

Outra das surpresas o ano passado foi o Hoffenheim, juntamente com o seu timoneiro Julian Naggelsmann, o mais jovem do campeonato. Com o playoff da Champions League à porta a equipa tem garantido alguns reforços interessantes como o central/médio defensivo Havard Nordveit, o médio centro Florian Grillitsch e o talentoso extremo alemão Serge Gnabry, cedido pelo Bayern.

A equipa perdeu duas peças importantes, Rudy e Sule, mas manteve outras importantes figuras da campanha do ano passado, como os laterais Pavel Kaderábek e Jeremy Toljan, os criativos Nadiem Amiri e Kerin Demirbay, os homens-golo Sandro Wagner e Andrej Kramaric e o muro da baliza Oliver Baumann, o que deve garantir mais uma bela classificação para a turma da cidade de Sinsheim. A possível entrada na Liga Milionária será determinante para as aspirações da turma de Naggelsmann, pois, com a prova europeia, o desgaste será muito maior e poderá pôr em causa um lugar cimeiro na Bundesliga.

Resultado de imagem para hoffenheim julian nagelsmann
Julian Naggelsmann é uma das novas coqueluches do futebol alemão, e todos esperam mais um grande ano do seu Hoffenheim

O Bayer Leverkusen foi uma das desilusões da época passada, mas está apostado em fazer melhor este ano. Com um dos melhores plantéis da liga, que, apesar de ter visto sair Chicharito e Çalhanoglu, tem nomes como Karim Bellarabi, Charles Aránguiz, Kevin Kampl, Jonathan Tah, Wendell, Julian Brandt, Kevin Volland, Admir Mehmedi e os irmãos Bender, os “farmacêuticos” agora guiados por Heiko Herrlich vão lutar pelo quarto lugar novamente, beneficiando do facto de não terem competições europeias para se concentrarem no campeonato.

A equipa ainda deverá ir ao mercado por um atacante, pois Chicharito deixou a posição “9” entregue a Stefan Kissling e ao jovem finlandês Pojahnpalo, e o meio campo ofensivo ficou órfão da criatividade e qualidade de remate de Çalhanoglu, sendo necessária uma alternativa de qualidade, a menos que o adolescente Kai Havertz acabe por explodir definitivamente este ano.

Na luta pelos lugares de Champions League estará também o Schalke 04. Os mineiros vêm igualmente de uma época abaixo do esperado, onde ficaram em 10º (tal como o Leverkusen vão beneficiar da ausência das provas europeias), e vão certamente querer fazer melhor. A equipa mudou de treinador, estando agora entregue ao jovem Domenico Tedesco, e viu sair algumas figuras como Kolasinac, Choupo Moting e Huntelaar.

No entanto a base manteve-se, com Benedikt Howedes, Naldo, Johannes Geis, Leon Goretska, Nabil Bentaleb, Max Meyer e Guido Burgstaller a transitarem para esta época, aos quais se juntam as estrelas ainda por assumir Yevhen Konoplyanka e Breel Embolo (que no ano passado não deixaram a sua marca) e os interessantes reforços Bastian Oczipka, Pablo Insúa e Amine Harit, este último uma das novas coqueluches das seleções jovens francesas. O problema dos mineiros reside sobretudo no ataque, uma vez que na época passada faltou um goleador na ausência de Huntelaar, e Burgstaller não parece ser suficiente para uma época inteira, podendo o jovem campeão europeu sub21 Felix Platte ganhar algum protagonismo e ajudar na luta pelos lugares cimeiros da tabela. Esperemos que o novo técnico coloque de novo Max Meyer na sua posição de origem, ele que é um médio criativo e o ano passado foi obrigado a jogar muitas vezes na frente devido à ausência de opções de ataque.

Resultado de imagem para schalke 04 vs bayer leverkusen
Leverkusen e Schalke 04 têm uma imagem a repor nesta temporada, após o falhanço em 2016/2017

Na luta pelos lugares na Liga Europa (5º e 6º, possível 7º dependendo dos finalistas da Taça da Alemanha), vários clubes se podem incluir, incluindo alguns que terão como objetivo mais claro a chegada à Champions. Apenas existem 2 ou 3 lugares disponíveis, mas vários candidatos.

O Borussia Monchengladbach parte com aspirações bem reais à conquista de um lugar na Liga Europa, visto que tem um plantel que o merece jogar e tem capacidades para tal. Para a Champions, parece curto.

Andreas Christensen, Nico Schulz, André Hahn e, principalmente, Mahmoud Dahoud, saíram do clube, este último com uma importância acrescida, era realmente o destaque da equipa na temporada pesada. Veremos o que Denis Zakaria pode trazer à equipa, bem secundado por Christopher Kramer. Já Christensen é substituído por Matthias Ginter, uma opção de qualidade num setor recheado de talento (Kolodziejczak, Vestergaard, Elvedi).

O meio campo ofensivo e as alas são os setores mais fortes da equipa. Possuem uma profundidade bastante assinalável, com jogadores como Thorgan Hazard, Herrmann, Ibrahima Traoré, Fabian Johnson (pode também jogar a lateral, dos dois lados), Hofmann e ainda Vincenzo Grifo, contratado ao Friburgo por 6 milhões de euros e considerado uma autêntica pechincha face à sua qualidade demonstrada na temporada passada. Já no ataque, a base é a mesma, com a dupla StindlRaffael a fazer estragos. Não sendo dois pontas de lança, são dois avançados bastante móveis que se complementam bastante bem.

O clube possui alguns dos melhores adeptos da Alemanha e bem orientado pelo experiente técnico Dieter Hecking, que muito sabe sobre esta liga. Certamente que menos que a luta pela Liga Europa será também um fracasso.

Outra das equipas que pode sonhar é o Colónia. Depois do excelente quinto lugar em 16/17, a equipa parte para 17/18 com confiança face às suas capacidades de fazer boas performances. Assim, o clube parte com legítimas esperanças de alcançar novamente a Liga Europa na próxima temporada.

Face à temporada passada, saiu Anthony Modeste por 35 milhões de euros, um espetacular negócio depois do francês de 29 anos ter chegado ao clube por meros 4.5 milhões de euros. A sua saída era inevitável face aos 25 golos marcados pelo jogador na passada época, um marco incrível que lhe deu o pódio na lista dos melhores marcadores. Destacamos a contratação de jovens jogadores como Jorge Meré, central espanhol, Jannes Horn, lateral esquerdo, e João Queirós, central português, este contratado ao Braga, sem nenhum jogo pela equipa principal, por 3 milhões de euros, algo que mostra a força do scouting do clube. A principal contratação foi, no entanto, o ponta de lança Jhon Córdoba ao Mainz, tendo este a missão de substituir Modeste, tarefa aparentemente árdua.

O plantel base sai assim quase incólume, ainda que sem a sua maior estrela, mas com mais soluções para a próxima época. A equipa tem jogadores fortes em todas as posições, como Timo Horn, Dominique Heintz, Frederik Sorensen, Jonas Hector (o mais consagrado), Marco Höger, Leonardo Bittencourt, Marcel Risse e Yuya Osako, jogadores fundamentais numa equipa muitíssimo bem orientada por Peter Stöger há já quatro temporadas. O futuro parece risonho para o clube, e os seus fervorosos adeptos certamente guiarão o clube a mais uma boa temporada.

Resultado de imagem para colonia vs borussia monchengladbach
Borussia Monchengladbach e Colónia vão tentar tudo para chegar à Europa

O Hertha BSC é outra equipa que pode aspirar a uma presença na Liga Europa. Depois de duas qualificações consecutivas, é possível que tenhamos um caso de “não há 2 sem 3”. O clube é agora estável, bastante bem orientado por Pál Dardai e, não tendo um grande conjunto de estrelas, o plantel é equilibrado e tem profundidade.

O plantel tem um misto de juventude, jogadores em “ponto rebuçado” e jogadores mais experientes. Jogadores mais jovens como jogadores como Karim Rekik, Mitchell Weiser, Niklas Stark, Ondrej Duda e David Selke permitem a irreverência. Vejamos o que este último poderá trazer à equipa e o que tal poderá significar em termos de mudança de sistema de jogo ou de nuances na forma de jogar. Jogadores como Marvin Plattenhardt (muito pretendido), Fabian Lustenberger, Vladimir Darida, Valentin Stocker, Alexander Esswein e Haraguchi permitem que a equipa avance para o próximo nível, oferecendo-lhe maturidade e maior qualidade. Por fim, jogadores como Peter Pekarik, Skjelbred e os avançados Kalou e Ibisevic oferecem a sua experiência e capacidade de decisão à equipa. De saída da equipa, destaque-se apenas a venda de John Anthony Brooks, um antigo central talismã, devido aos seus decisivos golos.

Com as suas poucas alterações no plantel e com o aumento da profundidade do mesmo, com a chegada de Mathew Leckie, por exemplo, o Hertha promete batalhar por uma nova qualificação para a Liga Europa e continuar o seu processo de ganho de notoriedade, honrando o nome da mais importante cidade alemã.

A última equipa que poderá possivelmente lutar pela Liga Europa é o Wolfsburgo. Depois de uma desastrosa época em 16/17, em que a equipa lutou até à última para não descer de divisão (safou-se no Playoff, contra o Eintracht Braunschweig), a equipa está obrigada a fazer bem melhor esta época. Com os jogadores que tem, tudo menos que a luta pela Liga Europa e a respetiva qualificação será um fracasso, ainda para mais sem competições europeias na presente época.

Do plantel base, saíram três jogadores bastante importantes: Ricardo Rodriguez, Luiz Gustavo e Diego Benaglio. Maior destaque para a saída de Ricardo Rodriguez, que vinha sendo uma das principais figuras do clube e dos poucos jogadores que não teve um péssimo desempenho na temporada passada.

Contratações dispendiosas foram feitas: Ignacio Camacho (15 Milhões de euros), Nany Landra Dimata (10 milhões de euros), John Anthony Brooks (17 milhões de euros) e William (5 milhões de euros). Foram 47 milhões gastos em quatro jogadores com muito a provar, esperando-se muito deles e estando aqui refletida a ambição de fazer bem melhor esta época.

Com a defesa comandada pelo americano Brooks e por Jeffrey Bruma, jogadores nas laterais e nas alas como Yannick Gerhardt, Vieirinha, Blaszczykowski e Paul-George Ntep, craques no meio campo como Bazoer, Max Arnold, Yunus Malli e Daniel Didavi e um ataque comandado por Mario Gómez, secundado pelo jovem Dimata, que marcou 14 golos na sua primeira época como sénior e chega bem rotulado da Bélgica, muito se pode esperar dos lobos em 17/18. Veremos se a época anterior foi uma lição a não repetir.

Resultado de imagem para vieirinha wolfsburg
Na passada temporada, o português Vieirinha marcou um golo decisivo que ditou a permanência dos lobos na Bundesliga. Nesta temporada, ele e os restantes jogadores do plantel estão obrigados a um rendimento bem superior

 

Nem todos os clubes lutam por objetivos mais altos, como competições europeias, ou estão sujeitos a lutar pela despromoção. Existem determinados clubes que estão designados a figurar a meio da tabela, sendo que destacamos três clubes nessa situação: Eintracht Frankfurt, Friburgo e Werder Bremen.

Uma das equipas dificilmente conseguirá subir mais acima do que um nono/décimo lugar será o Werder Bremen. A equipa perdeu a sua maior estrela, Serge Gnabry, não a substituindo de forma adequada. Por outro lado, adquiriu duas opções de qualidade para a lateral esquerda e para a baliza, Ludwig Augustinsson e Jiri Pavlenka, respetivamente, que podem dar a segurança necessária à equipa na hora de defender as suas redes. Jiri Pavlenka será titular face às saídas de Felix Wiedwald e Raphael Wolf, enquanto que Augustinsson chega para substituir Santiago Garcia. De destacar também a saída dos históricos Claudio Pizarro e Clemens Fritz (este acabando a carreira) e ainda a ida a custo zero de Florian Grillitsch para o Hoffenheim.

Na passada temporada, o Werder Bremen conseguiu fazer uma temporada segura, ficando-se pelo oitavo lugar, mas não será fácil repetir o feito, pois a equipa perdeu mais jogadores que aqueles que contratou. Veremos o que pode dar a equipa do Norte da Alemanha, sendo que será agora Max Kruse a assumir o papel de estrela da equipa, certamente secundado pelo extremo Fin Bartels, pelo médio ofensivo Zlatko Junuzovic, pelo médio centro Thomas Delaney e bem protegidos na retaguarda pelo esteio defensivo Lamine Sané.

O seu jovem técnico Alexander Nouri já mostrou serviço, e espera-se mais uma época de sucesso para este promissor treinador, com um lugar tranquilo mas sem incomodar os mais endinheirados.

Quanto ao Eintracht Frankfurt, será curioso perceber o que poderá fazer na próxima temporada. Saíram nove jogadores e entraram outros nove, concretizando-se assim alterações profundas no plantel. Destaquem-se a entrada do lateral holandês Jetro Willems para colmatar a saída de Bastian Oczipka, de Sebastian Haller, para colmatar a saída de Seferovic para o Benfica, e ainda a chegada de outros jogadores importantes como Gelson Fernandes ou Jonathan de Guzmán, jogadores experientes que podem oferecer qualidade à equipa. Além das saídas já destacadas, saíram também jogadores como Jesús Vallejo, de regresso ao Real Madrid, Guillermo Varela e Ante Rebic, entre outros.

Em balanço, o plantel parece que fica a ganhar opções de maior qualidade e experiência, mas dificilmente será suficiente para garantir mais que o meio da tabela ao clube histórico, muito por culpa da subida de nível dos adversários que se poderiam considerar mais diretos.

Destaque-se ainda que a equipa é bem orientada por Niko Kóvac e que é tipicamente forte na Commerzbank Arena, o seu reduto, pelo que poderá causar muitas dificuldades às equipas mais acima na tabela.

Resultado de imagem para frankfurt fans
Ambiente tipicamente espetacular na Commerzbank Arena. O Eintracht muito beneficia do apoio dos seus adeptos, criando muitas dificuldades aos seus adversários quando lá jogam

Uma das surpresas da última época foi o Friburgo. A equipa do experiente Christian Streich inicia esta época com duas baixas de peso, uma vez que Vincenzo Grifo saiu para o Gladbach e Maximilian Philipp saiu para o Borussia de Dortmund. Ainda assim, a maior parte das figuras permanecem no sudoeste alemão, como por exemplo o recente campeão europeu sub21 Marc-Oliver Kempf, o ofensivo defesa esquerdo Christian Gunter, os influentes médios Nicolas Hofler, Amir Abrashi e Janik Haberer, e os avançados Nils Petersen e Florian Niederlechner.

A nível de reforços, a equipa mantém a mesma política de sempre, aquisições cirúrgicas e a baixo custo ou empréstimos de mais-valias reais com opção de compra, como sucedeu com Niederlechner e Pascal Stenzel já este verão. Este ano os destaque vão para Phillip Lienhart que chega do Real Madrid Castilla, Barkosz Kaputska cedido pelo Leicester e Marco Terrazino, extremo italiano que foi importante na ponta final da última época do Hoffenheim. Espera-se uma época traquila para os homens de Streich, que deverão manter a coesão e coletividade, características que o ano passado permitiram o 7º lugar.

 

A aflitiva luta pela continuação na mais competitiva liga da europa!

Na época passada a luta pela manutenção revelou-se muito pouco disputada, uma vez que cedo se verificou que Darmstadt e Ingolstadt não tinham capacidade para acompanhar as restantes equipas e o fosso ficou demasiado acentuado deste bem cedo. Este ano, contudo, deverá ser bem diferente. Os históricos Estugarda e Hannover estão de regresso ao convívio dos grandes, e não vão querer certamente abandoná-lo. Mas a tarefa não se afigura fácil, uma vez que Mainz, Ausburgo e Hamburgo também devem estar nesta luta, e nos últimos anos têm conseguido campanhas que lhes têm permitido a manutenção.

O Hamburgo é um caso estranho. A equipa da segunda cidade mais populosa da Alemanha insiste em safar-se sempre à última, ano após ano. Mas a verdade é que se vai mantendo, nunca tenho falhado uma edição da Bundesliga. O plantel este ano, tal como nos outros, é limitado para o que já se viu no Hamburgo, mas está longe de ser fraco. Uma defesa com elementos como Douglas Santos, Kyriakos Papadopoulos e Gotoku Sakai, um meio campo com o brasileiro Wallace, Lewis Holtby, Aaron Hunt e Albin Ekdal e um ataque com Filip Kostic, Nicolai Muller e Bobby Wood não pode estar sucessivamente na luta pela manutenção.

A juntar a estes a equipa garantiu alguns nomes interessantes, como o titular da seleção alemã de sub21 Julian Pollersbeck e o potente e veloz avançado Andre Hahn vindo do Gladbach. Apesar da saída do patrão da defesa Johann Djourou, prevemos uma época semelhante às últimas, onde o Hamburgo vai andar entre o 16º e o 13º lugar.

Resultado de imagem para hamburgo fc players
Bobby Wood vai tentar dar aos adeptos do Hamburgo uma época mais tranquila

O Mainz tem tido um decréscimo nas suas últimas prestações na Bundesliga. Há duas épocas garantiu o apuramento para a Europa, neste ultimo ano ficou-se pelo 15º lugar. Acreditamos que o plantel perdeu um pouco de qualidade, mas que ainda assim deverá ser superior aos concorrentes diretos, sendo por isso provável um lugar mais confortável na tabela do que os rivais, sem no entanto se livrar de alguns sustos.

O grupo é quase o mesmo que acabou a época passada, já sem a estrela Yunus Malli, também sem o ponta de lança colombiano Jhon Córdoba nem o criativo Bojan Krkic que estava emprestado. Ainda assim o novo técnico Sandro Schwarz viu chegar reforços para todos os setores, como o experiente internacional alemão René Adler para a baliza, o jovem francês Abdou Diallo para a defesa, o talentoso romeno Alexandru Maxim para o meio campo e Viktor Fischer e Kenan Kodro para o ataque, que chegam de Middlesbrough e Osasuna, respetivamente. Será por isso um ano em que o Mainz é candidato à luta pelos lugares da segunda metade da tabela, podendo sempre surpreender e realizar uma época semelhante à de 2015/2016.

O Augsburgo é sempre uma incógnita. A equipa tem muitos altos e baixos ao longo da época, mas o facto é que se vem mantendo na elite há alguns anos. O plantel perdeu apenas o capitão Paul Verhaegh, mantendo nomes como Marvin Hinteregger e Kostas Stayfilidis na defesa, Daniel Baier e o coreano Koo no meio-campo, os extremos Jonathan Schmid e Takashi Usami e os avançados Raul Bobadilla e Alfred Finbogasson.

A estes nomes, juntam-se ainda os interessantes reforços Rani Khedira, Marcel Heller e Michael Gregoritsch, que juntando à base da época passada vão tentar levar a formação de Manuel Baum a uma época descansada, tarefa que nos parece, ainda assim, bastante árdua.

O Estugarda e o Hannover estão de volta ao lugar que merecem, a primeira divisão. Depois de uma época em que dominaram a segunda liga, os dois históricos têm adotado a mesma medida para abordar a nova época. Manter o núcleo e juntar alguns reforços de qualidade.

O Estugarda do ex-Sporting Emiliano Insúa optou pela manutenção de grande parte das principais figuras, com Tim Baumgartl, o próprio Insúa e Benjamin Pavard na defesa, o experiente capitão Christian Gentner, e os jovens Ebenezer Ofori e Berkay Ozcan no meio campo e Carlos Mané, Julian Green, Takuma Asano e Simon Terodde no ataque.

A este núcleo juntaram-se alguns reforços interessantes, com destaque para o guarda-redes campeão do mundo pela Alemanha em 2014 Ron-Robert Zieler. Para além do ex-Leicester, chegaram para a defesa o brasileiro Ailton vindo do Estoril, o polivalente Dennis Aogo e o crónico lesionado Holger Badstuber, ambos internacionais alemães. Para o meio campo e ataque foram contratados o jovem promissor congolês Chadrac Akolo, o jovem belga Orel Mangala e o internacional grego Anastosis Donis, que estava ligado à Juventus.

O Hannover conseguiu manter todos os principais jogadores, verificando-se apenas as saídas dos centrais Andre Hoffman e Carlos Strandberg, do extremo Marius Wolf e do avançado polaco Artur Sobiech, nenhum deles titular regular a época passada. As principais figuras, como o gigante Salif Sané, Oliver Sorg, Manuel Schmiedebach, Felix Klaus, Martin Harnik, entre outros, mantêm-se no clube e vão ser certamente peças fundamentais para o timoneiro Andre Breitenreiter, que volta ao ativo após ter sido despedido do Schalke em 2015.

A estes nomes, o novo treinador junta algumas importantes adendas, como o keeper Michael Esser que não acompanha o Darmstadt à segunda divisão, os laterais Julian Korb e Matthias Ostrzolek e o médio defensivo Pirmin Schwelger, todos vindos de equipas que já estavam na Bundesliga. Será, ainda assim, um ano de muita luta e muitas dificuldades para este Hannover, que tem o plantel menos valioso do campeonato até à data, esperando-se ainda mais um ou outro ajuste até 31 de Agosto, tal como no Estugarda.

Resultado de imagem para hannover vs stuttgart
Hannover e Estugarda estão de volta ao convívio dos grandes, e vão lutar com unhas e dentes para não o deixar

Será certamente mais um ano fantástico no campeonato alemão, onde a probabilidade de lutar por um lugar de Liga dos Campeões é quase igual à probabilidade de se encontrar em lugares próximos da zona de aflição (Vieirinha que o diga). O titulo esse, parece estar entregue, podendo sempre aparecer um super Dortmund. Os candidatos a novo Leipzig são alguns, e quererão certamente agigantar-se e realizar épocas acima do normal. É já no próximo fim de semana que o campeonato mais imprevisível da Europa começa, seguindo-se fins de semana consecutivos agarrados ao apaixonante e atrativo futebol alemão.

fallback_picture.jpg?fit=1024%2C576&ssl=1
Gonçalo MeloJunho 2, 20177min0

Nova moedinha, nova voltinha. Mais uma época se passou na Bundesliga, com o mesmo desfecho. Título na Baviera. Mas, fora a luta pelo título, que desde cedo parecia entregue, as restantes equipas pautaram-se por um equilíbrio assinalável, tendo havido algumas surpresas/destaques e algumas desilusões.

Nos destaques de mais uma edição da Bundesliga era impossível não falar no Leipzig. A equipa orientada por Ralph Hasenhüttl estreou-se esta temporada na primeira divisão alemã, com um fantástico segundo lugar. Com um meio campo fortíssimo, onde Naby Keita, Diego Demme e Stefan Ilsanker se destacaram, alas criativos e rápidos como Marcel Sabitzer e Emil Forsberg (19 assistências no campeonato!) e uma dupla de ataque móvel e mortífera formada por Yuray Poulsen e Timo Werner, o RB Leipzig fez um campeonato imaculado que lhe permite estar na próxima edição da Liga dos Campeões. Ainda em lugares de prova milionária ficou o extraordinário Hoffenheim do jovem Julian Nagelsmann, melhor lugar da história do clube. Individualmente, destaque para as épocas Nicklas Sule e Sebastian Rudy que lhes valeu a transferência para o campeão Bayern, bem como os criativos Nadiem Amiri e Kerin Demirbay e os avançados Andrej Kramaric e Sandro Wagner.

A luta pela Europa foi renhida ate final com Colónia, Friburgo, Hertha de Berlim e Werder Bremen a proporcionarem um atractivo espectáculo até à ultima jornada. No Colónia o destaque tem de ser dado a Anthony Modeste. O francês apontou 25 golos no campeonato, mais de metade do total de golos da equipa, sendo esta de longe a melhor época do ponta de lança que já passou pelo Bordéus e pelo Hoffenheim . Para alem do francês, épocas positivas da maioria dos elementos, com destaque para o médio-defensivo/lateral esquerdo titular da selecção alemã Jonas Hector e para o defesa central Dominic Heintz. No Friburgo, destaque para o italiano Vincenzo Grifo, grande municiador do ataque dos homens do sudeste, com 13 assistências (já se comprometeu com o Borussia de M’gladbach para as próximas temporadas), para Maximilian Philipp, avançado fundamental na forma de jogar da equipa e que deve ser um dos eleitos para os sub-21 alemães e para o lateral-esquerdo Christian Gunter, jogador mais utilizado na Bundesliga da equipa do Friburgo, sempre com uma regularidade impressionante.

No Hertha, menção para Vladimir Darida, Peter Pekarik e John Anthony Brooks, os mais regulares e sempre em nível superior da equipa, mas também para os abonos de família Solomon Kalou e Vedad Ibisevic, os goleadores da turma do húngaro Paul Dardai. No Werder Bremen, o destaque vai para o jovem técnico Alexander Nouri, responsável pela subida incrível de produção da equipa na segunda metade da época, apoiado nas figuras Zlatko Junozovic,  Serge Gnabry, Max Kruse, Fin Bartels e Thomas Delaney (o dinamarquês chegou em janeiro para se tornar talvez no melhor jogador da equipa).

Foto: The World Game

Nas restantes equipas (todas elas desilusões pois todas as restantes ficaram abaixo dos objetivos a que se propuseram) houve também jogadores que se destacaram. Ousmane Dembelé chegou, viu e venceu em Dortmund, justificando plenamente os 15 milhões pagos ao Rennes, fazendo estragos com a sua técnica individual e velocidade. Pierre Emerick Aubameyang teve mais uma época brutal (31 tentos), que lhe valeram o prémio de melhor marcador. Marcel Schmelzer, Julian Weigl e Rapha Guerreiro protagonizaram também boas épocas. No Gladbach que ficou longe do seu objectivo (Champions League), o maior destaque vai para o jovem Mahmoud Dahoud, adquirido entretanto pelo Dortmund, que com a sua qualidade técnica e energia elevou a equipa para um nível que sem ele nunca se verificou, para o talentoso belga Thorgan Hazard e para o capitão Lars Stindl.

Nas duas grandes desilusões da Bundesliga, Bayer Leverkusen e Schalke, os destaques são poucos, podendo salientar apenas a regularidade do central Omer Toprak, a entrega de Kevin Kampl e os golos de Chicharito nos Farmacêuticos. Nos mineiros, o grande destaque vai para Guido Burgstaller, que chegou em Janeiro proveniente do histórico Nuremberga mas conseguiu ser o melhor marcador da equipa na Bundesliga. Os jovens Leon Gorestka  e Sead Kolasinac (pode estar a caminho do Arsenal) protagonizaram épocas de bom nível, tal como o guarda-redes Ralf Fahrmann, muitas vezes o salvador da formação de Markus Weinzierl. No Eintracht Frankfurt, o mexicano Marco Fabián jogou e fez jogar, fazendo jus à fama que trazia do seu país (muita qualidade técnica e visão de jogo). O jovem sueco Benjamin Hrgota e o capitão Bastian Oczipka foram também protagonistas da época tranquila dos comandados de Nico Kovac, que tiveram uma descida grande na segunda metade da época (estiveram em lugares de Champions em Dezembro),

Na parte de baixo da tabela, Augsburgo, Mainz e Hamburgo tiveram épocas atribuladas, conseguindo por pouco escapar aos lugares de despromoção. No Augsburgo, destaque para o goleador Alfred Finnbogasson, o criativo coreano Koo, o médio-defensivo Dominic Kohr e o lateral esquerdo Philip Max, que foram os melhores da equipa. No Mainz houve muitas épocas abaixo do esperado, destacando-se Yunus Malli que em janeiro se transferiu para o Wolfsburgo, Jhon Córdoba que foi o melhor marcador da equipa a par do japonês Yoshinori Muto e o potente lateral Daniel Brosinski. No Hamburgo, que insiste em “safar-se” sempre à ultima, o norte-americano Bobby Wood foi muitas vezes o abono da equipa, com Lewis Holby e  Filip Kostic a serem dos jogadores mais utilizados e regulares, e Gotoku Sakai a ser a fonte de rendimento e trabalho da equipa, tanto a médio defensivo como a lateral direito.

Numa época em que consagrou mais uma vez o crónico campeão BayernAlaba, Thiago Alcântara, Lewandowski (mais golos que o polaco só Auba) e Robben voltaram a fazer das suas e a protagonizarem belíssimas temporadas, na época de despedida dos lendários Xabi Alonso e Philip Lahm que voltaram a fazer o que nos habituaram nas ultimas duas décadas, espalhar charme e qualidade pelos relvados que pisam. Numa época disputada e aguerrida foram estes os destaques daquele que é para muitos o campeonato com melhor e mais atractivo futebol do velho continente. Na próxima época a pressão para estes será maior, uma vez que a expectativa dos adeptos será por consequência mais elevada. Agora, será que alguns destes destaque terão capacidade para inverter a tendência de domínio bávaro? 2017/2018 está já ao virar da esquina, e mal podemos esperar.

Foto: dw.com
C7ONHpwXQAEiKyC.jpg?fit=1024%2C576&ssl=1
Pedro NunesMarço 30, 20175min0

Os muitos golos de Modeste têm sido um dos temas quentes desta edição da Bundesliga. Um francês que até agora vinha passando pelos pingos da chuva, acaba por estar também à espreita da Bota de Ouro. À beira de fazer 29 anos, segue entre Aubameyang e Lewandowski, na melhor forma da sua carreira. Para Modeste, vestir a camisola do Colónia tem funcionado como um incentivo para chegar a estas marcas estratosféricas.

Flop em Inglaterra, questionado em França, goleador na Alemanha e pretendido pela China. Nos últimos tempos, têm sido estas as diferentes perspectivas acerca de Anthony Modeste. Até há cerca de duas temporadas, o avançado gaulês vinha passando meio que despercebido aos olhos do comum adepto. No entanto, a chegada a Colónia para jogar no maior clube da cidade acabou por mudar tudo o que se pensava dele.

Foi uma carreira de altos e baixos até chegar a este ponto. Depois de fazer finalizar a formação nas escolinhas do Nice, o clube da Riviera emprestou-o por uma temporada ao Angers, onde começou a ganhar visibilidade. Os 20 golos em 37 jogos na segunda liga francesa chamaram a atenção do Bordéus, que desembolsou 3,7M€ para a sua contratação. Nos girondins demorou a afirmar-se e foi emprestado por duas vezes. A experiência em terras de Sua Majestade não correu nada bem. Nove jogos na Premier League e um total acumulado de zero golos pelo Blackburn, valeram-lhe o rótulo de flop. No segundo empréstimo, acabou por fazer 15 golos em 36 jogos com a camisola do Bastia.

Foto: Youtube

Esta marca levou-o à Alemanha. Depois de dois anos a representar o Hoffenheim com alguns golos à mistura, Colónia foi a cidade seguinte. E foi exatamente nos Billy Goats que deu a conhecer todo o seu poderio. Talvez como uma espécie de premonição, o primeiro golo com a camisola do Colónia demorou 45 segundos a chegar, numa partida da taça alemã. A partir passou a aplicar-se a máxima do nosso pensador madeirense – foi como o ketchup.

O golo típico de Modeste é um golo fácil. Normalmente um toquezinho chega. Característica de um autêntico matador e de um jogador muito auto-sustentável. Dos 37 golos do Colónia na liga, 22 são do avançado gaulês, o que significa que 60% dos golos são seus. Um dado que fala por si. Outra marca também bastante interessante é a sua eficácia. Para fazer golo, precisa de menos tentativas que Lewa e Auba. Para chegar à marca de 22 que carrega no momento, necessitou apenas de 74 ocasiões. Como referência de comparação, Aubameyang dispôs de 84 e Lewandowski de 100.

Considerando apenas a variável do impacto que tem na equipa, Modeste está bastante à frente dos outros dois. Com 25 jornadas já jogadas, o francês segue na roda de Lewandowski e Aubameyang, na luta pelo desejado Torjägerkanone. Esta época têm sido batidos recordes na Bundesliga neste sentido. Até à data, a liga nunca havia visto três jogadores com mais de 20 golos à 25ª jornada.

Foto: Squawka

Os que defendem que Modeste deve estar na seleção nacional usam de um argumento poderoso. Afirmam que o francês é melhor que Aubameyang e Lewandowski. A razão é simples. O gabonês e o polaco têm uma equipa recheada de estrelas, com companheiros de classe mundial que lhes fazem chegar excelentes bolas. Com Modeste isso não acontece. O Colónia é uma equipa de meio de tabela, que o francês está a colocar na luta pelos lugares europeus, aos quais não chega desde a época de 92/93. Apesar disto, entrar para as contas para a frente de ataque gaulesa não é pêra doce. Por entre os elegíveis para aquela posição estão nomes com Griezmann, Gameiro, Giroud, Lacazette, Moussa Dembelé e Gignac.

Na luta pela Bota de Ouro, o dianteiro segue em 5º – a par de Belotti, que é outro caso semelhante. Sempre atenta ao que se passa no futebol ocidental, a China já acenou com muitas notinhas. Modeste vive agora o melhor momento da carreira mas também o mais decisivo visto que está perto de fazer 29 anos. Entre ir para a China para ter uma reforma descansada, tentar os altos voos europeus ou ficar em Colónia, tudo é opção para Anthony Modeste.

Foto. ZeroZero
Julian-Nagelsmann-imagem.jpg?fit=1024%2C773&ssl=1
Gonçalo MeloJaneiro 16, 20175min0

O mundo do futebol é um mundo rico em surpresas, tanto boas como más. Neste complexo e competitivo mundo os azares acontecem e, se alguns se deixam ir abaixo após esses azares, outros vêem neles uma oportunidade para dar a volta e evoluir. No caso em análise, o azarado deu a volta de forma transcendente, podendo até ser considerado afortunado. É a história de Julian Nagelsmann, treinador de Hoffenheim.

Quando olhamos para o paradigma atual do futebol alemão é impossível não reparar na nova geração de treinadores que desponta neste momento. Desde Markus Weinzierl, treinador do Schalke 04, até ao mais conhecido Thomas Tuchel que orienta a sempre atrativa e apaixonante equipa do Borussia de Dortmund. Mas, para além destes, há um treinador que nesta temporada tem conseguido enorme reconhecimento, sendo mesmo a nova coqueluche de treinadores jovens em toda a europa.

Falamos de Julian Nagelsmann, treinador do Hoffenheim. Nascido no ainda recente ano de 1987, 29 anos, está a espantar o mundo do futebol. Este jovem treinador é mais novo que Messi e Cristiano Ronaldo, o que mostra bem o impacto que está a ter.

Nascido na Baviera, Julian desde cedo teve o sonho da maioria dos rapazes. Ser jogador de futebol. Em 2001 chegou à equipa de sub 15 do Augsburgo onde estaria uma época, pois no ano seguinte regressaria para perto de casa, chegando ao 1860 de Munique onde fez o resto da sua formação até chegar à equipa B de séniores, sempre como defesa central, com uns devaneios pelo meio para o seu outro desporto de eleição, o hóquei no gelo.

Sem grande impacto regressa a Augsburgo, mas também para a equipa B. E foi neste regresso que sucedeu o acontecimento mais marcante da sua carreira de futebolista. Uma lesão grave no joelho, mal debelada, colocava em causa a sua ainda curta carreira, com apenas 20 anos. Após algumas tentativas de regresso, todas elas sem sucesso devido à fragilidade do joelho, Nagelsmann põe termo à carreira, tendo ainda tentado uma última vez em 2013 ao serviço dos amadores do Issing.

O fim de uma Carreira… e o início de outra!

Em 2008 tem a sua primeira experiência como técnico adjunto da equipa de sub17 do 1860 de Munique, onde fica uma época até ser contratado pelo Hoffenheim para orientar o mesmo escalão. Após duas boas épocas é promovido à equipa de juniores, onde na época de 2013/14 bate o pé aos gigantes Bayern, Borussia e Leverkusen e conquista o título de campeão nacional de Juniores, título inédito na história do clube. Nas duas épocas seguintes consegue dois segundos lugares atrás de Leverkusen e Borussia de Dortmund, respetivamente.

Com um trabalho coeso e bem planeado, o grande desafio chega em Março de 2015, quando o treinador da equipa principal do Hoffenheim Hubb Stevens é demitido e Nagelsmann é promovido à equipa principal, onde consegue evitar a despromoção com 7 vitórias em 14 jogos. O valor de Julian Nagelsmann ainda era colocado em causa, devido à sua juventude.

Para os mais céticos e hype criado na reta final da época passada à volta do treinador não era de confiar, pois as chicotadas psicológicas têm sempre um efeito positivo nas equipas.

Mas, contrariando os céticos, Nagelsmann entrou na época 2016/17 a abrir, somando grandes resultados e mantendo- se no top 5 da bundesliga desde a primeira jornada, sendo a única equipa das principais ligas europeias que ainda não perdeu até ao dia de hoje. O 3-5-2 ofensivo imposto pelo técnico é dos mais compactos da europa, com as torres Kevin Vogt, Fabian Schar e Niklas Sule a formarem um trio defensivo quase impenetrável, com os criativos demirbay e amiri (campeão de juniores com Nagelsmann) a espalharem magia no meio campo, com os incasáveis laterais kaderabek e Toljan a correrem km por jogo e com a dupla ofensiva Kramaric e Sandro Wagner (adversário do treinador quando eram juniores) a fazer estragos nas defesas contrárias.

A filosofia de jogo moderna e atrativa implementada por Nagelsmann tem captado o olho da maioria, com uma capacidade de pressão alta que caracteriza as equipas alemães, aliada ao pouquíssimo espaço que a equipa dá entre linhas ( aqui entra a leitura tática do internacional alemão Sebastian Rudy e a velocidade e agressividade dos centrais Sule e Vogt ) e à excelente capacidade na transição ofensiva, com a velocidade de elementos como Kaderabek e Toljan e a capacidade de passe de Rudy e Demirbay a serem as principais armas de uma equipa jovem (média de 25 anos) e ambiciosa, que conta com o 4º melhor ataque e a 6ª melhor defesa da Bundesliga até a data.

Para além disso, a enorme diferença pontual em relação à mesma altura do ano passado, onde ocupavam o último lugar da tabela com apenas 13 pontos em 17 jogos, ao passo que nesta época a equipa soma 28 pontos em 16 jogos, salienta bem o “ efeito Nagelsmann “.

Julian Nagelsmann tem apenas 29 anos, o que na maioria dos casos significa o ponto alto da carreira como jogador, na sua significa o início de uma prometedora carreira como treinador. No entanto, tudo isto se deve a uma (in)feliz lesão que acabou com a (não muito prometedora) carreira de futebolista de Nagelsmann. Sem essa infelicidade, a nova coqueluche alemã estaria provavelmente a jogar na 2ª ou mesmo 3ª divisão, sem grande brilho. Em vez disso está nas bocas do mundo, e é apelidado de “Novo Van Gaal”. É caso para dizer, há males que vêm por bem.

destaque-3.jpg?fit=1024%2C689&ssl=1
Filipe CoelhoNovembro 27, 201610min0

A Alemanha recebeu a competição e a França devorou-a. Para lá do que se jogou (com Portugal a cair nas meias-finais), houve nomes a ficarem na retina e a preencherem a memória. Como se têm saído no regresso aos seus clubes depois de brilharem a todo o nível no Euro Sub-19?

Philipp Ochs

(Alemanha, Hoffenheim)

Foi um dos jogadores que mais se destacou dentro do colectivo germânico que acabou por ter uma prestação com traços de desilusão (logrou apenas o 5º lugar). Ocupando a zona próxima do #9, caído sobre qualquer uma das faixas ou atrás do avançado – a Alemanha mostrou uma interessante versatilidade táctica –, Ochs destacou-se pelos 4 golos em 4 jogos, cotando-se como um dos melhores marcadores. Tornou-se impossível não reparar no pé esquerdo do jovem loiro, com um jogo bastante imprevisível (é de remate fácil), habilidoso e repentista (tremenda a facilidade para recepcionar e girar sobre si mesmo). Pese embora a tendência para assumir o 1×1 ofensivo (de origem, é extremo esquerdo), não aparentou ser demasiado individualista, procurando e combinando com os colegas.

Pertencendo aos quadros do Hoffenheim, Philipp Ochs não é, no entanto, uma promessa aparecida no último Europeu de Sub-19 – com efeito, estreou-se na Bundesliga há mais de um ano, em Agosto de 2015. Todavia, de lá para cá, contou apenas 15 jogos, sendo que esta época somou somente 90 minutos (na 1ª jornada) e como … defesa esquerdo. De facto, o camisola 30 do ‘Hoff’ tem sido testado nessa posição recorrentemente – quer nas breves aparições junto da equipa principal, quanto na equipa secundária, onde tem actuado com regularidade (leva 1 golo e uma assistência em 7 jogos). Não sendo fácil entrar num conjunto que tem rubricado um excelente inicio de época – o Hoffenheim, do prodigioso Nagelsmann, é 5º classificado com os mesmos pontos do 4º –, Ochs precisa de encontrar um espaço competitivo que lhe permita confirmar todas as excitantes indicações que deixou na competição de Julho.

zimbio-com
(Foto: zimbio.com)
bild-de
(Foto: bild.de)

Alex Meret

(Itália, Udinese (emprestado ao SPAL 2013))

A carreira italiana apenas terminou na final graças a um nome: Alex Meret. O keeper italiano esteve em grande nível do inicio ao fim da competição, evidenciando uma capacidade de presença (à qual o seu 1.90m não é alheio) e uns reflexos dignos dos maiores elogios. Ficam sobretudo na retina as quatro defesas de grande categoria diante dos alemães na primeira jornada ou a forma como foi evitando e/ou adiando o golo francês na final. Méritos de um guarda-redes que demonstra uma serenidade e uma qualidade no posicionamento positivamente anormais para a sua idade. E que lhe valeram, justamente, o prémio de melhor guarda-redes do torneio.

Com o seu passe sendo pertença da Udinese, Meret encontra-se emprestado, esta época, ao SPAL 2013, da Serie B, onde tem sido titular com regularidade – leva já 9 jogos e 14 golos sofridos. Já foi chamado à selecção U21, não se tendo ainda estreado. Mas com a camisola da squadra azurra esteve presente no estágio de preparação para o Euro 2016, fazendo companhia a Buffon, Sirigu e Marchetti. Com ‘Gigi’ Buffon a caminho do ocaso da carreira e com Donnarumma nas bocas do mundo, Meret merece, no entanto, todos os enfoques de destaque – confirmando o seu tremendo potencial, tem tudo para ser mais uma das estrelas italianas entre os postes, honrando um legado imensamente respeitável.

fgc-it
(Foto: fgc.it)
spalferrara-it
(Foto: spalferrara.it)

Ludovic Blas

(França, Guingamp)

Médio centro de origem, Blas não começou o Europeu como titular. Mas assim que assomou ao terreno de jogo, o impacto no jogo gaulês foi tremendo ao ponto de se tornar numa das mais cintilantes figuras da nação vencedora. Acabou por actuar sempre pela meia direita ofensiva, muitas vezes próximo da ala. No entanto, sendo o esquerdo o seu melhor pé, a sua natural intuição passou por procurar terrenos interiores. Foi evidente a sua tremenda capacidade de desequilíbrio no 1×1, com grande imprevisibilidade, agilidade e velocidade, saindo facilmente do drible para o remate. Perspicácia e capacidade de decisão para fazer o passe mortal/assistência foram também outras das suas trademarks. Tecnicamente soberbo (recepção e drible acima da média), ainda apareceu em zona de finalização, acabando por somar 2 golos e duas assistências no torneio.

Produto das escolas do Guingamp (onde despontaram Drogba ou Malouda), o prodígio francês que fará 19 anos no último dia de 2016 estreou-se na equipa sénior do emblema gaulês em Dezembro de 2015. Mas tem sido esta época que tem visto o seu estatuto solidificar-se – a jogar mais pelos corredores (cujos intérpretes tendem a procurar terrenos interiores) ou deliberadamente pelo meio, é um dos responsáveis pelo tremendo arranque de época do Guingamp (5º lugar, neste momento), levando já 13 jogos (e uma assistência) na sua contabilidade, ora como titular ora como suplente utilizado.

lequipe-fr
(Foto: lequipe.fr)
ouest-france-fr
(Foto: ouest-france.fr)

Benjamin Henrichs

(Alemanha, Bayer Leverkusen)

Se a Alemanha desiludiu, Henrichs tratou de confirmar todas as expectativas que sobre ele recaíam. Um médio de alma cheia, que, a jogar no duplo pivot defensivo, demonstrou uma capacidade notável de se desamarrar desta linha e de facilmente fazer a diferença em condução. E sempre com critério na decisão e com uma capacidade técnica acima do comum – dribla, passa e aparece na frente para rematar (com ambos os pés). Em suma, um box-to-box potente, com grande agilidade e disponibilidade física.

Porém, em Leverkusen, parecem ter planos díspares para este craque de 1.83m. Se já em 2015/16 havia sido aposta pontual para as laterais do Bayer, 2016/17 tem sido a época de confirmação do médio hoje derivado para o lado direito (ou esquerdo, como esta semana em Moscovo) da defesa dos donos da Bay Arena. Henrichs é, hoje, o lateral direito indiscutível da equipa, somando já 17 jogos esta época (e duas assistências). Fruto da sua inteligência, capacidade de entendimento e critério na decisão, a adaptação tem sido um autêntico sucesso. Prova disso? A chamada à Mannschaft promovida por Joachim Low. Se parecia uma promessa no miolo do terreno, encara-se como uma certeza nas bandas laterais.

wdr-de
(Foto: wdr.de)
dfb-de
(Foto: dfb.de)

Kylian Mbappé

(França, Mónaco)

O mais jovem elemento desta lista foi um dos maiores destaques da turma francesa que venceu, com categoria, a competição. Técnica apurada, velocidade vertiginosa acompanhada de passada larga (e mudança de velocidade associada), apetência para aparecer na zona de finalização em momento oportuno e faro pelo golo foram os cartões de visita assinados por Mbappé. O jovem de 17 anos surgiu, invariavelmente, a partir da esquerda para o meio, em condução acelerada, e procurando o pé direito para serpentear – movimento característico que já levou a comparações com Thierry Henry. Os 5 golos em 5 jogos (melhor só o seu companheiro de equipa, Augustin, do PSG, que marcou 6) foram tão-só a cereja no topo de uma performance notável.

A estreia a nível sénior pelo Mónaco já havia acontecido em Dezembro de 2015 mas foi o Euro sub-19 que o catapultou como uma das figuras mais interessantes do futebol jovem internacional. Começou 2016/17 de forma tímida (também devido a uma lesão) mas tem ganho preponderância nas últimas semanas no conjunto monegasco. No 442 pensado por Leonardo Jardim, Mbappé ora é utilizado pelo corredor esquerdo ora ocupa o espaço central do ataque, sendo o elemento mais móvel e liberto nas movimentações da dupla atacante. Até ao momento soma 2 golos e 4 assistências em 9 partidas.

uefa-com
(Foto: uefa.com)
foot01-com
(Foto: foot01.com)

Amine Harit

(França, Nantes)

O meio-campo ofensivo gaulês não viveu só da capacidade de desequilíbrio e invenção de Blas. Ao seu lado, e pela zona central, Amine Harit emergiu como peça fundamental, (pr)eenchendo o sector intermédio, pedindo e conduzindo. De fino recorte técnico, evidenciou pormenores glamourosos ao nível do passe e demonstrou plena capacidade para gerir e controlar os ritmos de jogo. Em espaços mais curtos, o seu toque de criatividade foi determinante para a França fazer chegar com tanta assiduidade a bola a zonas de finalização.

O Nantes apostou em René Girard para 2016/2017 e o calejado técnico gaulês fez de Harit um dos seus cavalos de batalha – o jovem médio tem sido indiscutível na equipa do histórico clube francês, levando já 14 jogos e mais de 1000 minutos somados! O conjunto de Girard não tem ainda estabelecido um padrão táctico e Harit acaba por ser ‘vitima’ disso mesmo. É que, mais próximo do 433 ou do 442 (com variantes plásticas na dinâmica de jogo), o centro-campista de 19 anos já actuou pela esquerda, pelo centro (mais adiantado ou mais recuado) e pela direita. Tudo somado, o seu carácter versátil tem ajudado a consolidar o seu estatuto de indispensável.

parisfans-fr
(Foto: parisfans.fr)
butfootballclub-fr
(Foto: butfootballclub.fr)

Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS