Victoire com sotaque português – o “grubber” do Europeu de Sub-20

Francisco IsaacMarço 31, 201910min0

Victoire com sotaque português – o “grubber” do Europeu de Sub-20

Francisco IsaacMarço 31, 201910min0
Portugal entrou a ganhar no Europeu de sub-20 com uma vitória por 27-10 frente à França-Aquitânia. O "grubber" do Europeu de sub-20 no Fair Play

O Fair Play fará todo o acompanhamento detalhada ao Campeonato da Europa de Sub-20 com especial incidência para os novos Lobos sub-20 que lutam por estar no Campeonato do Mundo “B” em 2019. Este é o “grubber” do Europeu de Sub-20, já que o modelo e adversários desta competição são como o pontapé: rasteiros, difíceis de perceber como acabam, escorregadios, manhosos, inteligente e rápido! 

Vitória portuguesa ante a França-Aquitânia, a selecção surpresa neste Campeonato da Europa sub-20, por 27-10 numa exibição que até pecou por escassa, perante o maior domínio e qualidade geral portuguesa comparado com o adversário. Manuel Pinto foi um dos jogadores em destaque, apresentando-se como um placador exímio e um lutador estratégico no breakdown, para além da excelente entrada de Francisco Salgado e Simão Félix do banco de suplentes.

DEFESA À LOBO PAROU “FISICALIDADE” FRANCESA – 7 PONTOS

Era uma verdadeira incógnita o que esperar da França Aquitânia, não se sabendo a tipologia de jogo, a estratégia no jogo ao pé, da capacidade técnica geral e o peso dos avançados no controlo da posse de bola. Perante este cenário, os jovens lobos teriam de se adaptar à medida que o jogo se ia desenrolando de forma a evitar “sustos” de maior e começava este trabalho na cultura defensiva.

Ao fim de 80 minutos de jogo a postura defensiva e qualidade da placagem portuguesa só pôde ser aplaudida, tendo parado constantemente as tentativas de ataque da formação adversária, que apesar da sua maior fisicalidade eram algo rudimentares, apostando e exagerando na tentativa de atacar pelo lado interior ou fazer uma inversão que acabava por ser “lenta” e esperada.

A verdade é que o físico francês-aquitano não foi de todo um problema, com os vários atletas nacionais a pararem constantemente as iniciativas de ataque, com João Sousa, Manuel Pinto, David Gomes Costa (o primeira-linha foi um “poço” de energia não desistindo de aparecer sempre no apoio ao 1º placador em diversos momentos), António Cunha e Francisco Rosa a serem os nomes mais fortes no que toca à qualidade defensiva.

No global foi uma exibição de excelente qualidade de Portugal na defesa, na leitura dos processos ofensivos da França-Aquitânia (só conseguiram “enganar” a defesa lusa em um ensaio, com um pontapé bem atirado para as costas que deu ensaio) e no comprometer ao breakdown (Manuel Pinto foi essencial neste capítulo, com três penalidades arrancadas durante o encontro).

AVANÇADOS COM CABEÇA E 3/4’S COM FÍSICO – 6 PONTOS

Para quem assistiu ao jogo, foi perceptível que seria difícil encontrar uma auto-estrada na defesa adversária, até pelo físico mais imponente que apresentava a formação da França-Aquitânia. Porém, o ataque português foi pouco “manhoso” ou, se quisermos, dinâmico, oferecendo alguma facilidade de movimentos à França-Aquitânia que agradeceu as jogadas mais simples para defender pacientemente… Mas sempre que houve um pormenor diferente houve espaço para jogar.

Veja-se o ensaio de Simão Bento, com Simão Bento a apostar numa arrancada individual que forçou um mau deslizar francês-aquitano, para depois Francisco Afra Rosa a bater bem o pé e a ter espaço de manobra suficiente para efectuar o offload para Joaquim Félix ir até à área de validação sem oposição.

Percebe-se que o à vontade para se jogar contra uma equipa-surpresa não era grande, desconhecendo-se os mecanismos defensivos do outro lado… um ataque a jogar mais no risco podia ter sido apanhado em falso, uma vez que a França-Aquitânia gostava de defender no limiar da falta, sempre à procura da intercepção.

Nos avançados foi um luxo ao que se assistiu no trabalho da formação-ordenadamaul dinâmico, sempre a avançarem com regra e esquadro, com três ensaios a serem feitos a partir desse “comboio” que passou por cima e este pormenor poderá ser uma das chaves mais importantes neste Campeonato da Europa. Todavia, não poderá ser a principal, uma vez que a Espanha responderá bem neste aspecto, assim como a Holanda e há que procurar um maior envolvimento das linhas atrasadas para se chegar a outro patamar neste europeu.

JOGO AO PÉ ENTRE O ACERTO COMPLETO E O OFERECER DE BOLA AO ADVERSÁRIO – 2 PONTOS

Portugal teve uma exibição difícil no jogo ao pé, colocando bons pontapés nas costas da defesa francês-aquitano, como ofereceu alguns momentos a posse de bola fácil para os adversários saírem a jogar, maioritariamente mal, o que ajudou aos jovens jogadores portugueses no final das contas.

Faltou mais acerto a Vasco Carvalhais, que até apresentou um pé-bombardeiro difícil de captar quando bem apontado para as alas, mas sempre que tinha mais espaço e tempo de reacção, acabou por dar uma bola mais jogável e que trouxe algumas preocupações na hora de subir rápido e fechar o jogo ofensivo da equipa-surpresa do torneio. Jerónimo Portela não teve tanta oportunidade para arriscar no jogo ao pé, optando por conservar a posse de bola e dar outra “calma” na forma de jogar de Portugal durante este primeiro encontro.

É importante que nos pontapés mais longos haja a intenção de forçar um recuo na linha de recepção do adversário e que se proporcione uma boa reacção e tempo de aproximação de Portugal, algo que foi conseguido a espaços mas não na sua plenitude, com Martim Otto a ficar algo arredado do jogo ou de Baltasar Melo. Sentiu-se alguma dificuldade no que toca a criar uma harmonia no três-de-trás, uma das “armas” destes sub-20 nos últimos dois anos.

É fundamental perceber como melhorar neste ponto e no “expandir” do jogo ao pé, que não pode ser tão errático como se registou no jogo de abertura do Europeu.

PONTUAÇÃO FINAL: 15 PONTOS

PONTOS POSITIVOS: placagem assertiva, agressiva e com bom tempo de reacção em se re-apresentar na defesa; breakdown bem disputado e trabalhado, com várias sequências de acções que conquistaram penalidades ou turnovers importantes para Portugal; maul dinâmico com um avanço constante e que mostrou-se difícil de defender, assim como uma formação-ordenada de qualidade; capacidade de offloads em momentos importantes na saída para o ataque; apoio ao portador da bola foi maioritariamente bem realizado e deu uma sequência de jogo importante; boa disputa no alinhamento adversário, conquistando várias bolas do adversário;

PONTOS NEGATIVOS: alinhamentos por vezes algo erráticos, que tiraram alguma dimensão ofensiva a Portugal; ataque de pouco risco e com uma intensidade sempre na mesma toada, faltando se registar momentos de maior aceleração; jogo ao pé não foi uma ferramental útil na maioria das ocasiões, apesar de Vasco Carvalhais ter realizado uma excelente aproximação em vários momentos;

XV TITULAR COM SUPLENTES (1 A 15 COM MARCADORES)

David Costa, Rodrigo Bento, António Cunha (5), Sebastião Silva, António Andrade, Manuel Pinto, João Sousa, Manuel Maia (5), Pedro Lucas, Jerónimo Portela (3+2+2), Baltasar Melo, José do Carmo, Francisco Rosa, Martim Otto, Vasco Carvalhais

Suplentes: Duarte Conde (5), Frederico Simões, João Nobre, Manuel Barros, José Roque, Joaquim Félix (5), Tomás Lamboglia, Tomás Cabral, Francisco Salgado e Simão Bento

POST-MATCH COM LUÍS PISSARRA E DAVID GOMES DA COSTA

Luís Pissarra, em entrevista pós-jogo,

Adaptar é a melhor palavra para descrever o jogo de hoje de Portugal, concordas? Ficaste satisfeito com a postura defensiva portuguesa?

Realmente, e como já tínhamos falado, esta equipa da França era uma incógnita, já que podiam vir cá jogar só por jogar, numa situação mais “turística” ou que vinha para jogar rugby, com boas capacidades físicas e técnicas com o intuito mesmo de disputar os jogos e o campeonato. Para bem da nossa evolução como equipa e dos jogadores, veio uma equipa competitiva que tenho a certeza que ganha os próximos jogos.

Num jogo em que teve um clima difícil, com chuva e o campo molhado, aliado à surpresa de um embate complicado, mais a pressão que tínhamos de garantir uma vitória, terminámos como vencedor mas só com 4 pontos em virtude dos 4 ensaios marcados e de 2 sofridos, apesar do último foi um avant mas os árbitros ajuizaram que se tratou de ensaio. De qualquer maneira surgiu uma equipa com conhecimento de jogo, com jogadores individualmente talentosos, físicos, faltando-lhes um maior entrosamento, e até tivemos umas boas fases do jogo à espera a testar o adversário.

Na 2ª parte conseguimos reproduzir boas fases de ataque, uma situação rara em alguns momentos do encontro e isto aconteceu em virtude de como estava o campo e do desconhecimento em relação ao adversário, exagerando um pouco no jogo ao pé mas a nossa defesa ganhou o jogo, com um grande carácter e só posso estar orgulhoso da postura que os jogadores portugueses tiveram e eles também. Também foi termos exposto algumas situações menos positivas de forma a evoluirmos já para o jogo com a Holanda.

A exibição foi aquela que esperavas? Contra a Holanda o que não pode acontecer na tua opinião?

Não podemos deixar os holandeses acreditar que podem conseguir um resultado positivo, um detalhe importante desta formação. A Federação de rugby holandesa tem investido bem na modalidade, com um excelente trabalho e um dos grandes sonhos é conseguir abater Portugal, uma equipa que vem sendo um dos grandes adversários a nível internacional. Portanto, depois do bom que fizeram no ano passado eles vêm muito confiantes, que nos podem ganhar e teremos de impedir que eles entrem bem no jogo, de retirar da cabeça deles rapidamente que eles nos podem ganhar, para podermos ter um jogo mais tranquilo. A defesa vai ter de estar no mesmo ponto que no jogo com os franceses. A Holanda vai tentar fechar mais o jogo uma vez que quer evitar o nosso jogo mais rápido, de turnovers, de contra-ataque, portanto vamos ter tudo para trabalhar para garantir mais uma boa vitória!

David Gomes da Costa, capitão da Selecção Nacional, em entrevista pós-jogo,

A defesa foi o “segredo” para mais uma vitória nestes sub-20? Como se sentiram ao fim dos primeiros 10 minutos?

Começámos bem o jogo, com confiança na defesa, com bastantes placagens ofensivas e especialmente muito bem na pressão ao pontapé e a explorar o erro do adversário. Conseguimos depois transmitir essa confiança para o ataque e no final atingir a vitória.

O que será preciso fazer mais no cômputo geral? Ficaram felizes com o vosso maul dinâmico?

No decorrer do jogo fizemos bastantes erros, especialmente nos 20 minutos finais de cada parte, mentendo-nos nós próprios em pressão. Acho que se conseguirmos reduzir esta contagem podemos saber superiores a Holanda. Acho que também temos de melhorar a limpeza dos rucks que não foi perfeita neste jogo e em que a Holanda nos vai complicar e nos impede de jogar o jogo rápido de que tanto gostamos. Tivemos muito bem no maul, tanto a defender Como a atacar e é algo que vamos continuar a usar como arma para os próximos jogos.


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