3 destaques da 10ª Ronda do Super Rugby Pacific 2022

Francisco IsaacAbril 25, 20224min0

3 destaques da 10ª Ronda do Super Rugby Pacific 2022

Francisco IsaacAbril 25, 20224min0
O Super Round aconteceu e o Super Rugby Pacific voltou a mostrar alguns dos melhores momentos de rugby do ano nesta 10ª jornada

Finalmente chegámos ao cruzamento entre conferências australiana e neozelandesa, que coincidiu com a Super Round deste Super Rugby Pacific 2022, resultando ema alguns dos melhores momentos da competição até este momento, contado neste artigo da 10ª jornada.

O SKILL: FINTA, ACELERA E PASSA, UMA LIÇÃO DE HUNTER PAISAMI

Os Queensland Reds estiveram a ganhar por 17-00 na recepção aos Hurricanes em Melbourne, perdendo essa preciosa vantagem passado 25 minutos, mas não deixaram de deslumbrar em determinados momentos do encontro, a começar pelo excelente arranque de Hunter Paisami que acabou por desaguar num dos dois ensaios da franquia comandada por Brad Thorn, que fica fixado como o skill da semana. Sim, podemos estar a ludibriar o leitor porque na realidade não foi só um skill, mas a combinação de três pormenores técnicos para desencadear algo de especial merece esta atenção e valorização.

No primeiro momento, Paisami ao receber a oval engana o placador directo com uma finta de passe, deixando por terra dois jogadores neozelandeses; após conseguir abrir o espaço, o internacional australiano acelera e quando parecia que poderia ser parado, mantém o equilíbrio com total destreza, segurando a oval numa mão; e, finalmente, com a superioridade numérica criada, Paisami volta a fixar aquele que era o último defesa, antes de transmitir um passe letal para as mãos de Taniela Tupou que acaba por assistir Hamish Stewart. Pode parecer simples ou comum, mas o facto do centro dos Reds ter conseguido agarrar quatro potenciais defesas e abrir caminho para um ensaio que parecia improvável no momento, é um detalhe que mostra toda a classe de Hunter Paisami, um dos melhores da conferência australiana neste Super Rugby Pacific 2022.

O JOGADOR: JONAH LOWE SACA DE UM POKER EM MELBOURNE

Naquele que foi o primeiro Super Round do Super Rugby Pacific (todos os encontros são jogados na mesma cidade, neste caso em Melbourne), Jonah Lowe foi o primeiro jogador desta temporada a conseguir fazer quatro ensaios nesta temporada, impondo uma pesada derrota aos NSW Waratahs por 51-27, começando os Chiefs com uma boa vitória neste mini-tour por terras australianas. Mas terá o ponta realmente arrancado uma prestação genial ou foi só estava no sítio certo à hora certa?

Para tentar responder, olhamos para os números do irmão mais novo dos Lowe: 110 metros conquistados, quatro quebras-de-linha, cinco defesas batidos (isto em 9 situações em que a oval esteve nas suas mãos), um offload, três tackle-busts e quatro conquistas aéreas (100% de eficácia). O polivalente 3/4’s dos Chiefs não foi só uma seta apontada à área de validação contrária, pois já foi um constante agitador, tentando e conseguindo surpreendendo o bloco defensivo contrário que teve problemas em ler as movimentações de Jonah Lowe, que ia mesclando uma velocidade imparável com uma técnica de pés ilegível e uma passada inteligente, oferecendo outra dimensão ao três-de-trás dos Chiefs.

Poker em Melbourne, podendo esta prestação ter valido a manutenção da titularidade para as quatro jornadas que restam jogar nesta fase-regular do Super Rugby Pacific, com os Chiefs bem colocados para chegar às meias-finais desta temporada.

O STAT: BLUES À ESPREITA DA INTERCEPÇÃO

Os Blues continuam na sua série vitoriosa neste Super Rugby Pacific, e apesar de terem passado por um ligeiro susto no início do encontro frente aos Fijian Drua, somaram uma vitória por 35-18 nesta viagem até Melbourne, com dois dos cinco ensaios a serem intercepções, assinadas por AJ Lam e Rieko Ioane, sendo que ainda somaram uma terceira. Ou seja, este dado não é uma simples ocorrência do acaso ou do trabalho individual de um dado jogador, mas sim um factor trabalhado pela equipa no geral, procurando criar um momento de rotura ou de um transmissão de bola menos veloz para cair em cima e conseguir completar uma intercepção em que o adversário não tenha capacidade para bloquear.

Se a de AJ Lam é uma intercepção colorida com traços bem desenhados, muito pelo “olho” do ponta em perceber a desaceleração do ataque dos Drua, a de Rieko Ioane é composta por contornos de alta inteligência, já que o centro dos All Blacks estava preparado para assaltar e capturar a oval sem que os homens do Fijian Drua tivessem tempo para ir a tempo de sonegar este erro, saindo em alta velocidade e numa linha de corrida vertical sem oposição à altura. Esta estratégia ou factor faz parte da estratégia da equipa liderada por Leon McDonald, pois em 9 jogos foram capazes de interceptar a oval em sete ocasiões, com três a terminarem dentro da área de validação contrária, com isto a demonstrar a letalidade do contra-ataque dos Blues, os actuais líderes do Super Rugby Pacific.


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