O skateboarding competitivo: origens, regras e manobras

Francisco Sande e CastroSetembro 20, 20215min0

O skateboarding competitivo: origens, regras e manobras

Francisco Sande e CastroSetembro 20, 20215min0
O skateboarding sempre foi um desporto radical popular e em 2021 teve a sua estreia nos Jogos Olímpicos, com Francisco Castro a explicar do que se trata

Nos jogos Olímpicos de Tóquio, o skateboard teve a sua estreia como modalidade olímpica. O comité olímpico viu nesta modalidade, no surf e na escalada, uma oportunidade de cativar o interesse dos mais jovens e a estratégia foi um sucesso, como se comprovou pelo grande influxo de espectadores.

No mundo do skateboarding existe uma grande onda que defende que este não é um desporto de competição e que é impossível comparar ou avaliar o que um skateboarder executa sobre uma tábua de quatro rodas. No entanto, ao longo da sua história, este desporto foi-se separando em diferentes vertentes de maneira a aproximar estilos semelhantes e permitir que assim exista um ambiente competitivo mais claro e justo.

O skateboard está hoje dividido em inúmeras vertentes sendo que existem três que representam a maior parte da competição, o Street, o Park e o Vert. Neste momento apenas o Street e o Park são modalidades olímpicas. No Street, o skatepark (arena para a prática de skateboarding) deve fazer lembrar os obstáculos que os skateboarders encontram na rua tais como escadas, corrimões, bancos, etc. No Park, o skatepark ou bowl deve fazer lembrar uma piscina vazia com paredes curvas (relembrando as origens Californianas), onde os atletas executam manobras no ar e nas suas bordas.

No Vert é utilizado um “half pipe”(em formato de tubo cortado ao meio) de dimensões grandes com parede vertical, que, como curosidade, foi nesta vertente que Tony Hawk competiu e conquistou o estatuto de lenda mundial. Todas estas variantes da modalidade promovem estilos e manobras diferentes fazendo com que se torne praticamente impossível comparar o nível de quem pratica Street com o de quem pratica Park.

As manobras

O que torna o skateboarding tão complicado de avaliar e comparar é a complexidade das manobras executadas. À medida que o skateboarding evoluiu as combinações de manobras foram ficando cada vez mais difíceis de catalogar, no entanto a maioria das manobras podem ser desconstruídas em quatro truques, na rotação e no “stance”(forma de colocar os pés) e devemos ainda acrescentar os grinds (quando se desliza com o skateboard sobre um corrimão ou banco) e grabs (quando se agarra o skate no ar).

Os quatro truques em questão têm todos como origem o primeiro deles, o Ollie, que consiste apenas em saltar com o skate. O Kickflip consiste num Ollie mas onde o skate roda sobre o seu eixo utilizando a ponta do pé enquanto estamos no ar, o Heelflip é semelhante mas o skateboard roda no sentido oposto e utiliza-se o calcanhar para provocar essa rotação e o Shuvit consiste na rotação de 180 graus do skateboard.

Através destes quatro truques podem ser criadas combinações que podem depois ganhar denominações diferentes de maneira a simplificar a sua descrição, um exemplo seria o Lazerflip que consiste na combinação de um Heelflip com um 360 Shuvit. A rotação do skateboarder pode ser de “frontside”(fs) ou “backside”(bs), sendo que frontside é quando o skateboarder fica de frente para onde se está a deslocar e backside é quando fica de costas.

No que toca ao stance tem a ver com a forma como os pés estão colocados no momento da manobra sendo que existe a stance Normal(forma em que nos dá mais jeito), Switch(com os pés trocados), Fakie (forma que dá mais jeito mas a deslocar-se para trás) e Nollie (com os pés trocados e a deslocar-se para trás). No que toca a grabs e grinds tudo se torna bastante mais complexo pela quantidade de manobras diferentes que existem.

A competição

Com a introdução nos jogos Olímpicos o skateboard competitivo cresceu substancialmente, a qualificação para as olimpíadas assenta no ranking mundial e nos resultados do Campeonato de Mundo de Skateboarding e por esse motivo os skateboarders viram-se na necessidade de ser mais regulares nos campeonatos e circuitos mundiais de apuramento.

Na vertente de Street, o apuramento para os Jogos Olímpicos depende do Campeonato Mundial de Skateboarding onde os 3 lugares do pódio têm acesso directo, as restantes vagas são atribuídas através do Ranking Mundial, ranking esse, que é calculado através das prestações em eventos como a SLS, Street League Skateboarding, o Dew Tour e os eventos classificados com 5 estrelas, sendo que cada prova vale um certo número de pontos definido pela World Skate (a autoridade máxima do skateboarding).

No Park o apuramento é semelhante com a qualificação directa de quem fica no pódio no Campeonato do Mundo de Skateboarding e o Ranking Mundial é atribuído em função da prestação em eventos como o Vans Park Series e Dew Tour. No entanto as vagas nos Jogos Olímpicos estão limitadas a três atletas por país em cada uma das vertentes caso contrário países como o Brasil ou Estados Unidos dominariam a participação na prova.

 


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