Portugal segue para as meias-finais – o “offload” do Europeu de sub-18

Francisco IsaacOutubro 3, 20215min0

Portugal segue para as meias-finais – o “offload” do Europeu de sub-18

Francisco IsaacOutubro 3, 20215min0

Portugal entrou a ganhar no Europeu de sub-18 com uma vitória por 26-15 frente aos Países Baixos, seguindo agora para as meias-finais da competição. A breve análise ao que se passou dentro de campo neste artigo.

O DESTAQUE: UMA DEFESA DURA GARANTE VITÓRIAS

Não foi o jogo mais positivo nos termos de rugby contínuo, já que os Países Baixos fecharam consecutivamente o espaço no jogo ao largo, impedindo que a maior velocidade de Portugal ganhasse vida e fizesse o dano do costume que se espera de uma selecção nacional portuguesa de formação, surgindo, no entanto, alguns raros momentos de brilhantismo ofensivo como aconteceu no excelente ensaio de Henrique Cortes. Porém, o ataque foi o suficientemente eficaz para garantir a passagem às meias-finais deste Campeonato da Europa, sendo que foi na defesa onde esteve a chave para garantir a vitória, evidenciando-se a técnica de recuperação de bola no breakdown, parâmetro em que Portugal garantiu 9 penalidades no decurso dos 70 minutos, e isto impediu uma reacção mais eficaz por parte dos seus adversários neerlandeses.

É sabido que a cultura de bem defender é algo próprio do rugby português, tendo imposto algumas das melhores exibições neste aspecto nos últimos anos, seja em Europeus (no Europeu de 2019 frente à Rússia por exemplo) ou Mundiais (a vitória frente ao Uruguai em 2017 é uma excelente mostra disso) de formação, onde o compromisso colectivo é inspirador e um garante para obter uma vantagem mental sob o adversário. Neste ponto, Miguel Leal e João Uva, foram capazes de manter (pelo menos já para este primeiro jogo) esta atitude e capacidade, que possibilitou fechar certos avanços dos Países Baixos, como aconteceu na parte final da segunda parte, altura em que Manuel Meneres atirou-se e capturou a oval num ruck, pondo fim a uma das melhores incursões dos seus adversários para estes quartos-de-final.

Manteve-se a tradição de bem defender e os Lobos sub-18 estão na antecâmara à final do Europeu, sendo que o adversário seguinte, a Espanha, é alguns níveis acima, especialmente na fisicalidade imposta nos avançados e na conexão ofensiva.

O MELHOR PONTO: MAUL DINÂMICO, VENHAM MAIS SFF

Dois ensaios de maul dinâmico garantiram 12 pontos para a hoste portuguesa, que mesmo tendo sofrendo um dos neerlandeses da mesma forma, acabou por ser largamente mais dominante nesta opção de ataque, marchando com eloquência e sempre em frente, sem esquecer que forçaram quatro penalidades aos seus rivais deste encontro. Apesar da diferença de dimensão física entre ambas as equipas (sobretudo notada na 3ª linha e centros), os jogadores lusos foram superiores no embate no alinhamento, operando em harmonia, com nota alta para os dois segundas-linha, Henrique Cortes e Guilherme Valente, no combate no ar, obstruindo legalmente os alinhamentos adversários, o que garantiu algumas falhas ao pack neerlandês (5 no total, duas das quais dentro dos últimos 5 metros defensivos de Portugal), com esta a sentir dificuldades para garantir vantagem nas suas próprias fases-estáticas.

A maior manobrabilidade dos avançados portugueses permitiu aplicar uma intensidade importante nos primeiros 35 minutos, acabando por garantir uma resposta eficaz no momento em que os Países baixos pareciam estar a aplicar uma pressão problemática e ficou assim claro a força mental destes novos Lobos (para todos foi estreia em torneios internacionais da Rugby Europe), que não olharam para dimensões físicas, mas sim para aptidão de fazer valer a sua técnica e experiência.

Faltou, talvez, aproveitar melhor certas penalidades, sem que isso tenha sido um problema de maior, compreendendo bem, por exemplo, a decisão de Portugal em optar por chutar aos postes quando o relógio já batia no minuto 70, invés de ir novamente ao alinhamento e permitir que os Países Baixos tentassem inferir qualquer dano (certas acções defensivas já roçaram a ilegalidade) aos jovens jogadores portugueses.

O PONTO A MELHORAR: ADAPTAÇÃO À REACÇÃO DEFENSIVA

Os Países Baixos, a par da Bélgica (derrotaram a Rússia neste Europeu), têm sido uma das selecções em alto crescimento no aspecto táctico e técnico, desenvolvendo bons sistemas defensivos para evitar sofrer problemas devido à maior capacidade ofensiva na fluidez de jogo de selecções como Portugal, Espanha ou Geórgia, que apresentam outra arte e categoria no handling e aproveitamento dos espaços. Posto isto, a selecção neerlandesa estudou bem a lição e aplicou uma espécie de blitz defensivo (alta pressão nos centros, limitando também o raio de acção do médio-de-abertura, forçando o embate ou o uso do jogo ao pé pressionado), que criou sérias dúvidas em como sair a atacar por parte da linha de 3/4’s de Portugal, com o par de centros, Alfredo Almeida e Vasco Silva, a não terem margem de manobra para manobrar a oval e criar outro tipo de espaço para lucrar com a velocidade do seu três-de-trás.

Este “garrote” neerlandês acabou por oferecer a primazia e iniciativa de jogo a Portugal, esperando que Manuel Meneres e Manuel Vareiro tivessem de recorrer ao jogo ao pé para tentar criar espaço, algo que os Países Baixos souberam trabalhar num primeiro momento, tendo depois sucumbido quando não garantiam um ruck seguro ou um apoio ao portador da bola compacto. Com a Espanha, a pressão defensiva vai ser ainda maior, assim como o aumento da agressividade física e velocidade de jogo, não podendo os sub-18 nacionais deixar os seus adversários gerir o ritmo e intensidade a seu bel-prazer na meia-final do Europeu sub-18.

PLACARD

Ensaios: Mateus Ferreira (1 aos 5:28), Ensaio de Penalidade e Henrique Cortes (1 aos 35)
Conversões: Manuel Vereiro (1)
Penalidades: Manuel Vereiro (3)


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