Campeonato da Europa sub-20: a convocatória, adversários e caminho

Francisco IsaacNovembro 3, 20217min0

Campeonato da Europa sub-20: a convocatória, adversários e caminho

Francisco IsaacNovembro 3, 20217min0
A selecção nacional de sub-20 vai disputar o Campeonato da Europa a partir do próximo Domingo e o Fair Play analisa alguns pontos dos jovens Lobos

O Campeonato da Europa de sub-20 está prestes a começar e, como em 2018 e 2019, será realizado em Coimbra (dividido em dois campos de jogo diferentes) o torneio que junta as seleções de Portugal, Espanha, Alemanha, Chéquia, Roménia, Bélgica, Rússia e Países Baixos, na luta não só pelo título de campeão, mas também pela oportunidade de disputar o Campeonato do Mundo “B” (denominado de Trophy) que, por sua vez, possibilita ao vencedor chegar ao principal palco desta faixa etária.

Os jovens Lobos de Nuno Aguiar, entram neste Campeonato da Europa como tricampeões e apesar de não contarem com alguns dos principais nomes desta geração como José Madeira ou Simão Bento (ambos vão estar envolvidos na Seleção principal, a preparar os jogos contra Canadá e Japão), o elenco escolhido apresenta bons motivos para se esperarem resultados interessantes numa competição que tem a seleção lusa e a Espanha como as principais candidatas, seja pela qualidade colectiva, individual e o histórico recente de ambas. É altura de olharmos então para alguns nomes presentes na convocatória final, perceber o que trazem tanto a nível individual e colectivo, seguindo-se uma análise dos potenciais adversários na meia- final.

QUEM SÃO OS DESTAQUES NA CONVOCATÓRIA

José Paiva dos Santos (Belenenses Rugby): o crescimento do ponta tem sido imenso nos últimos anos, ao ponto que não só chegou à Seleção Nacional sénior, como se tornou num dos principais nomes na franquia dos Lusitanos, tudo graças a uma combinação de factores que o elevam como uma autêntica ameaça sempre que tem espaço ou surge lançado num movimento em contra-ataque. Como Rodrigo Marta ou Rafaelle Storti, o ponta possui uma visão de jogo dinâmica, lê bem quando e como deve aparecer junto na manobra ofensiva, faz excelente uso da sua técnica de mudança de velocidade, e tem o condão de conseguir tirar o último defesa da frente fruto de um rico jogo de pés. Nota que está escalado como centro e não ponta na convocatória, o que permite ter uma “arma” importante em diferentes panoramas do jogo.

Nuno Peixoto (GD Direito): um dos novos nomes dos “advogados” de Monsanto, o 3a linha (que pode jogar a qualquer uma das posições desta secção) já tinha sido um dos principais destaques no Europeu de sub-18 em 2019, impondo um impacto duro e agressivo no contacto, um ritmo de trabalho e exigência de altíssimo nível e um acérrimo lutador por disputar o breakdown, o que garante outra dimensão em termos de fisicalidade para os homens de Nuno Aguiar. Tem vindo a ganhar lugar e protagonismo no seu clube, e será certamente um dos destaques de Portugal neste Campeonato da Europa, quer pelo que oferece ao ataque (difícil de parar no sítio) e defesa.

Domingos Cabral (Agronomia Rugby): tem vindo a se notabilizar na Tapada da Ajuda, com convocatórias para a Seleção Nacional de 7s, possuindo um génio interessante quer no assumir do jogo, no oferecer linhas de passe e manter fluidez a um ataque que não tem medo de esperar pela oportunidade certa para criar perigo e dano ao adversário. Refinado no aspecto técnico, o abertura sabe manipular bem a oval, tem condições para arriscar em certos momentos e consegue dar outra agilidade e mobilização às unidades de jogo, o que permite manter Portugal num acesso positivo ao domínio de território. A única questão é o jogo ao pé, sendo que seleções como Espanha ou Rússia gostam de encetar por troca constante de pontapés altos, procurando colocar pressão quer no abertura ou pontas contrários, forçando a Domingos Cabral uma atenção redobrada.

António Prim (Section Paloise): outro Lusitano que, como Manuel Cardoso Pinto, Simão Bento ou Boaventura Almeida, emigrou para França nesta temporada, e está à procura de crescer a todos os níveis, estando no caminho certo para se tornar num primeira-linha de nível. O ex-GD Direito reúne todo um poder compacto que deverá garantir estabilidade, agressividade equilíbrio na formação-ordenada, no surgir em jogo contínuo e de ser um principais avançados de Portugal no Europeu. Atenção a como o pilar sabe forçar o erro ao seu adversário na formação-ordenada, e como consegue se envolver no apoio ao primeiro placador, dois aspectos diferenciadores do atleta do Pau.

Em termos colectivos, Portugal deverá manter a mesma linha de acção vista quer nos sub-18 ou Lusitanos, que passa por acções agressivas e eficientes na placagem e “pesca” no ruck, de dar uma forma penetrante ao contra-ataque fazendo desse mecanismo a forma idílica de para chegar aos ensaios, e de manter calma e coesão mesmo quando o bloco opositor poderá ter um ligeiro domínio nas fases-estáticas. As competências físicas e técnicas não estão a aquém de nenhum adversário, pelo contrário, sendo que a experiência a nível sénior fará uma diferença substancial quando os jogos entrarem nos momentos e períodos mais frenéticos, e é aí que teremos prova em que ponto está este grupo escolhido para este Campeonato da Europa sub-20 (podem aceder à convocatória total aqui).

OS ADVERSÁRIOS A SEGUIR COM ATENÇÃO…

Portugal começa, no Domingo, a sua participação na prova da Rugby Europe frente â Chéquia, seleção que estará alguns níveis abaixo do contingente luso, mas que merece respeito pelo projecto que tem vindo a se desenvolver. Não havendo aí discussão do resultado, segue-se o vencedor de Roménia e Rússia, duas seleções que têm vindo a sofrer um crescente declínio na formação (terminaram em 5°/6° lugar em 2019, atrás de Bélgica e Holanda), mas que podem ter várias palavras a dizer frente a Portugal, uma vez que efectuaram ambas a mesma aposta no lançar de jogadores: enviá-los cedo para os seniores. Este factor é especialmente visto na Rússia que fez do seu campeonato o laboratório perfeito para fazer crescer os seus atletas não só ao nível do físico, mas no táctico e técnico, duas componentes que têm escasseado nas últimas três gerações, ficando demasiadamente agarrados à fisicalidade e tentativa de dominar as fases-estáticas, algo que não é suficiente nos dias de hoje.

Por isso, Rússia e Roménia são similares no papel, mas só teremos total a certeza de quem estará melhor durante o seu jogo nos quartos-de-final, sendo que são os russos a deter o favoritismo, muito pelos três meses de preparação que realizaram para este Campeonato da Europa, passando de um elenco de 70 para 48, de 48 para 35, e para os 30 finais.

Sobre Espanha, há pouco a dizer para além de serem o principal candidato, tanto pela longa lista de jogadores a actuar em França, alguns dos quais já até estiveram envolvidos com os plantéis do Top14 ou jogam na ProD2, como Iker Aduriz (Bayonne), Lucas Santamaría (provavelmente aquele que virá a ser o melhor pilar desta competição, jogando ao serviço do Biarritz), Joaquín Gali (Stade Français) ou Jeremy Trevithick (Universidade de Bath), sendo uma selecção que efectivamente deu claras mostras de ser excepecional em 2020, quando derrotou o Bayonne em dois jogos amigáveis.

O Campeonato da Europa arranca já no próximo Domingo ao meio-dia, com um Espanha-Alemanha, e veremos até onde irão os sub-20 de Portugal, que terão a missão de chegar à final e lutar por um inédito tetracampeonato. Portugal dá o “seu” pontapé de início às 19h30 de Domingo no Estádio de Taveiro.


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