Futebol de praia: 3 questões para 2020

André CoroadoJaneiro 16, 20204min0

Futebol de praia: 3 questões para 2020

André CoroadoJaneiro 16, 20204min0
No virar de página de 2019 para 2020, são várias as questões que se colocam no cenário internacional do futebol de praia. Conseguirão os grandes campeões da época transacta manter os altos padrões alcançados? E como irão os gigantes do futebol de praia mundial derrotados em 2019 reagir à queda?

Ano novo, vida nova, assim diz o ditado. Mas será que 2020 será assim tão diferente de 2019 no que ao futebol de praia diz respeito? A nível de calendário internacional, as mudanças são evidentes, com uma redução drástica do número de competições por comparação com o ano passado, que foi de longe a temporada mais preenchida de sempre. Mas o que nos importa realmente é algo distinto: como irão reagir as grandes equipas da cena internacional aos resultados que obtiveram em 2019 na próxima temporada?

Irá o SC Braga conseguir manter a hegemonia?

No mundo do desporto é costume dizer-se que, apesar de ser difícil chegar ao topo, o mais difícil é manter o estatuto alcançado, entenda-se, o estatuto de campeão. E foi precisamente isso o que o SC Braga tem vindo a fazer nas últimas temporadas, em que se sagrou tri-campeão europeu e nacional. No ano passado, os bracarenses conquistaram ainda o Mundialito de Clubes e a inédita Taça de Portugal.

Para 2020, quais serão os objectivos dos minhotos? Voltar a vencer cada uma das provas, claro está. Uma tarefa hercúlea a que os comandados de Bruno Torres se propõem e que começa já no próximo mês, em Moscovo, com a defesa do ceptro mundial conquistado no ano passado na capital russa. Para já, o triumvirato composto por Jordan, Léo e Bê Martins continua a treinar tendo em vista este próximo objectivo, no qual contará com o poder de fogo dos reforços que chegarão da selecção Canarinha. A oposição será, no entanto, de peso, num ano em que, dentro e for a de fronteiras, todos sonham derrotar o líder do ranking mundial da Beach Soccer WorldWide. Até onde irá durar a hegemonia dos minhotos?

Como reagirá o Brasil à perda do título mundial no próximo ano?

Embora tenha averbado apenas uma derrota no ano de 2020 (excluindo o torneio da Copa Lagos, na qual o Brasil se apresentou com uma selecção de esperanças sub-23), o Brasil falhou o objectivo principal da temporada. Isto porque esse jogo correspondeu precisamente à partida dos quartos de final da prova diante da Rússia, que os pupilos de Gilberto Costa perderam por 4-3.

Num país habituado a ganhar praticamente tudo nos últimos 4 anos, a queda numa fase precoce da competição causou transtorno e de imediato se ergueram algumas vozes contestatárias do modelo de gestão do futebol de praia brasileiro. Além disso, em termos de competição dos escalões jovens, o Brasil não tem averbado resultados tão bons como seria de esperar, não conseguindo assegurar o domínio continental (o Brasil acabou por perder o título da CONMEBOL para a rival Argentina no evento realizado em Dezembro do ano passado). No entanto, o nível apresentado pelos atletas do Escrete na temporada de 2020, assim como a prestação colectiva da selecção, manteve-se em patamares de excelência como em anos anteriores, numa temporada em que o Brasil até conquistou o ouro nos inéditos Jogos Mundiais de Praia.

Assim sendo, coloca-se a seguinte questão: irá o futebol de praia brasileiro sofrer algum tipo de restruturação em 2020?

Portugal campeão do mundo: E agora?

Da mesma forma que o SC Braga, também a selecção nacional protagonizou um ano de sonho em 2020, ao sagrar-se campeã europeia, mundial e olímpica (Jogos Europeus de Minsk). Além disso, viu ainda Jordan ser distringuido como o melhor jogador do mundo, além de diversos prémios individuais terem sido conquistados por Andrade, Léo Martins, Bê Martins e o próprio Jordan.

Num 2020 com menos competição, Portugal terá, no entanto, de lutar pela revalidação dos títulos do Mundialito e da Liga Europeia, assim como a qualificação para o mundial do próximo ano. Assim, existem razões de sobra para alimentar as expectativas em relação aos desafios da selecção lusa no ano que agora começa: conseguirão os comandados de Mário Narciso dar continuidade aos resultados de luxo alcançados em 2019?

A expectativa cresce se considerarmos que em 2020 Portugal jogará sem a sua maior referência de sempre na modalidade, o capitão Madjer que envergou pela última vez a braçadeira na final do Mundial em Assunção. Será interessante perceber como se irá adaptar a equipa portuguesa em campo, com a composição da segunda equipa a alterar-se forçosamente e, consequentemente, também o modelo de jogo.


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