Arquivo de Grimaldo - Fair Play

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Pedro NunesMarço 4, 20175min0

Poder apresentar um onze diferente todos os jogos parece boa ideia. Ter um excelente plantel e ser obrigado a isso por causa das lesões, já não parece tão divertido. No entanto, este tem sido o dia-a-dia de Rui Vitória esta época no Benfica.

Como é sabido, os principais dinamizadores da época do Benfica têm sido o osteófito do astrálago direito de Jonas, a parede abdominal de Grimaldo e as tibiotársicas de jogadores como Samaris e Fejsa. Todos os dias é um desafio novo. São estes conjuntos de músculos, ossos e articulações que têm enriquecido o currículo do departamento médico do clube, sempre empenhados na busca pela cura de cada maleita.

Ora vejamos. Se Jonas e Mitroglou tivessem conseguido fazer dupla em todos os jogos e marcassem um hat-trick cada um em todos eles, isso seria um desastre para o clube. Jimenez, o substituto natural dos dois avançados, seria um fardo de 22M€ sentado no banco, que não rendia. Já correriam notícias que o mexicano estaria insatisfeito e ninguém ia saber como contornar a situação. Mais. Gonçalo Guedes, ao invés de estar em Paris e de ter deixado cá 30M€, estaria neste momento a jogar contra o Cova da Piedade e o Freamunde para não perder ritmo de competição.

Este plantel, à primeira vista um dos melhores da memória recente do Benfica, acaba por ser curto em certas ocasiões. Manter o nível exibicional da equipa tendo de fazer alterações na equipa todos os jogos, não deve ser tarefa fácil. Tem sido muito isto o caminho de Rui Vitória ao leme do clube, acabando por o grande mérito do técnico ribatejano. A máquina parece estar tão bem oleada que passa a ideia que até funcionava caso o técnico colocasse a mulher e filha a jogar como dupla de centrais.

Foto: RR

Um bom exemplo deste tipo de adaptações ocorreu em S. Petersburgo. Quando o Benfica jogou contra o Zenit, para a Liga dos Campeões, Rui Vitória não teve outro remédio que não baixar Samaris a central, face às opções que tinha disponíveis. Apesar disso o nível manteve-se, o Benfica venceu, e o grego acabou por fazer um dos melhores jogos de águia ao peito. A equipa acabou por não se ressentir das ausências.

Já este ano, o Benfica já foi obrigado a substituir vários insubstituíveis – pelo menos enquanto eram assim denominados. Jonas, Ederson e Fejsa estão no topo destes exemplos. Gonçalo Guedes foi o que melhor foi aproveitando as oportunidades dadas e, em crescendo, foi colecionando boas exibições, fazendo esquecer a lesão de Jonas. Ederson tem Júlio César no banco para substituí-lo, sempre que o seu joelho o tramar. No meio campo, quando não há Fejsa a situação remenda-se com Samaris.

Foto: maisfutebol

Até Rafa, mal chegou, adaptou-se rapidamente ao clube, saindo lesionado na estreia. A coxa direita do extremo deu o alerta no primeiro jogo de águia ao peito. Nesse jogo, contra o Arouca, a dupla de atacantes foi formada por ele e por Gonçalo Guedes. Note-se os exercícios de imaginação que Rui Vitória tem de fazer de vez em quando. Acabam por ser uma excelente forma de alimentar o cérebro.

Todas estas maleitas já vêm do ano passado e parecem ser sempre por azar – o que é muito estranho. Há os que dizem que é azar e há os que acreditam em coincidências. Os próprios funcionários deste departamento do clube deverão ter de ir ao médico pois já devem estar estafados de tanto trabalho. Até eles precisarão de férias neste momento. Acompanhar evolução dos jogadores que precisam de ser tratados, tratar dos que estão bem como prevenção e elaborar boletins clínicos – que são coisas que ainda custam a escrever – custa a qualquer génio da medicina.

Agora chegou um novo nome para dirigir este departamento das águias. Desde a saída de João Paulo Almeida, em Setembro, que o trabalho na enfermaria aumentou exponencialmente. O ex-Barcelona, Lluis Til Pérez, assinou há dias para tomar conta deste sector – de longe o mais debilitado das águias. Apesar de tudo isto, não tem sido este o facto que tem tirado competitividade ao Benfica, que continua em primeiro, luta pela Taça e joga a Champions. Sempre com dois jogadores no onze inicial de braço ao peito. No fim de contas, podemos dizer que está de boa saúde.

Foto: A Bola
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Nélson SilvaSetembro 28, 20166min0

Atribulado, nem sempre convincente, mas eficaz – assim tem sido o início de época dos encarnados. O Benfica segue embalado pelos bons resultados ao passo que as enchentes de adeptos se demonstram também determinantes para empurrar a equipa rumo às vitórias. De Rui Vitória, chega um novo leque de apostas para colmatar as ausências e, como sempre, há surpresas boas e outras que tardam a encher o olho.

Sem Renato Sanches e Gaitán no plantel, aliado a uma praga de lesões que afetou vários titulares, o técnico encarnado viu-se obrigado a encontrar soluções, algumas internas, outras adquiridas no mercado. Das más experiências salta à vista as apostas no miolo, na tentativa de garantir um suplente à altura do preponderante médio defensivo Fejsa. Samaris continua a deixar muito a desejar, está longe de conseguir “lavrar o terreno” que o sérvio lavra sempre que joga, para além de que o grego acumula imensos passes errados quando chamado ao onze. Da América do Sul chegou Celis, desviado da rota do Braga, passou de incógnita a fracasso nos poucos momentos que se apresentou em campo. Demasiado impetuoso, agressivo, arrisca o drible em zona proibida. Culminou o mau início de temporada sendo o responsável por conceder, de forma imprudente, o livre que deu no golo do empate do Besiktas para a Liga dos Campeões, já ao cair do pano. O que mais deixa frustrados os adeptos é o facto de Rui Vitória ter inscrito Celis na liga milionária, em detrimento de Danilo Barbosa, que chegou do Valência com rótulo de craque.

Ainda assim, há muito mais e melhor para contar acerca das novidades do experimentado onze encarnado. Desde reforços do mercado internacional a novas caras da formação do Seixal, certo é que as águias possuem já vários atletas para potenciar e continuar a encher os cofres da Luz.

O pequeno adepto à solta em campo

Sangue novo, bem encarnado, talento e muita mestria, a fazer lembrar o mito encarnado Rui Costa. A classe passa-lhe dos relvados para os pavilhões da Luz, onde é adepto assíduo das modalidades, numa mostra da sua dedicação ao clube, na representação máxima daquilo que é um adepto conseguir chegar ao sonho de vestir o “manto sagrado”. André Horta não dececionou, deu o grande salto para o tricampeão nacional e desde logo agarrou a titularidade. O novo diamante em bruto do Seixal traz características distintas de Renato Sanches, mas ninguém se pode queixar de falta de intensidade. A envergadura está longe de ser a mesma, mas a entrega está lá, há qualidade acrescentada no capítulo defensivo e ainda no passe, para além de um tão ou mais delicioso drible, que já lhe valeu um belo golo de estreia. Dono e senhor do lugar, o nº 8 encarnado saltou diretamente para o colo dos adeptos, de onde saíra Renato Sanches.

Foto: MaisFutebol
(Foto: MaisFutebol)

A reafirmação da surpresa

Veloz, “na raça”, tecnicista e o verdadeiro pulmão que se exige a um lateral. Quem não esqueceu Maxi depois do aparecimento de Nelson Semedo na temporada passada? Foi a grande surpresa do início da época transata, tendo até o reconhecimento de Diego Simeone antes do embate onde os encarnados viriam a bater os “colchoneros”, em pleno Vicente Calderón. Semedo volta a impressionar, principalmente pela qualidade a atacar e pela intensidade que impõe em cada partida. Resta-lhe corrigir algum posicionamento defensivo e não se excitar demasiado na fase de construção ofensiva. As combinações entre toques curtos e a capacidade de dar profundidade do português fazem com que neste momento seja André Almeida a ter que se esforçar para recuperar o lugar. Não restam dúvidas de que, melhorando algumas das suas debilidades, o lateral é mais um dos ativos que mais dinheiro pode fazer entrar nos cofres encarnados.

Foto: ntvsport.net
(Foto: ntvsport.net)

O resgate certeiro à La Masia

Da fornada de ’95, de onde o produto transpira sempre qualidade, Grimaldo foi o escolhido da “cantera blaugrana” para colmatar uma lacuna que ia sendo remendada por Eliseu. O Benfica já “namorava” o menino espanhol há algum tempo. Ele, por sua vez, sentiu que lhe faltaria espaço no plantel principal do Barcelona e aceitou o convite do Benfica para ter mais possibilidades de potenciar o seu talento. Paciente, teve uma primeira época na sombra de Eliseu, dono e senhor do lugar, apesar das deficiências defensivas que lhe eram reconhecidas. Sempre que foi chamado respondeu à altura, aguardou serenamente a sua oportunidade e não a deixou fugir quando Eliseu perdeu a pré-época devido a férias, após a conquista do campeonato europeu por Portugal. Grimaldo é um exemplo perfeito da insistência que é aplicada na formação catalã a nível tático. Toque curto, “toca e vai”, cria desequilíbrios com tabelas entre colegas e ainda demonstra rasgos individuais capazes de desmontar a defesa contrária, à medida que delicia os adeptos. Peca essencialmente por algum desacerto defensivo, para além de alguns momentos em que arrisca demais na saída para o ataque, à semelhança do novo colega da ala contrária. Incontestável é o talento do espanhol, tem confirmado as expectativas e é já cobiçado por grandes emblemas europeus, como é o caso do Manchester City de Guardiola.

Foto: Record
(Foto: Record)

O melhor Tango é tocado com “la zurda”

Trata-se de “só” mais um pé esquerdo (“la zurda”, como dizem os argentinos) a prometer fazer muitos estragos, proveniente da terra do Tango – Argentina. O Benfica parece estar a acertar em cheio na sucessão de extremos esquerdos e neste caso trata-se mesmo da maior esperança formada no Rosario Central, desde o ex-benfiquista Ángel Di Maria. A um ritmo frenético, com um drible curtíssimo e impressionantes rasgos individuais, chegou e logo fez a diferença frente ao Sporting de Braga na Supertaça. A sua aposta por parte de Rui Vitória tem sido intermitente, mas o argentino vai respondendo da melhor maneira sempre que é chamado e até foi o primeiro a marcar pelos encarnados na presente edição da Liga dos Campeões, quando fora adaptado a jogar na frente ao lado de Gonçalo Guedes. Extremos não faltam no plantel encarnado, mas Cervi tratou de corresponder e depressa, justificando que é uma mais-valia a manter e evoluir no futuro.

Foto: pbs.twimg.com
(Foto: pbs.twimg.com)

São estes os diamantes que mais reluzem, neste momento, a Rui Vitória. Contudo, espera-se o aparecimento de outros jogadores que o técnico procura evoluir, como é o caso de Zivkovic, Danilo Barbosa e os já conhecidos André Carrillo e Rafa. Assim que terminada a onda de lesões no plantel encarnado, serão mais do que boas as dores de cabeça do treinador encarnado, que continua a surpreender pelos resultados positivos e potencialização de ativos no plantel.


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