3 destaques da 14ª Ronda do Super Rugby Pacific 2022

Francisco IsaacMaio 25, 20225min0

3 destaques da 14ª Ronda do Super Rugby Pacific 2022

Francisco IsaacMaio 25, 20225min0
Mais uma jornada emotiva no Super Rugby Pacific, com os Blues a confirmarem o 1º lugar e Francisco Isaac conta-te tudo sobre o que se passou

Falta só uma jornada para fechar a fase regular do Super Rugby Pacific 2022, com os Blues a terem confirmado o primeiro lugar da competição (meias-finais em casa, se passarem os quartos) e os Waratahs a somarem a 1ª vitória na Nova Zelândia ao fim de quase 7 anos.

O SKILL: TURNOVER -» PONTAPÉ -» ENSAIO!

Parece uma simples receita, aquela que está no título desta entrada, mas a verdade é que os Queensland Reds conseguiram fazer exactamente isso, quando Fraser McReight marcou o seu ensaio, e aquele que foi um dos melhores momentos desta jornada do Super Rugby Pacific. Por isso, onde está aqui o skill? Na arte de virar rapidamente um ruck, recuperar a oval, perceber onde estava o espaço ou a zona mais debilmente defendida pelos Moana Pasifika, seguindo-se uma pressão de excelência e captura da oval até alguém fazer o toque de meta. Simples, curto, rápido e efectivo, este é o rugby idealizado por Brad Thorn nestes Reds, que têm trabalhado bem na arte do turnover e de dar uso imediato à oval para chegar à área de validação, ou ficar perto ds pontos, pelo menos.

Esta entrada é mais uma combinação de skills e estratégia do que um só pormenor técnico, verdade, todavia, é essa panóplia de elementos, e isto permite perceber o alcance do potencial destes Reds, que voltar a saborear uma vitória desde a lesão de James O’Connor, mantendo a esperança de garantir um bom posicionamento final antes da entrada para a fase a eliminar. Desmontemos então o tal “skill” escolhido: pressão de excelência na linha-de-defesa, aplicando uma placagem dominante, com o portador da bola adversário a cair para trás e a ficar refém de uma resposta no ruck por parte dos Reds, com estes a limparem e a garantirem a oval de forma limpa – sem mergulhos ou joelhos no chão -, oferecendo a Tate McDermott a bola. O formação percebeu num instante que não se encontrava qualquer unidade de defesa nas costas dos Moana Pasifika, e desferiu um excelente pontapé que acabou por ser capturado por Fraser McReight, caindo dentro da área de ensaio.

Tudo perfeito, tudo idílico e tudo bem executado, numa clara demonstração das valências técnicas e tácticas destes Reds que ainda são candidatos ao Super Rugby Pacific 2022.

O JOGADOR: MARK NAWAQANITAWASE, A FLECHA DOS WARATAHS

Os Waratahs passaram de ser a pior franquia das últimas duas temporadas do rugby australiano de franquias, para estarem na contenda pelo 4º lugar do Super Rugby Pacific 2022, podendo assim até ter a vantagem de equipa visitada na primeira fase a eliminar da competição, que começa daqui a duas semanas, isto depois de registarem a sua primeira vitória em terreno neozelandês desde 2014.

Entre os vários possíveis MVP’s, onde constam Michael Hooper (retorno em alta velocidade nesta temporada, com já três ensaios e uma eficácia de 95% a placar), Ned Hanigan, Tane Emed, a escolha vai para Mark Nawaqanitawase, o ponta de 22 anos e que, mais uma vez, somou números quase estratosféricos numa jornada da maior competição de franquias da Oceânia: 100 metros de conquista, um ensaio, três quebras-de-linha, cinco defesas batidos, dois turnovers e seis placagens efectivas.

Uma dor de cabeça pura e dura, o australiano realmente é um talento soberbo que não deverá estar longe de uma chamada aos Wallabies, sendo uma das principais “armas” dos Waratahs nesta época, que se tem provado de sucesso para uma franquia que poucos adivinhavam neste lugar da classificação geral. Velocidade bem trabalhada, uma fisicalidade mesclada com um ritmo agressivo e ultra dinâmico, e uma confiança total nas suas qualidades, têm possibilitado a Mark Nawaqanitawase registar uma época fulminante neste Super Rugby Pacific 2022.

O STAT: BRUMBIES E A QUASE SOBREVIVÊNCIA PELA INDISCIPLINA

Os Blues conseguiram fugir com a vitória e, por conseguinte, o 1º lugar do Super Rugby Pacific 2022 depois de derrotarem os Brumbies em Canberra por 21-19 na última bola de jogo, ultrapassando aquilo que parecia ser um desaire emocionante e nada esperado, especialmente pela quantidade de antijogo bem trabalhado por parte da franquia australiana.

O que queremos dizer com isto? 16 penalidades, dois cartões amarelos, e um constante comportamento de atrasar a saída de bola do ruck dos Blues, conseguindo forçar a indecisão do resultado até ao último momento, isto quando só tiveram 18% de bola em seu poder, tendo só conseguido conquistado 240 metros de terreno para 680 dos seus rivais de Auckland.

Cinismo? Sim. Acção inteligente? Talvez, já que parecem ter encontrado uma espécie de antídoto para forçar um certo tremer nos Blues, impondo uma lentidão constante à oval e uma vontade de ter oval só nas suas mãos em certas aréas do terreno de jogo, para a irritação geral dos actuais primeiros classificados desta primeira fase do Super Rugby Pacific. Anti-jogo que quase deu uma vitória… padrão bem executado, ou sorte à mistura?


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