3 destaques das meias-finais do Super Rugby Pacific 2022

Francisco IsaacJunho 13, 20225min0

3 destaques das meias-finais do Super Rugby Pacific 2022

Francisco IsaacJunho 13, 20225min0
Crusaders e Blues vão lutar pelo título do Super Rugby Pacific 2022, mas antes desse momento contamos o que se passou na final

Meias-finais terminadas, e a final do Super Rugby Pacific 2022 vai ser aquela que a larga maioria dos adeptos desejava e ansiava por: Blues vs Crusaders, com o encontro marcado para Eden Park no próximo sábado. Mas sabes quem esteve melhor neste penúltimo fim-de-semana da competição oceânica?

O SKILL: UM BLOCK PARA A SALVAÇÃO… E VITÓRIA

Sofrimento máximo no Eden Park, com os Blues a conseguir garantir a passagem à final do Super Rugby Pacific pela margem mínima de um ponto, num jogo em que os Brumbies por pouco não “roubavam” o encontro que podia ter chegado caso o drop de Noah Lolesio tivesse chegado a bom porto… Mas não foi assim que o destino, ou, melhor, que Ofa Tu’ungafasi quis, pois foi o pilar (sim, leram bem) a sprintar e acreditar no sonho da final, bloqueando com total força e querer a tentativa de drop do internacional Wallaby, para depois ir ajudar na sua recuperação num ruck posterior.

Mas há skill aqui? O bloqueio não será fruto só de levantar as mãos e acaso? Há e não, e passamos a explicar. Primeiro, o pilar internacional neozelandês, ao contrário da larga maioria dos seus colegas, não ficou vidrado no pontapé e à espera da sua conclusão, saindo em rompante e em alta velocidade até conseguir fechar o ângulo do abertura adversário; segundo, a forma como abordou a aproximação a Lolesio e os braços elevados no momento certo, possibilitaram um microssegundo de atraso ao pontapeador, que acabou por despachar o drop, prejudicando, deste modo, a técnica. Resultado? Drop bloqueado, Blues sobrevivem e garantem acesso à final do Super Rugby Pacific 2022 graças à força do acreditar de Ofa Tu’ungafasi, um dos heróis actuais da franquia sediada em Auckland.

O JOGADOR: CULLEN GRACE, O BICHINHO DE CHRISTCHURCH

Numa era em que a luta pela camisola n°8 dos All Blacks continua sob forte luta – com Ardie Savea ainda no topo da cadeia alimentar -, Cullen Grace evocou um forte e estrondoso grito de presente, depois de ter realizado uma das melhores exibições da temporada frente aos Chiefs nas meias-finais do Super Rugby Pacific. O jovem terceira-linha de 22 anos realizou vinte-e-três placagens efectivas (uma falhada, e só foi superado pelo incrível Tom Christie), um turnover no breakdown, uma intercepção no alinhamento, conseguindo ainda um ensaio, 45 metros de conquista, três tackle-busts e uma quebra-de-linha, dando outra dimensão aos Crusaders de Scott Robertson especialmente na 3a linha, com a saída da formação ordenada a ser decisiva, quer a defender (parou Pit Gus Sowakula por duas ocasiões, um dos adversários mais perigosos neste encontro), ou atacar.

Pode não parecer um jogador genial no rugby contínuo, mas as similitudes físicas e técnicas que tem com Pieter Steph Du Toit, o facto de trazer um impacto defensivo no contacto de alto nível e a capacidade em conseguir diminuir a predisposição do adversário em arriscar por um rugby mais alucinante, em especial junto à formação-ordenada, são elementos minimamente importantes para perceber que temos em mãos um dos futuros nomes fortes dos All Blacks. Para já, estará na final do Super Rugby Pacific 2022, e teremos um embate extraordinário frente a Hoskins Sotutu… Quem vai sair por cima?

O STAT: CRUSADERS, UMA DEFESA FEITA DE AÇO

246 placagens efectivas! 246 placagens efectivas de um total de 273, com as primeiras cem a terem sido realizadas nos primeiros 20 minutos de jogo, demonstram o porquê dos Chiefs não terem conseguido encontrar o caminho para a reviravolta e, por conseguinte, à final do Super Rugby Pacific, caindo perante uma defesa soberba dos Crusaders, que assim enviam um aviso sério aos Blues: ou arranjam formas de subir a fisicalidade e forçam erros inesperados, procurando em Beauden Barrett e Stephen Perofeta (convocado para os All Blacks) soluções criativas; ou vão ser presa fácil para os últimos campeões do Super Rugby “antigo”. Duas centenas e meia de placagens, doze turnovers no breakdown, vinte erros forçados aos Chiefs e um alinhamento de constante perturbação ao adversário, abriram espaço para que os Crusaders fossem tomando o domínio das operações do jogo, mesmo não tendo acesso à bola durante longos períodos de jogo, o que não significa estarem por baixo do encontro, muito pelo contrário, como se viu neste meia-final.

Scott Robertson limou e desenvolveu, até ao seu esplendor máximo, três elementos (entre outros) dos Crusaders: capacidade mental inabalável, não perdendo qualquer jogo a eliminar desde que chegou a Christchurch, no qual atingiram um total de 27 encontros a eliminar consecutivos em casa sem perder (75% dos quais já sob o comando de Robertson); defesa à campeão, permanecendo calmos e inabaláveis mesmo quando parece que o adversário está perto de fazer algo especial; e eficácia de operações, conseguindo pontos sempre que ultrapassam os últimos trinta metros, como aconteceu frente aos Chiefs. Estão em mais uma final de Super Rugby e podem juntar um novo troféu ao seu museu já no próximo fim-de-semana.

 


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