3 Destaques da 10ª ronda do Super Rugby Aotearoa 2021

Francisco IsaacMaio 2, 20216min0

3 Destaques da 10ª ronda do Super Rugby Aotearoa 2021

Francisco IsaacMaio 2, 20216min0
Fim da fase regular do Super Rugby Aotearoa e Hurricanes e Blues tiveram a oportunidade de acabar a época a ganhar! Os 3 destaques explicados neste artigo

Os Hurricanes deram show no último jogo da época do Super Rugby Aotearoa 2021, enquanto os Chiefs, em modo “B”, acabaram derrotados pelos Blues que nos últimos 10 minutos fizeram três ensaios (dois deles por AJ Lam), fechando a fase-regular da competição. Explicamos o que se passou pela Nova Zelândia em três destaques da jornada.

O DESTAQUE: HURRICANES

Depois de uma época desastrosa, que culminou com o último lugar no Super Rugby Aotearoa 2021, os Hurricanes vergaram os Highlanders em Wellington e terminaram a época da competição neozelandesa (segue-se TransTasman para quem não se lembra) com uma excelente vitória na recepção aos Highlanders, impulsionada por um dinamismo ofensivo extremo e de constante alta intensidade. Depois de alguns jogos em que pareceu faltar um clique geral, finalmente foi possível vislumbrar um ataque competente na medida de criar boas ligações entre as unidades/blocos ofensivos, assim como a vontade de procurar fazer algo de diferente no contacto, com um jogo irresistível de offloads e de constante movimentação da oval, onde temos destacar a parelha de médios de criação, Luke Campbell e Ruben Love, tendo ambos tido a virtude de dar aquilo que parecia não existir mais nos Hurricanes depois das saídas de Beauden Barrett e TJ Perenara.

Os Highlanders permitiram demasiado espaço de manobra aos seus adversários, oferecendo um à vontade aos Hurricanes para irem à procura de soluções com a oval na mão que não fosse só o normal (ir ao contacto, chão e voltar a jogar, ganhando a linha-de-vantagem e garantir penalidades ou outro tipo de situação), impondo uma série de combinações mais elétricas e de risco, sustidas por um excelente apoio numérico, o que permitiu garantir outra volatilidade com a bola em seu poder.

Foi um elemento que não existiu durante a maior parte da época, vivendo com um ataque sem manobradores confiantes e que revelaram constante desconexão entre as várias unidades de jogo, agarrado somente às grandes exibições individuais dos seus principais jogadores (Ngani Laumape, Ardie Savea ou Jordie Barrett), o que explica o porquê de não terem ido mais longe nesta temporada. A construção de uma nova era ou capítulo é essencial para os Hurricanes voltarem a ser considerados a 2ª maior ameaça do rugby neozelandês, e poderá bem passar pelo duo Campbell-Love.

O “DIAMANTE”: SALESI RAYASI (HURRICANES)

Dos dois encontros do Super Rugby Aotearoa deste fim-de-semana, só um é que teve direito a grandes números e dados no ataque, enquanto no outro assistimos a algo mais táctico mas com alguns pontos interessantes nos termos de perceber o que se passará no Trans-Tansman 2021. O jogo de altos números foi o Hurricanes-Highlanders em que a combinação dos metros conquistados de ambas as franquias chegou ao 1,1 km, sendo que Blues e Chiefs optaram por ficar quase na metade desse dado estatístico de transporte de bola, abraçando aquele tipo de jogo de pontapé táctico, devolução, contra-ataque e decisão através das fases-estáticas.

Posto isto, o jogador da 10ª jornada da competição de franquias neozelandesas foi o ponta dos canes, Salesi Rayasi, que atingiu números de excelência e de sério aviso para os competidores nos All Blacks na mesma posição: 140 metros de progressão no terreno com a oval em seu poder, 5 quebras-de-linha, 10 defesas batidos, 3 tackle-busts, 6 offloads, 1 assistência para ensaio, 3 assistências para quebras-de-linha de colegas de equipa e ainda um ensaio.

O jovem internacional neozelandês pelos 7’s já vinha a ser anunciado como um daqueles atletas de prima qualidade, enriquecido por um poder de aceleração exuberante, um anarquismo-controlado na sua participação no jogo e um especialista para transformar cada espaço numa jogada de ensaio iminente. Faltando melhorar as características de recepção da oval ou de leitura defensiva quando se vê numa situação de inferioridade numérica, Rayasi sabe entusiasmar o jogo, dando uma vida especial a cada arrancada ou intervenção com a oval, como se viu neste encontro que abriu “fome” aos apreciadores de dinamismo, aceleração e poder de aproveitamento.

O “DIABRETE”: 74% DE PLACAGEM SIGNIFICA DERROTA, HIGHLANDERS

Pior jogo da temporada dos Highlanders, depois de terem feito o impossível nesta 2ª edição do Super Rugby Aotearoa ao derrotarem os Crusaders, colocando algumas dúvidas no elenco de Tony Brown, especialmente na placagem e a apresentação da mesma quando estão a recuar no terreno. 74% de eficácia, um dos números mais baixos dos vários duelos desta época, significaram seis ensaios sofridos, e um recorde de 24 quebras-de-linha consentidas, sendo um número recorde negativo e preocupante para aquilo que os Highlanders conseguem (e devem) ser capazes de fazer numa liga deste nível e intensidade.

Kazuki Himeno (nos últimos dois encontros sempre um dos melhores jogadores da franquia de Dunedin) e Nehe Milner-Skudder com 4 falhas de placagem (o avançado japonês fez ainda 4 placagens efectivas mas o defesa internacional neozelandês não conseguiu apresentar sequer uma para o registo), Mitch Hunt, Jona Nareki e Scott Gregory com 3 falhas, foram o retrato de quase 50 erros/falhas graves e que estenderam a passadeira aos Hurricanes para chegarem às zonas mais avançadas da área defensiva dos Highlanders e ajudam a explicar a diferença no resultado final.

Mas foi uma situação única nesta época ou já é algo recorrente? As estatísticas oficiais do Super Rugby Aotearoa mostram que a 2ª situação é a correcta, uma vez que são a pior defesa em termos de eficácia na placagem com 82%, revelando problemas sérios em jogos onde o adversário consiga deter a oval por largos períodos de jogo, como foi o caso contra os Hurricanes, e isto pode advir das constantes lesões na terceira-linha e parelha de centros, pois a inexistência de rotinas e uma ligação entre unidades acaba por ser um entrave para um crescimento real e sustentável.

É preciso ver mais daquela equipa que ganhou aos Crusaders, de competência máxima no breakdown, de agressividade nas fases-estáticas e de reocupação rápida de espaços na defesa.

OS STATS DA JORNADA

Melhor marcador de pontos (jogador):  Bryn Gatland (Chiefs) – 14 pontos
Melhor marcador de pontos (equipa): Hurricanes – 41 pontos
Melhor marcador de ensaios (jogador): AJ Lam (Blues) – 2 ensaios
Melhor placador: Du’plessis Kirifi (Hurricanes) – 14 placagens (0 falhadas)
Maior diferencial no ataque (jogador): Salesi Rayasi (Hurricanes) – 1 ensaio,140 metros, 5 quebras-de-linha, 10 defesas batidos e 3 tackle-busts


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