Portugal e o Tour a África 2024: os MVPs e números

Francisco IsaacJulho 23, 20245min0

Portugal e o Tour a África 2024: os MVPs e números

Francisco IsaacJulho 23, 20245min0
Em duas partes Francisco Isaac faz a análise do tour a África 2024 dos Lobos e como o cômputo final foi positivo para Portugal

Uma vitória e uma derrota, este é o pecúlio final dos Lobos no Tour a África 2024, notando-se já algumas novidades introduzidas por Simon Mannix, especialmente à gestão da posse de bola e ao aproveitamento das oportunidades, para além da presença defensiva junto ao ruck e breakdown. Neste balanço de duas partes vamos olhar para os números, os jogadores com maior impacto e algumas surpresas descortinadas durante esta janela internacional de Julho.

ENTRE CONVOCADOS, ESTREIAS E METAS

Trinta e dois jogadores foram convocados para o tour a África 2024, e só dois jogadores é que não somaram qualquer minuto com o defesa Gabriel Aviragnet e o formação Duarte Cardoso a serem esses dois. Nos 160 minutos em que os Lobos estiveram em acção, só cinco jogadores foram totalistas, sendo eles Tomás Appleton, Rodrigo Marta, Manuel Cardoso Pinto, Duarte Torgal e José Madeira. Aqui está talvez um dos detalhes mais interessantes do tour, já que Appleton, Marta e Cardoso Pinto têm, neste momento, uma importância significativa na linha de 3/4s dos Lobos, especialmente o capitão que é um dos raros especialistas na posição, especialmente agora que Pedro Bettencourt foi forçado a se retirar por lesão. Os 160 minutos de José Madeira não choca, nem impressiona, uma vez que o polivalente avançado apresenta uma condição física surreal e que realmente traz outra dose de confiança ao pack. Já Duarte Torgal continua em crescendo e até os números individuais são impressionantes.

Em termos de estreias absolutas, quatro somaram os seus primeiros jogos pelos Lobos com o aberturas Domingos Cabral (estrondoso nos dois jogos, com um jogo ao pé calibrado e supra inteligente), Manuel Vareiro, e os segundas-linhas António Andrade (boas prestações que conferem uma sensação que podemos ter um novo 2ª linha para o presente e futuro da selecção nacional) e Nicolás Fernandes. Agora vamos aos dados que interessam… placagens, turnovers, quebras-de-linha, assistências, ensaios e pontos. Comecemos pelo mais básico: ensaios. José Paiva dos Santos terminou este Tour a África 2024 com uma tripla de toques-de-meta, dois dos quais frente aos Springboks. O ponta do Belenenses Rugby também somou três quebras-de-linha nesta janela internacional, só ultrapassado por Simão Bento que fechou com quatro e Manuel Cardoso Pinto com outros tantos, demonstrando a letalidade do três-de-trás nacional, isto quando Raffaele Storti, Vincent Pinto, Pierre Sayerse e Nuno Sousa Guedes ficaram de fora por lesão – e ainda se pode juntar aqui Dany Antunes.

Simão Bento terminou com nove defesas batidos, seguido de Manuel Cardoso Pinto com oito, Rodrigo Marta com outros oito e Domingos Cabral com cinco. Isto demonstra também como a linha de 3/4s proliferou durante este tour, aproveitando bem as oportunidades criadas. Dos sete ensaios marcados, só dois vieram do bloco dos avançados (Nicolás Martins e José Madeira), enquanto os outros cinco foram da autoria das linhas atrasadas.

Um dado também bem interessante está no facto de termos tido três ensaios que nasceram directamente a partir de um ruck, com Nicolás Martins, José P. dos Santos a saírem rapidamente desse sector para atacarem a área-de-ensaio da Namíbia, e José Madeira a fazer o mesmo frente aos Springboks. Domingos Cabral terminou como o melhor pontuador dos Lobos, com 18 pontos marcados (seis conversões e duas penalidades), tendo ainda realizado uma assistência para ensaio, o que mostra o quão bem esteve nos seus primeiros dois jogos de Quinas ao peito.

No que toca às placagens, há uma nota importante a explicar: não há dados defensivos para o jogo frente à Namíbia. Sabemos só que Nicolás Martins terminou com 15 placagens efectivas e dois turnovers (análise individual realizada para outros fins) e pouco mais. Por isso, vamos partir da prestação ante os Springboks. O top-5 de placadores tem uma super surpresa no topo, com David Costa a ter realizado 17 efectivas e nenhuma falhada em 43 minutos somados. José Madeira fechou com 16 e nenhuma falhada também, sendo que contra a Namíbia terá tido pelo menos uma dezena, terminando desta forma como o placador mais eficaz do tour. Duarte Torgal do GD Direito recebe o bronze com 16 efectivas e duas falhadas, enquanto Tomás Appleton e Diego Ruiz tiveram 13 e 11 respectivamente. Indo aos turnovers, encontramos novo dado curioso: Simão Bento foi quem mais bolas recuperou com quatro turnovers, três dois quais esboçados contra a África do Sul.

Portugal mostrou-se mais eficaz no breakdown, apesar de ter dado bem mais espaço ao adversário para jogar a partir dessa área, um dado negativo principalmente no encontro de fecho do tour. Com isto analisado, é difícil de escolher os jogadores com mais impacto, mas vamos dar uma nota alta a cinco, por diferentes motivos. Simão Bento, Manuel Cardoso Pinto, José Madeira, José P. dos Santos e Hugo Camacho. Simão Bento fez uma prestação inesquecível frente aos Springboks e entrou em grande no primeiro jogo, enquanto José Madeira mostrou toda uma liderança e trabalho sem bola que dá confere outra estabilidade aos Lobos. Hugo Camacho continua a se desenvolver num formação inteligente e intenso, precisando só de mais jogos para chegar a outro patamar de qualidade.

Uma menção especial a Tomás Appleton, que desempenhou as suas funções com elevada qualidade, mesmo sem ter sido espectacular durante toda a campanha – o seu papel na equipa está mais simplificado, o que não significa ter uma responsabilidade de maior dimensão.

No próximo artigo o foco vai estar em explorar o que correu bem, mal, como os ensaios marcados pelos Lobos começaram e de onde vieram os sofridos.

Foto de Destaque dos Springboks Social Media Team. 


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