Os 3 destaques da 5ª jornada das Seis Nações 2021

Francisco IsaacMarço 21, 20219min0

Os 3 destaques da 5ª jornada das Seis Nações 2021

Francisco IsaacMarço 21, 20219min0
E vamos ter de esperar pelo jogo em atraso entre França e Escócia, para saber quem é o campeão das Seis Nações 2021. A explicação neste artigo sobre a 5ª jornada

Não há Grand Slam para ninguém nesta edição das Seis Nações, e o campeão só vai ser descoberto após o jogo em atraso entre a Escócia e a França, já que os Les Bleus viraram aquilo que parecia ser uma derrota provável, numa vitória inesquecível conquistada após o tempo regulamentar de jogo.

A nossa análise ao que se passou nesta 5ª e última jornada das Seis Nações 2021!

VAN DER MERWE AVANÇA, HOGG CRIA E HAMISH PLACA

Receita para o sucesso? Ter jogadores que conseguiam cumprir com as especificações de cada posição e, ao mesmo tempo, que tenham o engenho de fazer algo diferente sempre quando têm de intervir no jogo. Parece simples e demasiado básico esta afirmação, contudo, para quem acompanhou a Escócia nos últimos 20 anos, foi raro ver a sintonia destes dois elementos quer durante as Seis Nações, Campeonato do Mundo (2015 foi talvez o pico máximo de uma confluência de gerações) ou outros encontros das janelas internacionais de selecções. Em 2021, os escoceses deram mostras de ter plenas capacidades para disputar o 1º lugar, não se ficando só por um jogo de grande nível, como têm a mestria suficiente para disputarem qualquer resultado até ao último segundo do tempo de jogo, exemplo do que aconteceu frente à Irlanda (derrota por uma diferença de 3 pontos, que chegou aos 77 minutos) ou País de Gales (derrota por um ponto quando num encontro em que jogaram com menos um durante 30 minutos).

Na recepção à Itália, houve um susto inicial com o ensaio de Luca Bigi, mas rapidamente os homens de Gregor Townsend foram capazes de dar a volta e realizar uma prestação de enorme nível, com uma conquista recorde de 721 metros, 8 ensaios, 17 quebras-de-linha, 48 defesas batidos e uma taxa de 95% de aproveitamento das fases-estáticas, confirmando que esta Escócia tem a arte e engenho para ser uma favorita na luta por troféus e um lugar mais alto na consideração de tudo e todos.

A exibição colectiva foi praticamente perfeita como mostram os números, e isso foi possível porque os escoceses apresentaram os jogadores certos para fazer a diferença nos momentos capitais, caso da exploração às pontas quer por Duhan Van der Merwe ou Darcy Graham, ou a constante mobilidade da transmissão da oval entre Stuart Hogg (excelente na posição de abertura), Huw Jones e Sam Johnson, para não falar da capacidade de trabalhar, sacrifício e trabalho de Hamish Watson (um candidato cada vez mais forte para estar presente no tour dos Lions), Jamie Ritchie e Gil Gilchrist, oferecendo assim outra estabilidade e eficácia no processar da estratégia da equipa técnica do cardo.

Sim, a Itália pode ter “facilitado” algo, já que a postura na defesa não foi a mais concreta, notando-se a falta de uma segunda cortina defensiva de qualidade, ofertando demasiadas penalidades ao seu adversário (16 no total), todavia, tirar mérito à confiança desta Escócia seria injusto, quando na avaliação global de toda a competição foi a 2ª melhor selecção em termos de rugby contínuo (a França ocupa o 1º lugar).

ANDY FARRELL RESPIRA COM AJUDA DE EDDIE JONES

Irlanda e Inglaterra, um jogo de pouca história e que só ficará para a memória devido ao “adeus” de CJ Stander, já que este encontro marca a última internacionalização do poderoso terceira-linha centro, depois de largos anos de serviço ao Trevo. Num duelo sempre classificado como “quente” devido à história e ao despique entre ambos os lados, a verdade é que dentro de campo pouco se viu da qualidade real dos comandados de Andy Farrell e Eddie Jones, tornando uma rivalidade intensa e extremamente disputada, em algo monocórdico, sem “chama” e que acabou por ser decidido pelos excessivos erros dos jogadores ingleses.

A selecção da Rosa continua num caminho penoso em termos de falta de coerência nas convocatórias, como ficou novamente exposto no Aviva Stadium, já que Owen Farrell, Billy Vunipola, Ellis Genge, Ollie Lawrence e Elliot Daly (foi a unidade de campo da Inglaterra com melhores números) parecem estar fora de sintonia e completamente arredados de ter importância para mudar a monotonia vivida na forma de jogar da Inglaterra, onde os poucos desequilíbrios conseguidos nunca tiveram um seguimento dinâmico e de impacto, dando tempo e espaça para a Irlanda manter confiança na estratégia do kick and chase e de apontar aos postes sempre que uma penalidade surgia dentro do meio-campo adversário.

A vibração e emoção transpirada pela Inglaterra de 2016 e 2017 parece estar completamente “arrumada” e estas Seis Nações foram uma prova disso mesmo, pois só por uma vez tiveram a excelência suficiente para se equiparar a um adversário directo, isto no encontro frente aos Les Bleus, em que estes foram apanhados desprevenidos pela atitude defensiva inglesa e pela pressão imposta na saída junto ao ruck e dentro deste também.

A Irlanda pode estar a perpetuar-se continuamente no mesmo plano de jogo, sem dúvida, contudo Farrell coloca em campo os atletas que estão inegavelmente em melhor forma e que têm a competência para responder às adversidades, ficando só claro à inexistência de excelentes opções para a posição de abertura (Sexton não tem suplente à altura, isto enquanto Joey Carbery estiver a recuperar de lesões), na 1ª linha ou nos centros, morando aqui o problema do conjunto irlandês.

Desde 1978 que a Inglaterra não perdia por completo um dos títulos da Triple Crown, com Eddie Jones agora a ficar com um registo negativo no seu currículo com selecção da sua Majestade, adensando as dúvidas se o seleccionador não tem de rever seriamente o mindset dos jogadores, assim como os erros persistentes nas convocatórias e na comunicação transpirada par fora.

UM JOGO MEMORÁVEL MAS COM “DEDO” GALÊS

França e País de Gales ofereceram aquilo que todos os adeptos sonhavam e desejavam para este duelo decisivo para o apuramento do campeão das Seis Nações, com uma intensidade louca, uma sucessiva vontade e capacidade de manter o “pé no acelerador” e um ritmo extremamente alto a serem regras levadas a sério por ambos os lados, terminando o jogo com um ensaio vitorioso para a selecção da casa, mantendo o sonho de reconquistarem um título que lhes foge desde 2011.

É inegável dizer que o País de Gales deu uma grande ajuda aos Les Bleus, com 9 penalidades cometidas só nos últimos 11 minutos de jogo, depois de terem sido praticamente irrepreensíveis neste aspecto da disciplina em toda competição e até na maior parte deste encontro, ficando demonstrado uma das falhas dos comandados de Wayne Pivac, que passa por sucumbir à pressão quando defrontam uma equipa com capacidade física para magoar e avançar na linha-de-vantagem (nem que seja meio centímetro) e com elegância necessária para dar velocidade à posse de bola, criando constantes problemas na saída da linha e actuação no breakdown.

Os galeses até este encontro tiveram várias meias vitórias, lembrando o facto de terem se reerguido graças à desvantagem numérica nos jogos contra a Irlanda e Escócia, possibilitando assim outra gestão no planeamento das movimentações de ataque, no encontrar espaço na linha defensiva ou na obtenção de melhores dividendos através da estratégia do jogo ao pé. Quando a situação mudou de figura frente à França, a estratégia ruiu, a mentalidade dura e convicta ficou dominada por um nervosismo constante e a vontade de ser melhor que o adversário acabou engolida pela pouca vontade em querer ter a bola em seu poder, com estes elementos negativos a ficarem bem patentes naqueles 15 minutos infernais, altura em que a França se renegou a fazer parte da festa do Grand Slam gaulês e apostou em arriscar e manter a mesma convicção de ter a capacidade de ganhar.

Importante verificar outra situação, que passa pela falta de agilidade do País de Gales em obter turnovers no breakdown quando se depara com um adversário com a mesma categoria nesse parâmetro, consentindo constantes e escusadas penalidades, especialmente quando já estavam a jogar com 14 jogadores. Um jogo memorável, excelente e que merece rótulo de qualidade, mas que também foi marcado por sucessivas faltas, algumas quezílias despropositadas e uma linguagem dos jogadores e equipa de arbitragem escusadas (a dúvida se Camille Chat tinha conseguido colocar a oval na relva tinha de ser elucidada pelo TMO, algo que o árbitro não o fez, inexplicavelmente), naquilo que é um jogo típico de campeões das Seis Nações.

OUTROS DADOS

Duhan Van der Merwe foi o jogador com mais metros conquistados num só jogo nesta edição das Seis Nações, com 180 metros, que encontraram pelo caminho dois ensaios, 6 quebras-de-linha, 7 defesas batidos, 8 tackle busts, impondo “medo” na ponta da Escócia.

A França terminou o jogo com a vitória, assim como 95% de eficácia na placagem, acertando o alvo em 166 das 174 ocasiões, tendo sido a selecção com melhor qualidade de placagem nesta 5ª ronda das Seis Nações.

Niccòlo Cannone foi o jogador com maior número de placagens realizadas, com um total de 25, apesar de ter falhado outras 4 na visita a Murrayfield. Se formos à procura do melhor placador em termos de eficácia de placagem e número de vezes em que o ombro foi colocado no sítio certo, então o “vencedor” é Charlos Ollivon, já que o capitão dos Les Bleus foi autor de 20 placagens e ainda 3 turnovers.

País de Gales e França foi o jogo com mais expulsões (definitivas e temporárias juntas) de toda a competição, com um total de 4 cartões durante os 80 minutos.

Jonathan Sexton com 22 pontos, foi melhor marcador desta ronda, impondo 100% de acerto na conversão aos pontapés, com nota para as 6 penalidades convertidas frente à Inglaterra.


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