3 destaques da 3ª jornada do Super Rugby Trans-Tasman 2021

Francisco IsaacMaio 30, 20216min0

3 destaques da 3ª jornada do Super Rugby Trans-Tasman 2021

Francisco IsaacMaio 30, 20216min0
Houve surpresa no Super Rugby Trans-Tasman e explicamos qual foi nesta análise da 3ª jornada da competição de rugby de franquias do Hemisfério Sul

Ao fim de três jornadas do Super Rugby Trans-Tasman, uma das franquias australianas conseguiu conquistar a primeira vitória, devolvendo um vislumbre de “luz” depois de sofrerem 13 consecutivas derrotas ante os seus rivais da Nova Zelândia. A explicação de como os Reds foram capazes de derrotar os Chiefs, da beleza da exibição de Will Jordan e dos problemas e vicissitudes dos Brumbies, tudo analisado neste artigo.

O DESTAQUE: REDS OFERECEM 1 VITÓRIA À AUSTRÁLIA

Depois de 13 derrotas consecutivas, as franquias australianas finalmente foram capazes de registar uma vitória neste Super Rugby Trans-Tasman, que chegou pela mão dos Queensland Reds. Os comandados de Brad Thorn foram capazes de abater os vice-campeões do Super Rugby Aotearoa por 40-34, num jogo que parecia completamente decidido na 1ª parte, pois os australianos estiveram na frente do resultado por uma diferença de 30 pontos (33-03), perdendo o controlo nos últimos 15 minutos, altura em que os Chiefs partiram em busca de uma reviravolta, que acabou por nunca chegar.

Se a 2ª parte não foi de excelência, os primeiros 40 minutos deste encontro mostraram o melhor que os Reds conseguem fazer quando entram em sintonia, com uma velocidade de movimentos impressionante, onde a procura incessante por oferecer diferentes plataformas de ataque cria constantes erros na defesa contrária, especialmente na zona defendida entre os centros e o ponta, bem explorada por James O’Connor, Filipo Daugunu, Isaac Henry (estreia absoluta do centro de 22 anos com dois ensaios e 56 metros de conquista) e Tate McDermott. Os Chiefs sentiram dificuldades para reagir ao bom trabalho dos seus adversários australianos no breakdown, apanhados em falso em certos momentos que acabaram por definir o rumo dos acontecimentos na primeira parte, que valeria a vitória e os primeiros 4 pontos nesta competição do Super Rugby Trans-Tasman.

A estabilidade emocional e a crença para tentar procurar um jogo consistentemente mais incisivo fez a diferença na linha-de-vantagem, na conquista de metros e no encontrar o caminho para a área de validação, mostrando que o campeão australiano detém algum poder, mesmo que já esteja praticamente afastado da final da competição.

O “DIAMANTE”: WILL JORDAN (CRUSADERS)

Tate McDermott, Salesi Rayasi, Dalton Papalii e Will Jordan, qual deles merece o destaque da semana? Rayasi somou quase 200 metros de conquista (está à beira de chegar aos 600 nesta temporada do Trans-Tasman), Tate McDermott criou diversas oportunidades de ataque e ensaio para os Reds tendo sido influente na vitória dos Reds, enquanto Dalton Papalii foi um problema para o breakdown dos Brumbies e surgiu em grande na linha-de-ataque dos Blues… e Will Jordan? O defesa dos Crusaders voltou a oferecer um espectáculo pujante, entre aquelas arrancadas de alta velocidade que se tornam impossíveis de parar se não surge logo uma placagem no primeiro momento, os skills ao pé que inventam espaços e soluções de saída para o ataque e aqueles pormenores técnicos que fornecem outro tipo de capacidade ofensiva aos bicampeões do Super Rugby Aotearoa.

Na visita aos NSW Waratahs, Will Jordan rubricou uma exibição de gala de 150 metros percorridos com a oval em seu poder, três quebras-de-linha, dez defesas batidos (três dos quais de uma forma estonteante, deixando Jack Dempsey colado ao chão), um ensaio e duas assistências, sendo aquela “ferramenta” diferenciadora fulcral para que os Crusaders transformassem o domínio territorial e físico em pontos. É, possivelmente, um dos melhores três-quartos a atacar do rugby neozelandês neste momento, faltando só apurar o aspecto da tomada de decisão na defesa (na jornada anterior foi completamente ludibriado por Harry Wilson num dos ensaios dos Reds) e vincar sempre uma placagem categórica no um para um, já que o posicionamento nos pontapés é de extrema qualidade e que confere confiança aos seus parceiros do três-de-trás.

O “DIABRETE”: BRUMBIES EQUILIBRAM NA FO MAS PERDEM NO RESTO…

Luta de pesos-pesados nos primeiros 20 minutos, para se seguir um desequilibrar da balança do domínio territorial a favor dos Blues no restante tempo, com os Brumbies a sofrerem uma derrota completamente justa, até pela falta de qualidade nas combinações em jogo aberto, com os Blues a saberem dar melhor uso à bola, demonstrando terem outra aptidão para a criação de boas e lógicas jogadas que acabaram por surtir em cinco ensaios contra um dos seus rivais de Canberra.

Mas o que se passa com os Brumbies, que depois de terem assustado os Crusaders na primeira jornada, encarrilharam por uma sequência de duas prestações de qualidade extremamente dúbia, principalmente quando estamos a falar do campeão do Super Rugby AU 2020 e o vice-campeão actual da competição de franquias da Austrália? Falta de rigor e eficiência nos processos? Falta de coerência na transição de jogo? Ou ausência de uma componente mental mais completa está fazer a diferença em encontros mais disputados?

Nesta derrota na casa dos Blues, os homens treinadores por Dan McKellar conseguiram lutar até ao intervalo, indo para os balneários a perder por 7 pontos, depois de até terem tido oportunidade para capitalizar em dois momentos diferentes. Contudo, o retorno para a 2ª parte foi o início do caos na organização, com constantes perdas de bola no contacto (10 no total), penalidades na formação-ordenada e na saída da linha de defesa e uma falta de brio para aguentar o maior impacto da 3ª linha dos Blues, sendo completamente devastados por Akira Ioane, Hoskins Sotutu ou Tom Robinson, com esta combinação de factores a valer mais um desaire nesta estreia do Super Rugby Trans-Tasman.

Várias dúvidas, diversos problemas no que fazer com a bola e alguma descrença nas capacidades colectivas de um dos supostos melhores conjuntos do Hemisfério Sul.

OS STATS DA JORNADA

Melhor marcador de pontos (jogador): Richie Mo’unga (Crusaders) – 14 pontos
Melhor marcador de pontos (equipa): Crusaders – 54 pontos
Melhor marcador de ensaios (jogador): Salesi Rayasi (Hurricanes) e Isaac Henry (Reds) – 2 ensaios
Melhor placador: Dalton Papalii (Blues) e Fergus Lee-Warner (Force): 16 (nenhuma placagem errada);
Maior diferencial no ataque (jogador): Salesi Rayasi (Hurricanes) – 2 ensaios, 160 metros conquistados, 2 quebras-de-linha, 5 defesas batidos, 1 interceção e 2 tackle-busts


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter