5 reforços que decepcionaram na Liga NOS 2020/2021

Francisco IsaacJunho 17, 20217min0

5 reforços que decepcionaram na Liga NOS 2020/2021

Francisco IsaacJunho 17, 20217min0
Chegaram com o rótulo de reforços no Verão passado, mas acabaram por decepcionar na Liga NOS deste ano e explicamos o porquê das nossas escolhas

Já falámos dos veteranos da Liga NOS, por isso é hora de falarmos de cinco reforços que chegaram a Portugal com esperanças de espantar o público e conquistar grandes exibições, sem nunca realmente atingirem o nível desejado/esperado.

Lembrar que só vamos considerar as exibições realizadas na Liga NOS, deixando de parte (para o bem e mal) as participações em taças ou competições europeias, nos casos que era possível aplicar.

EVERTON SOARES “CEBOLINHA” (SL BENFICA)

Foi o reforço mais sonante não só do SL Benfica, mas, talvez, de toda a Liga NOS, pois vinha carimbado como um dos maiores talentos actuais a jogar no Brasileirão e na canarinha (onde até foi votado como o melhor jogador da Copa América em 2019), com vários comentadores a vaticinarem que “Cebolinha” ia ser a grande figura das águias nesta temporada que está prestes a findar. Ao fim de 30 jogos na primeira liga, 19 dos quais como titular, o fantasista brasileiro apresenta números “satisfatórios”, só que bem longe para o astral supostamente esboçado antes do arranque da época, com 6 golos e 8 assistências ao serviço da equipa liderada por Jorge Jesus.

Curiosamente, é o nome do treinador que surge como razão primária de Everton Soares não ter atingido um degrau superior de brilhantismo e poder de decisão neste campeonato, tendo sido forçado a outros trabalhos que no Grêmio não da sua responsabilidade, seja o facto de ter de ficado muito circunscrito a uma zona do terreno, sem que pudesse divagar e tentar encontrar soluções que podiam acarretar um risco positivo/negativo, dependendo da situação. Porém, também foi claro a incapacidade do internacional brasileiro em fazer a diferença nos confrontos de 1 para 1, exagerando, por vezes, no drible ou na tentativa de ultrapassar o adversário quando tinha melhores opções para dar uma volatilidade superior ao ataque do SL Benfica, e este tipo de pormenores ou detalhes negativos acabaram por ser uma sombra constante durante esta época, apesar de um bom final de época onde foi responsável por 3 golos em 6 jogos.

FELIPE ANDERSON (FC PORTO)

Verdade que quem conhecia o passado-recente do internacional brasileiro não tinha grandes expectativas para o extremo, já que no West Ham pouco mostrou (custou quase 40M€ aos hammers em 2019) durante a época anterior, forçando a sua saída por empréstimo durante uma temporada, na tentativa de valorizá-lo e tentar garantir uma possível venda. O FC Porto parecia um destino apetecível para Felipe Anderson, já que encontraria uma liga menos intensa e “agressiva” do ponto de vista físico e táctico, fugindo assim aos holofotes pesados da Premier League, e isto poderia ser o suficiente para voltar a mostrar os dotes que o tornaram uma das principais referências da SS Lazio.

Volvidos 9 meses desde que aterrou na cidade do Porto, o internacional brasileiro jogou por 14 vezes, foi autor de um só golo (e mais três assistências) e acabou por ser criticado por Sérgio Conceição em diversas ocasiões, com o treinador dos azuis-e-brancos a esperar em Felipe Anderson não só um desequilibrador nato como também um “motor” constante do ataque que nunca chegou a ser. A SAD liderada por Jorge Nuno Pinto da Costa gastou só 1M€ no empréstimo, não sendo uma perda económica grave, mas acabou por ser um reforço fantasma para um plantel que precisava de ter soluções viáveis e capazes de fazer a diferença tanto na Europa como na Liga NOS, com esse factor a ficar bem exposto em alguns encontros.

JAVI GARCIA (FC BOAVISTA)

Não foi o retorno a Portugal desejado por Javi Garcia, que depois de ter feito parte de alguns títulos de campeão no SL Benfica acabou por ser um dos reforços mais decepcionantes do FC Boavista, apesar de ter gozado do estatuto de campeão em pelo menos 18 jogos dos 20 em que alinhou ao serviço dos axadrezados. Desde de 21 de Março que o espanhol deixou de ser convocado por Jesualdo Ferreira, sem que ficasse claro o porquê da sua ausência no meio-campo da formação do Bessa, explicado em certos momentos por uma lesão muscular (nunca foi oficializada esta informação) e em outros por opção, lançando uma grande dúvida sobre a capacidade física do médio-centro.

Ao início e em Janeiro, o internacional espanhol realizou boas exibições no “miolo” do Boavista, sem nunca conseguir ser um portento na velocidade ou no acompanhamento sistemático dos adversários, optando mais por ser um “destruidor” de jogo nato que tentava dar assim força a um plantel com alguns erros de casting e outros problemas inerentes, que acabaram por resultar numa época sempre a lutar para fugir aos últimos lugar da Liga NOS. Pouca velocidade, ritmo inconstante e a falta de presença forte nos momentos mais complicados de vários encontros foram e são detalhes minimamente comprometedores para a época de retorno de Javi Garcia a Portugal, com todos a esperarem algo mais de um atleta com qualidade para ser referência numa equipa como o Boavista.

RICCARDO PISCITELLI (CD NACIONAL)

Não foi contratado pela SAD do CD Nacional para ser titular, uma vez que esse papel estava entregue a Daniel Guimarães desde o 1º minuto, ficando assim destinado ao banco de suplentes nesta época de regresso dos alvinegros à primeira liga. Com a lesão do guardião brasileiro, o italiano, que jogou até 2020 no Dinamo de Bucareste, foi elevado à titularidade e acabou por ser incapaz de mostrar qualquer pormenor digno/merecedor de poder estar numa competição como a liga portuguesa, já que somou um excessivo número de erros entre os postes, na reposição do esférico ou na comunicação com os seus colegas da defesa, submetendo ao emblema madeirense uma pressão ainda maior naquilo que seria sempre uma época de fuga à despromoção.

Nunca ficou claro o valor da contratação de Riccardo Piscitelli, mas nem esse dado “salva” a decisão de Rui Alves em ter contratado um guardião que pouca qualidade apresentou no decurso dos 11 jogos realizados, sofrendo 20 golos (mais 7 na Taça de Portugal) com só por duas vezes a manter as redes “limpas”, transmitindo uma intranquilidade contínua a uma equipa com pouca qualidade individual para sobreviver à maior parte da época. A má temporada do italiano acabou por forçar a contratação de recurso de António Filipe, que aos 36 anos de idade regressou à Liga NOS (a última vez foi ao serviço do GD Chaves em 2019) e conquistou a titularidade num ápice, relegando Piscitelli para o banco mais uma vez.

LYLE FOSTER (VITÓRIA SC)

Optar por Lyle Foster como um dos reforços mais decepcionantes foi uma decisão complicada, já que o avançado sul-africano de 20 anos tem uma boa margem de progressão, mas o facto de ter custado 1,5M€ aos cofres do Vitória Sport Clube e de ter terminado a temporada na equipa “B”, quando se esperava ser, pelo menos, uma solução para saltar a partir do banco de suplentes, foram factores decisivos para ser o último jogador escolhido nesta lista. Veja-se que antes de chegar ao emblema vimaranense, o avançado tinha sido parcialmente titular ao serviço do Cercle Brugge na liga belga, o que torna a descida à formação secundária dos vitorianos ainda mais preocupantes e discutível, realizando apenas 3 jogos na equipa A sem nunca ter agarrado as poucas oportunidades oferecidas.

É difícil perceber a qualidade inerente a Lyle Foster, se tem capacidade para ser um perigo para os adversários do Vitória SC a longo-prazo ou se é somente um “diamante” que dificilmente conseguirá ser polido ao ponto de singrar no futebol português ou numa liga de igual/superior nível nos próximos anos, tendo para já fracassado por completo na sua primeira época na Liga NOS em 2020/2021.


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