MLB: contratos caros e (muito) longos marcam dezembro!

Felipe MartinsDezembro 10, 20228min0

MLB: contratos caros e (muito) longos marcam dezembro!

Felipe MartinsDezembro 10, 20228min0
A semana da MLB surpreendeu os fãs com tantas movimentações. Confira na coluna de Felipe Martins como está o momento do mercado da MLB!

Se há pouco menos de um mês não havíamos visto nenhuma grande movimentação no mercado de agentes livres da MLB, não é possível afirmar o mesmo ao início de dezembro. Entre renovações de contrato e mudanças de equipas, atletas do beisebol estadunidense estão a bater marcas assustadoras em termos de valores negociados.

Na última semana, nomes como dos arremessadores Jacob deGrom e Justin Verlander, e do interbases Xander Bogaerts, encontraram um novo lar. Outros, como os defensores Aaron Judge e Brandon Nimmo, renovaram o compromisso com as equipas que defenderam durante a época 2022. Apenas três atletas juntos garantiram quase 1 bilhão de dólares em contratos garantidos por pelo menos 9 anos!

Trea Turner foi o primeiro dos interbases a garantir um longo contrato nesta pré-época. (Foto: Matt Slocum/AP)

A semana da MLB certamente surpreendeu os fãs com tantas movimentações. Confira na coluna de Felipe Martins como está o momento do mercado da MLB!

Surpresos, mas nem tanto assim

Não é novidade que, eventualmente, chegaríamos ao patamar e contexto atuais. A Major League Baseball é a única das grandes quatro ligas esportivas dos Estados Unidos que não possui um mecanismo de teto salarial, sendo ilimitado o quanto um dono de equipa pode gastar. Claro, há penalidades previstas em termos financeiros, geralmente escalonadas.

Conhecida como Imposto do Equilíbrio Competitivo (Competitive Balance Tax, no inglês), a multa prevê que, a cada vez que uma franquia ultrapassa uma faixa pré-estabelecida, mais impostos incidem no custo total da folha de pagamento. O mecanismo tenta consertar a falta de políticas mais contundentes, e visa evitar o aumento de uma já existente bolha financeira na liga – Steve Cohen, dono do New York Mets, por exemplo, deverá pagar uma multa milionária por ter ultrapassado todas as faixas criadas.

Steve Cohen, dono da equipa do New York Mets, é o mais rico entre os proprietários de franquias da MLB (Foto: Corey Sipkin/NY Post)

Mas enquanto não há algo realmente punitivo a acontecer por altos gastos, agentes de atletas seguem procurando contratos cada vez mais longos e rentáveis. A pré-temporada da MLB entre 2022 e 2023 tem chamado a atenção principalmente por isso: foram pelo menos dois contratos com mais de 10 anos de duração, e dois na faixa de 8-9 anos. Até pouco tempo atrás, apenas o astro Bryce Harper (Philadelphia Phillies) havia garantido um contrato de mais de 10 anos (13, no total) vindo diretamente do mercado.

Quem está a mudar de casa

Quatro atletas garantiram contratos gordos com novas equipas para a época 2023. Os interbases Xander Bogaerts e Trea Turner fecharam acordos por 11 anos, com valores médios parecidos. Turner, considerado por muitos um dos atletas mais consistentes das últimas épocas, deixa a costa oeste para defender o Philadelphia Phillies em 2023. O atleta inclusive volta a unir-se com Bryce Harper, companheiro de muitas épocas pelo Washington Nationals. Serão 27 milhões de dólares por ano pelas próximas 11 épocas, cobrindo praticamente todo o restante da carreira de Turner – hoje com 29 anos.

A história de Xander Bogaerts é ainda mais chamativa. O interbases deixou o Boston Red Sox, equipa que o revelou e por quem conquistou dois títulos da World Series, e está de mudança para San Diego, onde jogará ao lado de estrelas como Fernando Tatis Jr., Manny Machado e Juan Soto na surpreendente e interessante equipa do Padres. Bogaerts, que fechou com o Padres por 11 anos e 25,4 milhões de dólares por época, não chegou a um acordo com os Meias Vermelhas para continuar a caminhada, o que gerou ainda mais descrédito entre torcedores – além do Bogaerts, os fãs do Red Sox já haviam se despedido do ídolo Mookie Betts em 2020, Andrew Benintendi em 2021 e Christian Vázquez em 2022, todos ‘pratas’ da casa.

Por fim, os arremessadores Jacob deGrom e Justin Verlander também estão de malas prontas. O primeiro está a deixar a equipa do New York Mets, sem muita surpresa, e irá defender o Texas Rangers. O contrato prevê 37 milhões de dólares por ano pelas próximas 5 épocas, sendo um dos mais altos para arremessadores.

Jacob deGrom selecionou a equipa do Texas Rangers para ser sua casa para a próxima época (Foto: Bailey Orr/Texas Rangers/Getty)

Só não foi o mais alto desta janela de negociações entre os arremessadores porque o New York Mets pagou caro por um substituto de deGrom: o veterano Justin Verlander, que foi campeão pelo Houston Astros, está a ser anunciado como grande reforço dos Metropolitanos para a época 2023. O valor pago é ainda mais assustador: Verlander vai receber 43 milhões de dólares por ano, até 2024, e fará dupla com o também veterano Max Scherzer, como uma das mais caras da MLB.

Nem todo mundo quis novos ares

A tentação para alguns atletas foi apenas sentir o gosto de várias ofertas como agente livre. Mas no fim, a opção foi por regressar à equipa de origem. O principal caso é o de Aaron Judge, defensor externo considerado o principal nome entre rebatedores atualmente. O ‘Juiz’, como está a ser chamado por fãs, retornou à equipa do New York Yankees por 9 épocas, num total de 360 milhões de dólares – média de 40 milhões por ano. Este é o terceiro maior contrato em valores absolutos (atrás dos 426,5 milhões de dólares para Mike Trout com o Los Angeles Angels e 365 milhões para Mookie Betts com os Dodgers), mas passa a ser a maior quantia paga anualmente a um chamado ‘jogador de posição’ (que não é arremessador).

Brandon Nimmo retorna ao New York Mets com contrato que deve mantê-lo por toda a carreira na equipa (Foto: Rich Schultz/Getty Images)

Além de Judge, outro nome que ficará na equipa que defendeu em 2022 é Brandon Nimmo. O defensor externo também testou o mercado, mas está a retornar para o New York Mets por 8 épocas, com média salarial de 20,2 milhões de dólares por ano. Nimmo, inclusive, foi uma ‘cereja’ de bolo na extremamente custosa folha de pagamentos da equipa dos Mets – além de Nimmo e Verlander, o interbases Francisco Lindor (34 milhões) e os arremessadores Max Scherzer (43 milhões) e Edwin Diaz (14 milhões) também estão a causar rombo no caixa dos Metropolitanos.

‘Terra do Sol Nascente’ já garantiu um bom contrato

Além dos já esperados nomes fechando contratos, tivemos também um dos dois atletas da liga japonesa (NPB) a fechar um acordo com equipas da MLB. Masataka Yoshida, defensor externo que foi destaque da equipa do Orix Buffaloes (atual campeã da NPB), fechou contrato com o Boston Red Sox. Serão 18 milhões de dólares por ano, por 5 épocas. A equipa de Boston também precisou desembolsar outros 15 milhões de dólares para poder contar com Yoshida – uma espécie de ‘multa’ prevista pelo sistema de postagem de atletas japoneses para a NPB (o valor vai para a equipa de onde o atleta saiu).

O astro Yoshida, da equipa nacional do Japão, fechou contrato com o Boston Red Sox, e é mais um atleta japonês a migrar para a MLB (Foto: Kiyoshi Ota/Getty Images)

Por fim, ainda resta uma grande dúvida sobre outro atleta que veio do Japão: o arremessador Kodai Senga, considerado um dos melhores da atual geração, há anos tenta a migração para a MLB mas não houve autorização da antiga equipa, o Fukuoka SoftBank Hawks. Agora, como agente livre, Senga busca um contrato lucrativo com alguma equipa da MLB, que esteja disposta a investir apesar dos riscos – arremessadores japoneses costumam levar tempo e ter mais dificuldade para se adaptar à MLB. Acredita-se que equipas como Boston Red Sox, New York Mets, Toronto Blue Jays e Chicago Cubs sejam as principais interessadas nos serviços de Senga.

Parece muito, mas faltam apenas 110 dias para o início da época 2023 da MLB. Fique de olho nas colunas mensais do FairPlay e fique por dentro de tudo que acontece por lá!


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