Rugby Português: onde estão a jogar alguns dos nossos jogadores pt2

Francisco IsaacSetembro 30, 20217min0

Rugby Português: onde estão a jogar alguns dos nossos jogadores pt2

Francisco IsaacSetembro 30, 20217min0
Nesta 2ª parte continuamos a apresentar alguns dos atletas portugueses a actuar na Europa. O rugby português além-fronteiras

Nesta segunda parte continuamos numa viagem para dar a conhecer os jogadores que representam o rugby português além-fronteiras, com destaque para Raffaele Storti (Stade Français), que agora inicia o seu caminho de profissional no Planeta da Oval.

PEDRO BETTENCOURT (OYONNAX)

Idade: 26 anos
Posição: Centro/Defesa
Maiores feitos: Internacional português
Divisão do clube que joga em 2021/2022: ProD2

Depois de alguns anos fora do radar da selecção nacional, Pedro Bettencourt voltou a marcar presença nos “Lobos” e poderá ser uma peça importante na luta por lugar no próximo Campeonato do Mundo, muito por via do talento individual que detém. Formado nas escolas de formação do CDUP, o português que pode jogar tanto a centro como a defesa, saiu para o Clermont em 2014, isto depois de ter sido um dos destaques da primeira-fase dos Lusitanos XV (a franquia portuguesa participou na Challenge Cup de 2014), realizando o seu primeiro jogo no Top14, tendo depois passado pelos plantéis do Carcassone, Newcastle Falcons (segundo jogador português a jogar na Premiership, com o primeiro a ter sido Diogo Hasse Ferreira) e Oyonnax, clube pelo qual ainda joga.

A placagem minuciosa e a capacidade para se apresentar logo na linha-defensiva após uma acção directa sob o adversário, são dois dos pormenores que reflectem a qualidade de Pedro Bettencourt, para além da destreza ofensiva, na rapidez em aproveitar espaços e no conseguir dar sequência ao jogo ao pé – seu ou de um colega de equipa -, apresentando-se cada vez mais como um atleta refinado e que oferece soluções nos momentos de maior pressão. Não é um titular absoluto no Oyonnax (sempre um dos candidatos à subida ao Top14), e a temporada actual será decisiva para o seu futuro enquanto profissional desta divisão de rugby francesa.

JOSÉ MADEIRA (GRENOBLE RUGBY)

Idade: 20 anos
Posição: 2ª/3ª Linha
Maiores feitos: Vice-campeão do Campeonato do Mundo “B” em sub-20 em 2019 / 3º lugar no Europeu de sub-18 em 2019
Divisão do clube que joga em 2021/2022: ProD2

Já foi entrevistado pelo Fair Play num dos últimos Up&Under e, desde então, tem se assumido como titular no Grenoble Rugby, emblema da 2ª divisão de rugby em França que procura lutar pelos lugares cimeiros da tabela (subida é difícil de alcançar, mas está na contenda por tal objectivo), com o segunda-linha português a impor-se no alinhamento e no rugby contínuo. Um dos melhores jogadores dos “Lobos” durante o Rugby Europe Championship 2021, José Madeira tem vindo a crescer constantemente tanto ao nível de leitura de jogo, no responder com qualidade e capricho nos momentos sem bola e no manter um rendimento constante que torna-o um avançado resiliente, competente e decididamente um “problema” para a equipa contrária, como se viu nos jogos frente à Rússia ou Espanha.

É um caso “peculiar” do rugby português, uma vez que nunca se viu um avançado formado em Portugal ganhar tanto protagonismo/espaço num clube das duas principais divisões de rugby em França, erguendo-se como uma trave no ar, aplicando uma cultura defensiva agressiva e bem trabalhada, sem esquecer a vontade para avançar com a oval quer em jogo mais fechado ou em situações de ataque rápido.

RAFFAELE STORTI (TÉCNICO RUGBY -» STADE FRANÇAIS)

Idade: 20 anos
Posição: Ponta
Maiores feitos: Campeão da Divisão de Honra de 2020/2021 pelo Técnico Rugby / Campeão da Europa sub-20 em 2019 / Vice-campeão do Campeonato do Mundo “B” em 2019
Divisão do clube que joga em 2021/2022: Top14

Foi um dos últimos arrivals portugueses a França, assinando contrato com o Stade Français, um dos emblemas históricos do rugby francês, sendo que os primeiros tempos deverão ser passados junto dos Éspoirs, mas sempre com a nota que o objectivo do staff técnico do clube é colocá-lo como opção de confiança no plantel principal. A tremenda temporada quer no Técnico Rugby (um dos melhores marcadores e parte essencial da caminhada até ao título de vencedores da Divisão de Honra da época que passou) ou por Portugal (sete ensaios e um dos totalistas em toda a competição) nas vitórias frente à Rússia ou Espanha, proporcionou esta ida para paragens francesas, lembrando que em 2020 já tinha tido a oportunidade para tentar uma carreira como profissional ao serviço do Peñarol, que foi interrompida por causa da pandemia.

Mas poderá o exímio finalizador ter sucesso numa das principais divisões de rugby do Mundo? Dependerá muito da sua evolução e crescimento, para além de que uma estreia na equipa principal do emblema nesta primeira temporada só deverá acontecer em caso de ausência dos pontas (Lester Etien, Harry Glover, Adrien Lapegue, Sefa Naivalu e, em certas ocasiões, Waisea Nayacalevu) rivais. Porém, e apesar deste quadro mais “complicado” ou complexo, o virtuosismo e sentido de aproveitamento dos espaços de Raffaele Storti irá fazer a diferença a médio-prazo, sendo este um passo decisivo na sua carreira.

DIOGO HASSE FERREIRA (STADE DIJONNAIS -» DAX RUGBY)

Idade: 24 anos
Posição: Pilar
Maiores feitos: 1º jogador português a ter jogado na Premiership 
Divisão do clube que joga em 2021/2022: Nationale

O pilar formado no GDS Cascais tem vindo a apostar numa carreira quase a 100% no estrangeiro, tendo só regressado momentaneamente à “casa” de partido, isto depois de uma aventura de sucesso por terras inglesas, onde chegou a jogar pelos Sale Sharks em duas ocasiões, estando neste momento a tentar singrar em território francês. Depois de ter servido o Stade Dijonnais (uma experiência agridoce, onde tanto assumiu a titularidade como viu a pandemia a interromper parte ad época), Diogo Hasse Ferreira foi contratado pelo US Dax Rugby, um dos clubes mais antigos do rugby francês (117 anos), que milita na 3ª divisão de França, a Nationale e será interessante perceber qual será o papel do primeira-linha numa época importante e que cruzará com o apuramento para o Mundial de Rugby de 2023.

Reconhecido pelo seu alto índice de trabalho e impacto nas fases-estáticas, o pilar tem vindo a ser uma das caras mais emblemáticas do pack de avançados dos “Lobos”, oferecendo uma bitola de energia de excelente calibre quer seja como titular ou suplente, onde o gosto pela fisicalidade proporciona bons momentos no contacto seja a atacar ou defender, com a placagem a ser um dos seus pontos mais fortes. Aos 24 anos está no momento de total afirmação e a luta do Dax pela subida ao ProD2 será decisiva para o futuro de um dos pilares em voga do rugby nacional.

Para o próximo artigo iremos falar de Rui Maria Freitas (RC Eemland), António Prim (Section Pauloise), Boaventura Almeida (Section Pauloise), Francisco Bessa (FC Barcelona), Vasco Baptista (Alcobendas) e José Lima (US Carcassonne).


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