Arquivo de Estoril Open; - Fair Play

tsitsipas.jpg?fit=770%2C433&ssl=1
André Dias PereiraMaio 7, 20192min0

Em 2008, Stefanos Tsitsipas assistia à vitória de Roger Federer no Estoril. O menino, de então 9 anos de idade, sonhava poder ali estar. Este domingo, o sonho cumpriu-se.

Depois de ter sido eliminado na época passada para João Sousa, nas meias-finais, desta vez o grego confirmou o favoritismo que lhe era atribuído e sucede ao português como campeão do Estoril Open. Foi o seu terceiro título da carreira, o segundo este ano.

O número 10 do mundo venceu outro ídolo na final. Pablo Cuevas, por 6-3 e 7-6. Cuevas, diga-se, até nem era para chegado tão longe. O uruguaio foi afastado na última ronda de qualificação, beneficiando de desistências no quadro principal. Esta foi, de resto, a 10ª vez nos últimos 20 anos que um lucky looser chega a uma final de torneio ATP. “Foi uma semana especial. Não é todos os dias que se perde na qualificação e se atinge a final”, admitiu Cuevas, 33 anos.

A surpresa espanhola

Para atingir a final, Tsitsipas deixou para trás Guido Andreozzi, o português João Domingues e David Goffin. O belga, 23º do mundo, era outro candidato à vitória em Portugal. E deixou para trás nada menos que João Sousa, campeão em título. O vimarenense perdeu por 6-3 e 6-2. “Perder em casa é duro. O David mostrou porque já foi top-10”, declarou o tenista luso. De resto, no histórico entre os dois tenistas, Goffin já venceu Sousa por 5 vezes, enquanto o luso o conseguiu apenas uma vez.

Quem também desiludiu foi Gael Monfils e Frances Tiafoe. O norte americano, finalista vencido o ano passado, caiu perante Pablo Cuevas (6-2, 7-5), nos quartos de final. Já o francês, um dos primeiros nomes confirmados no torneio, perdeu para Alejandro Davidovich Fokina. O espanhol, 127 do mundo, foi a grande surpresa da edição deste ano do Estoril Open, que reuniu perto de 40 mil espectadores ao longo da semana. Mais 8 mil em relação ao ano passado.

Fokina foi avançando na prova até à surpreendente meia-final, onde perdeu para Cuevas (6-0, 6-7 e 7-2).

Tsitsipas, com o público a favor, acabou por ser um importante vencedor para o torneio. O facto de ter 20 anos acaba por simbolizar o que o Estoril Open pretende ser. Um torneio que apresente os valores emergentes do ténis. O grego é, contudo, já uma certeza. E também um dos mais acarinhados pelo público português, conforme se viu esta semana. De resto, o grego acabou por trocar algumas bolas na Boca do Inferno, em Cascais, e ainda deixou a sugestão no ar de comprar uma casa em Portugal. Um sinal de que poderá ter vontade regressar nas próximas edições? Os fãs agradecem.

JoaoSousaEstorilOpen2.jpg?fit=670%2C423&ssl=1
André Dias PereiraMaio 7, 20183min0

Já não é um sonho. É realidade. João Sousa tornou-se este domingo o primeiro português a conquistar o Estoril Open. De joelhos, na terra batida do Estoril, as lágrimas não escondiam a emoção. À quarta tentativa o vimarenense consolidou a condição de melhor tenista português de sempre e garantiu um mais um lugar na história do ténis luso.

Frente ao norte-americano Frances Tiafou, o “Conquistador” esteve absolutamente imparável, vencendo por duplo 6-4. Sousa virou a página que faltava no ténis luso, depois de Frederico Gil ter atingido a final em 2010.

Embalado pelo público, Sousa foi-se superando a si e a cada adversário ao longo da semana. Primeiro, com Daniil Medvedev (7-6 e 7-5). O triunfo quebrou a maldição que assombrava o português, que pela primeira vez conseguiu chegar à segunda eliminatória. Aí encontrou o amigo Pedro Sousa, que na ronda anterior havia elimado Gilles Simon (6-3, 4-6 e 7-6). João Sousa, 29 anos, voltou a ser mais forte, num jogo bem equilibrado: 4-6, 7-6 e 7-5.

O clique, talvez, se tenha dado nos quartos-de-final com Kyle Edmund, que por estes dias é número 1 britânico. Semi-finalista do Australian Open e finalista vencido de Marraquexe, Edmund era terceiro cabeça de série. Mas, outra vez, Sousa foi melhor: 6-3, 2-6 e 7-6. Kyle Edmund acabaria por vencer o torneio na vertente de pares, juntamente com Cameron Norrie.

Depois de Kyle Edmund, o céu foi o limite

A partir daqui o céu pareceu o limite. Nas meias-finais, o luso encontrou pela frente “El Greco” Stefanos Tsitsipas. O grego, 19 anos de idade, é um dos mais proeminentes jogadores do circuito. Depois de ter peridido a final de Monte Carlo para Rafa Nadal, Tsitsipas mostrou grande força mental e física, deixando para trás o primeiro cabeça de série, Kevin Anderson: 6-7, 6-3 e 6-3. João Sousa fez valer a sua maior experiência e consistência para vencer por 6-4, 1-6 e 7-6. Na bancada, Marcelo Rebelo de Sousa aplaudia a campanha do vimarenense, acabando por ir ao balneário felicitá-lo já após a final.

Frances Tiafoe, vencedor de Delray Beach, começou por vencer o compatriota Tennys Sandgren (3-6, 7-6 e 7-6). Seguiram-se Gilles Muller (6-4 e 7-5) e Simone Bolelli (7-5 e 6-2). Nas meias-finais o norte-americano eliminou com relativa facilidade o campeão de 2017, Pablo Carreño Busta (6-2 e 6-3).

A superioridade de João Sousa na final foi testemunhada por mais de 3 mil espectadores que esgotaram o court do Estoril e entoraram o hino nacional.

Mais do que uma vitória portuguesa, foi a vitória de um símbolo do Estoril Open. Sousa é um dos rostos da prova e, como disse o director João Zilhão na antevisão do torneio, “ninguém mais do que ele a quer vencer”.

Vencer em casa teve, assim, mais encanto. Um encanto aplaudido de pé e com direito a lágriamas. Sousa soma agora três torneios ATP: Kuala Lumpur (2013), Valência (2015) e Estoril (2018).

 

A vitória inédita de João Sousa

Estoril-Open.jpg?fit=1000%2C538&ssl=1
André Dias PereiraAbril 25, 20184min0

Arranca este sábado, dia 28, mais uma edição do Estoril Open, onde o top-10 mundial, representado por Kevin Anderson, o melhor do ténis português, representado por João Sousa, entre outros, e a Next Gen, com Kyle Edmund à cabeça, tornam o ténis, em arte.

portugal-confidential.jpg?fit=750%2C500&ssl=1
André Dias PereiraAbril 30, 20175min0

Está à porta mais uma edição do Estoril Open, uma competição que aposta em talentos do amanhã, como Kyle Edmund, 22 anos, mas também nomes afirmados, como Juan Martin Del Potro, Richard Gasquet ou David Ferrer. A partir de segunda-feira e até dia 7, todos buscam a sucessão de Nicolas Almagro. João Sousa e Gastão Elias representam as esperanças lusas, num torneio marcado pelas ausências de Nick Kyrgios e Albert Ramos.

Há dois anos Nick Kyrgios, então com 19, já despertava o interesse na cena do ténis mundial. O seu talento, aliado ao carisma e estilo extravagante e irreverente não passavam despercebidos no circuito mundial. Por essa altura o Estoril Open, antigo Portugal Open, passava por uma fase de reestruturação. O posicionamento do torneio português – o único que integra o circuito mundial – é simples. Captar estrelas proeminentes do circuito mundial, aliando a um naipe de jogadores do top-20 mundial. E o perfil do australiano encaixava como uma luva nas pretensões de João Zilhão, director desportivo do torneio.

De então para cá, Kyrgios não apenas se está a confirmar um nome consistente no circuito, como tem sido como que um embaixador da prova. Ele é a cara do renovado Estoril Open e também por isso a sua ausência à última hora causou um impacto grande.

A edição deste ano do Estoril Open, que arranca esta segunda-feira, dia 1, e prossegue até 7 de Maio, está como que assombrada pela desistência do australiano (devido à morte do seu avô) e do espanhol Albert Ramos, deixando o torneio luso orfão de duas das suas principais figuras. Mas há motivos de interesse de sobra. A começar pela presença de João Sousa, a grande esperança dos portugueses verem pela primeira vez um tenista nacional vencer a principal prova de ténis do país. Sousa, 36 da hierarquia mundial, até atravessa um bom momento de forma depois de ter ajudado Portugal a vencer a Ucrânia e a qualificar a equipa para o play-off de acesso do Grupo Mundial da Taça Davis, no entanto, o Estoril Open tem sido um fantasma a assombrar o luso, onde tem sido eliminado precocemente, como aconteceu em 2016, na segunda ronda diante Nicolas Almagro, que se tornaria campeão do torneio. A melhor participação portuguesa continua a ser a de Frederico Gil, finalista vencido em 2010. Certa é a presença de Gastão Elias, Pedro Sousa e Frederico Silva – tendo estes dois últimos beneficiado de Wild Cards – no quadro principal. É, contudo, muito prematuro colocar as expectativas portuguesas muito altas neste torneio, até porque, garante João Zilhão, director da competição, “este é o melhor cartaz de sempre”.

Dos 28 tenistas, de doze países diferentes, que integram o quadro principal, 19 têm entrada directa, estando as restantes vagas reservadas a quatro jogadores que transitam dos qualifyers, três Wild Cards (Frederico Silva, Pedro Sousa e David Ferrer) e, eventualmente, dois Special Exempts.

Juan Marting Del Potro de regresso a Portugal (Record)

Kyrgios e Carreño Busta, mas não só

Pablo Cerreño Busta (19º e finalista vencido o ano passado) é o representante, este ano, do top-20 mundial. Mas há outros motivos de muito interesse, à cabeça com a participação de Juan Martin Del Potro, vencedor da prova em 2011 e 2012. O argentino, antigo número 4 mundial e actualmente na 34º posição, é um dos tenistas mais populares em Portugal e desde que recuperou das lesões que o atormentaram nos últimos anos tem sido intermitente, escolhendo criteriosamente os torneios em que participa, no sentido de proteger a sua condição física. O ponto mais alto foi a vitória no torneio de Estocolmo (o seu 19º título no circuito), o ano passado, e a Medalha de Prata conquistada nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O regresso da Torre de Tendil vai, por certo, ajudar a dar visibilidade internacional à prova. Essa é, pelo menos, a expectativa de João Zilhão, que confirmou ter levado seis meses de negociações para trazer novamente o argentino a Portugal.

Mas há ainda o franceses Richard Gasquet (22º e vencedor em 2015) e Benoit Paire (40º), os espanhóis David Ferrer (32º do ranking mundial), Nicolas Almagro (57º e vencedor o ano passado) e Tommy Robredo (57º, ranking protegido) e os argentinos Carlos Berlocq (66º e vencedor em 2014) e Juan Mónaco. O uzbeque Denis Istomin (72º) e o proeminente Kyle Edmund (45º) são outros jogadores a seguir de perto nesta prova.

O britânico, 22 anos de idade, nascido em África do Sul, é jogador que procura confirmar no Estoril o talento que se lhe reconhece. Campeão juvenil de duplas de Wimbledon, em 2012, e Roland Garros, em 2013, saltou para a ribalta em 2015 quando ajudou a Grã Bertanha a vencer a Bélgica, representada por David Goffin, então número 16 do mundo. À procura ainda do primeiro título ATP, o tenista é outro representante da nova geração, como aconteceu o ano passado também com Borna Coric. Este ano vai tentar fazer melhor do que a segunda ronda alcançada no Estoril em 2016. Com um bom jogo de serviço, procura ainda evoluir em outras componentes de jogo, e é altamente improvável que figure como um finalista, ainda que seja olhado como um súbdito de Andy Murray.

As primeiras bolas começarão a ser jogadas esta segunda-feira, com uma qualificação que contará com cinco jogadores do top-100. Com um perfil perfeitamente definido, o Estoril Open quer não apenas reforçar a condição de grande competição nacional mas também ganhar crédito além-fronteiras. O espectáculo vai começar, por isso façam as vossas apostas.


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS