Rugby Europe Super Cup 21/22: quem são os adversários dos Lusitanos

Francisco IsaacSetembro 15, 20218min0

Rugby Europe Super Cup 21/22: quem são os adversários dos Lusitanos

Francisco IsaacSetembro 15, 20218min0
Portugal prepara-se para entrar em campo pelos Lusitanos XV na Super Cup e fomos tentar perceber quem são os adversários na fase-de-grupos

Pouco ou quase nada se sabe das franquias que vão entrar dentro de campo a partir do próximo dia 18 de Setembro, naquele que será o arranque da Super Cup da Rugby Europe, o que não nos impede de tentar compor uma antevisão sobre esta nova competição europeia. Fica a conhecer os Iberians de Espanha, os Brussels Devils da Bélgica e o Delta Rugby dos Países Baixos.

CASTILLA Y LEÓN IBERIANS: UM MIX DE VRAC E SILVERSTORM

De Espanha chega o principal adversário dos Lusitanos XV nesta fase-de-grupos, na forma dos Castilla y León Iberians, uma franquia privada sem ligação à Federação de Rugby de Espanha (algo que motivou um debate entre os vários parceiros do rugby espanhol) que será governada por um combo entre o VRAC, El Salvador Silverstorm e Burgos, três dos principais emblemas da Division de Honor. O que isto significa? Que vamos ter um elenco praticamente 40% profissional (outros 30% são semiprofissionais e os restantes jogadores mantêm o estatuto de amadores), carregado de qualidade e experiência, perfilando-se um conjunto interessante e que vai apresentar o sistema de jogo mais harmonioso dos adversários dos Lusitanos XV, isto porque nos avançados terão um misto de trabalhadores natos e “predadores” do breakdown, enquanto nas linhas-atrasadas teremos a fantasia suficiente para manter as defesas contrárias em suspenso – nos centros está uma das principais forças.

O treinador é Miguel Velasco, antigo treinador do VRAC (estava a trabalhar como adjunto do XV de Leão antes de aceitar o desafio de liderar esta franquia espanhola, mantendo-se no cargo) que assumiu o desafio em Julho deste ano, fazendo uma ponte reconhecida e respeitada pela maioria dos jogadores que estarão no elenco dos Iberians, especialmente os atletas do VRAC, podendo aqui estar uma das dicas no “como vai jogar” esta equipa que realizará os dois primeiros encontros frente aos Lusitanos XV.

Ao contrário da franquia portuguesa, os Iberians não divulgaram oficialmente o elenco que esteve a trabalhar nas últimas semanas, mas há notícias de alguns dos nomes principais que passamos a dar palco: os centros Alvar Gimeno (VRAC) e Martin du Toit (El Salvador) são dois atletas de enorme nível, tendo o segundo jogado mesmo no Pro14 ao serviço dos Kings, enquanto o primeiro jogou pelo Béziers (ProD2) durante as últimas duas temporadas, podendo vir a ser uma parelha muito complicada de parar quando dado espaço de manobra; na 3ª linha aparecem três nomes de alta dimensão, Siosiu Moala (neozelandês com vários anos em Espanha), George Stokes (formado em academias inglesas, como o Northampton Saints, tem passagens pelo RFU Championship antes de vir para o VRAC) e Lucas Santa Cruz, que é capaz de ser o asa mais interessante deste conjunto, seja pela capacidade física demolidora e a presença no sistema defensivo (placagem dura e uma capacidade veloz de se reposicionar novamente na linha), lembrando que o argentino passou pelo Jaguares XV e Olimpia nos últimos três anos.

O grande destaque vai para Tomas Carrió, abertura argentino que chegou a jogar pelos Pumas em algumas ocasiões (4) e depois de uma boa temporada pelo VRAC, assume o lugar de médio-de-abertura dos Iberians podendo se esperar dele pontapés certeiros, uma excelente capacidade mental de leitura e coordenação dos movimentos de ataque, para além de saber defender e de trabalhar bem na recepção do jogo ao pé.

Não há margem para dúvida que serão os Castilla y León Iberians a disputar o 1º lugar do grupo com o contingente português, pois não só apresentam alguns internacionais espanhóis como têm profissionais de uma qualidade alta e, que apesar de não poderem jogar pelos Leones, vão injectar as forças necessárias para elevar esta franquia para um patamar alto em termos de qualidade de rugby.

BRUSSELS DEVILS: O REERGUER DO RUGBY BELGA?

Da Bélgica chegam os Brussels Devils, franquia directamente apoiada e gerida pela Federação de Rugby da Bélgica, que vai aproveitar a Super Cup para preparar a nova leva da selecção nacional que desceu à 2ª divisão das competições de selecções da Rugby Europe. Dos vários nomes convocados para a preparação do jogo de estreia destes diabos de Bruxelas, os destaques não são tão facilmente explorados ou noticiados como os seus rivais dos Iberians, mas vale a pena falarmos de três nomes:

Bruno Vliegen: pilar que passou pela formação de alguns clubes franceses (entre eles, o US Carcassone) e que retorna à Bélgica para se associar aos Brussels Devils. Apesar de não ostentar uma altura assinalável (1,78), Bruno Vliegen é um trabalhador nato em todos os pontos de trabalho dos avançados, especialmente no ganhar metros em saídas curtas junto ao ruck ou na formação-ordenada;

Isaac Montoisy: formação que passou pelo Alcobendas em 2020/2021 (sem clube neste momento), é uma das novas referências da linha de 3/4’s da Bélgica, estando a ser preparado para lutar por um lugar na Bélgica. Rápido, efusivo na forma como comunica e transmite comandos aos seus colegas, é um nº9 com alguma qualidade e que procura ganhar reputação nesta Super Cup, de modo a dar o salto seguinte;

Louis de Moffarts: abertura do RC La Hulpe, é dos atletas mais experientes deste conjunto, com já 7 internacionalizações pela Bélgica e que aos 28 anos é uma das opções para guiar a equipa. Apresenta um jogo ao pé equilibrado e pauta bem as fases de ataque sem ser um desequilibrador nato.

O treinador-principal é Sébastien Guns, antigo internacional pela Bélgica, que tem nestes Devils o seu primeiro grande desafio enquanto treinador, auxiliado por Thibaut André (3/4’s), Karim Demnati (avançados) et Mathieu Verschelden (fases-estáticas). Com a ideia clara de proporcionar um trampolim para o futuro da selecção belga, associando também alguns dos principais nomes a jogar no campeonato nacional da Bélgica, a franquia dos Brussels Devils poderá causar alguns problemas nas fases-estáticas a Portugal, mas no geral estará alguns níveis abaixo na velocidade de bola, controlo do contra-ataque e capacidade de encontrar soluções quando pressionados no canal 2 e 3, caindo no erro de querer convergir quase sempre pelo canal 1 ou através do maul dinâmico, não possuindo uma defesa resiliente ou com apetrecho suficiente para ser elástica na resposta ao contra-ataque adversário.

DELTA RUGBY: O CAMINHO PARA O CRESCIMENTO NA HOLANDA

Allard Jonkers, treinador que passou pelo Groningen, foi o escolhido para assumir o lugar de treinador-principal do Delta, franquia da Federação de Rugby dos Países Baixos, e optou por construir uma equipa mesclada com atletas mais veteranos com juventude em crescimento, não tendo deixado de fora jogadores que não podem actuar pela selecção neerlandesa. O que se pode esperar desta equipa? Risco. O rugby neerlandês procura expandir a sua capacidade de sair a jogar, de modo a não ficar totalmente/parcialmente dependente dos seus avançados, podendo oferecer outras soluções na saída para o ataque ou no garantir uma defesa sadia e sem comprometer ou exigir em demasia da sua terceira-linha.

Vai ser uma experiência complicada para o Delta, mas a verdade é que a Super Cup pode ser ao mesmo tempo um excelente laboratório de experiências nos termos de conseguir implementar uma estrutura de jogo diferente, como ser um barómetro para a qualidade que habita actualmente no rugby dos Países Baixos, com isto a beneficiar o futuro deste adversário dos “Lobos” e Lusitanos XV.

Há jogadores a ter em atenção? Nomeamos alguns como:

Wolf van Dijk: asa do RC Diok (um dos principais emblemas do rugby neerlandês, pelo qual jogou Manuel Cardoso Pinto) tem um perfil do terceira-linha tradicional, ou seja, trabalhador nato, pulsado por uma intensidade sempre alta e resiliente, procurando destruir a fluidez de jogo do adversário;

Amir Rademaker: formação de 28 anos foi uma das peças-chave no jogo da subida de divisão dos Países Baixos, impondo-se como um defesa de boa qualidade e com arte para se envolver na luta pelo breakdown (2 turnoversn esse encontro), conseguindo dar continuidade ao jogo, apesar, de por vezes, não conseguir colocar a equipa no seu ritmo;

Te Hauora Campbell: um cabeça-cartaz deste Delta, nascido na Nova Zelândia (chegou a estar perto de um contrato profissional pelos Tasman Makos, equipa da NPC da Nova Zelândia), com dotes técnicos de belo recorte, podendo adornar as combinações de ataque neerlandesas com outro “perfume”, tendo só alguns problemas de posicionamento no pontapé ou em situações de confronto numérico igual ou superior. Boa velocidade, destreza com traços ameaçadores e genial quando “quer”;

Nesta convocatória alargada que foi divulgada a 26 de Agosto (no entretanto podem ter se dado mudanças, mas não houve qualquer notícia das mesmas) não consta nem o capitão dos Países Baixos, Mark Wokke, ou a dupla de centros mais rotinada, David Weersma e Bart Wierenga (ambos jogam fora do país, tendo existido a real possibilidade de se juntarem ao Delta nas últimas semanas, algo que não se passou), com estas ausências a forçar o surgimento de outras soluções que serão forçados a mostrar o seu melhor na Super Cup.


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