Meias-finais com avançados esfomeados – Breakdown do Euro de sub-20

Francisco IsaacAbril 8, 201810min0

Meias-finais com avançados esfomeados – Breakdown do Euro de sub-20

Francisco IsaacAbril 8, 201810min0
Portugal garantiu o acesso às meia com uma vitória confortável que foi conquistada por uns avançados esfomeados e uns 3/4's elétricos! A análise ao 1º jogo dos sub-20

Portugal garantiu a passagem às meiasfinais do Europeu de sub-20 com uma vitória por XX-XX frente à selecção regional do Centro-Norte de Portugal. Um encontro muito físico, com algumas lesões de parte em parte, mas sempre jogado dentro de um ambiente competitivo e leal.

Destaque para o trabalho no pack avançado de Portugal sub-20, que exerceu um poderio físico e técnico bem executado, conquistando algumas penalidades e ensaios. A selecção regional do Centro-Norte abordou o jogo no chão de forma “agressiva” e, apesar de algumas faltas sofridas, conseguiram algumas recuperações de bolas que deram boas saídas no ataque.

A análise à vitória da selecção comandada por Luís Pissarra (seleccionador Nacional) e António Aguilar (co-seleccionador).

“PORTUGAL… PORTUGAL…”, o grito de guerra na formação ordenada – 8 PONTOS

Chamemos a atenção a alguns pormenores que podem ter dado um pouco de “vantagem” à selecção nacional de sub-20: a selecção adversária não teve tanto tempo de trabalho e a experiência internacional (e mesmo a nível de CN1, CN2 ou CN3) não era a suficiente para lidar com jogadores mais experientes neste ponto.

Contudo, não dá para tirar mérito aos 8 avançados de Portugal que iniciaram o encontro, que trabalharam com afinco, força e eficácia na formação ordenada, rucks e mauls. Na FO particular destaque para a capacidade de conseguirem exercer o mesmo pico de força e avanço ao mesmo tempo, conquistando cinco penalidades a seu favor, com ensaios a nascer a partir desta fase estática (um ensaio de penalidade e outro a partir de uma saída de 8 que terminaram na área de validação).

José Sarmento (sub-capitão) foi dos jogadores mais disciplinados e trabalhadores neste ponto, evidenciando excelentes sinais no seu trabalho de talonador. João F. Lima e Filipe Granja foram pilares “esfomeados” por ganhar a batalha da FO e ainda deram várias cartas nas suas entradas no contacto ou trabalho no maul.

Os mauls foram igualmente bem trabalhados (um ou outro de forma mais atabalhoada mas que rapidamente Martim Cardoso encontrou soluções para pôr o jogo a andar) e a postura junto aos rucks foi perto de ser perfeita (perda de três rucks que a formação adversária conseguiu “roubar” a bola no breakdown), sendo dois pontos importantes para chegar à vitória.

No jogo de próxima quarta-feira, a Holanda vai exercer outra pressão física com atletas mais desenvolvidos e que fazem questão de entrar num jogo puramente de luta de contacto e de fechar o jogo nas fases estáticas ou saídas muito curtas… cabe aos avançados portugueses efectuar a mesma exibição que no jogo contra a selecção regional Centro-Norte, de modo a “amordaçar” e pôr o jogo a favor de Portugal.

O maul uma arma dos portugueses (Foto: Cristina Vital)

PEGA NA BOLA, VAI EM FRENTE, BATE O PÉ E GANHA METROS! – 6 PONTOS

Num jogo que poderia parecer ao primeiro olhar “fácil”, a selecção regional do Centro-Norte provou o contrário, oferecendo uma oposição séria mas que faltou alguma consistência e comunicação para aguentar melhor com o jogo à mão da selecção sub-20.

Os campeões da Europa em título tiveram vários momentos de qualidade com a oval nas mãos, com destaque para as linhas de corrida de António Puerta (o ponta do GD Direito foi uma boa surpresa com vários metros galgados e uma raça muito peculiar nos pontapés altos), Duarte Pinto, João Lima (não sendo tão forte fisicamente como Vasco Ribeiro ou José Cabral, é um centro que gosta de ir ao contacto, onde fica evidenciando uma boa técnica na conquista da linha de vantagem), Rodrigo Marta e Diogo Cardoso.

Portugal esboçou diversas jogadas onde ficou patenteado um bom ritmo na recepção da bola, metendo a aceleração q.b. para ganhar a frente no contacto, algo que a selecção regional do Centro-Norte teve algumas dificuldades em parar (foi rara a vez que a selecção nacional não conseguiu ganhar a linha de vantagem ou de colocar a oval em bom andamento).

Destaque também para a participação bem positiva do pack de avançados, que surgiram bem nas entrelinhas, forçando a sua entrada no contacto e dando às pernas como manda a lei. José Roque foi dos jogadores em melhor forma nesse sentido, com um excelente trabalho no ataque, entrando bem e abrindo espaço para que a equipa conseguisse ganhar os metros necessários para lançar novas ofensivas.

João F. Vital e Manuel Peleteiro foram outros jogadores que fizeram questão de aparecer na hora do ataque.

Todavia, o apoio ao portador da bola foi por vezes escasso, abrindo-se alguns problemas nos rucks, com falta de unidades para lutar no breakdown e garantir a manutenção da posse de bola. Frente a equipas mais espertas ou fisicamente mais duras, Portugal vai ter de subir um patamar na qualidade no apoio e controlo de bola no chão.

Foto: Cristina Vital

JOGO AO PÉ: 2 PONTOS PODEM FAZER A DIFERENÇA – 3 PONTOS

É, sem dúvida, um dos pontos fulcrais para garantir o acesso à final e, quem sabe, à vitória no Campeonato da Europa de sub-20: converter pontapés e ganhar a frente do resultado.

No jogo frente à selecção regional Centro-Norte, Portugal somou 8 ensaios com destaque para o hattrick de José Roque (boas saídas a partir da FO ou de luta no contacto) ou a excelente jogada que vai dar ensaio a Rodrigo Marta.

Porém, desses 8 ensaios só um foi convertido por Tomás Lamboglia (outro foi automaticamente convertido por ser ensaio ser de penalidade) que apesar de ter feito um jogo bastante organizado e consistente na posição de médio-de-abertura, faltou-lhe o engenho para converter os pontapés.

Verdade que a maioria dos ensaios foram nas pontas e isso dificultou o trabalho do chutador, mas tanto o 10 formado no Caldas RC, como Simão Van Zeller ou João Lima, têm de conseguir converter a maioria das oportunidades de forma a dar outra robustez ao placard.

Nota que a Holanda ou Espanha apuraram ao máximo esse detalhe e têm bem ensaiado os pontapés de conversão, sendo fundamental que Portugal se encontre bem nesse aspecto na próxima quarta-feira.

Contudo, nota para o bom jogo ao pé em jogo imposto tanto por Martim Cardoso, Tomás Lamboglia ou o três-de-trás (apostaram mais em correr com a bola nas mãos e arriscar em jogadas de ataque, algo que pode fazer a diferença contra selecções mais “pesadas”) que meteram os seus adversários com sérios problemas na luta no ar.

NOTA FINAL – 17 PONTOS

ASPECTOS POSITIVOS: excelente trabalho na formação-ordenada, maul dinâmicos bem executados e a maioria dos alinhamentos bem conquistados; ataque perfurante, com capacidade de manter um bom ritmo de jogo e uma boa lucidez no que fazer em termos de trabalho ofensivo; placagem assertiva, funcional e eficaz, sem faltas consentidas no breakdown ou na disputa no ruck,; boas ideias a nível de como trabalhar com a defesa e uma excelente leitura do que a defesa queria fazer, encontrando soluções para ganhar a linha de vantagem

ASPECTOS NEGATIVOS: raros foram os alinhamentos perdidos mas é preciso conquistar todos de modo a garantir boas plataformas de ataque; conversões não foram bem executadas, perdendo 12 pontos neste aspecto; rucks por vezes mal defendidos e que permitiram a recuperação de bola do adversário

PORTUGAL 1- João F. Lima 2- José Sarmento (5) 3- Filipe Granja 4- Manuel Peleteiro 5- Manuel Barros 6- Sebastião Silva 7- João Fezas Vital 8- José Roque (5,5,5) 9- Martim Cardoso 10- Tomás Lamboglia (2) 11- Duarte G. Pinto (5) 12- Gonçalo Santos 13- Rodrigo Marta (5) 14- António Puerta 15- Diogo Cardoso

Suplentes: 16- David Costa 17- Nuno Mascarenhas 18 – José Pimentel 19- Duarte C. Campos 20- Manuel Pinto 21- Frederico Simões 22- Duarte Azevedo 23- Simão Van Zeller 24- Manuel Dias (5) 5- João Lima 26- Manuel Cardoso Pinto

ENTREVISTA COM O SELECCIONADOR SUB-20 LUÍS PISSARRA

Como se preparam para este jogo? Quais eram as vossas maiores preocupações e a equipa soube lidar com o facto de jogarem contra “colegas” de equipa?

LP. Este era um jogo que preferíamos não ter jogado precisamente pelas questões que referes. 

Jogar “contra” colegas, com jogadores que conhecemos e amigos não faz muito sentido nesta competição. 

Mas não me entendas mal, acho que a FPR/Equipa Norte Centro, assumiram uma grande responsabilidade e desafio em organizar mais um grupo para esta competição, e como se pode constatar, uma equipa competitiva e bem orientada que não tenho duvida que tem mais que nível para ganhar jogos nas próximas fases do campeonato.

A maior preocupação era dos nossos jogadores não encararem este jogo com a seriedade a que obriga, que não se concentrassem e não aplicassem aquilo que pretendemos fazer durante a competição. Mas no final concluímos que o plano foi conseguido, a espaços, e o jogo foi bem conseguido pelas duas equipas.

A Holanda é o adversário pelo qual esperavas? O facto de ser uma selecção mais física e que aposta em up and unders para ganhar território é um problema para Portugal?

LP. Claramente que não esperávamos a Holanda, mas mereceu claramente a passagem a esta fase da competição. 

Jogamos com eles em Lisboa no inicio de Fevereiro e evoluíram muitíssimo desde então. Reforçaram-se com alguns jogadores importantes que não estavam disponíveis para viajar a Lisboa e apresentam um bom modelo de jogo e bem executado.São uma equipa muito grande fisicamente que joga com bastante dinamica. Têm uma estrutura defensiva bem establecida e rigorosa….. mas acima de tudo sei que estão muito moralizados após a vitória de ontem!!

Uma palavra final para a selecção regional do Centro-Norte que “nasceu” de um problema que a Rugby Europe não conseguiu solucionar, indo a jogo contra colegas de equipe e selecção. A raça demonstrada prova que em Portugal há mais vontade de jogar rugby do que se pensa e que há matéria-prima para continuarmos em alta nos campeonatos internacionais de formação. 

Não sendo a selecção principal, não deixaram de placar com a mesma agressividade, de impor a vontade de demonstrar que podiam estar no XV do outro lado e que não eram uma selecção “B” mas uma selecção que conquistou o seu mérito de estar na competição.

União (Foto: Cristina Vital)

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