3 destaques da 2ª jornada dos Lusitanos na Rugby Europe Super Cup

Francisco IsaacSetembro 26, 20216min0

3 destaques da 2ª jornada dos Lusitanos na Rugby Europe Super Cup

Francisco IsaacSetembro 26, 20216min0
Segunda vitória consecutiva para os Lusitanos e Francisco Isaac explica o que se passou neste jogo da 2ª ronda da Super Cup da Rugby Europe

Os Lusitanos podem sorrir com uma nova vitória para a Super Cup da Rugby Europe (20-13), somando agora 9 pontos na tabela e assim estarem na pole position para terminarem em 1º lugar nesta fase-de-grupos deste nova competição europeia de franquias. Os destaques do encontro frente aos Iberians, divididos em três secções, que podes ler aqui.

MVP – JOÃO GRANATE

O asa pode não ter marcado ensaios ou estado em nenhuma das jogadas de maior brilho dos Lusitanos, mas foi fundamental na disputa no breakdown e no oferecer de uma constante capacidade de defesa activa à franquia liderada por Patrice Lagisquet, surgindo como um dos melhores deste encontro no campo dos Castilla y Leon Iberians. O 3ª linha formado no GD Direito tem sido uma presença constante na selecção nacional portuguesa e, como nos Lobos, foi uma unidade de importância máxima para manter a acuidade defensiva lusitana num nível alto, insistindo bem no pós-placagem e no tentar criar problemas nos mauls contrários, somando ainda um par de intervenções importantes a partir da saída da formação-ordenada, isto das raras vezes que os Iberians optaram por tentar jogar ao largo sem irem imediatamente para o jogo ao pé.

Se olharmos para a primeira-parte, altura em que a franquia espanhola formada pelos melhores clubes de Valladolid e Burgos (VRAC, El Salvador e Burgos, com ainda ajuda do rugby de Marbella) dominou territorialmente e a posse de bola, a influência de João Granate, Vasco Ribeiro, Tomás Appleton, Nuno Sousa Guedes e Manuel Picão foi essencial para não permitir que os Iberians conseguissem arrancar qualquer tipo de vantagem nas fases construídas a partir do jogo contínuo, forçando os seus rivais a optarem pelo alinhamento e maul dinâmico, algo que só lhes trouxe 10 pontos de um total de 14 tentativas.

João Granate foi resoluto na sua acção defensiva, aplicou uma fisicalidade irascível que criou sérias dificuldades ao portador da bola contrário em cair na melhores das condições no chão, sem deixar de estar disponível para o contra-ruck ou para o apoio ao ataque, impondo-se como um dos 3ªs linhas de melhor nível em Portugal.

O cartão amarelo que sofreu no fim do encontro (discutível esta acção disciplinar) não belisca em nada a exibição de franca grande qualidade do nº6 dos Lusitanos, que já no Jamor tinha sido uma peça-chave para o elenco luso.

PONTO ALTO – AGUENTAR O EMBATE PARA RELANÇAR O JOGO

Os Iberians gozaram de uma primeira metade de jogo de maior domínio de território e controlo da oval, sem que conseguissem materializar numa vantagem minimamente “séria” ou que afastasse os Lusitanos da disputa do resultado, e isso muito se deve à resiliência e acreditar do conjunto português que não cedeu no jogo ao largo ou nas investidas dos principais “aríetes” contrários, como Álvar Gimeno ou Siosiua Moala, fazendo-se notar um compromisso extraordinário na defesa e no aguentar das fases-estáticas contrárias.

Quando arrancou a segunda-parte, foi notório que o ritmo e sentido de jogo se alteraram por completo, pois os Lusitanos arrancaram com outra velocidade, encaixando bem a bola nas movimentações das linhas-atrasadas, um pormenor menos positivo durante os primeiros 40 minutos (3 bolas perdidas em passes mal esboçados), com isto a expor as fragilidades defensivas dos Iberians, com estas a surgir, especialmente, nos momentos em que ofereceram demasiado espaço de manobra a Nuno Sousa Guedes, Rodrigo Marta, José Paiva dos Santos ou Jorge Abecassis (boa entrada do polivalente 3/4’s do CDUL), ganhando os jogadores portugueses a linha-de-vantagem e metros suficientes para danificar a dura estrutura defensiva contrária.

Mas o que há de especial aqui? A capacidade mental dos Lusitanos de não perderem calma e a concentração, de se manterem fiéis ao plano de jogo e de deixarem os seus adversários da Conferência Oeste da Rugby Europe Super Cup definharem a nível físico, aumentando a intensidade e ritmo de jogo de acordo com as suas necessidades e a garantir um recuo constante dos Iberians, com estes a revelarem demasiados problemas no conseguir devolver o mesmo tipo de pressão, apesar de terem estado por cima nas fases-estáticas.

Estes são uns Lusitanos diferentes, preparados para a batalha mental e física, não caindo em lapsos e erros de duvidar das suas qualidades, e prova disso são os 9 pontos somados em dois jogos do arranque desta nova competição europeia.

PONTO A REVER – FASES-ESTÁTICAS UM PROBLEMA, PARA JÁ, MENOR

Um total de 6 penalidades foram cometidas dentro da formação-ordenada que, felizmente, não causou maior dano já que a maioria destas faltas foram cometidas fora dos 22 metros, impedindo, deste modo, aos Iberians de capitalizarem e transformarem-nas em pontos, pois na sequência seguinte, a larga maioria das acções do adversário da franquia portuguesa terminou em erros próprios. Reconhecendo o trabalho imenso do pack avançado português, especialmente o de Bruno Rocha, David Costa e Duarte Diniz, que jogaram praticamente mais de 3/4’s do encontro, foi notório que parte dos problemas da franquia lusa advieram deste sector, isto sem falar de 4 bolas perdidas no alinhamento (tanto por má introdução ou por uma falha do pod de salto), o que contra equipas mais rotinadas, preparadas e frias pode valer um dissabor complicado de gerir.

Não há dúvidas que esta franquia da Federação Portuguesa de Rugby está a realizar um trabalho imenso para construir uma base de jogadores melhor para os Lobos, e que também não discussão de que as fases-estáticas evoluem sobretudo quando testadas frente a adversários de outro nível físico e técnico, sendo estes dois elementos importantes para perceber o quão importante será esta Super Cup para evolução da formação-ordenada (o aguentar, estabilizar e sair com a oval controlada) e alinhamento (seja fazer o maul ou contrariá-lo, como tentar explorar algo de diferente a partir desta plataforma), sabendo desde logo da possibilidade de surgirem alguns problemas pelo caminho.

Não foi um dia extremamente positivo para a batalha dos packs nas fases-estáticas, como não foi também paulatinamente negativo, uma vez que se conseguiram iniciar algumas das melhores combinações de ataque a partir das plataformas, ou até forçar penalidades dos Iberians na FO, um dado encorajador para o futuro.

DADOS E NÚMEROS

Maior marcador de pontos: Nuno Sousa Guedes – 10 pontos
Maior marcador de ensaios: Vários – 1
Jogador com maior número de metros conquistados: Rodrigo Marta – 79 metros

 


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