3 destaques da 8ª Ronda do Super Rugby Pacific 2022

Francisco IsaacAbril 8, 20225min0

3 destaques da 8ª Ronda do Super Rugby Pacific 2022

Francisco IsaacAbril 8, 20225min0
Beauden Barrett voltou a encantar os fãs do Super Rugby Pacific 2022 e vale a pena saber o porquê neste artigo de análise à 8ª jornada

Mais uma jornada de Super Rugby Pacific e com diferentes-velhos protagonistas a assumirem as rédeas dos destaques desta semana, como Aaron Smith, Beauden Barrett e não só, oferecendo um espectáculo imenso a esta 8ª ronda da maior competição de franquias da Oceânia.

O SKILL: AARON SMITH A DAR UMA DE KING CARLOS

Numa altura em que os fãs da bola oval estão completamente apaixonados por Antoine Dupont, classificando-o do melhor formação dos últimos anos, Aaron Smith, campeão do Mundo em 2015 pelos All Blacks, voltou a lembrar porque é que continua a ser um dos melhores na sua posição, não só pelos passes milimetricamente acertados e um fio de jogo fluído e explosivo, mas, e especialmente, por conseguir esboçar alguns dos momentos e skills mais atrevidos desta modalidade, como aconteceu com o passe por entre as pernas para um dos ensaios dos Highlanders nesta passada jornada. Simplesmente delicioso, estrondoso e exagerado, mas que merece todos os adjectivos positivos possíveis, uma vez que não só foi bem desenhado como ainda significou 5 pontos para a franquia com residência em Dunedin, juntando o útil ao (muito) agradável.

Um passe por entre as pernas é um preciosismo que a maioria dos treinadores deixaria de lado ou não daria importância, pois representa um risco tremendo caso corra mal… contudo, para os predestinados como Aaron Smith, não é um preciosismo ou uma “brincadeira”, é na realidade uma demonstração de como sente o jogo e como o pode impactar, seja através de um passe normal em alta velocidade ou de um malabarismo técnico desconcertante e épico. É verem o vídeo para perceber o quão especial ou diferente foi este “coelho tirado da cartola” por Aaron Smith, que continua a desafiar a si mesmo e aos seus adversários a cada novo jogo e época que passa.

O JOGADOR: BEAUDEN BARRETT ESTÁ DE VOLTA!

Os Blues continuam a somar pontos neste Super Rugby Pacific 2022, estando cada vez mais perto do primeiro lugar da tabela, e mostram que o plantel actual às ordens de Leon McDonald tem o talento e o engenho necessário para lutar de frente contra os Crusaders (continuam a ser o alvo a abater), isto depois de terem completamente suprimido os Chiefs em Hamilton, com uma vitória por 25-00 no qual Beauden Barrett foi o melhor em campo, tanto pelas duas assistências para ensaio que produziu como por ter sido o “motor” da equipa durante os 80 minutos.

Depois de uma falsa partida frente aos Highlanders, pois foi forçado a sair logo após o intervalo (suspeitas de concussão que não vieram a se confirmar), nada melhor que uma exibição de gala para mostrar aos adeptos neozelandeses – e não só – de que ainda está no máximo das suas capacidades, conseguindo encontrar soluções de ataque geniais, abrindo espaços numa defesa dos Chiefs algo instável. Nas sete acções com bola, Beauden Barrett protagonizou quatro momentos-chave para a vitória dos Blues, sendo ele o construtor inicial como final do 2º ensaio de Tom Robinson – foi ele quem fez um offload inesperado para Telea, para depois no fim desenhar aquele crosskick perfeito para as mãos do asa -, e também é quem faz um passe longo que deu a AJ Lam o seu primeiro toque da temporada, somando ainda duas quebras-de-linha, cinco defesas batidos e três offloads, impondo sempre um temor completo à equipa contrária, especialmente por estes não terem plano A ou B de como parar o génio do internacional All Black.

Com Beauden Barrett como condutor de jogo, os Blues ganham uma consistência mais confiante no assumir das fases de ataque, como ainda podem esperar o inesperado das mãos e mente de um dos maiores fantasistas e aberturas dos últimos 20 anos, estando assim pronto para tomar de assalto este Super Rugby Pacific.

O STAT: QUANDO METADE SIGNIFICA CAMINHO PARA A DERROTA

A Western Force concedeu uma derrota por um ponto frente aos seus rivais australianos dos Melbourne Rebels, com três dados estatísticos a poderem explicar o porquê da equipa de Perth ter deixado escapar aquilo que parecia uma vitória importante neste Super Rugby Pacific: 0% de eficácia na conversão dos pontapés aos postes após ensaio, que representaram 6 pontos; 58% dos alinhamentos foram perdidos, tendo dois deles sido já nos últimos 10-5 metros ofensivos; duas formações ordenadas em sete terminaram em faltas, com uma dessas a oferecer três pontos a Reece Hodge (converteu um pontapé a 45 metros de distância).

Ou seja, a Force foi vítima de si própria no final de contas, já que podia perfeitamente ter conseguido conquistar uma vitória caso tivesse cortado para metade o somatório destes erros, especialmente no aperfeiçoamento das fases-estáticas e na conversão de pontapés, impossibilitando ao adversário ganhar um balão de oxigénio, algo que os Rebels agradeceram em certos momentos críticos do encontro. Faltou uma concentração maior e um foco total no conseguir cumprir dos básicos para depois tentar ir atrás dos movimentos mais complexos, servindo este duelo de lição para o futuro de uma franquia que ainda pode ser candidata às meias-finais do Super Rugby Pacific, dependendo de como fecha esta fase-regular.


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