Epopeias Lusíadas na Euro Beach Soccer League

André CoroadoAgosto 15, 20206min0

Epopeias Lusíadas na Euro Beach Soccer League

André CoroadoAgosto 15, 20206min0
Portugal vai acolher em Setembro a Superfinal da Liga Europeia de Futebol de Praia, que pela primeira vez viaja até à Nazaré. Os homens da casa buscam a sétima vitória na prova, no seguimento dos triunfos de 2002, 2007, 2008, 2010, 2015 e 2019. Nesta peça, viajamos atrás no tempo para reviver algumas das finais que catapultaram Portugal para o topo da Europa do futebol de praia.

Numa época insólita, a Liga Europeia de Futebol de Praia irá pela primeira vez concentrar-se numa semana, quando as areias do Estádio do Viveiro, na Nazaré, acolherem a Superfinal da Divisão A, entre 1 e 6 de Setembro. 12 equipas irão lutar pelo ceptro europeu, estando a grande final agendada para Domingo, dia 6. Portugal, actual campeão europeu, é neste momento o país com maior número de troféus conquistados, totalizando 6 vitórias na competição.

Na antecâmara do evento deste ano, escolhemos 3 triunfos lusos em 3 finais particularmente emocionantes, nas quais a persistência e a dedicação da selecção das quinas foram factores chave contra adversários de renome.

EBSL Marselha 2007: Portugal 7 – 6 França

Em 2007, Portugal conquistava finalmente o seu segundo título na Liga Europeia, depois de uma sequência de 3 finais perdidas entre 2004 e 2006. Na arena montada na Plage du Prado, diante de uma selecção gaulesa no auge das suas capacidades, treinada pelo emblemático Eric Cantona e impulsionada por um público ruidoso, Portugal tinha uma tarefa de grande dificuldade pela frente. A equipa treinada por José Miguel Mateus perdera os dois confrontos anteriores frente à França, um deles numa derrota copiosa por 6-0 na etapa espanhola da Liga Europeia, em Palma de Maiorca, e o outro numa derrota por 5-3 na fase de grupos da própria Superfinal, apenas 3 dias antes da final.

Todavia, a selecção nacional apresentou-se muito focada na partida, imprimindo uma grande intensidade no jogo desde o apito inicial e fazendo valer a primazia técnica dos seus executantes. Os três reis magos, Madjer, Alan e Belchior, revelaram-se particularmente decisivos, com 2 golos cada um, num jogo de parada e resposta em que a selecção nacional esteve sempre na frente, por um ou dois golos de diferença, mas viu os franceses responder prontamente e restabelecer consecutivamente a igualdade no marcador… até ao golo da vantagem definitiva, apontado por Belchior, numa jogada individual impetuosa que fixou o resultado final de 7-6. O golo e os instantes finais da partida podem ser recordados no vídeo abaixo.

O encontro coroou assim com um título europeu uma geração do futebol de praia português, que viria a ser parcialmente renovada no ano seguinte, e ficou para a História como uma das finais mais épicas da competição.

EBSL Lisboa 2010: Portugal 3 – 1 Itália

No primeiro ano sem campeonato do mundo, devido à decisão da FIFA e da BSWW no sentido de tornar a competição bienal, a Liga Europeis surgia como a principal competição no calendário da selecção nacional. E foi justamente em Lisboa, mais concretamente na arena montada no Terreiro das Missas em Belém, que Portugal teve a oportunidade de lutar para reconquistar o título da Liga Europeia perdido no ano anterior para a Rússia. Os pupilos de José Miguel Mateus desforraram-se dos czares ainda na fase de grupos, numa vitória cirúrgica por 4-2 com 3 golos arrebatadores de Madjer, e marcaram encontro com a Itália na final.

Numa arena lotada pelo público lisboeta, a selecção das quinas defrontava um adversário contra quem apresentava um historial amplamente favorável, mas as circunstâncias tornavam a tarefa de Portugal hercúlea. Do outro lado, os transalpinos surgiam renovados, com o estreante Gabriele Gori a despontar e uma nova dinâmica ofensiva instaurada pelo novo seleccionador Massimiliano Esposito. Portugal, entretanto, partia para dentro de campo sem o castigado Belchior e com Madjer a meio gás, limitado por uma lesão nas costas e ressentido do esforço da véspera.

No entanto, novos heróis surgiram nas figuras de Alan, Paulo Graça e Bruno Novo. O primeiro marcou o golo do empate no primeiro período, respondendo ao tento inaugural de Corosiniti; os dois últimos construíram os segundo e terceiro golos que deram a vitória a Portugal.

Pelo meio, o pontapé de bicicleta perfeito de Gori gelou as bancadas em Belém, mas um lançamento longo de Paulo Graça encontraria a subida de Bruno Novo pela ala a poucos minutos do fim do encontro e a magia aconteceu: Spada ainda conseguiu suster, com a ajuda do poste, o remate do número 18 português, mas no ressalto Bruno Novo disferiu uma potente recarga de pé esquerdo e carimbou a vitória de Portugal. José Miguel Mateus colocou dentro de campo simultaneamente os ultra-defensivos Coimbra, Bilro e Marinho, num esforço supremo para segurar a vantagem nos instantes finais, e foi assim que Portugal alcançou a quarta vitória na Liga Europeia.

EBSL Parnu 2015: Portugal 5 – 4 Ucrânia

Num ano de sonho para a selecção das quinas, apenas suplantado pelo de 2019, Portugal sagrou-se campeão do mundo FIFA em Espinho e, no mês seguinte, venceu a Liga Europeia, numa competição realizada a norte do paralelo 60º, na cidade costeira estónia de Parnu. Contudo, os 12 magníficos de Mário Narciso não encontraram facilidades: após vitórias contundantes sobre França e Suíça, Portugal superou a Rússia nas grandes penalidades depois de um empate a 3 bolas e alcançou a final.

O jogo decisivo seria um daqueles embates memoráveis, frente a uma selecção ucraniana repleta de argumentos, que tinha como principais figuras os irmãos Igor e Andrii Borsuk, o experiente Kornichuk e o acrobático Zborowsky, num colectivo de grande nível. Mas Portugal tinha uma equipa campeã mundial, na qual qualquer jogador era passível de sobressair, e desta vez foi Zé Maria o herói da tarde, com um hattrick decisivo na conquista do título.

O pontapé de bicicleta imparável do número 8 português restabeleceu a igualdade a umam bola no final do primeiro período, após o tento madrugador de Panteleichuk, mas novas adversidades esperavam Portugal no 2º período, fruto de dois novos golos dos irmãos Borsuk. A desvantagem de 3-1 pareceia desnorteante perante uma autêntica muralha defensiva ucraniana, tacticamente irrepreensível… Porém, um pontapé de saída inteligentemente urdido pela armada nacional ludibriou a barreira azul e amarela, culminando no golo de Belchior, e o empate chegaria mais tarde por intermédio da velocidade de Bê Martins.

Portugal éstava por cima e chegaria à vantagem muito perto do final do encontro, com um remate de Zé Maria ao segundo poste após assistência de Alan, mas a frieza ucraniana não esmoreceu e os comandados de Varenytsia chegaram ao 4-4 na conversão de uma grande penalidade por Andrii Borsuk.

No entanto, o ímpeto lusitano prevaleceria, com uma jogada digna de um sonho já nos derradeiros segundos da partida: após a intercepção de um passe para Zé Maria por parte da defensiva ucraniana, a bola sobrou para Jordan na ala direita, enquanto Coimbra subia para uma zona central do terreno… o actual melhor jogador do mundo serviu o número 2 de Portugal, que na iminência do apito final levantou a bola para um portentoso pontapé de bicicleta dirigido às redes de Sydorenko! Todavia, nunca chegaremos a saber se o guardião ucraniano teria logrado a defesa, já que o inevitável Zé Maria, bom leitor do lance, estava posicionado no sítio certo para operar o desvio vitorioso de cabeça, fracções de segundo antes de soar a buzina que assinalava o final do encontro! A bola estava no fundo da baliza, o encontro terminado e Portugal era novamente campeão da Europa de Futebol de Praia, consagrando uma nova geração de ouro do desporto português!


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