A sinergia perfeita no basquetebol mundial

Tiago MagalhãesFevereiro 25, 20184min0

A sinergia perfeita no basquetebol mundial

Tiago MagalhãesFevereiro 25, 20184min0
A relação da NBA com o basquetebol europeu tem sido cada vez mais vincada e o Fair Play partiu para a análise deste fenómeno.

Longe vão os tempos em que o salto do basquetebol europeu para a NBA era feito de forma extremamente cautelosa, em que jogadores como Vlade Divic, Sarunas Marciulionis e a eterna lenda Drazen Petrovic (sobretudo estes últimos dois) saíam da sua zona de conforto, de serem estrelas nos seus países, para se tornarem “simples rookies” na NBA.

Nesta temporada na noite inaugural da melhor liga do mundo tivemos 113 atletas internacionais de 43 países diferentes, mais de 25% dos plantéis formados o que é notável e um recorde até ao momento na NBA. A internacionalização tem tido uma ascensão meteórica nos últimos anos e tal deve-se a um conjunto vasto de factores que muitas vezes passam ao lado dos adeptos mais comuns da modalidade.

Por um lado, a chegada de mais e melhores americanos ao basquetebol europeu elevando assim o nível de jogo, por outro lado a maior capacidade financeira para projectos sérios e multimilionários em vários clubes (CSKA Moscow lidera esta categoria com um orçamento acima dos 42 milhões de euros, secundado pelo Real Madrid com 27 milhões e com o Fenerbahçe a fechar o top-3 com 23 milhões), mas sobretudo a possibilidade de maior difusão de conteúdos sobre atletas que há uns anos atrás passariam completamente despercebidos. (Seria totalmente impossível em 1990 descobrir Giannis Antetokounmpo que militava na 2ª divisão grega aquando do draft ou Isaac Bonga que poderá ser uma das estrelas na lotaria deste ano).

O sistema AAU de formação nos EUA, os escândalos emergentes na NCAA, a aposta no potencial em vez de jogadores estabelecidos mas sobretudo a evolução na formação em toda a Europa têm sido pontos cruciais nesta internacionalização e agora temos clubes a nível europeu que são verdadeiras “escolas de preparação” quer na EuroLeague, quer nas competições secundárias europeias ou mesmo apenas a nível doméstico. E sendo assim o pensamento que fica no ar entre os responsáveis das franchises da NBA começa a ser:

Se a NCAA não produz talento suficiente, porque não procurar o melhor talento no resto do mundo?

A evolução do jogo é notória, jogadores grandes e móveis que consigam fazer várias posições dentro do campo e sendo o basquetebol europeu um treino muito direccionado para os fundamentos do jogo é normal que tenhamos talentos a despontar nesta situação. É ilustrativo como o talento está espalhado por todo o “velho continente” com jogadores que podem vir a ser ‘draftados’ em 2018 provenientes de clubes como Cedevita Zagreb (Cróacia), Frankfurt Skyliners (Alemanha), Cholet (França), Mega Bemax (Sérvia), Barcelona Lassa (Espanha), Capo D’Orlando (Itália), entre vários outros que nem sequer podemos considerar de topo na Europa.

(Foto: eurocupbasketball.com)

O caso mais notório deste ano é Luka Doncic, o “wonderboy” que aos 18 anos já é campeão europeu pela Eslovénia tendo sido escolhido para o 5 ideal da competição, uma das peças fulcrais do Real Madrid na sua campanha europeia e um talento como já não se via há alguns anos a emergir tão rapidamente que tem grandes possiblidades de ser a #1 pick no Draft deste próximo Verão. O base versátil é actualmente o líder do Index Rating (fórmula estatística para MVP), segundo melhor marcador da competição com 17,9 pontos por jogo, 8º em assistências com 4,5, top 15 em ressaltos com 5,2. É impossível não ver o seu impacto em todas as vertentes do jogo dos dois lados do campo.

Estamos numa era em que o basquetebol está mundialmente estabelecido e a Europa é a maior prova disso com orçamentos milionários, jogadores que trocam a NBA por um papel mais relevante em equipas de topo europeias (o contrato mínimo na NBA é de 660 mil euros enquanto que uma estrela na Europa como Alexey Shved aufere de um contrato de 3,4 milhões de euros anuais) e com scouting de olhos postos em quase todos os pavilhões do continente à procura da próxima superestrela que mude o rumo de uma franchise ou que se mantenha por cá, a deliciar-nos ao mais alto nível europeu.


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