3 destaques da 2ª semana da Janela Internacional de Outono 2021

Francisco IsaacNovembro 15, 20217min0

3 destaques da 2ª semana da Janela Internacional de Outono 2021

Francisco IsaacNovembro 15, 20217min0
A Irlanda fez o resultado da semana neste mês de Test Matches de Outono, e contamos quem foram os melhores neste artigo de análise e acompanhamento

Um Outono bem “quente”, pois a Irlanda tratou de incendiar o Aviva Stadium ao derrotarem os All Blacks em casa por 29-20, num dos jogos mais emotivos desta semana, mas que não foi o escolhido para o jogo a ver com atenção. Fica a saber tudo neste três destaques à 2ª semana da Janela Internacional de Outono 2021.

MVP: RONÁN KELLEHER (IRLANDA)

Não havia escassez de possibilidades para o destaque de MVP desta 2a semana da janela Internacional de Outono, com destaques quer do super embate físico e táctico entre Springboks e Escócia, onde Duhan Van der Merwe e Siya Kolisi foram as estrelas, ou de entre a luta de “Rosa” e Wallabies, com Freddie Steward e Michael Hooper a erguerem-se no alto, e ainda as notas auspiciosas que se fizeram soar no encontro entre o País de Gales e Ilhas Fiji, promovidas por Waisea Nayacalevu ou Ryan Elias. Deste “oceano” de nomes e hipóteses, a nossa escolha recai em Ronán Kelleher, que ajudou a “sua” Irlanda a vergar a sempre poderosa Nova Zelândia em Dublin, com o talonador a marcar um dos três decisivos ensaios, sendo que a sua prestação vai bem mais para além daquelas entradas em rompante que, consequentemente, ajudaram à Seleção do Trevo empurrar os All Blacks para trás.

A Irlanda foi superior em certos aspectos, a começar pela combatividade e resiliência do bloco de avançados em manter a mesma dose de trabalho, atingindo um ritmo louco e interrupto que durou até ao último minuto, com Kelleher a ser uma das “baterias” mais dinâmicas até à sua saída aos 63 minutos, e onde é importante lembrar que o pilar ainda teve de se ocupar da formação-ordenada, outro dos parâmetros em que a seleção da casa esteve por cima em maior parte das ocasiões.

A agressividade no contacto, a agilidade em conseguir fazer dano em situações de jogo corrido, e a inteligência que imputou nas acções pós fases-estáticas, sobretudo na sequência dos alinhamentos, foram elementos que forneceram uma constante bateria de oxigénio a um pack de avançados que nunca aceitou a pré-concepção de serem inferiores aos seus homólogos adversários desta segunda jornada. O papel do talonador desta Irlanda inspiradora simplesmente foi fulcral, com notas estrondosas na fisicalidade, tendo terminado com 13 placagens (100% efectivas), 8 conquistas da linha-de-vantagem em 10 entradas, 28 metros conquistados (dois handoffs que meteram Will Jordan e Beauden Barrett no chão) e o tal ensaio, merecendo a designação de jogador da semana para nós.

A Irlanda está a terminar em grande nesta Janela Internacional de Outono 2021, e agora fica a dúvida se é algo de um momento só, ou é para durar?

O MELHOR JOGO: BOKS ENSINAM COMO MANIPULAR UM JOGO

Poderíamos falar do magnânimo jogo da Irlanda que tirou a “voz” do ataque dos All Blacks – uma das melhores exibições deste Outono-, ou de como a Inglaterra soube esperar pelos momentos oportunos para irem infligindo pontos à Austrália até exporem a defesa dos Wallabies, mas a opção de exibição desta semana vai para a África do Sul, que volta a segurar o Raeburn Shield nesta temporada depois de derrotar a Escócia por 30-15, tendo dado só alguma vantagem inicial aos seus adversários do norte das Ilhas Britânicas. Primeira parte foi um normal e típico encaixe físico, notando-se logo um poderio avassalador da África do Sul na formação-ordenada, onde conquistou cinco penalidades a favor, com isto a colocar os homens de Gregor Townsend em amargura total, uma vez que não conseguiam ter à vontade para ir nesta luta dos oito contra oito.

A solução passou por colocar a bola longe das fases-estáticas, procurando o virtuosismo de Finn Russell e Stuart Hogg, que ficaram com a missão de acicatar a equipa sempre que havia possibilidade de ir em busca da velocidade de movimentos, sabendo do papel importante de Duhan Van der Merwe na exploração dos espaços, no qual até resultou numa das jogadas mais emocionantes do encontro. Porém, e como todos aqueles que conhecem bem estes Springboks de Jacques Nienaber e Rassie Erasmus, a hora de asfixiarem a equipa contraria acabaria por chegar no período decisivo: 10 minutos após o reinício do encontro.

Saídos dos balneários com uma primeira-linha toda fresca (tinham entrado nos últimos 4 minutos da primeira parte), os Campeões do Mundo em título simplesmente dominaram e ditaram como é que o jogo se devia processar, fechando o raio de acção de Finn Russell – que ao ver a sua liberdade de movimentos limitada entrou num rol de más decisões-, impondo uma pressão avassaladora nos avançados da Escócia (somariam um total de 12 erros nesse período de tempo, divididos entre placagens falhadas, perdas de bola no contacto, turnovers e penalidades), o que levou aos Springboks a criarem as oportunidades suficientes para marcar pontos, mais precisamente 13, que lhes ofereceu a reviravolta, não saindo nunca mais da liderança no marcador.

A inteligência para fazer uso de certos elementos que a maioria nunca optaria por, como o fazer entrar suplentes antes do intervalo ou manter os pontapés altos entre Finn Russell e o três-de-trás contrário, possibilitou aos Springboks em controlarem o ritmo do jogo, nunca perdendo o rumo ou a segurança em cada acção realizada, vincando novamente o brilhantismo em como conseguir virar o xadrez, mesmo que hajam dúvidas da
“beleza” da sua forma de jogar. Vão acabar em grande neste Outono?

O DETALHE: OS PRÉMIOS QUE NÁO REFLECTEM A REALIDADE

Já saíram os vários nomeados para os prémios World Rugby 2021 e, infelizmente, as nomeações foram tudo menos consensuais, ficando no ar uma espécie de dúvida sobre o poder analítico de quem fez parte do júri, em especial para os melhores jogadores masculinos. Porquê? Bem, os quatro candidatos ao título são Antoine Dupont (França), Michael Hooper, Samu Kerevi (Austrália ambos) e Maro Itoje (Inglaterra), sendo de ficar perplexo o facto de não estarem listados nomes como o de Siya Kolisi, Lukhanyo Am, Ardie Savea ou Tadhg Furlong, com o caso do capitão da África do Sul a ser o mais escandaloso, depois de ter guiado excelentemente bem os Springboks à vitória frente aos Lions, por exemplo, ou pelas espectaculares exibições frente à Nova Zelândia ou País de Gales.

E em relação aos candidatos escolhidos, há factos suficientes para rapidamente os colocar ao nível dos outros que não mereceram a nomeação: a Austrália, com Michael Hooper e Samu Kerevi em campo foi completamente obliterada pelos All Blacks em qualquer um dos três jogos, conseguindo só o feito de ganharem por duas vezes aos Springboks, o que não foi suficiente para sequer chegarem ao 3° posto do The Rugby Championship. Antoine Dupont realizou uma temporada nem abaixo das expectativas, com erros comprometedoras frentes à Inglaterra, País de Gales e Escócia, lembrando que a época de clubes não entra como factor para a nomeação dos jogadores.

Maro Itoje encaixa na mesma óptica do formação da França, não tendo qualquer título para mostrar no fim da temporada. Ou seja, as duas únicas seleções que tiveram maior sequência de vitórias, que mais troféus internacionais conquistaram e que registraram globalmente as melhores exibições, têm cerca de zero nomeados. De estranhar, duvidar e deixar o conselho para uma possível reformulação parcial de quem escolhe a lista de jogadores para o melhor do Mundo, uma polémica evitável neste Janela Internacional de Outono.

ESTATÍSTICAS DA JORNADA

O jogador com mais pontos: Rikiya Matsuda (Japão) – 18 pontos
O jogador com mais ensaios: Stuart Hogg (Escócia) e Ryan Elias (País de Gales) – 2 ensaios
A equipa com mais pontos: França – 41 pontos
A equipa com mais ensaios: França e País de Gales – 6 ensaios

 


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