Seleção Nacional universitária – Brilho luso em Pombal

José AndradeJunho 15, 20229min0

Seleção Nacional universitária – Brilho luso em Pombal

José AndradeJunho 15, 20229min0
A Seleção Nacional Universitária realizou o seu primeiro estágio onde defrontou a Hungria e José Andrade vem nos falar desse duplo confronto

A seleção nacional universitária realizou o seu primeiro estágio com dois duelos frente à Hungria em Pombal, dois resultados distintos e é sobre cada um desses jogos que hoje vos vamos falar em dia de novo encontro desta seleção.

Portugal – Hungria: Domínio Nacional e resultado injusto

No primeiro jogo, Portugal perdeu por 81-77, resultado injusto porque a seleção nacional universitária dominou a maior parte deste encontro, foram os minutos finais que acabaram por ditar este desaire. No entanto, a turma das quinas exibiou-se bem e a deixar à vista o que viria a ser o segundo jogo. Portugal começou com Joana Alves, Mariana Silva, Sara Barata, Ana Teresa Faustino e ainda Carolina Rodrigues, com uma nota extra para Carolina Bernardeco e Maianca Umabano que ficaram de fora (esta última lesionada no qual deixamos o nosso desejo de uma boa recuperação). A primeira posse foi de Portugal, Ana Faustino a assumir a construção, procurou o interior e uma boa combinação entre Mariana Silva e Joana Alves a resultar nos primeiros pontos deste encontro.

O conjunto nacional apresentou-se com bastante mobilidade, muitas trocas e a defesa húngara demorou para conseguir travar de alguma forma o ataque luso; na defesa íamos sentindo maiores dificuldades perante a estatura de Beatrix Meresz, a referência interior que conseguia ganhar nos duelos e que foi mesmo a arma mais perigosa das adversárias de Portugal. Nota para as primeiras entradas, Susana Carvalheira e Luana Serranho que mexeram com o jogo, a velocidade e técnica da base criaram ainda mais problemas à defesa da Hungria.

A seleção visitante sentia dificuldades em criar no ataque, a pressão lusa através de Raquel Laneiro e Marta Martins ainda complicou mais a missão das húngaras, com as bases portuguesas a irem conseguindo roubar muitas bolas e forçar ao seu adversário a cometer erros. Uma ótima entrada de Portugal. Marta Martins, Luana Serranho e Raquel Laneiro foram mostrando detalhes deliciosos que deixavam as visitantes com a cabeça em “água”, a mobilidade e qualidade lusitana saltavam à vista, com várias combinações, Susana Carvalheira sempre a ganhar nos duelos interiores e as jogadoras exteriores fosse em penetrações ou nas costas iam sempre aparecendo.

Raquel Laneiro a entrar bem, ia surgindo da linha de três pontos, as combinações entre a jovem base com Carolina Rodrigues eram um dos destaques de Portugal, que iam estando por cima deste embate. Superioridade nacional mesmo com a vantagem de apenas 4 pontos no final do primeiro quarto. No segundo quarto, as húngaras apertaram as marcações, Susana Carvalheira passou a ter sempre Andrea Kiraly e Meresz no seu encalce, com a Hungria a conseguir pela primeira vez a ajustar e com isso a tirar alguma da nossa superioridade.

No entretanto, Carolina Gonçalves entrou bem, num inicio de período menos bom, com esta entrada a ajudar Portugal a crescer e a voltar a ter uma vantagem mais lata. Pressão alta lusa, Marta Martins em grande principalmente nas transições, mas é com a dupla Laneiro/Rodrigues que voltámos a assumir ainda mais o jogo e a conseguir de novo outro conforto na partida, registando-se um 48-35 ao intervalo.

O terceiro quarto trouxe o continuar do domínio nacional, mais uma boa entrada com Carolina Rodrigues e Ana Teresa Faustino em destaque, incluindo-se aqui também Sara Barata que se apresentou em bom plano, não tanto pelos pontos, mas pelo que lutava e pelas tarefas mais invisíveis que ia realizando e cumprindo muito bem.

Apesar da Hungria passar a pressionar mais alto, Portugal continuava a ganhar as segundas bolas, surgindo neste momento a questão das faltas das jogadoras interiores e novamente outra dinâmica lusa no ataque com Raquel Laneiro, Marta Martins e Luana Serranho em grande. Surge, no entanto, neste período a primeira nota negativa, a lesão de Joana Lopes que também estava bem e que foi mais uma baixa importante para o último quarto.

68-57 à entrada para o último período, Portugal sem Joana Alves excluída por faltas e Joana Lopes de fora por lesão, o que acabou por pesar nas Quinas. Boa entrada continuando a dinâmica atacante a fazer a diferença, mas é nestes últimos minutos que surge uma Hungria mais móvel e com maior acerto no tiro exterior, a juntar a isso mais uma lesão de uma atleta portuguesa, Luana Serranho, e a exclusão de Susana Carvalheira que também ficou de fora quando atingiu o limite de faltas. A selecção húngara a apostar na altura e a procurar as faltas nos últimos minutos, até mais que pontuar a seleção visitante procurou as faltas e a verdade é que essa estratégia se revelou eficaz porque conseguiram passar a ganhar os duelos nas tabelas e ainda aumentaram o acerto no ataque. Desaire que não mancha em nada a grande exibição da nossa seleção nacional universitária.

Portugal – Hungria: Ainda mais superiores

No segundo duelo em Pombal, Portugal ganhou por 75-70, num embate em que entrou em campo com Susana Carvalheira, Mariana Silva, Sara Barata, Marta Martins e Carolina Rodrigues. À entrada para este segundo duelo, às duas atletas que já tinham ficado de fora no dia anterior, juntaram-se Luana e Inês Ramos. A defesa lusa a ser o primeiro destaque do jogo, mas a Hungria chegava com uma estratégia mais ousada, mais pressionante e a procurar os contra-ataques. Uma má entrada das basquetebolistas portuguesas, que acabou por melhorar assim que Mariana Silva começou a surgir no encontro ganhando nos duelos através da sua mobilidade.

Destaques para as entradas de Carolina Gonçalves e Joana Lopes, se no dia anterior já tinham sido figuras em evidência neste duelo acabaram mesmo por ser das melhores. Duelo bem mais equilibrado, mencionar ainda a boa entrada de Marta Vargas, muito importante na luta que estava a ser este jogo. Ricardo Vasconcelos a revelar novamente aquilo que tão bem conhecemos e já elogiámos, especialmente na leitura de jogo e capacidade de alterar os duelos desde o banco, isso aconteceu ainda neste segundo período quando Portugal passou a pressionar mais alto e aí com destaque para Raquel Laneiro e Carolina Gonçalves que surgiam de forma fantástica em ações defensivas. 39-42 ao intervalo, Portugal a perder, sentindo-se o crescimento e muito pela excelente entrada de Raquel Laneiro. A segunda parte foi diferente, deu mais Portugal, mesmo com o jogo a continuar muito equilibrado.

Passámos a ganhar a luta das tabelas, Joana Alves surgiu ainda mais na segunda parte, mas o destaque maior foi Carolina Gonçalves, em grande nos dois lados do campo e a ser preponderante. As húngaras ficaram mais distantes do cesto e a seleção das quinas ganhou nos duelos das tabelas, devido a uma maior mobilidade e uma defesa extraordinária foram os fatores decisivos para este triunfo de Portugal, um jogo ainda mais suado, onde se viu ainda o melhor desta nossa seleção repleta de enormes talentos.

Muitos destaques neste dois duelos e vamos a alguns deles:

  • Ana Teresa Faustino – Muita magia

Ana Teresa Faustino assumiu-se como uma das melhores nestes dois duelos, a mostrar a sua muita capacidade de criação, a sua visão de jogo e a imensa qualidade. Bom voltar a ver jogar ao vivo para se poder ver e ter maior noção da forma como ela lê o jogo, dois grandes jogos de uma jogadora muito talentosa e que mostrou em Pombal a sua evolução principalmente no aspeto defensivo.

  • Raquel Laneiro – Star quality

Passamos para Raquel Laneiro, foi como sempre um dos destaques da nossa seleção nacional universitária e não só pelo que fez no ataque, embora tenha aparecido sempre bem nos dois jogos, com tiros e momentos importantes. Merece este destaque pelo que fez na defesa, em que foi fulcral nas marcações e no papel defensivo anulando algumas das peças mais importantes da Hungria. Surgiu muito bem como sempre no ataque.

  • Mariana Silva – Dominar e render sempre muito

O nosso terceiro destaque vai para Mariana Silva, é também ela um destaque regular. No primeiro duelo com Susana Carvalheira e Joana Alves de fora foi obrigada a assumir um outro papel e mesmo perante o maior poderio físico das húngaras esteve muito bem. No segundo duelo além da defesa e da luta das tabelas mostrou-se no ataque, aquele footwork sempre impressiona, para além da análise rápida que consegue efectuar e voltou a mostrar nestes dois duelos a sua imensa qualidade.

  • Joana Lopes – Sempre muito bem

Joana Lopes assumiu um papel de destaque nestes dois confrontos em Pombal, em vários papeis e em todos se apresentou cp, grande excelência, conseguindo mostrar-se na luta dos ressaltos, na linha de três pontos e ainda na defesa, uma jogadora em cada vez maior evidência e que aproveitou muito bem este estágio para ganhar um papel de destaque nesta seleção.

  • Carolina Gonçalves – Preponderante e focada

O nosso último destaque vai para Carolina Gonçalves que fez questão de refrescar a memoria de muitos nestes dois duelos sobre a sua alta qualidade. Foi destaque nos dois jogos, esteve bem em tudo, não cometeu erros e apareceu muito bem nos dois lados do campo.

Portugal joga esta quarta-feira e amanhã, quinta-feira com a Finlândia em Viana do Castelo, mas deixámos aqui tudo sobre os dois confrontos com a Hungria em Portugal, jogos que deixaram à vista o talento absurdo presente nesta seleção nacional universitária.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter