3 Destaques da 4ª ronda do Super Rugby Aotearoa 2021

Francisco IsaacMarço 21, 20217min0

3 Destaques da 4ª ronda do Super Rugby Aotearoa 2021

Francisco IsaacMarço 21, 20217min0
Os Crusaders são cada vez mais líderes isolados do Super Rugby Aotearoa e explicamos como é que os Blues perderam frente aos campeões neste artigo

O líder é um, e o seu nome é… Crusaders, com os campeões em título do Super Rugby Aotearoa a darem uma lição de pragmatismo aos Blues, naquele jogo que alguns depositavam as esperanças em como poderia ser a primeira derrota para a equipa liderada por Scott Robertson. Mas o nosso principal destaque não foi para os saders, e sim para o elenco dos Chiefs, que foram autores de uma das reviravoltas mais sensacionais dos últimos tempos.

O DESTAQUE: CHIEFS E O VOLTAR AOS BÁSICOS PARA MUDAR O DESTINO

Parece demasiado poético o título imposto, e injusto não referirmos (novamente) os Crusaders como o destaque da semana, só que seria ainda mais inglório não darmos este espaço para o que os Chiefs foram capazes de fazer na casa dos Hurricanes, depois de terem ido para o intervalo a perder por 07-26, com tudo e todos (o Fair Play incluído) a acreditar que mais uma derrota estaria no seu horizonte. Mas, e como nas melhores epopeias ou thrillers, deu-se um volte-face e uma alteração de rumo de espectacular nível, motivada por um colectivo que acreditou ser capaz de impressionar e acreditar nas suas capacidades, ajudada por uma série de jogadores geniais, que pareciam estar num estado dormente à demasiado tempo.

Damian McKenzie esteve intratável na segunda metade do jogo, escalando para a posição de MVP quando teve de assumir o lugar de médio-de-abertura (Kaleb Trask não esteve à altura das exigências, notando que a sua posição preferencial é a de defesa), galvanizando os seus colegas em quererem ter a oval em sua posse e de irem para cima dos Hurricanes, não temendo a maior fisicalidade imposta por atletas como Ngani Laumape, Ardie e Julian Savea ou Jordei Barrett.

Com Sam Cane a realizar uma prestação extremamente positiva (40 metros, 2 quebras-de-linha e 4 defesas batidos) e Naitoa Ah Kuoi a surpreender (o 2ª linha foi o melhor avançado do encontro e não foi só pelo ensaio), a “casa das máquinas” dos Chiefs funcionou como um relógio durante aquela meia-hora final que acabou por ditar o resultado, colocando uma pressão extrema nos rucks e saída do jogo ao pé dos Hurricanes, com estes a não terem o foco certo para suster a maior volatilidade e espectacularidade do ataque dos seus adversários, injectados na segunda-parte pela entrada de Chase Tiatia.

Transformar um 07-26 em 35-29 em 40 minutos foi inesquecível e uma demonstração que os Chiefs têm a profundidade suficiente para dar a volta à situação caótica de quase 10 derrotas consecutivas num espaço de um ano, conquistando agora a sua primeira vitória no formato Super Rugby Aotearoa.

O “DIAMANTE”: DAMIAN MCKENZIE (CHIEFS)

Os Chiefs, como explicámos antes, entraram para a segunda-parte com uma missão difícil de dar a volta a um jogo e resultado completamente dominado pelos Hurricanes, e acabaram por consegui-lo depois de uns segundos 40 minutos brilhantes e extremamente inspiradores, com um jogador a merecer rasgados elogios pela maneira como foi capaz de não só de se elevar a um nível individual estupendo, como de motivar os seus colegas a acompanhá-lo numa das reviravoltas mais memoráveis da jovem história do Super Rugby Aotearoa. Damian McKenzie, o yellow flash da formação vinda de Hamilton, deu uma lição em como mexer por completo com um jogo que parecia perdido, onde aquele poder de aceleração e virtuosismo técnico inflamado colocou a defesa dos Hurricanes em completo alvoroço e pânico, abrindo espaços por todo lado, sem nunca terem conseguido encontrar maneira de colocar um travão na manobrabilidade do “pequeno” génio.

Os dados estatísticos  comuns nem foram extraordinários com o que já fez no passado, alcançando uns meros 90 metros galgados com a bola nas suas mãos, 1 quebra-de-linha, 5 defesas batidos e uma assistência para ensaio… contudo, quando olhamos para um dado menos conhecidos, que por vezes não é tão “conhecido”, percebemos como o internacional neozelandês alterou por completo com o destino dos Chiefs: 7 assistências para quebras-de-linha de companheiros. Brad Webber, Chase Tiatia (marcou ensaio contra a sua antiga equipa), Luke Jacobson, Sam Cane e Etene Nanai-Seturo, receberam offloads ou passes chave que resultaram numa penetração efectiva da linha de defesa contrária, abrindo assim passagem e um caminho que terminou em algumas das ocasiões em ensaio.

O poder de mudar uma provável derrota numa vitória emocionante só está ao alcance dos maiores nomes do Super Rugby e Damian McKenzie é um desses jogadores a deter essa capacidade especial.

 

O “DIABRETE”: BLUES FALAM MUITO… MAS POUCO CONSEGUEM FAZER

Desde do arranque da temporada que a franquia dos Blues impôs um discurso subtil, de que eram os únicos adversários à altura dos Crusaders, com jogadores com o mesmo ou similar nível dos seus rivais, como por exemplo Otere Black (uma ideia completamente desagregada da realidade) ser um 10 tão mágico/decisivo como Richie Mo’unga, e de uma competência técnica de excelsa qualidade. Porém, ao fim de 80 minutos de um embate supremo no que toca à intensidade, ritmo e fisicalidade, os Blues foram abalroados pelos tricampeões do Super Rugby e campeões em título do Super Rugby Aotearoa, como se prova pelos 43-27 final.

As penalidades deram uma ajuda para o resultado ganhar a largura ostentada no final, tendo ambas as formações neozelandesas marcado o mesmo número de ensaios (4), com a equipa da casa até ter terminado com melhores números nas quebras-de-linha (6 para 4), defesas driblados/tirados da frente do portador da bola (21 para 18) e posse de bola e território (61% e 59%, respectivamente) e metros (362 para 321), não chegando isto para dar a volta a um encontro que foi dominado pelos Crusaders quando mais importou.

E é esse o ponto que os Blues pecam, de conseguir efectivamente mandar num jogo contra um adversário mais inteligente ou agressivo, com outra confiança e poder de foco como é o caso dos Crusaders (e como foi contra os Hurricanes, no jogo da 1ª volta do Aotearoa da época passada), acabando por serem apanhados em falso no contra-ataque ou em penalidades cometidas na saída da linha-defensiva (5) e no ataque ao turnover no chão (6), abrindo as “portas” para os seus rivais irem adicionando pontos ou para afastar a pressão do seu meio-campo defensivo.

A confiança nas suas capacidades não pode ser confundida com uma postura arrogante e de bullying, nem a humildade e vontade de trabalhar nos pequenos pormenores podem ser suplantados com a vontade irreal de querer entrar num jogo da mesma espécie dos Crusaders, com estes a deterem outra presença mental e técnica para encetar por essa estratégia, erros cometidos pelos Blues neste suposto encontro de “líderes”, que terminou com uma diferença assinalável onde mais importa… no resultado.

OS STATS DA JORNADA

Melhor marcador de pontos (jogador): Richie Mo’unga (Crusaders) – 28 pontos
Melhor marcador de pontos (equipa): Crusaders – 43 pontos
Melhor marcador de ensaios (jogador): Salesi Rayasi – 2 ensaios
Melhor placador: Codie Taylor – 14 placagens (nenhuma falhada)
Maior diferencial no ataque (jogador): Richie Mo’unga (Crusaders) – 1 ensaio, 1 assistência, 35 metros conquistados, 2 quebras-de-linha, 5 defesas batidos e 2 tackle busts
Mais metros conquistados (equipa): Chiefs – 525 metros


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