MLB: dois meses de época com grandes acontecimentos e polêmicas

Felipe MartinsJunho 10, 20217min0

MLB: dois meses de época com grandes acontecimentos e polêmicas

Felipe MartinsJunho 10, 20217min0
Já em 2021, com o mundo todo caminhando para a imunização por meio das vacinas, os esportes nos Estados Unidos da América retornam!

A Major League Baseball chegou no último final de semana à casa das 60 partidas concluídas. Embora para o fã costumeiro não pareça tanto, visto que a temporada tradicionalmente encerra apenas após 162 jogos, a marca foi a mesma que o total de duelos ocorridos na temporada 2020 da MLB, amplamente afetada pela pandemia do coronavírus.

Já em 2021, com o mundo todo caminhando para a imunização por meio das vacinas, os esportes nos Estados Unidos da América retornam. E com este tanto de partidas concluídas, é hora de analisar o andamento da principal liga de Beisebol do mundo: a briga pela classificação, a polêmica com as bolinhas e os grandes destaques até o momento entre os atletas da MLB!

Um ano (até agora) recheado de performances incríveis entre os arremessadores

No beisebol, quando um arremessador consegue atuar pelas nove entradas sem ceder nenhuma rebatida válida ao time adversário, é celebrado um ‘no-hitter’. O feito, embora não seja tão raro, aconteceu apenas 311 vezes em mais de 221 mil partidas ao longo de quase 150 anos de história – pouco mais de 0,1%.

Porém em apenas 60 partidas da temporada 2021, os fãs de beisebol já testemunharam seis jogos de completa dominância dos arremessadores, e com um fato curioso: apenas três times foram os ‘sofredores’. Texas Rangers, Cleveland Indians e Seattle Mariners foram os azarados a sofrerem, cada um, dois jogos sem nenhuma rebatida.

Entre os arremessadores que conseguiram o feito se destacam Joe Musgrove, que arremessou o primeiro no-hitter da história do San Diego Padres – último time entre as 30 franquias ativas a conquistar uma partida sem rebatidas adversárias. Corey Kluber, do New York Yankees, também se destacou com uma partida sem hits após tratar lesão por um bom tempo.

A série de conquistas em pouco tempo levantou a suspeita de que algo no jogo possa estar alterado, o que nos leva para o segundo tópico.

Bolinhas criam polêmica e reduzem média de rebatidas a níveis históricos (negativamente)

Para se medir o quanto um rebatedor é eficiente, o beisebol utiliza a estatística batting average, que nada mais é que a média de rebatidas. O cálculo é basicamente o número de rebatidas de um jogador (bolas válidas que foram postas em jogo por um rebatedor) dividido pelo número de oportunidades que este rebatedor teve de colocar uma bola em jogo (chamado de at bats). E historicamente, um atleta com média de .300 (três rebatidas a cada 10 oportunidades) é considerado bastante eficiente.

Ocorre que a média geral de aproveitamento no bastão em 2021 na MLB está muito baixa. Combinados, os 30 times registram hoje .237, valor considerado baixo pela imprensa e especialistas. Este total é o menor desde 1968, quando os rebatedores também registraram .237. De acordo com a página Baseball Reference (https://www.baseball-reference.com/leagues/MLB/bat.shtml), que compila estatísticas do esporte, nenhuma temporada desde 1871, quando iniciou a contagem, teve um aproveitamento tão ruim dos rebatedores.

A grande suspeita é que as bolinhas tenham sido alteradas de forma a impactar excessivamente o andamento da partida. Em fevereiro de 2021, a Major League Baseball enviou um documento para todas as 30 franquias (https://www.mlb.com/news/mlb-to-alter-baseballs-for-2021), informando que as bolinhas iriam sofrer uma pequena alteração, alcançando distâncias mais curtas quando colocadas em jogo. A razão é uma tentativa de equilíbrio em comparação com 2019, quando a temporada teve recorde absoluto de home runs – rebatida máxima do esporte, em que a bola é colocada para fora dos limites do campo.

A alteração foi aumentar a altura das costuras da bola, o que de fato faz com que haja mais resistência do ar e as rebatidas não avancem tanto. A contrapartida é que, eventualmente, com o aumento da altura da costura os arremessadores tenham mais ‘grip’, mais facilidade em colocar efeito nos arremessos – o que claramente está favorecendo a balança em favor das defesas.

Briga apertada pela classificação, contrariando as previsões

Com 60 jogos a temporada já chega ao mês de junho. São dois meses completos de jogos, e a partir de agora os times começam a ocupar lugares mais ‘definidos’ na classificação (https://www.mlb.com/standings). O interessante é compararmos com as previsões – algumas bem furadas.

A divisão mais competitiva até agora é a Liga Americana Leste, casa de equipes gigantescas como o New York Yankees e o Boston Red Sox. Por lá são quatro equipes (de 5 totais) com recorde positivo (mais vitórias que derrotas), e dá para dizer que os quatro têm chances concretas de uma vaga nos playoffs – a pós-temporada do beisebol das grandes ligas.

O detalhe é que a previsão colocava o New York Yankees como franco favorito, e neste momento, o time duela com o Toronto Blue Jays (outro rankeado como grande competidor) pela terceira posição. Boston Red Sox, que muitos previam a parte de baixo da tabela, perdeu a liderança da divisão há poucos dias, após quase 50 dias consecutivos no topo. O líder Tampa Bay é o time com a menor folha salarial entre todos os 30 times.

Outra divisão que está chamando a atenção é a Oeste da Liga Nacional, onde joga o atual campeão, Los Angeles Dodgers. É lá também que está um dos times que mais se movimentou em trocas e contratações, San Diego Padres. Ambos elevaram o status da rivalidade, e hoje viraram uma espécie de centro das atenções.

Mas por incrível que pareça, a divisão é liderada com certa folga pelo San Francisco Giants, em quem praticamente ninguém apostava. O time conta com folha de pagamento modesta, ainda mais se comparado com os rivais Dodgers e Padres. Muitos acreditavam que a potência do Giants era coisa do famoso ‘beisebol de Abril’, em que times começam bem a temporada mas logo perdem força. Chegando no terceiro mês na liderança, já dá para apostar em uma corrida real de San Francisco.

A grande surpresa neste ano é negativa. Minnesota Twins, que joga na divisão Central da Liga Americana, simplesmente não conseguiu emplacar e derrubou todas as previsões que o colocavam na cabeça da classificação. O time está com 37 derrotas em 61 partidas, e figura em último da divisão, com 13 jogos de desvantagem para o líder. A equipe está pior até que franquias em reconstrução de elenco, como o Detroit Tigers e o Colorado Rockies.

Destaques individuais até o momento

Abrimos a sessão de destaques individuais com Jacob deGrom, abridor do New York Mets, que está com média baixíssima de corridas cedidas. O atleta ainda ficou de fora de algumas partidas por conta de uma lesão menos séria, o que contribui para algumas estatísticas com menos destaque. deGrom venceu o prêmio de melhor arremessador por dois anos consecutivos (2018 e 2019), e caminha para a terceira premiação.

No ataque, Nick Castellanos e Jesse Winker lideram em média de rebatidas, mas quem mais chama a atenção é Vladimir Guerrero Jr., que com apenas 22 anos, lidera a liga em home runs (empatado com mais um) e em corridas impulsionadas (empatado com outros dois). O atleta é um dos principais nomes do promissor time do Toronto Blue Jays.

Por fim, e nem tanto pelas estatísticas mas mais pelo marketing em cima, está Shohei Ohtani. A estrela japonesa está fazendo história pelo bom desempenho como arremessador, e melhor ainda como rebatedor. Tradicionalmente os atletas da MLB costumam desempenhar apenas uma função específica, mas Ohtani está se destacando pela habilidade nas duas vias.

A temporada da MLB está no terceiro mês, mas muita coisa já aconteceu. Fique ligado nas colunas sobre o beisebol e acompanhe este esporte apaixonante!


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