3 destaques da 2ª jornada do Super Rugby Trans-Tasman 2021

Francisco IsaacMaio 22, 20216min0

3 destaques da 2ª jornada do Super Rugby Trans-Tasman 2021

Francisco IsaacMaio 22, 20216min0
As franquias neozelandesas estão a dominar o Super Rugby Trans-Tasman como 10 vitórias em 10 jogos, mas qual terá sido a melhor equipa da 2ª jornada?

10-00, este é o registo actual das franquias da Nova Zelândia neste Super Rugby Trans-Tasman, com os Crusaders a darem uma autêntica lição aos Reds, naquele que era o jogo mais aguardado desta segunda jornada. Uma análise à exibição dos Chiefs na recepção aos Brumbies, ao espectáculo Mo’unga e à ilusão australiana desmistificada…

O DESTAQUE: CHIEFS MONTAM O CIRCO À CUSTA DOS BRUMBIES

Os Chiefs receberam em Hamilton a 2ª melhor equipa do Super Rugby AU, os Brumbies, que na 1ª jornada tinham oferecido um valente susto aos Crusaders, com o empate a ser perdido naquela não conversão de Noah Lolesio aos 80 minutos. Porém, e ao contrário do que 99% do público esperava, o encontro entre estes dois vice-campeões dos Super Rugby AU e Aotearoa não foi disputado, nem equilibrado, já que tanto o resultado final o demonstra, com um 40-19, assim como a diferença substancial em todos os outros dados: posse de bola (55% para 45%), território (55% para 45%), metros conquistados com a oval em seu poder (560 para 398), quebras-de-linha (13 para 7), defesas batidos (33 para 20), turnovers (12 para 2), formações-ordenadas (os Chiefs engoliram duas FO’s dos seus adversários) e tackle busts (19 contra 7).

O resultado só não foi mais dilatado porque os Chiefs perderam três ensaios feitos em ocasiões diferentes, tendo assumido um estilo de jogo mais caótico ou desenfreado nos últimos 15 minutos, altura em que dominavam por completo o encontro, esboçando combinações extraordinárias entre Damian McKenzie, Chase Tiatia ou Anton-Lienert-Brown (o ensaio do centro aos 65 minutos foi e é o exemplo perfeito do quão perigosa a franquia de Hamilton consegue ser no contra-ataque), sem falar da estupenda prestação do bloco dos avançados, incidindo as atenções em Luke Jacobson (dois ensaios, duas quebras-de-linha, 3 turnovers, 80 metros conquistados e um mestre nas fases estáticas) e Tupou Vaa’i.

Este mix de factores desmontou toda a lógica de jogo mais “pesada” dos Brumbies de Dan McKellar, com estes a nunca terem a real capacidade para disputarem este duelo já mítico com os Chiefs (a última vez tinham derrota a equipa neozelandesa, isto em 2020), sofrendo um total eclipse logo após os minutos iniciais, tudo devido ao facto dos homens de Clayton McMillan terem apostado na estratégia certa para contornar os seus rivais australianos e imposto uma velocidade e dinâmica extremamente alta e asfixiante.

Falta aos Chiefs derrotar os Reds e assegurar um lugar na final do Super Rugby Trans-Tasman (e ganhar também aos Waratahs e Rebels), mas a verdade é que é realmente a 2ª melhor franquia da Nova Zelândia e do Super Rugby Trans-Tasman, neste momento, apesar de estarem os Hurricanes e Blues em 1º e 2º lugar, respectivamente.

O “DIAMANTE”: RICHIE MO’UNGA (CRUSADERS)

Exibição extraordinária do abertura dos supra campeões do Super Rugby Aotearoa, com três ensaios, duas assistências, mais de 5 quebras-de-linhas realizadas, 11 defesas batidos e uma série de dados estatísticos que foram crescendo a cada nova arrancada, sprint e aproveitamento técnico, demonstrando que é, actualmente, o melhor nº10 do Hemisfério Sul, ou, pelo menos, do Super Rugby. Richie Mo’unga deu um autêntico show de pirotecnia em Queensland, desmontando facilmente a suposta bem pensada estratégia defensiva  dos Reds, aplicando aquela agilidade explosiva de movimentos que torna a missão dos seus adversários quase impossível de executar, com cada brecha ou erro a significar uma oportunidade clara para chegar à área de validação, seja pelas suas mãos ou por uma assistência a um colega de equipa, como aconteceu com Sevu Reece por duas ocasiões.

É um predador nato dos erros da equipa contrária, como se viu no seu primeiro ensaio, em que realizou uma excelente placagem, erguendo-se e reposicionando-se rapidamente na linha, para depois acelerar mal o passe de Tate McDermott foi atirado para uma zona vazia, com Mo’unga a impor um sprint de alta glória até à área de validação. Num jogo que foi toda uma sinfonia perfeita dos Crusaders, com Ethan Blackadder e Cullen Grace a serem destruidores na avançada e Will Jordan clínico no jogo ao pé, Richie Mo’unga foi enchendo o encontro de um contraste cromático apaixonante, elétrico e de total afirmação perante o seu poder para galvanizar o “motor” dos bicampeões do Super Rugby Aotearoa e, talvez, futuros detentores do troféu do Super Rugby Trans-Tasman.

O “DIABRETE”: A QUEDA DO MITO DO SUPER RUGBY AU

Fechar em “copas”, fundar um Super Rugby local e teorizar que a boa qualidade dos jogos realizados nessas competição territorialmente limitada seria o caminho certo para voltar a reequilibrar os pratos da balança do domínio no Hemisfério Sul, está a ser afinal uma estratégia errada e que revela as limitações inerentes a cada uma das franquias.

O rugby australiano fez do Super Rugby AU uma espécie de tábua de salvação, argumentando que a anterior expansão do antigo Super Rugby foi nociva para o manter de qualidade nas suas equipas, aludindo que isso prejudicou o crescimento dos Wallabies, numa tentativa de responsabilizar os seus adversários externos das suas falências e fracassos. Porém, depois de um entusiasmante Super Rugby AU 2021, a maioria dos especialistas australianos projectavam uma competição equilibrada e que abriria espaço para até se dar uma mudança na hegemonia na Bledisloe Cup já neste ano, apontando para um olhos-nos-olhos dos seus principais rivais no rugby neste Trans-Tasman, naquilo que só pode ser entendido como uma ilusão grotesca e bipolar.

Ao fim de duas jornadas, as franquias australianas sofreram 10 derrotas, os Reds, campeões do Super Rugby AU, foram obliterados por Highlanders e Crusaders sem “perdão”, e a diferença de qualidade entre os elencos australianos e neozelandeses é evidente e, porque não, assustadora como se mostra pela diferença pontual em 8 dos 10 encontros (só a Western Force e Brumbies foram capazes de perder por 1 ou 2 pontos), permitindo um festim total das cinco equipas kiwis.

Esta ilusão criada pelo fechar de fronteiras com o Super Rugby AU e Aotearoa, tem mais condições para criar problemas internos, particularmente para o rugby australiano, e é fundamental que o próximo Super Rugby Trans-Tasman aceite a integração das franquias do Pacífico e, talvez, dos seus pares do Japão ou da África do Sul, num retornar ao passado, repensando o “produto” em conjunto. Por outro lado, a Austrália tem de perceber onde estão os seus reais problemas, e aceitar que não é as saídas forçadas e críticas constantes aos seus rivais que vai os repor no sentido de voltarem a chegar a uma final de um Mundial de Rugby.

OS STATS DA JORNADA

Melhor marcador de pontos (jogador): Richie Mo’unga (Crusaders) – 31 pontos
Melhor marcador de pontos (equipa): Crusaders – 63 pontos
Melhor marcador de ensaios (jogador): Richie Mo’unga (Crusaders) e Bryce Heem (Blues) – 3 ensaios
Melhor placador: Lachlan Boshier (Chiefs) – 26 placagens
Maior diferencial no ataque (jogador): Bryce Heem (Blues) – 181 metros conquistados, 3 ensaios, 1 assistência, 5 quebras-de-linha, 5 defesas batidos, 3 offloads e 4 tackle-busts


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter