Arquivo de ATP - Fair Play

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André Dias PereiraMaio 22, 20201min0

Apesar das incertezas que envolvem a temporada de ténis, Roberto Bautista Agut mantém o foco. O tenista espanhol, 31 anos, não perdeu as esperanças de se qualificar para o ATP Finals. A acontecer seria a primeira vez em sua carreira. Ao ATP Tour, Agut reconheceu que pretende jogar o torneio que reúne os 8 melhores do ano, antes do final da carreira. “Se for este ano, tanto melhor”, afirmou.

O tenista espanhol afirma também que esse objetivo não é uma obsessão. Nos últimos anos tem estado perto. Atualmente em 12 do ranking mundial, Agut diz que tem trabalhado em casa e “os possíveis para se manter a forma para o mais alto nível”.

O início do ano para o Roberto Bautista Agut foi promissor. Venceu 6 partidas individuais, por Espanha, na ATP Cup. Depois, seguiu-se o terceiro ronda no Australian Open, onde caiu perante Marin Cilic.

Ao todo, o espanhol soma 9 títulos, o último dos quais em 2019, em Doha. Recorde-se que em Novembro, Agut venceu 11 vitórias seguidas contra jogadores do top-10. Foi, aliás, em novembro que atingiu o nono lugar do ranking ATP, o seu melhor registo da carreira.

Por enquanto, a ATP espera que o circuito regresse em agosto. Apesar de Wimbledon estar cancelado,  US Open e Roland Garros ainda se mantêm agendados. O ATP Finals tem data marcada para o período entre 12 e 22 de novembro, em Londres. Tudo indica, porém, que deverá ser adiado.

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André Dias PereiraMaio 17, 20202min0

A suspensão do calendário de ténis foi prolongada até 31 de julho. Sem surpresa, aliás. A medida assumida pela ATP, WTA e ITF vinha ganhando força nas últimas semanas. Quer isto dizer que a paragem devido ao COVID-19 se prolonga mais 15 dias em relação à expetativa inicial.

Com isto, são afetados os torneios de Hamburgo (ATP 500) e os de Bastad (Suécia), Newport (EUA), Los Cabos (México), Gstaad (Suíça), Umag, Atlanta (EUA) e Kitzbuhel ([Austria), todos de categoria 250. No quadro feminino, as provas de Bastad, Lausanne (Suíça), Bucareste (Romênia) e Jurmala (Letónia), não vão acontecer, bem como os torneios da ITF.

Por enquanto, todos os torneios que acontecem a partir de 1 de agosto mantêm-se, entre eles o US Open. Certo é que em meados de Junho deve haver uma nova atualização. As entidades que regulam o ténis dizem que vão continuar a acompanhar de perto a situação.

Entretanto, recorde-se, os pontos e classificações dos torneios encontram-se congelados. Para já, a temporada de relva foi suspensa, com Wimbledon à cabeça. Uma decisão histórica que só encontra paralelo durante as guerras mundiais. No resto, Roland Garros deverá acontecer após o US Open.

Tal como nos outros desportos e sectores de atividade, este é um desafio à solidez do negócio em redor do ténis. A ATP tem procurado tranquilizar toda a gente, referido que o sistema é sólido e capaz de estar um ano parado. Mas não muito mais. Certo é que só após o regresso do ténis se poderá ter uma ideia mais exata. Até porque é necessário entender como o mundo vai funcionar após pandemia. Muito provavelmente haverá novas regras para assistir e jogar, como já acontece no futebol.

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André Dias PereiraAbril 28, 20202min0

A ideia foi proposta por Roger Federer. ¨Eu sou o único pensando que agora é o momento para que o tênis masculino e feminino se torne um só?¨ A questão feita via Twitter causou impacto. O que está em causa não é criar torneios mistos mas sim fundir as Associações. Ou seja, transformar a Associação de Tenistas Profissionais (ATP) e a Associação de Tênis Feminina (WTA) em apenas uma entidade administrativa.

Federer não está sozinho. Billie Jean King, ex-tenista, afirmou que sempre sonhou a união do circuito. Aliás, esse era o plano principal antes de criar a associação. A ideia do suíço não surgiu de um dia para o outro. De acordo com Stan Wawrinka e Vasek Popisil o cenário é discutido desde, pelo menos, desde o início do ano. Nick Kyrgios, mostra-se receptivo, embora considere importante que seja debatido pela maioria.

Mas o que poderia impedir esta fusão? Acima de tudo, patrocínios e premiações. Não é de hoje que se discute a equiparação de premiações entre os quadros masculino e feminino. Apesar de desde 2007 os valores nos Grand Slam estarem equivalentes, nos torneios menores não é bem assim. Os homens faturam muito mais que as mulheres.

Outra diferença está no número de sets jogados. No quadro masculino pode jogar-se até à melhor de cinco. No quadro feminino joga-se à melhor de três. E aí pode entrar o mercado televisivo. Há quem sugira que a tendência é jogar-se à melhor de três, mas torneios clássicos, como Wimbledon, são resistentes a mudanças desse tipo.

A unificação das associações representaria unificar, pelo menos, alguns torneios. E isso, por certo, daria mais visibilidade à competição feminina. A barreira, nesse caso, é os torneios terem estrutura para receber tantos atletas. Por outro lado, isso condicionaria a expansão da competição no mundo.

É preciso também pensar em competições de seleções, como a ATP Cup. À semelhança do que acontece na Hopman Cup, os países teriam mais oportunidades de desenvolver equipas femininas.

De uma forma ou de outra, o debate está em aberto. Em tempo de Covid-19 todos os cenários estão em aberto. Quem sabe, pode até antecipar decisões.

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André Dias PereiraDezembro 3, 20182min0

Marco Cecchinato, diz o próprio, sempre quis ser famoso. E há um ano o seu nome era pouco mais que desconhecido no circuito mundial. O ano de 2018 tornou-o em uma das principais surpresas e reconhecido em quase todo o lado. Aos 26 anos, o italiano conseguiu galgar mais de 40 posições no ranking e fecha a temporada como 20 mundial. “Fora do court mudou muita coisa. Agora as pessoas reconhecem-me no aeroporto, em bares ou restaurantes”, disse o italiano.

O seu sucesso assentou em dois títulos, os primeiros na carreira, mas não só. Ao afastar Novak Djokovic em Roland Garros, Cecchinato atingiu pela primeira vez as meias-finais de um Major. Ali acabaria por perder para Dominic Thiem. Apesar disso, terminaria o torneio francês como 27º mundial. Um registo impressionante se considerarmos que começou a prova como 72º da hierarquia mundial.

Nascido em Palermo, Cecchinato tornou-se profissional em 2010. E só em 2015, no US Open, fez a sua estreia em Grand Slam. No ano seguinte experimentou a sua maior adversidade. Foi suspenso 18 meses pela Federação Italiana de Ténis e obrigado a pagar uma multa de 40 mil euros por apostas e resultados combinados. Cecchinato recorreu da decisão e acabou por lhe ser dada razão.

Já este ano, em Budapeste, conquistou o seu primeiro título. O italiano levou a melhor sobre John Millman por 7-5 e 6-4. Diga-se, contudo, que Cecchinato havia integrou o quadro principal após repescagem. Com isso, tornou-se o nono jogador a conquistar o título nessa condição. “Perdi no domingo, mas consegui conquistar o título. Tavez seja um sonho”, disse na altura.

Mais tarde, Cecchinato voltaria a conquistar um segundo troféu. Em Umag. O italiano apresentou-se como terceiro cabeça de série. Em 1h32 conseguiu levar a melhor sobre Guido Pella: 6-2 e 7-6.

Mais do que um tenista de terra batida

Aos 26 anos o italiano encontra-se na melhor fase da carreira. Para manter, ou até mesmo subir o seu nível, serão necessários mais jogos com adversários top-20 e top-10. Contra Thiem, em Roland Garros, mostrou bons argumentos, jogando de igual para igual em muitos momentos do jogo. Apesar de ter sido a grande sensação em Roland Garros deste ano, Cecchinato garante que pode jogar bem em todas as superfícies. As meias-finais em Eastbourne ou a terceira ronda em Shangai mostram que não se trata apenas de um jogador de terra batida.

De resto, Cecchinato estava entre os nomeados para o prémio de jogador que mais melhorou em 2018. O prémio acabaria por ir para o grego Stefanos Tsitsipas.

O italiano vai agora preparar a nova época em Alicante, Espanha. Será, pois, um nome a acompanhar no início de 2019.

Marco Cecchinato venceu em Bucareste o seu primeiro título ATP

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André Dias PereiraAbril 7, 20175min0

Os anos passam, os jogadores também, mas as finais entre Roger Federer e Rafael Nadal continuam a ser as mais esperadas. A rivalidade entre os dois tenistas tem apaixonado, ao longo da última década, não apenas os amantes do ténis, como do desporto no geral, elevando o patamar da modalidade a outro nível. No domingo, os dois jogadores disputaram o 37º jogo entre ambos e mostraram porque, mesmo trintões, estão na restrita galeria dos maiores tenistas e desportistas de todos os tempos.

Palmas, palmas, palmas! Roger Federer e Rafael Nadal voltaram a fazê-lo. Tem sido quase sempre assim ao longo dos últimos 12 anos. Sempre que o suíço e o espanhol se encontram, as bancadas dividem-se entre aficionados de um e de outro. O mundo pára em suspense. Adeptos de todos os desportos reúnem-se em volta da televisão. É a rivalidade Fedal! 

Tal como Muhammed Ali e Joe Frazier, Larry Bird e Magic Johnson, John McEnroe e Bjorn Borg ou Ayrton Senna e Alan Prost, a rivalidade entre o suíço Roger Federer e o espanhol Rafael Nadal há muito que ultrapassou a fronteira da modalidade.

Simplesmente, não é possível falar de um sem referir o outro. Os dois funcionam como Nêmesis um do outro e dificilmente poderiam atingir o nível que se lhes conhece se o outro não existisse ou não fosse seu contemporâneo. Ao longo dos últimos 12 anos, foram vários os jogos, jogadas e momentos inolvidáveis, que ajudaram a construir a lenda e a projectar ainda mais o ténis. Finais como a de Wimbledon, em 2008, em que o espanhol venceu pela primeira vez o mítico torneio britânico, colocando ponto final no reinado de Federer, ao fim de 4h48, ou as lágrimas derramadas por Federer após perder também para o espanhol, em 2009, a final do Australian Open, tornaram-se icónicas.

Mas, por esta altura, estávamos no final da década de 2000 e os dois jogadores digladiavam-se pela liderança do ranking mundial, com Novak Djokovic em crescendo e à espreita da sua oportunidade. Federer estava com 29 anos e 14 Grand Slam e Nadal jogava no seu auge, com 24 anos. Hoje, um com 36 anos e outro com 30, a rivalidade mantém-se como uma marca intacta no ténis e no desporto. E, mesmo com o passar dos anos e o surgimento de novos rivais – Djokovic, Murray ou Wawrinka – os dois continuam a mostrar porque estão para durar e entre os maiores da história.

Este ano os dois já disputaram nada menos do que duas finais, sendo que a do Australian Open bateu recordes de audiência pelo mundo fora. Só no canal Eurosport foram quase 21 milhões de espectadores, com o pico de mais de 15 simultaneamente, o maior da história do canal. “Não é surpresa que esta partida de ténis foi a mais assistida em nossas plataformas, pois a rivalidade entre Roger e Rafa é uma das maiores da história do desporto”, declarou Peter Hutton, presidente do Eurosport.

Quem é freguês de quem?

Uma coisa, contudo, parece estar a mudar: o sentido da vitória! Os números não mentem. Em 37 jogos entre ambos, Rafael Nadal continua a manter a sua supremacia sobre o suíço. São ao todo 23 triunfos para El Toro Miura e apenas 14 para o helvético. Contudo, em 2017 Roger Federer tem sido arrasador, jogando a um nível nunca visto para alguém da sua idade. Nos três jogos disputados entre ambos – Indian Wells, Australian Open e Miami – Federer venceu todos. “Estou feliz por estarmos aqui juntos. Foi aqui que a nossa rivalidade começou, quando eras um miúdo. Entretanto, tornaste-te um homem forte. Tivemos grandes batalhas ao longo dos anos. Nessa primeira vez (2005) disse-te que ias ganhar este torneio e ainda acredito que o vás fazer“, disse Federer a Nadal, no domingo, após vencer em Miami por 6-3 e 6-4.

O excelente desempenho dos dois jogadores nesta temporada devolveu-os ao top-5 mundial. O espanhol está no quinto posto e o suíço no terceiro, atrás de Murray e Djokovic.

Tendo em conta o nível que Roger Federer vem apresentando, podemos considerar a hipótese de regressar a número 1 do mundo? É certo, são só três meses de temporada, mas Rafael Nadal acredita que sim: “Se continuar a jogar assim vai ser número um mundial este ano”. No entanto, contra o suíço está o facto de esta temporada não jogar mais até Roland Garros, falhando os demais torneios de terra batida. “Só quero manter-me saudável. Quando estou saudável consigo produzir ténis como este”.

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Nadal jogou cinco finais de Miami, mas nunca venceu (Newdaily.com)

Que início de ano, Nadal…

É duro perder três finais em quatro meses, mas a última vez que o espanhol conseguiu atingir três finais antes do início de temporada na terra batida foi em 2009 quando era número um mundial. Mesmo em total de pontos é preciso recuar até 2014 (2390 pontos) para encontrar um período tão favorável. “Sou o segundo melhor tenista no momento (depois de Federer), preciso ganhar e consolidar esta boa fase”, comentou o espanhol, que quer recuperar, agora, o ceptro de Roland Garros, perdido para Wawrinka.

De resto, nunca antes Nadal tinha perdido quatro jogos seguidos para Federer – finais de Australian Open e Miami, oitavos de final de Indian Wells e final de Basileia, em 2015. O contra-ataque pode, até, dar-se em Paris, onde o espanhol já venceu por nove vezes e onde é recordista de títulos. Quis também o destino que a única vitória de Federer na terra batida de França fosse no ano de 2009, o ano em que Nadal dominava o mundo. Depois de o espanhol ter dobrado a tormenta das lesões e atravessado o seu período mais negro na carreira, será que o destino lhe reservou algum capricho? A resposta é dada entre 28 de Maio e 11 de Junho.

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André Dias PereiraJaneiro 31, 20176min0

Numa final épica entre, muito provavelmente, os dois maiores da história do ténis, Federer aumentou a sua lenda! O suíço e Rafael Nadal podem já não ser os melhores da actualidade, mas são ainda os maiores ícones do circuito! Tão grandes que conseguem ainda chamar audiência para além dos aficionados de ténis! Mas a edição deste ano do Australian Open foi muito mais que uma final entre o suíço e o espanhol! Foi um regresso ao passado recente, que nos lembra que não há idade para o talento e para cumprir sonhos!

Sublime! Histórico! Todos os adjectivos parecem poucos face ao que Roger Federer conseguiu este domingo. Sim, é possível a lenda crescer! Essa parece ser a primeira lição que não apenas o tenista suíço nos ensina, mas também o que a edição deste ano do Australian Open proporcionou aos amantes do ténis e do desporto no geral.

Aos 35 anos, Roger Federer tornou-se no primeiro jogador desde Ken Rosewall, em 1972, a vencer um Grand Slam na era Open. No seu 100º encontro disputado em Melbourne, o helvético ampliou para 18 o número de Majors, aumentando ainda mais o registo mais vitorioso da história do ténis. O triunfo deste domingo foi ainda o quinto do suíço (2004, 2006. 2007, 2010 e 2017)  em Austrália, tornando-se no primeiro tenista a conquistar, pelo menos, cinco títulos em três Grand Slam diferentes (Australian Open, Wimbledon e US Open).

Mais do que os resultados, impressiona o nível que Federer apresenta aos 35 anos de idade. Ainda assim, poucos apostariam numa reedição da final de 2009. Porque o suíço veio de uma lesão de oito meses e porque Nadal tem oscilado muito a sua consistência, sobretudo em pisos que não sejam de terra batida. Mas o mundo dá voltas. Se em 2009, era Federer quem chorava a parecia sucumbir à pressão de conquistar o 15º Major, agora foi a vez de Nadal ser vice-campeão e ficar também às portas de ultrapassar o registo de Pete Sampras.

Federer e Nadal proporcionaram uma final épica, à boa maneira antiga, quando os dois dividiam o domínio dos courts e os títulos de Grand Slam. Com pancadas de excelência técnica, incerteza no resultado e, claro, cinco sets:  6-4, 3-6, 6-1, 3-6 e 6-3. Anunciado como a final de sonho, o duelo entre os dois rivais rebentaram audiências em todo o mundo, provando que ainda hoje são os maiores ícones do ténis. Só na Austrália 4.4 milhões de telespectadores assistiram à final pela televisão.

O ressurgimento dos dois astros coincide também com a quebra de Andy Murray e Novak Djokovic, as duas grandes desilusões do torneio. O britânico, número um mundial, caiu nos oitavos-de-final diante do alemão Mischa Zverev (7-5, 5-7, 6-2 e 6-4), irmão do proeminente Alexandr Zverev. Mais impressionante ainda foi a eliminação de Novak Djokovic perante o uzbeque Denis Istomin (7-6, 5-7, 2-6, 7-6 e 6-4). Desde 2008,  em Wimbledon, que o sérvio perdia tão rapidamente num Grand Slam. Boris Becker, antigo treinador de Nolan, acredita que o ténis não é mais a prioridade do sérvio e que isso se reflecte no seu nível. De resto, é preciso recuar até 2004 para que os dois primeiros do ranking mundial não tenham chegado aos quartos de final de um Major (Roland Garros).

2017, o renascimento de Dimitrov

No sentido inverso, Grigor Dimitrov foi uma das boas notícias do torneio. O búlgaro, de 25 anos, é um dos bons valores da nova geração mas que tem sentido dificuldades em ser consistente. Em Melbourne conseguiu, contudo, repetir o feito de Wimbledon, em 2014, e chegar pela segunda vez às meias-finais de um Grand Slam. Só que Rafael Nadal acabou por ser o último a cair numa batalha de 4.56 horas:  6-3, 5-7, 7-6 (5) 6-7 (4) e 6-4. “É sempre duro perder assim, mas estou feliz com muita coisa”, reconheceu o búlgaro. E tem razões para isso. O início de 2017 tem sido promissor. Em Brisbane conquistou o seu quinto título ATP, o primeiro desde 2014. Os bons resultados não são alheios ao facto de contar com um novo treinador,  Dani Vallverdu, que tem feito uma autêntica revolução na forma como o búlgaro treina e prepara os seus jogos. Dimitrov tornou-se mais agressivo, obrigando, de resto, Nadal a jogar muito mais no fundo do court. A evolução do búlgaro, que nos últimos anos foi muito mais notícia pelo conturbado relacionamento com a ex-namorada Maria Sharapova do que pelo seu ténis, é um dos pontos a acompanhar no circuito durante este ano.

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Foto: ATP

Serena, a maior da Era Open

Se Roger Federer aumentou o seu legado nos masculinos e nos fez lembrar que, mesmo aos 35 anos, é possível alcançar ainda o Olímpo num desporto tão competitivo como o ténis, Serena Williams, aos 36 anos, tornou-se a maior campeã da Era Open, com 23 títulos, deixando para trás a alemã Steffi Graf (22). Mais importante ainda, a mais nova das irmãs Williams regressou ao topo da hierarquia mundial, depois de ter perdido a liderança o ano passado para a alemã Angelique Kerber, eliminada surpreendentemente nos oitavos de final perante a norte-americana Coco Vandeweghe em dois sets (6-2 e 6-3).

A final feminina foi, tal como a masculina, representou um regresso ao passado, com as duas manas Williams, Serena e Venus, a repetirem a final de 2003. Desta vez como então, a vencedora foi a do costume. Serena ganhou à irmã mais velha por duplo 6-4, vencendo o torneio pela sétima vez, igualando Margaret Court, a recordista absoluta de Grand Slam (24).

Roger Federer e Serena Williams. Dois dos maiores nomes da história do ténis voltaram a gravar os seus nomes entre os vencedores do Australian Open. Aos 35 e 36 anos voltam a reescrever a história do ténis provando que o talento não tem idade nem lugar. A prova da sua grandeza não está apenas nos títulos mas, acima de tudo, na grande capacidade de jogo que ainda apresentam. E basta os melhores da actualidade baixarem a guarda, que eles aí estão para desafiar o tempo e o lugar. Porque tal como diamantes, eles também são eternos.

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André Dias PereiraNovembro 29, 20166min0

Talvez mais importante do que qualquer vitória, ou conquista de Grand Slam, a coroação de Andy Murray como número um seja o mais importante feito do escocês, que se tornou no primeiro britânico a chegar à liderança do ranking mundial na era moderna.

Treino. Persistência. Perserverança. Estes são, por certo, três pilares fundamentais para o sucesso de qualquer desportista de topo. Para Andy Murray  não foi diferente. O escocês, cujo talento foi quase sempre olhado com desconfiança por muitos críticos do ténis, precisou de chegar aos 29 anos para se tornar número um do mundo, o primeiro britânico na era moderna a fazê-lo. E é também o segundo tenista mais velho a conquistar essa condição, sendo apenas superado por John Newcombe, em 1974, com 30 anos de idade. Mas ao contrário do tenista australiano, é expectável que o britânico se mantenha por lá mais do que oito semanas. Se vai, ou não, suplantar as 122 completadas por Novak Djokovic parece um cenário difícil de prever, mas que só o tempo o dirá.

“O Andy mostrou uma dedicação incrível e uma determinação muito grande no seu caminho para se tornar número um. É difícil pensar num atleta que mereça mais, já que vivemos numa das eras mais competitivas deste desporto”, admitiu Chris Kermode, presidente do ATP.

Certo é que o ano de 2016 figurará como o mais glorioso da carreira do Britânico – vencedor do Torneio de Wimbledon, do Ouro Olímpico no Rio de Janeiro e, mais recentemente, do Masters Final – e um marco na história recente do ténis Mundial. É preciso recuar até 2003 para encontrar um número um que não fosse Roger Federer, Rafael Nadal ou Novak Djokovic. E esse será, porventura, o maior mérito do escocês. Não sendo o mais talentoso do circuito, conseguiu intrometer-se na elite e, com treino, persistência e preserverança, fez com que, no final, tudo valesse a pena. Para aqui chegar Murray teve que atravessar o caminho das pedras. Derrotas, lesões, e a enorme supremacia do Big-3. Dizem que nada é mais inexorável do que o tempo. E foi com o tempo que Murray foi ganhando o seu espaço e estatuto, alargando o conceito para Big-4. Apesar de contar “apenas” com três Grand Slam, o seleccionador britânico, Miles Maclagan, concorda que Murray “merece estar ao lado de Boris Becker e John McEnroe – tenistas que venceram mais de cinco Grand Slam e que foram também números um. Ele tem três Slams neste momento mas as duas medalhas olímpicas e Taça Davis colocam-no entre os maiores”.

Desde que se tornou profissional em 2005 Murray conquistou 44 títulos, sendo 2016 o ano mais profícuo, com nove no total: Roma, Queens, Wimbledon,  Rio Janeiro (Jogos Olímpicos), Pequim, Shangai, Viena, Paris e ATP Masters Finals.

Murray é hoje certamente um atleta muito diferente daquele que venceu, em 2006, em San José, o seu primeiro título ATP. O seu primeiro Grand Slam chegou em 2012, nos EUA, e teve sequência no ano seguinte, em Wimbledon. Um feito repetido este ano. Murray foi igualmente finalista vencido em Paris, também este ano, mas a sua grande pedra no sapato é Australia, onde já perdeu cinco finais: 2010, 2011, 2013, 2015 e 2016.

A HEGEMONIA E O ARRANQUE DE ANO FULMINANTE DE DJOKOVIC

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Vencedor de Wimbledon, Masters Final e Ouro Olímpico. 2016 coroou Murray.

Foram ao todo 122 semanas no topo da hierarquia mundial. Novak Djokovic, que aproveitou a fase descendente de Roger Federer e Rafael Nadal para cravar a sua hegemonia no ténis, parecia um líder inabalável no início de 2016. Depois de ter conquistado 11 títulos em 2015 (41 entre 2011 e 2015) o sérvio arrancou o ano a vencer em Doha e o primeiro Grand Slam do ano, em Austrália, ganhando essa final precisamente a Andy Murray. Seguiram-se vitórias importantes em Indian Wells, Miami e Madrid, antes de vencer em Paris, naquele que foi, provavelmente, o mais simbólico e emotivo título de Djokovic. Ao ganhar Roland Garros, após perder as finais de 2012, 2014 e 2015, Nolan imortalizou-se no restrito lote de jogadores que completou o Carreer Grand Slam. A vítima foi, outra vez, Andy Murray. Djokovic é, provavelmente, o grande rival do britânico. Em 35 encontros que ambos disputaram o sérvio ganhou 24.

As derrotas para Nolan nas finais de Melbourne e Paris foram um golpe duro para Murray. E é também isso que torna esta conquista algo de especial. Chegar ao final de um ano como este, onde o maior adversário parece mais vigoroso do que nunca, com vitórias retumbantes a meio do percurso, e alcançar, ainda assim, a liderança mundial, só está ao nível que quem coloca diariamente, a cada treino, a cada jogada e em cada jogo, paixão pelo desporto. Murray recompôs-se e Djokovic começou a descer o seu nível, com algumas derrotas surpreendentes. De Junho atá aqui, o sérvio venceu apenas o torneio do Canadá. Murray soube ser consistente, pensou jogo a jogo, torneio a torneio e a janela de oportunidade surgiu. Para isso o escocês tinha que chegar à final do torneio de Paris. A desistência de Milos Raonic, nas meias-finais, foi o necessário. “Nunca pensei chegar a número um do mundo. Têm sido tantos anos de trabalho e tão difíceis devido ao alto nível dos meus adversários”, desabafou Murray, que, semanas mais tarde, defendia a sua nova condição no Masters Final. E, no derradeiro jogo, Murray e Djokovic reencontraram-se como que discutindo quem era o melhor de 2016. Afinal, foram os dois tenistas que mais venceram no ano e o torneio reunia os melhores entre Janeiro e Dezembro. A coroa de rei do ténis estavam também em jogo. E se Djokovic começou melhor 2016, Murray confirmou a tendência de que é o tenista em melhor forma no circuito. Venceu por 2-0 (6-3 e 6-4). O coroa ficara gravada definitivamente na cabeça do escocês.

Tendo em conta os anos e o trabalho que Murray teve para chegar aqui, tendo em conta o seu perfil, não é expectável que o reinado do escocês seja efémero. Andy já tinha feito história ao liderar a vitória na Copa Davis para o Reino Unido, que agora se pode orgulhar também de voltar a ter um número um, o primeiro na Era moderna.

A coroação de Murray é também a coroação do treino, da persistência e preserverança. E é sobretudo a prova de que sem trabalho, o talento de nada serve. Longa vida ao Rei.

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Djokovic e Murray continuarão, em 2017, a discutir o trono do ténis mundial

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