Há eventos de surf. E depois há o MexiLog Fest.
Durante uma semana, Mazatlán — a lendária “Pérola do Pacífico” mexicana — transforma-se num verdadeiro santuário do longboard clássico. Entre ondas perfeitas, pranchas pesadas, linhas desenhadas com precisão e uma cultura de surf profundamente ligada às raízes do estilo tradicional, o MexiLog Fest continua a afirmar-se como um dos encontros mais especiais do planeta para quem vive o loggin’ de alma e coração.
Em 2026, o festival voltou a reunir alguns dos melhores longboarders e loggers do mundo, num ambiente onde o surf de qualidade anda de mãos dadas com música, festas, arte e uma energia contagiante difícil de explicar a quem nunca lá esteve.
Mazatlán oferece um cenário quase perfeito para este tipo de surf. A onda local, longa, suave e mecânica, parece desenhada para noserides intermináveis, drop-knee turns elegantes e aquele flow clássico que separa o verdadeiro longboarding da simples utilização de uma prancha grande. Não é por acaso que tantos dos melhores riders do mundo fazem questão de marcar presença todos os anos.
E este ano houve também um sabor muito especial para Portugal.
Fred Carrilho faz história para o longboard português
Entre os convidados internacionais estiveram dois portugueses: António Dantas e Frederico “Fred” Carrilho, nomes já bem conhecidos da cena nacional de longboard. Mas foi Fred Carrilho quem acabou por escrever uma página histórica no evento. Num campeonato recheado de alguns dos maiores talentos mundiais do longboard clássico, Fred conseguiu uma prestação absolutamente memorável, chegando até à grande final do MexiLog Fest 2026 — provavelmente o melhor resultado de sempre de um surfista português nesta competição.
Com um surf fluido, elegante e extremamente consistente, Fred foi conquistando respeito heat após heat, mostrando que Portugal também tem lugar na elite do longboard mundial. O português destacou-se pela leitura de onda madura, excelente controlo de rail e um estilo limpo que encaixou perfeitamente nas longas direitas mexicanas.
A presença dele na final não foi apenas um feito individual. Foi também um sinal claro da evolução do longboard português nos últimos anos.

JR Esquivel confirma o estatuto mundial
A vitória acabou por sorrir a Rogelio JR Esquivel, um dos grandes nomes do World Tour of Longboard e representante das Filipinas. e rider da marca portuguesa da margem sul – LUFISURF. Conhecido pela combinação rara entre técnica clássica impecável e abordagem moderna altamente competitiva, JR voltou a demonstrar porque é considerado um dos melhores longboarders da atualidade. Na final, apresentou um surf sólido, criativo e extremamente polido, garantindo mais um título importante no circuito internacional.
Ainda assim, muito do público acabou rendido à prestação de Fred Carrilho, que ganhou enorme respeito dentro e fora de água ao longo de toda a semana. Muito mais do que um campeonato
O MexiLog Fest nunca foi apenas sobre resultados. É um encontro cultural do longboard clássico. Um lugar onde diferentes gerações, estilos e nacionalidades se cruzam através da paixão comum pelo surf tradicional. Entre sessões ao nascer do sol, festas intermináveis, concertos, exibições de shaping e convívios na praia, o evento mantém viva aquela essência mais pura do surf — menos industrial, mais humana, mais ligada à comunidade.
E talvez seja exatamente isso que torna Mazatlán tão especial nesta semana do ano. Ali, o surf ainda parece simples. Ainda parece livre. Ainda parece verdadeiro. Mas coloquem nas agendas que o Gliding Barnacles idealizado pelo meu amigo Eurico Gonçalves, segue por este caminho para eventos de longboard/logger no calendário. Setembro é Figueira da Foz



