3 destaques da 9ª Ronda do Super Rugby Pacific 2022

Francisco IsaacAbril 18, 20225min0

3 destaques da 9ª Ronda do Super Rugby Pacific 2022

Francisco IsaacAbril 18, 20225min0
Ao fim de 18 anos os Blues conseguem arrancar uma vitória no campo dos Crusaders, numa jornada espectacular do Super Rugby Pacific 2022

Ora, ora, os Crusaders concederam uma derrota frente aos Blues no seu próprio reduto, algo que não acontecia há 18 anos, com a franquia de Auckland a assumir o 1º lugar do Super Rugby Pacific, em pé de igualdade com os Brumbies, sendo que um dos jogadores da franquia oriunda de Auckland a merecer o destaque de MVP da semana.

O SKILL: PALMADA NA BOLA DÁ DIREITO A ENSAIO!

Depois de falarmos em offloads (podíamos escrever artigos inteiros só a falar da qualidade deste pormenor técnico neste Super Rugby Pacific), placagens, saltos para o ensaio, fintas de passe, fintas de pé, cross kicks, etc, é altura de irmos a um skill que merece uma ovação quando surge, já que precisa de uma série de condicionantes para acontecer. De que estamos a falar? Bem, da palmada-passe-offload de Thomas Umaga-Jensen na derrota dos seus Highlanders frente aos Hurricanes. Uma palmada na bola? Mas como assim? E porque é que merece o destaque de skill da semana? Pela ousadia técnica, pela vontade de manter a bola viva, pela inteligência em saber da importância que um passe naquele momento poderia ser, demonstrando um capricho importante para um jogador que sonha chegar ao topo/patamar do rugby na Nova Zelândia, começando a ganhar tração nestes Highlanders de 2022.

Toda a jogada até ao ensaio é de belo quilate, seja o grubber a saltitar de Mitch Hunt, a recuperação de bola depois no ruck pelo próprio – isto depois de Ardie Savea ter conseguido um turnover -, ou do passe rápido para oferecer a Max Hicks a possibilidade de chegar ao ensaio. Voltando à palmada de Umaga-Jensen, é importante perceber um outro elemento que só é possível vislumbrar na repetição: o prender de dois potenciais placadores. O centro no milionésimo de segundo antes de efectuar a tal palmada, consegue prender com os olhos e o seu comportamento corporal o número 10 opositor, o que permite dar a Mitch Hunt espaço suficiente para segurar a oval em condições e chegar até bem dentro dos 22 metros dos Hurricanes. Merece ou não o destaque depois da breve explicação?

O JOGADOR: DALTON PAPALII PICA O PONTO

No 51º jogo de Dalton Papalii ao serviço dos Blues no Super Rugby, o asa foi responsável por uma monstruosa exibição que merece todo o foco possível, até porque pode influenciar o futuro dos All Blacks, não só na convocatória mas no desenhar do XV para a janela internacional de Verão. Comecemos pelos números como defesa: 23 placagens, com 8 a serem dominantes, atirando inclusivé jogadores como Scott Barrett para trás, lucrando ainda dois turnovers no breakdown e uma intercepção no alinhamento, limitando a esfera de acção de Cullen Grace na saída da formação-ordenada, num domínio irrespirável por parte do nº7 dos Blues.

Já no que concerne à virtude ofensiva, Papalii marcou um dos ensaios da vitória em Christchurch – a primeira em quase 20 anos para a franquia de Auckland -, irrompendo por entre dois placadores que falharam na sua missão, seguindo imparável até à área de validação, somando ainda outra quebra-de-linha, 4 defesas batidos, 60 metros de conquista territorial em 7 portagens de bola, e ainda uma captura a um pontapé alto de Will Jordan (exibição magistral do defesa dos Crusaders, que por pouco não roubava o lugar a Papalii nestes destaques). Um coroar total para um 3ª linha que parece estar a começar a estabelecer a sua era não só Blues, mas também no Super Rugby Pacific, lucrando uma 6ª exibição de pompa e circunstância nesta temporada.

O STAT: FRASER MCREIGHT, O ROBIN HOOD DE QUEENSLAND

Quatro turnovers capturadores no breakdown, quatro, atingindo o número 24 em três épocas pelos Queensland Reds, é este o pecúlio somado por Fraser McReight, o jovem asa de 23 anos que está a voltar ao seu melhor depois de ter sofrido uma lesão que o privou de começar a época do Super Rugby Pacific na melhor forma possível. Na vitória por quatro pontos frente aos Melbourne Rebels, a franquia liderada por Brad Thorn voltou a mostrar o porquê de ser um adversário letal no contra-ataque, com três dos seus cinco ensaios a advirem de situações de recuperação de bola para depois rapidamente fazerem-na circular e chegar até à área de validação contrária, impondo aquele estilo de jogo que poderá fazer a diferença quando se depararem com as franquias neozelandesas – começa já na próxima semana o cruzamento entre “regiões”.

Fraser McReight somou o tal poker turnovers, com Ryan Smith, Tate McDermott e Filipo Daugunu a conseguirem também um turnover cada, sendo esta eficaz capacidade de ir ao ruck e recuperar a oval uma chave importante para compreender como os Reds olham para o jogo a defender e qual é a resposta que se segue após a recuperação. Mãos e olhos na bola, corpo com a postura certa e velocidade de movimentos para começar algo perigoso do nada.


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