MLB: a polêmica com as bolinhas e o uso de substâncias proibidas pelos arremessadores

Felipe MartinsJunho 25, 20215min0

MLB: a polêmica com as bolinhas e o uso de substâncias proibidas pelos arremessadores

Felipe MartinsJunho 25, 20215min0
Confira em texto de Felipe Martins as recentes polêmicas das bolinhas e dos arremessadores que envolve a Major League Baseball

Poucas horas se passaram do sétimo e mais recente no-hitter da Major League Baseball em 2021 (quando um time consegue segurar o ataque do adversário a nenhuma rebatida), e a comunidade de fãs e imprensa continua se perguntando: o que está acontecendo na liga neste ano? Com médias de rebatidas abaixo de recordes históricos e cada vez mais performances mais dominantes de arremessadores, a MLB segue na tentativa de encontrar uma resposta para o desequilíbrio. A problemática da vez: substâncias para melhora do controle da bolinha.

Desde 15 de junho a Major League baseball instituiu uma política de investigações e punições para quem for pego utilizando substâncias proibidas, que venham a melhorar a performance no que diz respeito ao controle da bola. E isso tudo se dá pela série de atuações incomuns de arremessadores individuais ou coletivos no esporte em 2021, e uma crescente reclamação de atletas e técnicos em relação à possível trapaça.

Prática comum no esporte, mas uso abusivo incomoda

Trevor Bauer, do Los Angeles Dodgers, demonstra como substâncias permitem controle absoluto da bolinha. (Foto: Keith Birmingham/Pasadena Star-News/SCNG)

O contexto é que o livro de regras da Major League Baseball para 2021 tem pelo menos duas passagens bem claras, que dizem respeito sobre o uso de qualquer substância ‘estranha ao jogo’ que intencionalmente altere a bolinha. Naturalmente, também é vedado aos atletas utilizarem qualquer substância que, em contato com a bolinha, altere a mesma. A única exceção é uma espécie de resina autorizada pela Liga, em forma de pó, e que fica disponível para os arremessadores ao lado do montinho de arremessos.

A prática não é novidade, e todo ano é comum vermos algum episódio de atletas sendo flagrados com pine tar ou spider tack, dois exemplos de substâncias utilizadas para melhorar o controle. Geralmente são líquidos viscosos que, em contato com a bolinha, tornam a superfície bastante grudenta, o que faz com que arremessadores consigam gerar um índice de rotações por minuto acima do comum aos arremessos – e claro, isso faz com que uma bola se torne ainda mais difícil de rebater.

Em 2021, o que parece é que este contexto todo está fora de controle – uma das grandes marcas da temporada. A Liga, questionada sobre as estatísticas ofensivas despencando, e muito provavelmente considerando a vista grossa de décadas para a prática, decidiu, durante o andamento da temporada, imprimir punições para coibir o uso das substâncias. E o mero anúncio da investigação já gerou incômodo entre os principais arremessadores da MLB.

Repercussão está criando ainda mais polêmica

Já na primeira semana com investigações ativas, o que temos visto nos jogos da MLB beira a bizarrice. Em todas as partidas, os arremessadores estão sendo investigados nos intervalos dos tempos, quando é feita análise da luva, boné, cinto, mãos e outras partes do uniforme, que possam conter qualquer produto. Até aí, nada de ruim, uma vez que todos os atletas têm ciência do procedimento e muitos estão encarando com atitude positiva.

Ocorre que alguns arremessadores, incomodados com as incisivas inspeções, estão reagindo de forma a contribuir para um show de horrores. O arremessador do Washington Nationals, Max Scherzer – que tem na carreira uma série de prêmios individuais como arremessador – foi inspecionado pelo menos três vezes na primeira partida, e na terceira, ameaçou remover as calças para que os árbitros pudessem verificar. A atitude foi encarada com graça pela torcida, mas ao ser repetida em outras partidas por outros arremessadores, deixou um ar de desrespeito ao esporte. Sergio Romo, que atua pelo Oakland Athletics, foi um que de fato ficou semi-nu durante a inspeção: ao ser analisado, cedeu boné e luva aos árbitros, e em seguida, retirou o cinto e abaixou as calças, em pleno campo.

A real eficiência de toda a investigação

A atitude causou em muitos fãs uma reação negativa, e o que temos agora é um questionamento ainda maior sobre a eficiência das investigações e punições. Por um lado, a iniciativa busca equilíbrio entre arremessadores e rebatedores, essencial para o bom andamento do jogo. Mas por outro está machucando ainda mais a imagem do esporte, que constantemente lida com polêmicas.

A gestão de Rob Manfred, atual comissário da MLB, está mais uma vez marcada pela dificuldade de dialogar com a associação de atletas. Em 2020 a temporada teve o início atrasado justamente porque Liga e profissionais não chegavam a nenhum consenso. E em um momento em que o esporte tenta expandir mundialmente a marca, imbróglios como este prejudicam ainda mais o interesse de novos fãs.

Daqui pra frente, a única certeza é que cada partida vai ganhar uma nova pitada de incerteza, uma vez que as investigações apenas começaram. Para o bem do esporte, a expectativa é que as polêmicas fiquem fora dos campos, e que os jogos possam fluir com harmonia e equilíbrio.


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