3 Destaques da 8ª ronda do Super Rugby Aotearoa 2021

Francisco IsaacAbril 17, 20216min0

3 Destaques da 8ª ronda do Super Rugby Aotearoa 2021

Francisco IsaacAbril 17, 20216min0
Os Chiefs também tiveram a arte e o engenho para derrubar os Crusaders e sobem ao 2º lugar do Aotearoa 2021. A análise de Francisco Isaac à 8ª jornada do SR

Crusaders e Blues foram derrotados nas visitas à casa de Chiefs e Highlanders, com estas duas vitórias a relançarem a luta pelo 2º lugar do Super Rugby Aotearoa 2021, para além de submeter os campeões e vice-campeões a uma pressão que não sentiam desde 2019. A explicação em três pontos ao que se passou pela divisão de franquias neozelandesa.

O DESTAQUE: CHIEFS

Pela 2ª semana consecutiva, os Chiefs são o grande destaque da jornada do Super Rugby Aotearoa e não é só pelo facto de terem tido a força para derrotar os Crusaders, mas também pela qualidade do jogo colectivo submetendo os campeões em título do Super Rugby Aotearoa debaixo de uma pressão defensiva extrema, que acabou por resultar numa vitória à equipa comandada pelo seleccionador dos Maori All Blacks, Clayton McMillan. No global, os Chiefs foram melhores em todos os aspectos, mais compactos no exercício da defesa colectiva, sólidos na reocupação de espaços e na rápida saída após a variação de ataque dos saders (Lachlan Boshier, Luke Jacobson e Tupou Vaa’i deram sempre um reforço extra), montando ainda um ataque inteligente, tempestivo e de risco em zonas de jogo que os seus adversários não esperavam, com nota alta para Damian McKenzie e Anton Lienert-Brown na criação de jogadas e no conseguir mobilizar os restantes colegas no sentido mais problemático para quem defendia.

Se o encontro foi decidido por detalhes? Foi, seja pelo pontapé final certeiro de Damian McKenzie (100% nas conversões), pelas três conversões falhadas de Richie Mo’unga ou por aquele offload mágico de Anton Lienert-Brown que brotou o ensaio da 1ª reviravolta no encontro (a última seria aos 78 minutos pelo pontapé de McKenzie), mas que não tira um pingo do sucesso e do mérito dos Chiefs. McMillan sabia bem qual era o estado de espírito dos Crusaders, demasiadamente relaxados por já estarem apurados para a final do Aotearoa, e com pouca vontade de se exporem a uma intensidade alta do principio ao fim do jogo, dando assim espaço para o surgir de um resultado improvável, com o treinador da franquia de Waikato a realizar algumas alterações estratégicas que no fim dos 80 minutos foram benéficas e essenciais para os 4 pontos.

Esta junção de vectores conferiu a dimensão certa para que os Chiefs ombreassem com aquele que é o alvo a abater deste Super Rugby Aotearoa, emitindo uma exibição competente e de alto nível, abrindo assim possibilidade do apuramento para a final da competição.

O “DIAMANTE”: AARON SMITH (HIGHLANDERS)

Não, não nomeámos Aaron Smith como o melhor desta 8ª jornada só por causa daquele passe extraordinário no ensaio de Ngane Punivai, pois há muito mais para dizer da prestação do formação dos Highlanders e All Blacks. Tirando o passe interceptado por Jonathan Ruru, que adveio da má colocação de Mitch Hunt na linha-de-ataque (o abertura posicionou-se um pouco próximo demais da linha do alinhamento), Smith foi quem fez o “motor” dos landers funcionar, sempre numa intensidade contínua durante grande parte do encontro, movimentando peças e unidades à medida das necessidades, o que permitiu ocupar o terreno de outra forma, mantendo o jogo sob controlo mesmo quando os Blues pareciam estar num momento melhor.

A comunicação constante é sempre um dos pontos ou qualidades máximas e, para não variar, na recepção aos Blues manteve o mesmo nível de qualidade, com destaque para dois momentos que valem a pena ficar como nota: no ensaio de Kazuki Himeno (nova jogo de luxo do nº8 nipónico), Aaron Smith foi o fio condutor de toda a jogada, começando bem numa sequência de fases onde os passes foram encontrando os jogadores certos, para depois criar a ilusão ao adversário de que não ia seguir rápido na penalidade, tocando a bola em alta velocidade e a ganhar preciosos metros que abririam portas para os primeiros pontos para os Highlanders; o 2º veio do tempo de espera que criou no 3º ensaio, onde o desacelerar da bola criou uma subida em falso da defesa da franquia de Auckland, explorando depois a opção de meter a oval nas mãos de Hunt e, subsequentemente, nas de Jona Nareki.

É a elegância por excelência do jogo, é ver um mestre a construir uma obra-de-arte com um talento e capricho quase único, é simplesmente Aaron Smith, o melhor formação à escala global.

O “DIABRETE”: O GÁS ACABOU AOS BLUES?

A derrota no campo dos Highlanders significou duas coisas para os Blues e os seus adeptos: terceira derrota na temporada e o adeus (para já) ao 2º lugar no Super Rugby Aotearoa 2021, o que, caso termine assim, significa o “adeus” à final da competição, o que é um claro retrocesso para as aspirações dos homens de Leon McDonald. Jonathan Ruru e Otere Black não têm o poder para elevar os Blues a um nível superior, conseguindo no máximo levar a equipa a ganhar um par de jogos mas ser domínio total ou perto desse patamar, e isto torna tudo mais difícil, especialmente quando começam a se deparar com adversários igualmente motivados e com crença nas suas capacidades, algo que em 2020 os Highlanders pouco tinham e que os Chiefs tinham perdido depois de uma muito boa primeira fase da temporada.

O crescimento dos seus rivais fez com que o brilhantismo dos Blues fosse se ofuscando, voltando a reincidir em alguns problemas de 2019 e 2020, como a capacidade para não fazer faltas em excesso ou, pelo menos, em locais perigosos e que oferecessem margem de manobra para a oposição chegar a pontos. Outro ponto a menos neste encontro da 8ª jornada do Super Rugby Aotearoa, foi a inacapacidade para aguentar a pressão das grandes decisões quando os Highlanders voltaram para a frente do resultado, sendo que esta crítica não advém do vermelho de Alex Hodgman (desnecessário a acção do pilar na abordagem na “placagem”) mas sim da anarquia revelada nos últimos 15 minutos, fazendo a diferença mais no sentido individual (Finlay Christie entrou bem em campo e trouxe algumas melhorias na acção conjunta) que acabou por não ser suficiente para garantir a vitória e a perservação do 2º lugar.

A saída de Beauden Barrett, a ausência de Sam Nock e as lesões de Dillon Hunt e Patrick Tuipulotu têm saído caras à estratégia de jogo dos Blues que precisam de garantir pontos nos dois jogos que faltam para fechar a temporada, não se vislumbrando missão nada fácil.

OS STATS DA JORNADA

Melhor marcador de pontos (jogador): Damian McKenzie (Chiefs) – 16 pontos
Melhor marcador de pontos (equipa): Highlanders – 35
Melhor marcador de ensaios (jogador): Vários – 1
Melhor placador: George Bower (Crusaders) – 17 (nenhuma falhada)
Maior diferencial no ataque (jogador): Caleb Clarke (Blues) – 120 metros conquistados, 2 quebras-de-linha, 4 defesas batidos e 3 tackle busts


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