Os 3 destaques da 4ª jornada das Seis Nações 2021

Francisco IsaacMarço 15, 20219min0

Os 3 destaques da 4ª jornada das Seis Nações 2021

Francisco IsaacMarço 15, 20219min0
O País de Gales está cada vez mais perto do título com a Inglaterra a dar uma "ajuda" aos seus vizinhos. Análise 4ª jornada das Seis Nações neste artigo

Só há uma selecção com possibilidade de conseguir conquistas as Seis Nações em modo Grand Slam e, de forma surpreendente, é o País de Gales a deter essa oportunidade, depois de mais uma exibição imaculada agora na visita ao campo da Itália, com os galeses a agradecerem a “ajuda” oferecida pela Inglaterra, uma vez que os comandados de Eddie Jones derrubaram uma França “bipolar” em Twickenham.

Os nossos 3 destaques explicados neste artigo sobre a 4ª jornada das Seis Nações 2021.

LES BLEUS SUCUMBEM À PRESSÃO INGLESA E À FALTA DE “PULMÃO”

Ao contrário do que alguns pensavam, a Inglaterra não entrou em campo derrotada nem com predisposição para se mostrar fragilizada ante a França, efectuando precisamente o contrário, o que colocou uma série de problemas aos Les Bleus, em particular na 2ª parte, altura em que foi notório o domínio inglês a nível mental e físico. Foi inegavelmente uma das melhores prestações desta Inglaterra desde o Campeonato do Mundo de 2019, onde o castigo físico dado aos seus adversários do outro lado do canal da Mancha foi fulcral, limitando as opções do elenco gaulês e pondo em xeque a estratégia de Fabien Galthié no ataque, pois na 2ª metade do encontro só por três ocasiões foram capazes de ultrapassar os 22 metros adversários, para em todas essas ocasiões perder o controlo da oval no contacto (o jogo termina com Antoine Dupont a fazer um avant quando se preparava para dar sequência a mais uma fase) e assim alimentar a crença inglesa.

Depois de uma exibição demasiado estranha contra o País de Gales, Eddie Jones foi capaz de corrigir dois dos problemas mais vislumbrados em Cardiff: falta de paciência para construir jogo e de saber ler as capacidades defensivas do adversário (os jogadores franceses ainda tiveram a arte de fazer 7 turnovers, 5 deles terminados em penalidades a seu favor, mas não foi o suficiente no fim de contas); e de dar a injeção de força necessária a partir do banco de suplentes, com as entradas de Elliot Daly, Ellis Genge e Ben Earl a importarem e a serem até decisivas nos minutos finais de maior incerteza no resultado.

O problema francês pode ter estado em diferentes parâmetros, com a segunda-parte de Antoine Dupont a ser um deles, isto porque o formação caiu totalmente de rendimento, com as acções sem bola a serem o departamento mais cáustico da prestação do fantástico nº9 do Toulouse, com quatro placagens falhadas em 8 oportunidades, um registo “imitado” por Virimi Vakatawa, Damien Penaud ou Matthieu Jalibert. A situação do SARS-CoV-2 poderá ter afectado a prestação física da França, mas seria errado tirar o mérito da competência defensiva da Inglaterra na defesa dos 22 metros ou no fechar constantemente os canais de ataque dos gauleses, com só Teddy Thomas a ter tido capacidade em descobrir espaço.

Faltou mais experiência mental aos atletas franceses, que vêem o Grand Slam a desaparecer, apesar de ainda poderem chegar ao título de campeão, caso consigam derrotar a Escócia e o País de Gales, ficando sempre dependente da diferença de pontos marcados/sofridos, caso este cenário se verifique – uma derrota coloca um ponto final nas dúvidas de quem pode ou não ser campeão.

A ESCÓCIA AJUDOU A IRLANDA A GANHAR A SI PRÓPRIA

O sonho da Escócia em chegar ao título nas Seis Nações foi adiado, e muito da culpa desse facto é da responsabilidade da selecção de Gregor Towsend, cometendo demasiados erros em dois diferentes sectores de forma evitável. Os alinhamentos dos escoceses foram um filme de terror autêntico, perdendo 7 introduções próprias e isto impossibilitou a criação de uma plataforma de ataque estável para ir para cima da defesa irlandesa, não cabendo só as culpas ao talonador George Turner, pois por duas ocasiões o problema adveio do seu formação, enquanto em outras três o erro partiu da maneira como Jonny Gray ou Scott Cummings entregaram a bola no chão.

Este somatório de erros no bloco dos avançados foi nocivo na procura da coesão do elenco da Escócia, que ao perder quase uma dezena de oportunidades para conquistar território e atacar a área de ensaio, acabou por limitar toda a sua acção num jogo que já se esperava difícil e altamente dividido.

A franca boa exibição da Irlanda, que optou por arriscar pouco no ataque e a entregar a movimentação de jogo a partir do avanço ao pontapé ou do controlo de bola pela via do seu pack de avançados (CJ Stander esteve brilhante neste ponto, assim como Tadhg Furlong e Tadhg Breine), acabou por criar instabilidade na gama de opções da Escócia, que teve dificuldades em formular desequilíbrios letais para a cortina defensiva dos seus adversários.

O segundo ponto que também ajudou à derrota dos escoceses foi a inconsistência do jogo ao pé de Ali Price, com o último dos seus pontapés a ser bloqueado pela Irlanda, originando a sequência de fases que terminou nos 3 pontos que fizeram a diferença. No decorrer do encontro, Finn Russell e Stuart Hogg tentaram aplicar pontapés mais profundos que afastassem James Lowe, Hugo Keenan ou Keith Earls da linha-de-vantagem, mas por vezes a execução ficou aquém do que era necessário, e “financiou” assim a manobra atacante e estratégia dos irlandeses no decorrer do encontro.

A Escócia evoluiu claramente nestas duas ultimas edições das Seis Nações, faltando acreditar mais nos seus processos e ter uma consistência mais compacta em todo o seu jogo, tendo agora a hipótese de pôr um fim nas esperanças da França em chegarem ao título.

ACELERAR: UM PROBLEMA QUE A ITÁLIA NÃO CONSEGUE LIDAR

Wayne Pivac está perto de algo que parecia improvável e quase impossível há uns meses atrás, bastando para isso esperar que a França perca na recepção à Escócia – jogo adiado da 3ª jornada das Seis Nações devido à situação de covid-19 nos franceses – ou ganhar em Paris frente aos Les Bleus, algo conseguido em 2019, ano em que também foram capazes de conquistar o Grand Slam sob a alçada de Warren Gatland. Na visita a Roma, os galeses voltaram a realizar uma exibição competente, eficaz e completa, impondo um quase total domínio nas fases-estáticas, sem deixar de deslumbrar nas movimentações nas linhas-atrasadas, com Louis Rees-Zammit a ser o papa-léguas principal, com cerca de 150 metros conquistados, somando ainda um ensaio e uma assistência, não tendo sido ele a melhor unidade do elenco galês, já que para nós foi George North, o ponta convertido a centro.

Contudo, e sem beliscar um pouco que seja a exibição do País de Gales, é impossível não deixar de assinalar o fracasso da estratégia de Franco Smith para os azzurri, que tiveram sérias dificuldades para estancar a velocidade e capacidade de explosão dos seus adversários, seja em termos físicos ou técnicos, cometendo excessivos erros na subida em colectivo ou na percepção de como retardar a saída da oval sem cometer penalidades, outro detalhe crítico e fatal para os italianos. Ninguém esperava uma vitória da Itália, mas a falta de forças para tornar o encontro mais equilibrado e dividido acabou por visível, dando isto uma imagem de uma selecção permeável e extremamente acessível em termos defensivos para os seus adversários das Seis Nações.

A Itália tem arte e talento suficiente para impressionar quando tem a oval em seu poder, apresenta argumentos a nível da placagem para atemorizar os seus rivais no decorrer dos 80 minutos, mas o acumular de erros próprios (neste encontro cometeram um total de 20), penalidades em zonas proibidas e uma mentalidade pouco positiva, têm sido flagelos incapacitantes, relegando-os novamente para a última posição das Seis Nações em 2021.

ALGUNS DADOS

A Inglaterra foi a selecção que mais metros conseguiu conquistar dos três jogos, com cerca de 533, apesar do jogador com melhor estatísticas nesse parâmetro a ter sido Louis Rees-Zammit, detentor de 150 metros e 4 quebras-de-linha.

Mas na “guerra” dos pontas, Teddy Thomas foi quem se saiu melhor no que toca a fugir aos seus potenciais placadores, com 7 defesas batidos, numa exibição que começou numa exceletente assistência ao pé para o ensaio de Antoine Dupont, sem esquecer a excelente capacidade em recuperar a oval a partir de pontapés, com 3 recepções bem sucedidas (100% de eficácia).

Josh Navadi, considerado o melhor jogador em Roma, foi autor de 23 placagens (97% de eficácia) e 2 turnovers, ajudando ao País de Gales em ser a selecção com maior número de placagens desta ronda, com cerca de 161 efectivas em 182 tentativas (91%).

A Inglaterra voltou a ser a sua maior inimiga no que toca a penalidades ofensivas, com cerca de 7, um pormenor que acabou por não ser letal, como todos sabemos.

Owen Farrell e Matthieu Jalibert impuseram um show nos pontapés, com ambos a ostentar 100% de eficácia nos 5 e 4 pontapés atirados aos postes, respectivamente, cabendo a Dan Biggar a maior perda de pontos no chutar aos postes (4) nesta jornada das Seis Nações.


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