O “sidestep” do CN1: estreia em Monsanto e trio invencível na frente

Francisco IsaacOutubro 29, 20198min0

O “sidestep” do CN1: estreia em Monsanto e trio invencível na frente

Francisco IsaacOutubro 29, 20198min0
Os Jaguares receberam a Bairrada no seu campo em Monsanto e arrancaram a sua primeira vitória no CN1! O quarteto da frente passou a trio com Évora, Caldas e São Miguel no topo! A análise à 3ª Jornada do CN1

E caiu mais um invencível às mãos de outro que se mantém com essa clean sheet de sem derrotas neste início de campeonato: o Rugby Clube de Santarém foi até ao campo do Clube Rugby de Évora e sofreu uma pesada de derrota por 41-22, num fim-de-semana em que os Jaguares conquistaram a sua primeira vitória no Campeonato Nacional 1 muito às custas da falta de consistência do Bairrada Rugby.

A 3ª jornada do Campeonato Nacional 1 analisado no Fair Play

VALENTES VIMARANENSES DEIXAM O PONTO DE BÓNUS ESCAPAR!

A equipa do Guimarães Rugby Union Football Club teve os 5 pontos na mão, mas acabou por deixar fugir o precioso ponto extra quando permitiu ao Rugby Vila da Moita marcar o 3º ensaio aos 76 minutos, depois de uma fase em equipa da Margem Sul trabalhou com excelência no seu pack de avançados. Foi o primeiro jogo consistente e coeso dos vimaranenses neste arranque de campeonato, com Pedro Piairo a arrancar para mais uma boa exibição (o multifacetado avançado tornou a ser responsável por um carregar de bola de qualidade), para além de Samuel Lemos (continua a crescer e a mostrar-se como um dos centros mais perigosos do campeonato), João Ribeiro e, claro, o Man of the Match Bruno Silva.

O formação marcou dois ensaios, não ficando por aí a sua influência no jogo da equipa comandada por Jeremias Soares, uma vez que foi massacrando a equipa adversária junto aos rucks, explorando constantemente todas as falhas na linha defensiva para sair a jogar, para além de uma leitura de jogo de franca qualidade.

O Guimarães, que tinha somado os seus primeiros 4 pontos na 2ª jornada, consegue assim mais 4 e aproxima-se do grupo da frente mostrando que respira melhor neste Campeonato Nacional 1, focado em garantir a manutenção cedo para depois tentar a surpresa!

BULLDOGS VOLTAM A LIDERAR NO ATAQUE COM ELVAS A DAR BOA RESPOSTA

O CR São Miguel garantiu nova vitória por números latos, mas ainda teve de aguentar praticamente 40 minutos a jogar com 14 homens, com o Rugby Clube de Elvas a mostrar o seu melhor rugby durante a segunda parte. Os elvenses estão claramente em crescendo de forma e espera-se que sejam cada vez mais um obstáculo difícil de ultrapassar no decorrer da temporada. Os bulldogs por seu turno voltaram a fazer experiências no elenco convocado, conseguindo tanto mostrar o seu melhor rugby como lançar novas peças no xadrez de Nuno Damasceno e Paulo Silva, na semana que antecede ao muito antecipado Caldas RC-CR São Miguel.

Com um banco que deu boa resposta na 2ª parte, o formação Gonçalo Miguel (mais de 130 metros conquistados durante o jogo) foi dos principais motores de jogo da formação lisboeta, imperando bem junto ao ruck e no lançamento das unidades de ataque.

André Lemos, um dos vice-capitães do CR São Miguel, prestou declarações no final do encontro,

Jogo intenso com o Elvas que começou melhor do que acabou… como foi encarado por vocês o encontro?

Foi encarado com naturalidade. É um jogo para o campeonato e no São Miguel entramos sempre para ganhar, respeitando sempre o adversário e fazendo os possíveis para marcar o máximo de pontos. Relativamente ao decorrer do encontro, tivemos momentos positivos onde conseguimos transformar em pontos e momentos de alguma descontração onde o Elvas soube aproveitar bem.

Bom arranque de temporada do São Miguel neste CN1… o que mudou do fim da temporada passada para esta época?

Acho que tudo é a resposta mais acertada. Mudou a mentalidade, mudou o modelo de jogo, mudou o empenho e a concentração da equipa, melhoraram as condições de trabalho, mudou o foco.

GLADIADORES DIFERENTES MAS INSUFICIENTE PARA UM CALDAS EFICIENTE

Depois de uma derrota demasiado pesada na 2ª jornada, o Braga Rugby apresentou-se em casa com outra “cara” e fez frente a um dos favoritos ao título, o Caldas Rugby Clube. Jogo mais disputado do que esperado, já que os bracarenses sonharam com o ponto de bónus defensivo até ao último sufoco, oferecendo no entanto o ponto extra ofensivo aos “pelicanos”, que voltaram a ter no eixo Lamboglia-D’Amato um dos segredos para desbloquear a defesa contrária.

O Braga tentou responder pelo médio-de-abertura, Tomás Fontes, montando o 10 uma boa lógica de ataque que foi dando um trabalho considerável à defesa da formação das Caldas da Rainha, conferindo outra velocidade e elegância à forma de jogar dos bracarenses.

Nota importante para a capacidade do bloco de avançados do Caldas RC ter surgido nos momentos cruciais do encontro, apresentando uma fisicalidade total que foi transformada em pontos, destacando-se Bruno Martins neste ponto (o segunda-linha foi sempre duro e eficiente com a bola em seu poder, conquistando precisos metros quando foi chamado a intervir).

ÉVORA AO TOQUE DE COSTA E BORGES  E JAGUARES SOMAM PRIMEIRA VITÓRIA

O Rugby Clube de Santarém tinha chegado ao terceiro jogo do Campeonato Nacional com apenas 1 ensaio sofrido, estando na mesma situação classificativa que o Clube Rugby de Évora… contudo, após o apito final essa igualdade pontual foi desfeita com a equipa alentejana a não só garantir os 4 pontos da vitória, como também arrancou o ponto de bónus ofensivo, colando-se ao Clube de Rugby de São Miguel e Caldas Rugby Clube na frente, sendo também uma das três equipas sem qualquer derrota consentida.

Com Francisco Borges de regresso às convocatórias, Miguel Avó contou com uma equipa titular bem reforçada e hábil, massacrando a formação escalabitana desde o início do encontro. Mesmo com Matheus Daniel, Manuel Campilho e Rafael Morales a invocarem boas exibições, não foi suficiente para quebrar a pesada (mas rápida) avançada eborense liderada por José Leal da Costa e António Benjamim. O CR Évora foi empilhando pressão na defesa do Santarém e depois de dois ou três fases mais de avançados lançou rapidamente a oval, conseguindo as brechas suficientes para chegar ao ensaio.

Em Monsanto houve surpresa, com os Jaguares de Pedro Vital a realizarem uma excelente exibição tanto em termos ofensivos e defensivos, galgando finalmente na direcção da vitória, muito à custa de um Moita Bairrada que consegue mostrar bons pormenores, mas que escorrega na concentração e na manutenção do foco certo na defesa. Luís Supico explicou-nos o que falta à formação de Anadia,

Luís, apesar de bons momentos ofensivos do Bairrada falta aparecer o factor X para conquistar vitórias. O que na tua opinião tarda a surgir na vossa equipa?

Consistência. Tendo em conta que estamos a mudar muita coisa no clube (dentro e fora do campo), é normal que ela ainda não exista mas graças ao talento e disponibilidade física dos jogadores, bem como a excelência dos treinadores (Marcelo Alves e Rui Rodrigues na parte física) e ao apoio contínuo da direcção é uma questão de tempo até aparecer. Há apenas que trabalhar ainda mais para isso!

Mesmo com um arranque pouco positivo a ambição do Moita Bairrada mantém-se a mesma? O que podemos esperar nas próximas jornadas?
Nem podemos pensar de outra forma… Já lhes disse várias vezes e repito aqui, há vários jogadores na equipa com nível de Divisão de Honra. Vários. Por muito difícil que seja o objectivo (que é, sem dúvida…) estes jogadores têm de começar a treinar a esse nível, porque é o deles. 
Tudo o que não seja lutar pelo campeonato é pouco para este clube e estes jogadores. Como tal e tendo em conta que estamos a começar um novo ciclo no clube, vamos manter o planeamento que estava previsto, com apenas duas adições: mais garra e concentração. De resto (apesar dos resultados) estamos no bom caminho.

O “LINEBREAKER” DA JORNADA

Bruno Silva (Guimarães RUFC), Bruno Martins (Caldas RC) e Francisco Borges (CR Évora) são os jogadores de destaque desta jornada, principalmente o nº15 do Clube Rugby de Évora. É um dos atletas mais talentosos deste Campeonato Nacional 1, conferindo uma genialidade própria ao ataque eborense, com uma música intensa, rápida e que desbloqueia qualquer placagem contrária!

4ª JORNADA – CALENDÁRIO


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter