Que é feito da Copa Intercontinental?

André CoroadoNovembro 11, 20205min0

Que é feito da Copa Intercontinental?

André CoroadoNovembro 11, 20205min0
Num ano de pausa, o Fair Play parte em busca da verdade no que à Copa Intercontinental diz respeito: O que significa esta competição? Quem já se sagrou vencedor e em que momentos? E como ajudou o evento a celebrizar equipas e atletas menos conhecidos dos adeptos?

Pela primeira vez desde 2011, o mês de Novembro passa sem que seja disputada Copa Intercontinental de Futebol de Praia, torneio que constituiu a grande novidade da segunda década do século XXI e que já coroou 3 campeões distintos ao longo dos últimos 9 anos. Neste ano de interregno devido à pandemia covid-19, lançamos um pequeno olhar sobre o evento segundo três vectores à nossa escolha

Um mundial em ponto pequeno

Criada segundos os moldes da Taça das Confederações da FIFA na modalidade de futebol de onze, a Copa das Confederações acaba por herdar o antigo formato do velhinho Mundialito (a mais antiga competição mundial de selecções), que até 2005 era disputada por 8 equipas convidadas, distribuídas por 2 grupos de 4 equipas, com uma fase eliminatória composta por meias-finais e final. Numa fase em que o Mundialito se mantinha, mas já sem a envergadura e o simbolismo de outros anos, a BSWW iniciou uma interessante parceria com o emirado do Dubai para organizar anualmente um grande evento à escala mundial, reunindo um conjunto de selecções de topo convidadas pela organização.

Preferencialmente, os convidados deveriam ser os campeões continentais, mas quer porque as equipas nem sempre estão disponíveis, quer por decisão da organização, o cargo de representante continental acaba por vezes por ser transmitido a outras selecções. Não obstante, a Copa Intercontinental reúne invariavelmente um lote de equipas de grande nível, num palco de luxo, e talvez por isso rapidamente alcançou um enorme prestígio na elite do futebol de praia. Além disso, desde 2014, a competição precede à gala de atribuição dos prémios Beach Soccer Stars, que distinguem os melhores do ano na modalidade, tanto no masculino como no feminino (desde 2017).

Três campeões, três títulos

O ceptro de campeão intercontinental apenas foi conquistado por três selecções, que marcaram a História do futebol de praia na década de 2010: Rússia, Brasil e Irão. Curiosamente, as três equipas já venceram a prova por três edições distintas. Sendo certo que a comparação corre o risco de ser injusta, tendo em conta que apenas a Rússia participou em todas as edições, e selecções como Portugal, Espanha ou Itália contam apenas com duas ou três presenças no evento, não deixa de ser uma tendência curiosa que estas três equipas repartam entre si não apenas os títulos como as principais presenças no pódio. Vale a pena realçar os dois títulos consecutivos da Rússia em 2011 e 2012, que corresponderam à confirmação da hegemonia mundial dos czares no período de 2011-2013 em que foram bicampeões mundiais

. Por outro lado, o Brasil venceu 3 das 4 edições entre 2014 e 2017 (não participou em 2015), num momento de ressurgimento do futebol de praia brasileiro encabeçado por Bruno Xavier e nomes como Datinha, Mauricinho ou Rodrigo. Por seu turno, o Irão imiscuiu-se na elite do futebol de praia mundial em 2013, ao vencer o Brasil e a Rússia (esta última por duas vezes) para conquistar o troféu e confirmar o seu lugar na elite mundial por excelência. Os persas são, de resto, os actuais bicampeões em título, uma distinção alcançada em 2019, num ano em que Ahmadzadeh, Mesigar e demais colegas falharam o acesso ao mundial.

Um palco alternativo para brilhar

A edição de 2019 acabaria por culminar numa final insólita: Irão e Espanha, duas equipas que não estavam qualificadas para o Mundial que se realizaria um mês depois em Assunção, no Paraguai, disputaram o título de campeão intercontinental, numa partida em que a armada hispânica de Llorenç e Eduard não conseguiu levar a melhor sobre o conjunto persa. No entanto, já por outras ocasiões a Copa Intercontinental acabaria por girar os holofotes para selecções tipicamente menos cotadas, com presenças geralmente mais discretas em mundiais ou ausentes de todo. Ẽ o caso da equipa da casa, a selecção dos Emirados Árabes Unidos, que por várias vezes demonstrou o esplendor do seu futebol de praia em constante evolução numa luta de igual para igual com os grandes da elite mundial. Os anfitriões da prova estiveram perto da final por várias ocasiões, mas o melhor que conseguiram foi mesmo um 3º lugar, por três ocasiões, a última das quais no ano passado.

Por seu turno, as selecções de Marrocos e do Egipto, vítimas do domínio do futebol de praia africano por parte do Senegal e sucessivamente derrotadas nos momentos decisivos por equipas como Nigéria, Madagáscar ou Costa do Marfim, nunca conseguiram o apuramento para um mundial. No entanto, os dois conjuntos do Norte de África encontraram na Copa Intercontinental uma janela de oportunidade para mostrarem o seu futebol de praia ao mundo, enquanto se debatiam com argumentos muito respeitáveis com equipas de topo como Rússia, Irão ou Portugal. Na retina ficam os 4ºs lugares da selecção dos faraós, nas edições de 2015 e 2018, bem como um jogo muito disputado com os comandados de Mário Narciso em 2017, quando uma vitória lusa nas grandes penalidades fez cair por terra o sonho egípcio após um empate a 6 bolas.

Após um ano de 2020 sem Copa Intercontinental, quando será que os adeptos de futebol de praia dos 5 continentes poderão voltar a vibrar com a entusiasmante competição nascida nas abastadas areias do mais ilustre dos 7 Emirados Árabes?


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