Mundial de Rugby 2023: Portugal com uma última oportunidade

Francisco IsaacAbril 28, 20225min0

Mundial de Rugby 2023: Portugal com uma última oportunidade

Francisco IsaacAbril 28, 20225min0
Espanha está fora do Campeonato do Mundo de Rugby com Francisco Isaac a explicar as consequências e o que significa para Portugal

Depois de dois anos de luta e sucesso dentro de campo, a selecção espanhola de rugby foi notificada hoje, dia 28 de Abril de 2022, que afinal ficará de fora do próximo Campeonato do Mundo de rugby, fruto da utilização irregular de um dos seus jogadores nos dois encontros frente aos Países Baixos, sofrendo como consequência a perda de 10 pontos (5 pontos por cada encontro, os mesmos que ganharam) e uma multa no valor de 25 mil euros, com isto a significar o apuramento directo da Roménia para a maior competição da modalidade, enquanto Portugal segue viagem para a repescagem, a realizar em Novembro deste ano. Incredulidade e pasmo perante toda esta situação, a Espanha fica de fora do Campeonato do Mundo pela via administrativa, isto depois de ter garantido, tanto em 2018, como em 2022, o bilhete dourado para estar no Mundial da bola oval, com a ilegibilidade de um jogador a voltar a ser a razão dessa (pesada) penalização e renuncia a um sonho conquistado.

Os factos, apresentados e analisados pela dita comissão independente, foram claros: um atleta do Alcobendas Rugby (uma das principais equipas da Division de Honor espanhola, e que tem fornecido diversos atletas aos Leones nos últimos 15 anos) não possuía o número suficiente de anos a viver em solo espanhol – ininterruptamente, ou com uma ausência no máximo de até 3 meses – para ser considerado seleccionável para a selecção espanhola, acabando por ser convocado em 2021 e 2022.

O ponto de discussão passava pela quebra contratual durante alguns meses de 2021, mais em especifico entre Maio e Agosto desse ano, altura em que o jogador em questão se deslocou para fora da comunidade europeia de férias, ficando nessa faixa de tempo sem contrato de trabalho – um estratagema que clubes em Espanha, Portugal, Itália ou Inglaterra utilizam para não ter de pagar segurança social e outros impostos associados -, com isto a significar o reinício total de todo o processo.

Entre o silêncio do Alcobendas na altura para divulgar a situação, e a falta de confirmação por parte das instituições responsáveis, a Espanha acabou por utilizar o dado activo e começou a entender o peso do problema quando em Fevereiro de 2022 surgiram algumas notícias nesse sentido, vindas da Roménia e Rússia, com os romenos a darem sequência à queixa após a conclusão do Rugby Europe Championship. Se por uns pode ser visto como justiça, e por outros perverso ou vingança pois foi a Espanha que em 2018 accionou o mesmo mecanismo de queixa pela Roménia ter feito uso de atletas ilegíveis durante o apuramento para o Mundial, a verdade é que todas as partes, incluído a World Rugby, saem com a imagem estilhaçada, ficando patente um amadorismo profunda não dentro de campo, mas sim dentro das próprias instituições e da sua burocracia – ou falta dela, uma vez que se existisse um sistema mais “pesado” e eficaz, poderia ter apanhado este erro a tempo -, toldando com um véu negro aquilo que foram excelentes jogos de rugby durante o biénio de 2021-2022.

Não há dúvidas que esta situação para Portugal e os Lobos é um balão de oxigénio extraordinário e, em certa medida, merecido, tendo agora uma 2ª oportunidade para marcar presença em França 2023, que, todavia, acaba por vir na sequência de mais um erro clamoroso de todas as entidades, não tendo conseguido estas evitar cair na desgraça de ter de explicar a patrocinadores e instituições locais/nacionais desta mudança drástica de eventos. Poderá isto infligir dano no rugby europeu deste nível “secundário”?

Pode, e deverá pelo menos forçar alterações radicais no que concerne ao sistema de elegibilidade de um dado jogador, procurando efectivamente perceber se activo X ou Y podem realmente vestir a camisola de uma dada selecção, se os requisitos foram preenchidos, se a documentação era credível e real (de acordo com algumas fontes, o Alcobendas tinha só a fotocopia do passaporte, assim como a Federação de Rugby da Espanha, permitindo que clube e jogador conseguissem mentir ou ludibriar o sistema), entre outros trâmites de modo a evitar este tipo de acontecimentos.

Segue-se agora a preparação dos Lobos para a repescagem da World Rugby, que reunirá uma equipa das Américas (Estados Unidos da América ou Chile, com qualquer destas selecções a serem um problema ao nível da Roménia, se quisermos), África (Namíbia deverá garantir o apuramento directo, existindo Quénia, Argélia e Zimbabué como possíveis participantes na repescagem) e Ásia/Oceânia (Coreia do Sul deverá ficar com a vaga, uma vez que Hong Kong prescindiu de participar por problemas orçamentais), num torneio a realizar em Paris, no modelo de Final Four, com cada equipa a realizar três encontros, ficando a primeira classificada com o bilhete dourado para o Campeonato do Mundo.

Para Mike Tadjer, Jean de Sousa (anunciou a retirada no fim desta temporada, mas esta situação pode mudar os planos do 2ª linha), Francisco Fernandes, Samuel Marques, Jerónimo Portela, Rodrigo Marta, Anthony Alves, João Granate, José Madeira, Rafaelle Storti, entre outros, é a oportunidade de ouro para chegar ao Campeonato do Mundo de Rugby 2023, e de certo teremos os jogadores à altura do acontecimento, merecendo estes e todos os outros chegar ao objectivo máximo.

 


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