20 Jun, 2018

NBA Draft: O processo de preparação para o Draft

Tiago MagalhãesJunho 12, 20185min0

NBA Draft: O processo de preparação para o Draft

Tiago MagalhãesJunho 12, 20185min0
O NBA Draft está a começar e os EUA vão "parar" para descobrir se existirão novidades no final. Mas como funciona todo processo? Nós explicamos!

Depois de se consagrarem campeões na NBA, entramos no mês mais importante para algumas destas franchises em busca de um jogador que possa mudar o futuro das mesmas. No Fair Play iremos acompanhar todo este processo até à grande noite das selecções!

A madrugada de 22 de Junho marcará novamente um passo importante para o futuro de algumas franchises da NBA com a possibilidade de seleccionar o melhor talento disponível fora da melhor Liga do mundo.

Mais de 200 jogadores se declararam para o Draft deste ano, e apenas 60 destes serão seleccionados, alguns com base no potencial que podem atingir, outros pela efectividade que poderão ter no campo imediatamente mas sobretudo na consistência que poderão apresentar, pelo menos, na próxima década.

Para a maioria dos prospectos que serão escolhidos na lotaria (consideramos a lotaria as posições 1 a 14), a preparação individual para o Draft inicia-se imediatamente após o fim da temporada da NCAA, mais recorrentemente, no mês de Março.

COMO FUNCIONA O NBA DRAFT?

A partir desta altura, e após declararem-se elegíveis para o Draft, existem duas possibilidades para os mesmos para continuar o processo: ou assinam um agente e assim estão automaticamente cingidos a atletas profissionais (que não os deixa voltar a NCAA) ou fazem o denominado “testing the waters”, podendo fazer os workouts até uma data limite, sem terem assinado um agente, para perceberem se poderão ser draftados numa posição favorável e se tal não acontecer, podem voltar a competir no basquetebol universitário.

Existem várias formas de preparação e cada vez mais, formas pouco usuais de preparação para o Draft, sendo que uma panóplia enorme de factores, que muitas vezes passa despercebido ao público, podem influenciar a forma como um jovem atleta e a sua “equipa” (agência, agente, treinadores, família, patrocinadores) abordam este momento crucial na sua futura carreira.

O Draft deste ano será provavelmente um dos mais abertos dos últimos anos, ou seja, pouca certeza existe que jogadores irão ser seleccionados e em que posições. Com toda esta incógnita à volta das franchises, a maioria dos atletas tem tentado manter uma preparação dita como “normal”, e vamos formatar-nos por esse aspecto.

Após o fim da sua carreira no basquetebol universitário vários estereótipos já foram criados sobre estes jovens, quer tenham feito uma ou quatro temporadas na competição e sendo assim esta é altura de provar (o bom e o mau), sendo que é impossível mudar um jogador num espaço de meses, mesmo com toda a margem de progressão que estes possuem.

O primeiro passo nesta longa jornada é a escolha de uma agência que lhes possa providenciar todos os serviços dentro do campo mas sobretudo fora do mesmo, algo que é essencial com todo o mediatismo que alguns destes jovens apenas com 18/19/20 anos.

O atleta irá rodear-se assim com um agente que o irá preparar, uma equipa de marketing para que demonstre as suas melhores capacidades pessoais aquando das entrevistas com os media ou com as franchises, treinadores para ajudar a sua preparação dentro do campo, equipas médicas para apresentar o melhor historial possível e, importantíssimo, especialistas em trabalho físico numa altura em que precisam de potenciar todo o seu corpo numa das ligas mais atléticas em qualquer modalidade.

O FUTURO JÁ NA SEXTA-FEIRA!

Depois destas escolhas tão importantes para a preparação para o Draft, mas que certamente serão escolhas para o futuro a longo prazo, o passo seguinte neste longo processo é conseguir uma posição no Draft Combine, provavelmente o maior palco para mostrar as suas capacidades atléticas e técnicas nestes meses que antecedem a grande noite.

Normalmente, apenas os atletas mais conceituados dos inscritos até ao momento, terão um convite para fazerem partes destes dias em que serão testados em aspectos como os seus atributos físicos (peso, altura, envergadura, percentagem massa gorda, etc), a sua agilidade, o salto vertical e velocidade. Aspectos estes que dominam muitas das conversas nos especialistas para quando é preciso delinear a diferença entre prospectos que dentro do campo são muito similares.

Posteriormente terão exercícios de carácter técnico dependendo da posição que irão actuar no campo sendo que a maioria se baseia em trabalho individual de lançamento, intensidade com que se apresentam no campo e por fim, alguns matchups entre equipas criadas aleatoriamente pelos treinadores presentes no Combine.

Algo que actualmente possui uma enorme importância são as entrevistas que as franchises propõem aos atletas, e que estes podem aceitar ou não, com vista a conhecer o atleta mais aprofundadamente sobretudo ao que fora do campo se trata.

É uma parte infima deste processo mas de enorme relevância, com ênfase para o carácter, algo que se ouve muito a ser referido pelos treinadores e staff técnico, nestes dias.

A última fase, uma que pode acabar por ser a mais importante, são os Draft Workouts para as franchises. Um atleta é “chamado” por uma determinada franchise para fazer um treino individual com vista a ter um visionamento mais pessoal do mesmo e perceber que características poderá potencialmente influenciar a sua escolha.

Existem atletas, normalmente os que estão na corda-bamba de fim da primeira ronda/inicio de segunda ronda (a diferença entre um contracto seguro ou não) que chegam a fazer mais de 5 workouts diferentes neste período em todo o país.

Este é um processo longo sobretudo a nível mental, para um jovem que normalmente não tem mais de 20 anos, e a forma como gerem todo o “hype” à sua volta e como continuam a sua evolução são aspectos importantes para as franchises que irão usar uma escolha que pode vir a ser crucial no futuro.

Para a classe de 2018, tudo irá culminar nessa madrugada de Sexta Feira, mas para nós, começa a época das selecções para 2019 neste ciclo vicioso que nunca irá acabar!


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter