3 destaques da 1ª jornada dos Lusitanos na Rugby Europe Super Cup

Francisco IsaacSetembro 18, 20215min0

3 destaques da 1ª jornada dos Lusitanos na Rugby Europe Super Cup

Francisco IsaacSetembro 18, 20215min0
A análise à vitória dos Lusitanos na 1ª jornada da Super Cup, com destaque para Nuno Sousa Guedes, o jogador em mais evidência do encontro

Os Lusitanos entraram a ganhar na Super Cup, com um 34-19, no jogo de abertura da nova competição da Rugby Europe, a Super Cup. Os três destaques à exibição da franquia portuguesa nesta 1a jornada, com o MVP, Ponto Alto e Ponto a rever analisados pelo Fair Play.

MVP – NUNO SOUSA GUEDES

Num jogo pautado por um carrossel qualitativo, Nuno Sousa Guedes foi constantemente o jogador que melhor se apresentou com a bola nas mãos ou pés, assumindo o papel de dínamo ofensivo dos Lusitanos. Para além dos um ensaio marcado, o defesa do CDUP foi sempre o acelerador principal da franquia portuguesa nesta primeira jornada da Super Cup, com mais de 80 metros conquistados, 5 quebras-de-linha, 10 defesas batidos e 2 assistências para ensaio, oferecendo outra virtude e categoria a um jogo por vezes confuso e caótico (algo esperado devido às falta de entrosamento, problema que assolou a franquia espanhola do princípio ao fim), continuando a boa forma já demonstrada durante o Rugby Europe Championship deste mesmo ano.

A iniciativa ofensiva invocada por Nuno Sousa Guedes fez a diferença na segunda metade do encontro, especificamente na altura em que os Iberians começaram a ter um ligeiro domingo territorial e de posse de bola, tomando excelentes tomadas de decisão que abriram as brechas suficientes para abrir caminho em direção da área de validação da formação adversária, isto sem falar da sua influência no jogo ao pé.

Dos 10 pontapés que armou aos postes, o versátil 3/4s foi capaz de encaixar 5, para além dos metros conquistados a partir de pontapés altos e/ou em profundidade, terminando este primeiro encontro da nova competição da Rugby Europe, com 19 pontos. Influência máxima nos momentos decisivos, capricho técnico de fina qualidade e uma visão de jogo focada em fazer o colectivo andar em frente… A receita perfeita para colocar os Lusitanos no caminho da vitória.

PONTO ALTO – FOCO IMPERTURBÁVEL

Em todos os aspectos do jogo, os Lusitanos tiveram excelentes e menos bons momentos, já que tanto conseguiram fazer uma boa jogada a partir de alinhamento como inseriram bolas tortas no ar, ou avançavam com engenho no contacto como protagonizaram alguns sequências menos inteligíveis, mas, mesmo nos momentos de maior pressão ou de maior taxa incidência de erros, nunca houve desconcentração ou falhas no acreditar que ganhar era um objectivo totalmente ao alcance da equipa. O foco e a mentalidade de querer ser melhor que o adversário tem sido um sentimento constante nestes últimos anos, algo que ficou sempre mais bem patente nas seleções sub-18 e sub-20, impondo um comportamento positivo e decisivo para a obtenção não só de bons resultados como de exibições imponentes e carregadas de um espírito resiliente.

Os Iberians eram uma equipa largamente mais experiente (os Lusitanos não tinham nenhum atleta acima dos 28 anos de idade) mas, na realidade, nunca se sentiu que estiveram mentalmente ou psicologicamente por cima do encontro, tendo sentido largas dificuldades para ultrapassar a defesa portuguesa nos últimos metros, com esta a manter uma atitude inamovível e sem querer desistir de continuar a lutar, com as duas penalidades em 10 situações defensivas dentro dos últimos 10 metros a serem prova disso mesmo, somando ainda os três turnovers conquistados.

Um foco intenso e mordaz, que se viu bem em jogadores como David Costa (dois turnovers no breakdown e boas acções na formação-ordenada do jovem pilar), João Granate, Rafael Simões, Rodrigo Marta (sensacional na perseguição dos pontapés e no fechar do espaço à ponta), Vasco Ribeiro ou Nuno Sousa Guedes, foi uma das chaves para derrubar os Iberians e somar uma importante vitória na 1a jornada da Super Cup.

PONTO A REVER – ALINHAMENTO TREMEU

Nem tudo correu bem aos Lusitanos, já que nos alinhamentos surgiram demasiados erros que ofereceram bola e plataforma de ataque aos Iberians, com 7 erros na introdução ou na conjugação dos saltadores, um pormenor que precisa de ser revisto, de modo a evitar que os adversários aproveitem ao máximo. A ausência de Sebastian Ferreira foi notada (o 2a linha internacional alemão estava escalonado para começar de início, mas devido a uma pequena lesão acabou por nem constar no 23), com Rafael Simões a assumir as direções dentro do alinhamento que tremeu em especial na primeira-parte, perdendo algumas boas possibilidades de ataque e penalidades.

A ida até aos balneários acabou por surtir efeito e nos segundos quarenta minutos deu-se uma crescente melhoria e uma harmonia importante, que evitou assim dar o alento ou oportunidades de contra-ataque ao conjunto espanhol, com os níveis de luta a subirem, para além do engenho de encontrar soluções quando parecia que os Iberians tinham descoberto qual era o ponto de salto dos Lusitanos.

Já a formação-ordenada viveu uma ligeira montanha-russa, com três penalidades conquistadas aos seus adversários, como sofreu e cometeu erros no encaixe, que permitiu aos Iberians marcar alguns pontos através dos pontapés aos postes, sendo que no geral o registo foi positivo, ainda por mais com várias novidades a combinarem pela primeira-vez juntos, dando claras mostras do excelente trabalhado desenvolvido nos tempos recentes pela equipa técnica nacional.

DADOS E NÚMEROS

Maior marcador de pontos: Nuno Sousa Guedes – 19 pontos
Maior marcador de ensaios: Vários – 1
Jogador com maior número de metros conquistados: Nuno Sousa Guedes – 89 metros


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